Respeito é bom

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“Mineiro tem um coração muito legal e tal, mas a classe artística sempre foi muito desunida. Quero fazer convergir todas as vertentes artísticas para criar uma grande amizade musical. Está faltando valorizar os músicos daqui pela qualidade que eles têm. Estou aqui para ajudar nisso e por reconhecer a qualidade dos nossos músicos. A invasão dos festivais de jazz em Belo Horionte, inclusive, não aconteceu por acaso”, afirma Toninho. Sempre com agenda cheia no exterior, o músico quer diminuir temporariamente as viagens para fora do Brasil com o objetivo de poder se concentrar nas atividades do Aqui Ó Jazz.

Músicos da cena instrumental mineira atendem convite de Toninho Horta para registro nas escadarias do Instituto de Educação, sede de festival de jazz nos anos 1960, no lançamento do projeto Aqui Ó Jazz

A iniciativa Toninho teve depois de experiências não muito bem-sucedidas como atração musical de casas belo-horizontinas, insatisfeito com a qualidade de palco, som e luz. “Acho que vida de músico sempre será assim, com os profissionais tocando em todo tipo de situação, como bar e casamento, mas é preciso que façam isso com dignidade e que ganhem o dinheiro deles direito. Quero atrair a atenção da classe. Comprei essa briga”, explica o músico. Expoente da cena instrumental brasileira, ele tem experiência para falar do assunto, pois não é difícil vê-lo se apresentando pelos bares e cafés da cidade.

Nos próximos três meses, o artista e sua banda tocarão sempre nas noites de quarta-feira no 7 Cumes, incluindo dois blocos de 50 minutos e “canja” de músicos convidados ao final. Estarão sempre com ele Magno Alexandre (guitarra), Cleber Alves (saxofone), Daniel Silveira (piano), Beto Lopes (baixo) e Laércio Vilar (bateria). Assim que a quarta-feira do bar “pegar”, Toninho quer revezar com outros nomes do instrumental mineiro, dando ao público oportunidade a mais para que conheçam bons trabalhos feitos no estado.

O QUE VEM POR AÍ

• CD duplo da Orquestra Fantasma (um deles inédito)
• CD e DVD com o baixista norte-americano Buster Williams
• CDs Minas/Tokyo e Japa, em homenagem ao Japão
• Participação no CD do baixista norte-americano Rufus Reid
• Turnê com o saxofonista norte-americano Ronnie Cuber
• Parceria com o gaitista alemão Hendrik Meurkens
• Shows na Europa com o violinista austríaco Rudi Berger
• Turnê pela Itália, Espanha, Áustria, Suíça e China em agosto

Ouro e prata

Além disso, o artista promete para breve a circulação de calendário mensal que reúna os shows de música instrumental em Minas Gerais para que o público se oriente e se programe com antecedência. Entre os eventos a incluir nele, promete, está o festival também batizado de Aqui Ó Jazz. A primeira edição será ano que vem, em data a coincidir com os 50 anos da realização do Festival de Jazz e Bossa Nova em Belo Horizonte, evento no qual o irmão Paulo foi eleito o melhor contrabaixista e o conjunto de Aécio Flávio (que gravou sua música Flor que cheira a saudade), melhor grupo instrumental.

Acumulando notáveis como Eric Clapton, Pat Metheny e John Pizzarelli entre seus fãs, o guitarrista quer valorizar a “prata da casa” no festival que terá sua curadoria, ou seja, as atrações serão exclusivamente músicos que moram em Minas Gerais. “Será o contrário do que acontece nos outros festivais de jazz da cidade. Esses produtores fazem bom entretenimento, mas tiram muito o chapéu para o que vem de fora. A prata da casa tem de ser mais valorizada”, avalia.
Gente como o próprio Aécio, Célio Balona e Chiquito Braga será tema de documentário que vai registrar a velha guarda instrumental da cidade, como maneira de preservar a memória musical da cidade e reverenciar o talento desses mestres, que, na visão de Toninho, “instruíram, inclusive, o Clube da Esquina”. Os profissionais envolvidos nesse filme ainda não começaram a gravar, pois ainda estão em fase de pesquisa.

AGORA VAI Motivo de brincadeira com o artista, devido à demora na conclusão, o Livrão da Música Brasileira deverá, enfim, ser lançado este ano. Toninho quer aproveitar outra data para fazê-lo: os 25 anos do 1º Seminário Brasileiro da Música Instrumental, que criou e realizou em Ouro Preto. O Livrão, como é conhecido, reúne cerca de 700 partituras de 300 compositores brasileiros que marcaram a música no país nos últimos 150 anos, incluindo verbetes informativos sobre cada item.

A pesquisa para a obra já foi finalizada, mas como seu progresso vem se arrastando há anos, carece de atualização, o que impede o lançamento imediato da obra. “Escolhi compositores de várias vertentes, principalmente da MPB e do instrumental. Os principais foram contemplados com seis, sete músicas. O livro é uma mostra do que de melhor foi feito em termos de composição nesse período e será o material principal para a nova geração se aprofundar no estudo da música brasileira e do jazz”, acredita o autor.

Toninho Horta e convidados
Hoje, às 20h, no Bar 7 Cumes (Rua Alagoas, 1.172, Savassi). (31) 9731-3356. Entrada: R$ 15 (músicos com carteira da Ordem dos Músicos do Brasil pagam R$ 5).

(matéria do site http://www.divirta-se.uai.com.br publicada na Seção : Música – 15/06/2011 10:08)

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Uma mensagem para Respeito é bom

  1. Luiz Carlos disse:

    Respeito é bom e por vocês eu tenho…