Alaíde Costa

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Meu nome completo, Alaíde Costa Silveira, nome de nascimento. Depois eu tive o sobrenome Mondin Gomide. Eu nasci no Rio de Janeiro no dia 8 de dezembro de 1935.

Família
Nome e atividade dos pais

Meu pai é Hermínio Silveira e Manuela Costa. Meu pai era forneiro. Ninguém sabe o que é forneiro. Eu até falei pra uma menina da produção, que forneiro é aquele homem que vai lá e coloca aquele pão no forno, que cuida do pão.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças do Rio de Janeiro

A minha infância foi assim, tranqüila, em termos. Porque a gente tinha toda a liberdade, naquele calorão todo do Rio de Janeiro, quem era pobre não tinha acesso a ventilador. Eu nem sei se existia naquela época, ventiladores, ar-condicionado, essa coisa toda. E a gente tinha a liberdade de dormir com portas, janelas, tudo aberto. Acontecia absolutamente nada, você vivia tranqüila. Mas aquela dificuldade toda da família que não é bem remunerada. Como eu falei, meu pai era forneiro, minha mãe cuidava da casa. Eu cheguei até a ser babá pra ganhar alguma coisa pra ajudar na casa. Ainda menina mesmo, eu fiz isso. Eu me lembro sim, me recordo, mas eu era muito doida, porque eu não concordava com nada que eles gostavam. (risos) Muito agito pra minha cabeça. Eu gostava da calmaria, das coisas mais elaboradas. Então foi um negócio muito difícil pra mim, trabalhar com essa coisa da música. Porque a minha vida quase que toda eu ouvia dizer assim: “Ah você tem… Você escolhe umas músicas difíceis pra cantar, você tem que cantar uma coisa mais alegre, um sambinha…”, e que não sei o que, “Por que você vai cantar isso?”. Então era assim que funcionava.

