Aluízio Salles (Juninho)

| | |

« « Retornar a página anterior

Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é Aluízio de Paula Salles Junior. Eu nasci em Belo Horizonte, em 1951.

Voltar ao topo JUNINHO

Apelido

Todo mundo me chama de Juninho. É um apelido que vem de família. Eu já me insurgi contra essa coisa do Juninho. Eu falava: “Eu não tenho cara de Juninho!” Mas não tem jeito… É uma coisa que vem de família e que depois passou para os amigos. 52 anos nas costas e é Juninho para lá, Juninho para cá.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Eu acho a minha carreira profissional muito engraçada, isto é, cheia de momentos engraçados e variados. Em 1968 eu fui estudar em Santa Rita do Sapucaí. Fui fazer um curso de eletrônica. E fiquei lá até 71. Foi até uma coisa importante nessa ligação com o Clube da Esquina, porque quando eu voltei de Santa Rita, formado em eletrônica, fui trabalhar naquilo que era o melhor emprego da eletrônica na época: na Telemig. Era um super emprego na área de telefonia. Isso foi no início dos anos 70. A minha convivência com o pessoal do Clube da Esquina se deu através do Juvenal, que era um fotógrafo colega do Fernando Brant no “O Cruzeiro”. Então eu comecei a conviver com o pessoal do Clube da Esquina. E aquele momento político complicado foi também um momento de contracultura, de revolução de costumes, foi um momento em que o mundo estava mudando muito e eu me pus também a questionar a carreira burguesa que eu tinha, aquela profissão. Porque qual que seria o meu destino? Seria fazer Engenharia, trabalhar na área de Comunicação e ter uma carreira institucionalmente definida por esse lado.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Iniciação musical

E a minha ligação com a música vem de antes disso, porque minha mãe foi professora de música, foi uma das fundadoras da Fundação de Educação Artística, que é uma escola muito significativa de música aqui em Belo Horizonte, que formou o Uakti, o Marco Antonio Guimarães; formou muita gente boa da música. É uma outra linha, diferente do pessoal do Clube da Esquina, que é mais popular. A Fundação, nessa época, tem uma linha mais clássica. Mais ligado ao pessoal do Arnaldo Godoy. Mas graças a essa convivência com o pessoal da música, com o Fernando, com o Marcinho, com o Bituca, eu comecei a reorientar a minha vida. Larguei meu trabalho de técnico em eletrônica; abandonei essa profissão e viajei um tempo. Virei maluco. Eu fui para Salvador viver dentro do carro uns tempos.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Depois disso eu fui para São Paulo, onde comecei a trabalhar em um Estúdio de som. Eu tinha sido colega do Peninha Schmidt, que hoje é um grande produtor de rock em São Paulo. Fui para a casa do Peninha e nós começamos a trabalhar no Estúdio de som, que foi o primeiro Estúdio de quatro canais no Brasil, que se chamava “Prova” e era do Scatena. E foi na “Prova” que chegou o primeiro sintetizador no Brasil. Como eu tinha uma formação muito sólida em eletrônica, nós fomos os primeiros programadores de sintetizadores do país. Então eu trabalhei como técnico de gravação de discos, com o primeiro disco do “Secos e Molhados”. E a partir daí eu comecei a trabalhar com show. Eu e o Peninha ajudamos o Té, que é o irmão da Rita Lee, a montar o primeiro PA que teve no Brasil para show, que era dos “Mutantes”. A gente ia para a Cantareira, na casa da Rita, do pessoal, e era aquela balada pesada – era barra pesada! Enfim, quem viveu, quem sobreviveu, sabe o que é que foi. E comecei a trabalhar com show também. Aí eu saí da “Prova” e comecei a trabalhar na “Val & Val”, que era uma empresa que fazia shows da Gal, do Gil, do Chico. Então eu comecei a trabalhar como técnico de som em show, em São Paulo e no Rio. Eram os tempos heróicos do show business. Era muito legal.