FORMAÇÃO MUSICAL
Iniciação musical

Não fui eu que descobri que sabia cantar, não descobri nada, quem descobriu foi o meu irmão mais novo. Eu vivia cantarolando, aí um belo dia ele soube que havia um programa de calouros no circo no bairro, lá na Água Santa, ele foi e me inscreveu. Mas esse programa de calouros, não era dividido entre adultos e crianças, era tudo junto. Ele me inscreveu e eu falei assim: “Mas Adilson, como que eu vou? Eu não quero ir, não quero”, porque eu não queria mesmo. Eu cantarolava, mas não queria ir pra cantar assim. Ele falou assim pra mim: “Eu te inscrevi, se você não for, a polícia vem te pegar”. [risos] Eu fiquei com muito medo, eu tinha uns 11 anos, por aí. “A polícia vem te pegar”, ele com 9 anos, dois anos mais novo que eu. E eu fui pro tal do programa de calouros e ganhei o prêmio. Me lembro que eu cantei uma música que o Vicente Celestino, olha só, o Vicente Celestino cantava, mas não era aquela música, assim, toda, como se diz? Era uma música mais elaborada. Chamava-se “Minha Terra”, eu não me lembro mais os autores. Eu cantei essa música e ganhei o prêmio, no meio de outras crianças e adultos, também. Daí eu saí de lá, e os coleguinhas foram lá pro circo e tal, pra fazer torcida mesmo. Eu cheguei em casa, a minha mãe estava apavorada, já tinha corrido pra lá e pra cá procurando a gente, porque nós saímos sem ela saber. Eu ganhei o prêmio e uma bela surra por ter saído sem avisar, eu e ele, o meu irmão. E foi assim que começou. Depois houve um concurso, eu tinha 13 anos, na Rádio Tupi, promovido pelo Paulo Gracindo. E daí ele queria uma menina pra cantar com um menino lá que tinha o apelido de Chuvisco. Queria uma Chuvisca pro Chuvisco. Eu fui e tal, mas eu fui assim… eu não me inscrevi, foi uma vizinha que me inscreveu. Porque a partir do programa do circo, dos calouros do circo, eu passei a cantar nos calouros do bairro, sem surra. Tinha muito lá na Água Santa, o pessoal armar um palco na frente da casa pra fazer programa de calouro da garotada e de adultos mesmo. E daí eu passei a percorrer esses programinhas do bairro. Quando falaram assim: “Ah, você vai no programa do Paulo Gracindo”, eu falei: “Ai meu Deus do céu, eu não vou”, “Ah, mas tem que ir”, aquelas coisas todas. Eu fui e venci o concurso pra ser a Chuvisca. Mas a dupla nem chegou a ser feita, porque o menino veio logo cheio de graça pra cima de mim querendo me namorar. Naquela época eu era muito ingênua, muito moça mesmo, queria nada de namoro. E não chegou a ser feita a dupla. E depois a Tupi pegou fogo e tal. Aí passou algum tempo, eu fui ser babá de novo e eu vivia cantarolando. E a mãe das meninas, eram três meninas, mas eu só tomava conta da menorzinha. E ela falou assim: “Porque você não vai no Ary Barroso, você tem uma voz bonita”, não sei o que, “Vai lá, se inscreve”. Foi quando eu me animei de pensar: “Eu vou”. E daí eu ouvia muito a Rádio Clube do Brasil e o Silvio Caldas tinha um programa dele, ele se apresentando. E ele cantava uma música muito linda, belíssima, chamada “Noturno em Tempo de Samba”. E eu me apaixonei por aquela música. Cada vez que ele cantava, porque era rádio, não tinha vitrola, não tinha disco, não tinha nada, cada vez que ele cantava, eu ia escrevendo as frases que eu conseguia e decorando a música. E daí quando eu consegui decorar essa música, eu fui numa casa chamada Bandolin de Ouro, lá na Rua da Carioca, no Rio e comprei a partitura. Daí eu fui, me inscrevi e fui chamada. Me inscrevi e dali algum tempo fui chamada e fui ensaiar. Aí o pianista falou assim: “Ah, mas não dá pra você cantar essa música hoje porque o tom é diferente”. Lógico, Silvio Caldas e Alaíde, muito diferente. E daí ele falou assim: “Você volta semana que vem dia x”, que eu também não me lembro mais o dia que era: “E daí eu vou passar pro seu tom e daí você vai se apresentar”. Aí foi o que aconteceu, ele transpôs pra mim e eu fui. Cheguei lá, o Ary Barroso era assim, uma coisa, um gozador. Eu cheguei lá magrinha, aquela perna fininha, toda mal-vestida, não sei o que. Ele olhou assim pra mim: “Você vai cantar?”. Eu falei assim: “Eu vou cantar “Noturno em Tempo de Samba”. Aí ele perguntou: “E de quem é essa música?”. Eu falei assim: “Custódio Mesquita e Evaldo Rui”. Ele me olhou assim “É, vamos ver”. Aí eu cantei, ele adorou e me deu a nota máxima que era 5. [risos] Ainda ficou meu fã, hein? Ficou meu fã. Eu comecei a ir em tudo quanto era programa de calouros. Tinha A hora do Pato, Pescando Estrelas, tinha Papel Carbono. Tinha uma infinidade de programas de calouros, eu me inscrevia em todos e ganhava todos. Mas, eu tinha as concorrentes, Ellen de Lima, Marisa Gata Mansa. E daí chegou-se ao ponto que a gente combinava assim: “Quando você vai? Em que programa? Eu não vou”, aí a gente passou a dividir, porque se fossem todas no mesmo lugar empatava e o prêmio era dividido. Então é assim.