Voltar ao topo LOCALIDADES RIO DE JANEIRO

Teatro Tereza Raquel

Eu fiz show do Caetano com 10 pessoas no Teatro Tereza Raquel, quando eles voltaram do exílio, em 72. O Tereza Raquel era um escombro, estava só na carcaça. Não tinha poltrona, não tinha nada. Os degraus eram de cimento. Os baianos faziam muito show lá. Era onde tinha sido o Teatro Opinião, onde tinha tido vários shows do Opinião.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Então eu trabalhei como técnico de som. Mas a balada era muito pesada. Até que em 75 eu resolvi voltar e decidi fazer Comunicação. Eu tinha interrompido uma carreira acadêmica em 71, tinha mudado o curso da minha vida. Aí, quando eu larguei, eu estava fazendo “Gal Fatal”, se não me engano. A Gal até me convidou para ficar, para sair da “Val & Val”, para montar um equipamento e ficar trabalhando com ela; mas eu abri mão e voltei para cá. Fiz vestibular e entrei em Comunicação. Mas continuei ligado de alguma maneira. Fui trabalhar na Bemol , que foi o primeiro Estúdio de som em Belo Horizonte. Trabalhei como técnico de som. A partir de 77 eu fui para uma agência de publicidade. Mas desde 75 eu estava resolvido a fazer Cinema . Então eu falei: “Não, eu voltar para Belo Horizonte, vou fazer Comunicação, vou fazer Cinema .”
Então comecei a me ligar de novo ao pessoal de Cinema aqui em Belo Horizonte, que era o pessoal da AMPC – Associação Mineira de Produtores Cinematográficos. E comecei a participar das reuniões e a me ligar. E comecei a fazer o som para curtas metragens que já estavam sendo feitos. Comecei a trabalhar como assistente de direção. Comecei a fazer Super-8. Fiz alguns Super-8. Nessa época eu também fui produtor musical do “Maria, Maria” e fiz alguns documentários sobre o show em Super-8. Enfim, comecei a ensaiar a questão do Cinema . E em 77 resolvi me ligar à Publicidade, ao perceber que o Cinema em Minas tinha muito pouco mercado de trabalho para as pessoas. Fazia-se muito pouco Cinema em Belo Horizonte. Então pensei: “Eu vou para uma agência, porque talvez com uma RTV eu possa me ligar ao métier cinematográfico.” E fiz isso. Fui para a LF. Virei produtor de RTV da LF e ali eu comecei a acompanhar as produções de publicidade. Ali eu comecei a dirigir os primeiros comerciais. E aí eu me liguei mais na área de produção visual. Mas eu sempre, de alguma maneira, estudei diletantemente um pouco de música.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Mãe

Minha mãe dava aula de flauta Bloch e era uma pessoa muito ligada a esse universo. O Marco Antonio Guimarães, do Uakti, foi muito amigo da minha mãe. Muita gente da música foi amigo da minha mãe. Ela morreu muito cedo, em 68. O nome dela era Maria Antonieta Sales. Eu estudei flauta com ela. Muito. O Isaac Karabtchevsk também tinha um conjunto de flauta através da Fundação e eles ensaiavam lá em casa. Então eu sempre tive essa ligação com música. E a morte da minha mãe foi muito pesada para mim, porque ela tinha uma força de aglutinação muito grande das pessoas. O Marco Antonio, do Uakti, é louco por minha Mãe – bem, todo mundo era muito. Tem uma história tão engraçada do Juvenal com a minha mãe… O Juvenal trabalhava para a Bemol e foi em casa vender um disco do Pacífico Mascarenhas. E minha mãe falou assim: “Escuta Juvenal – o Juvenal era amigo do meu irmão – você não tem Talento para isso não. Pega essa máquina fotográfica aqui e vai fotografar.” Foi assim que o Juvenal virou fotógrafo. Então a minha mãe deu muita aula para músicos. E com a morte da minha mãe, que foi em 68, eu fui buscar apoio nos amigos. E foi quando eu me encontro com o pessoal do Bituca, do Fernando, do Lô. Eu era muito novo. Depois a gente vira o Clube da Esquina, esse nucleozinho.

Voltar ao topo LOCALIDADES BELO HORIZONTE

Saloon

Eu conheci o pessoal do Clube com o Juvenal. Acho que foi em 69, quando eu estava fazendo um Festival de Inverno. Eu estava fazendo curso de desenho do Festival de Inverno e o Juvenal chegou com o Fernando Brant. Eles me entrevistaram e botaram uma fala minha numa reportagem d´O Cruzeiro – eu fiquei metido para danar! E por essa época eu já vivia num bar muito importante do movimento, que foi o Saloon. O Bituca ia muito, o Sergio Santana, o Marcinho, o Murilo. Era um ponto da noite nessa época – 69, 70. O Saloon era em frente ao antigo Paládio. O China, o garçom do Saloon, está em uma daquelas fotos do disco do Clube da Esquina. Depois dos shows, as pessoas iam sempre para o Saloon. E quando não estava na casa do Marcinho, na casa do Lô ou na do Fernando Brant, o Bituca estava no Saloon. Era ali o ponto. Então essa minha ligação com o pessoal vem um pouco atender essa falta da minha mãe.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Instrumentos/ Saxofone