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João Gilberto

Deixa eu te contar como isso aconteceu. Eu estava cantando num desses programas de calouros, no Pescando Estrelas. E um músico que tocava na Rádio Clube do Brasil estava lá porque iria se apresentar depois com o grupo e me ouviu cantando e me falou assim: “O Dancing Avenida está precisando de uma crooner, você não quer fazer o teste?”. Eu fui, fiz o teste e fui aceita e comecei a cantar no Dancing Avenida. Daí um belo dia me surgiu um técnico de som da Odeon que mandou um cartãozinho pra mim e tal. Daí eu fui falar com ele e ele me disse: “Eu vou tentar um teste pra você, não te prometo, mas eu acho que vai dar certo, porque você canta de uma forma que tem tudo a ver com o que a Odeon se propõe”. Nessa época tinha a Silvinha Teles lá, Dick Farney, os cantores assim, mais lights. Ele tentou o teste e conseguiu. Eu fui fazer o teste, gravei o meu primeiro 78 rotações, chegou a conhecer? Então, aí eu gravei meu primeiro 78 rotações. E quando eu já estava gravando o segundo o João Gilberto estava no estúdio. Ele nem falou comigo, pediu o Aloísio de Oliveira, que era o diretor artístico, que falasse comigo e perguntasse se eu queria conhecer uns meninos que estavam fazendo uma música diferente, e esses meninos eram o Castro Neves, Carlos Lira, Ronaldo Boscoli, aquela turminha. Porque o Tom e o Vinícius já estavam famosos. E daí foi assim que fui conhecer a Bossa Nova, por intermédio do João. Só que ele me convidou, ligou lá pra uma vizinha e deixou recado, endereço e tudo, eu fui e ele não apareceu. Ele não apareceu, como se diz hoje, eu fiquei naquela saia justa, não conhecia ninguém. Cheguei lá, foi na casa de um pianista chamado Bené Nunes, que disse que já me conhecia, que tinha me visto cantando na Rádio Nacional. E daí eu fiquei muito amiga dos meninos, cantava com eles. E nessa época não havia o nome Bossa Nova ainda, eram aqueles encontros, e eu não sei quem foi que deu esse nome de Bossa Nova. Porque logo depois que a Bossa Nova foi lançada, muita gente não acreditava nela, inclusive a gravadora na qual eu estava, já não estava mais na Odeon, fui pra RCA Victor porque tive uma proposta boa pra ir pra lá. E daí tinha aquela coisa também, na RCA Victor não tinha ninguém cantando no meu estilo e na Odeon tinham vários. Então eu achei que tinha mais chance na RCA. Eu fui, consegui até que o João fosse me acompanhar na RCA em duas gravações, que era o “Lobo Bobo” e, antes mesmo dele gravar, era “O Lobo Bobo” e “Minha Saudade”. Só que as pessoas não acreditavam que a Bossa Nova pudesse se tornar assim tão famosa. E aí o diretor assim: “Não, porque a gente tem aqui os músicos” e que não sei o que, e já colocaram um monte de empecilhos pra eu gravar a música e depois ainda levar o João. Eu sei que a minha gravação parece rumba. É, porque ninguém sabia fazer aquela batida de violão que eles fazem, o Oscar, o João, o Carlinhos a Menescal, essa turma toda. E daí eles não deixaram, não deixaram o João tocar comigo. Eu tirar o João às 10 horas da manhã pra ir na RCA Victor tocar comigo, é uma coisa muito difícil.

FORMAÇÃO MUSICAL
Composições

Desde a época de calouros eu mexia lá, terminava os ensaios, eu ia pra lá pro piano e mexia e tal. Vinham às inspirações, por assim dizer. E foi assim que eu comecei a compor.

Voltar ao topo PROGRAMA DE TV

Fino da Bossa

Foi em maio de 1964. Eu me lembro que eu tinha um bebê de três, quatro meses, estava lá no camarim, no moisés, que chama aquela cestinha. Ficou lá no moisés, não tinha quem cuidasse dele, minha família toda no Rio, não tinha quem cuidasse e tal. E daí pra surpresa minha, foi um sucesso. É uma coisa que eu nunca vou esquecer, porque o Oscar Castro Neves veio do Rio pra fazer comigo e com a Ana Lúcia, com outros artistas. E nós fomos ensaiar dois dias antes. E ele falou assim: “Lalica”, é assim que ele me chama: “Lalica, eu fiz uma música e eu gostaria que no próximo show você cantasse.” E ele cantou a música e eu fiquei apaixonada, aí eu falei assim pra ele: “Não, não vai ser no próximo, vai ser nesse”. Eu aprendi a música, aprendi assim… rapidinho, e ele fez o arranjo também e apresentamos em primeira audição, em primeiríssima. E no meio da música o povo levantou e começou a aplaudir. Meu Deus, aquilo é uma coisa que eu jamais vou esquecer, foi uma coisa assim, porque se é uma música que você conhece, já aplaudiu no meio, tudo bem. Mas ninguém conhecia, e eu conhecia pouco. E todo mundo aplaudiu daquela forma, e eu tive que voltar três vezes. E a gravação que permaneceu foi a primeira, que eu fiquei cheia de emoção e gaguejei, mas foi a primeira que acharam que deveria ficar. E foi por aí.

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Festival Internacional da Canção, Hermeto Pascoal

Eu participei de vários universitários, ganhei prêmios, inclusive, como intérprete. E participei de um FIC. Esse FIC aí foi drástico. Foi o único. E eu fui cantar uma música do Hermeto Pascoal. Isso em 1972. E eu fui cantar uma música do Hermeto Pascoal chamada “Serearei”. O Hermeto é todo complicado com aquelas coisas dele de arranjo e não sei o que. Era época da ditadura, uma coisa horrorosa. Daí tinha um júri internacional que classificou a música. Mas os brasileiros não queriam a música. E não digo assim, que ganhasse o festival, mas eu acho que ela deveria ter permanecido pelo menos entre as cinco finalistas. E daí eu cantei, o público vaiou porque não entendeu nada. Mas mesmo assim foi classificada, porque o júri internacional conhecia, sabia das coisas. Lá fui eu pra final. Na final começaram a anunciar, eu era a segunda. Aí eu comecei a cantar: “Ai Serearei”, aí o público “Uuuuuuuuuu Uuuuuuuuu” [risos] Porque eles não entendiam nada do que o Hermeto fazia, aquelas introduções quilométricas, cheias daquelas nuances, coisa pra músico. E o público vaiando, vaiando, vaiando. Aí parou, veio lá um cara e falou assim: “Estamos com um problema de som” e me tirou do palco. E em seguida apresentaram a concorrente número três. Lá fui eu pro camarim, e falei assim: “Ah é? Porque que tem som? Tiraram o meu som e já entra outra música em seguida”. E lá fui eu pro camarim, o Hermeto e os músicos todos. Quando cheguei lá já havia até pancadaria, polícia. É, é, é. No camarim. E dizendo que o Hermeto ia colocar porcos e galinhas no palco, que isso era desrespeito. Que ele brincava muito, falava: “Vou colocar uns porcos pra fazer um som, uma galinhas”, mas tudo brincadeira. Alguém foi falar isso e acharam que era desrespeito, pápápá pápápá. E no meio da canção iam entrar os porcos e galinhas, por isso me tiraram do ar. Foram lá, verificaram que não tinha nada e polícia, não sei o que, aí falaram que eu tinha que voltar. Eu falei: “Ah, eu não volto.” “Ah, mas tem que voltar”, porque não sei o que: “O Hermeto vai ter que pagar não sei quanto de multa se você não voltar”. Eu não ia deixar meu amigo pagar uma multa se eu não voltasse. Daí eu voltei, ia lá a introdução, aquela parafernália toda e o povo “Uuuuuuuuu”, [risos] vaiando, aí terminou a introdução eu comecei: “Gente, gente”, eu só falei “gente”, aí cortaram o som de novo. Eu fiquei com muita raiva, peguei o microfone e joguei, joguei o microfone. Esse povo que estava me vaiando ficou de pé e aplaudiu. [risos] Foi muito engraçado. E fui a mais aplaudida da noite. Depois de vaia.

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Gravação/Milton Nascimento

O Milton eu conheci por intermédio de um amigo que tinha o apelido de Virgílio Jacaré. O Virgílio Jacaré, na época do João Sebastião Bar, que foi um bar muito famoso aqui em São Paulo. O Virgílio falou assim: “Alaíde, eu quero te apresentar um moço que apareceu lá no João, que tocou, que tem umas músicas maravilhosas e não sei o que”. Eu falei: “Tudo bem”. Ele levou o Milton na minha casa, isso já em 1965. Aí o Milton cantou aquelas coisas maravilhosas, não tinha “Travessia” ainda. Ele cantou “Pai Grande”, ele cantou uma infinidade de músicas, eu fiquei apaixonada. Mas eu também passava períodos muito grandes sem gravar. E não tive oportunidade de gravar o Milton naquela época. Daí quando foi… perdemos o contato, quando foi em 1970, 1971, por aí, ele chegou num programa de televisão, O Almoço com as Estrelas, do Airton Rodrigues. Eu estava no programa e ele também. Ele se apresentou, logo depois o Airton falou assim: “Eu vou chamar uma pessoa que a gente gosta muito”, aí me chamou. Eu entrei e cantei, ele pediu que o Milton permanecesse em cena. Eu comecei a cantar e o Milton nem conhecia a música. Quando terminou o programa ele falou assim: “Olha, eu vou te convidar pra cantar essa música no meu próximo disco”. Que era o Clube da Esquina. O tempo passou, o tempo passou, ele não me chamava e nada. Eu falei: “Ele esqueceu da promessa”. Daí um belo dia a Odeon ligou pra mim, que eu aparecesse, que tinha uma sucursal aqui em São Paulo, aí eu fui e falaram: “Olha, é pra você ir pro Rio dia x, a passagem está aqui, pra gravar com o Milton Nascimento”. Eu fui. Cheguei e gravei “Me deixe em paz” com ele, que eu acho que foi assim, o grande sucesso do Clube da Esquina. No estúdio estavam o Wagner Tiso, que fez o arranjo. Estava ele, o Wagner Tiso. Quem mais, hein? O pessoal do Som Imaginário.

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Avaliação

Era um estilo diferente. Porque essa coisa de Bossa Nova eu não sei como definir. Porque tem muita gente que faz música que tem tudo a ver com a Bossa Nova e não é classificada como tal. Porque o próprio Tom Jobim morreu fazendo Bossa Nova, embora não tenha aquela coisa de batida de violão. Porque quando se fala em Bossa Nova as pessoas acham que Bossa Nova é aquela “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, que não sei o que e papapá. Mas não é. A Bossa Nova abrange universos da música. E o Milton, sem querer, ele faz parte, eu acho, que faz parte, porque inovou alguma coisa, também. Como o Ivan Lins, como tantos outros.

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Me deixe em paz

Foi música de carnaval, porque antigamente, eu acho que os compositores tinham muito acesso ao carnaval. Então as músicas tristes, elaboradas e tudo mais, entravam pelo carnaval. Agora você imagine o “Me deixa em paz”: “Se você não me queria…” era assim, com uma alegria. E daí eu falei assim: “Eu vou cantar essa música mas eu vou cantar do meu jeito”. E foi assim que o Milton me ouviu cantando e gostou.

CLUBE DA ESQUINA
Avaliação

Vieram coisas, músicas, diferenciadas do que estava acontecendo naquela época. Eu acho que foi uma inovação porque naquela época estava muito aquela coisa de sambão, inclusive, era tudo sambão, sambão, sambão. E vinha também, logo depois do iê-iê-iê. Então um estilo assim completamente diferente do que vinha acontecendo. Eu não saberia como qualificar, eu só sei que pra mim soou tudo assim divinamente maravilhoso e diferente. Tem uma música lá que é do Clube da Esquina que… Ai, qual é? Eu não sei se é do Lô ou se é do Beto, “Trem azul”, vários ali, muito legal.

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Clube da Esquina

Eu achei assim muito bonito, que dá um espaço maravilhoso pra gente contar a nossa história. E só tenho que desejar muitas felicidades pro Clube da Esquina, pro Museu do Clube da Esquina e que tenham muita sorte.

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