E embora eu nunca tenha sido Músico , a minha vida sempre esteve ligada à música. Tanto que depois disso o Milton fez uma escola, chamada Escola de Minas, onde muita gente se formou e onde eu comecei a estudar saxofone. Estudei por 10 anos. Mas eu sempre fui uma pessoa muito dispersiva; então eu estudei saxofone realmente em casa, por 10 anos. Eu cheguei a ser bom nesse trem. Meus professores falavam assim: “Pô, Juninho, você é maluco! Você tem é que tocar. Vai para a noite tocar. Você não tem que fazer aula bosta nenhuma, pô!” Mas eu acho que o barato da música é o coletivo.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Origem do Clube

Esse meu contato com o Clube da Esquina se deu através do Juvenal que era muito amigo do Fernando Brant. Então nessa época eu encontrava muito com o Bituca – no Saloon ou na casa do Fernando. Eu ia muito na casa do Fernando e na casa do Marcinho. Mas eu não tinha uma ligação pessoal como eu tenho hoje. Eu ia muito lá em Santa Tereza, mas eu não cheguei a ter intimidade com a Maricota, com o Salomão. Eu encontrava com eles mais na rua, na mercearia ou no bar, no Saloon. Então eu convivi com o pessoal do Fernando, com a mãe, com o pai dele, com os irmãos; e um pouco também com o Marcinho e com o Lô. A gente viajava muito junto para Diamantina. Eu tinha um Fusquinha na época, o Tidinho, e o Bituca tinha o fusquinha dele, o Totó. Foi o Bituca quem batizou meu Fusca de Tidinho – era o Aristides; o dele era o Aristóteles, Totó. Então a gente ia junto nessas viagens para Diamantina. Diamantina é uma ligação do Fernando Brant, porque a família dele é de lá. E nesse começo do encontro da parceria do Bituca com o Fernando foi-se muito para Diamantina. Então foi uma época muito legal do Clube da Esquina.
A gente ia para o Grande Hotel, que era um hotel genial na divisa de Diamantina. Era um hotel mais antigo, mais simples. O dono era meio gay, mas era um cara que adorava o pessoal. Então quando eu escuto “Na janela lateral…” eu lembro direitinho das janelas do Grande Hotel de Diamantina, que era onde a gente ficava. Todo mundo ficava lá. Era uma hospedagem barata, legal e onde aconteciam grandes baladas. Os encontros com O Beco do Mota, uma grande parte de boas músicas do Fernando e do Marcinho foram feitas em Diamantina. Foi lá que aconteceu aquele encontro com o Juscelino Kubitschek. Foi um encontro totalmente casual; a gente estava lá passeando.

Voltar ao topo EVENTOS HISTÓRICOS

Ditadura Militar

Eu era uns 2 ou 3 anos mais novo que o pessoal; era um pouco como uma mascote, o pivete da turma. Isso foi em 1972, então a repressão era pesada. Era um momento em que o Governo Militar estava pesando a mão. E o sentido do encontro do Clube da Esquina tinha muito esse sentido, esse tom de resistência. O Chico, o Caetano, eram as grandes vozes da população, no sentido de que eram o único canal que expressava a resistência. Então a gente estava vivendo um momento muito doido, de fechamento político das liberdades individuais, mas ao mesmo tempo a gente convivia com um momento de muita abertura das liberdades de costume: a contracultura, o movimento hippie, o movimento de liberação sexual. A Sônia Braga fazia Hair nua no palco e eu assisti. Eu saí de Santa Rita pra assistir. Então era um momento de contradição muito importante para a nossa geração. Ou seja, a gente vivia um impulso de liberação sexual – um impulso que o Zuenir Ventura fala no seu livro – um impulso de liberdade de costumes, um impulso de negação dos valores burgueses; e isso tudo foi muito forte do ponto de vista de estrutura de costumes. Ao mesmo tempo, a gente vivia uma repressão política muito forte. E os músicos foram os grandes porta-vozes, mais do que qualquer outra forma de expressão artística. Os compositores populares foram o grande canal de identificação da gente, que éramos revoltados, que nos víamos tolhidos, que nos víamos furtados nas nossas liberdades individuais. Eu não tive amigos pessoais que morreram, mas eu vi amigos dos meus amigos sumindo. E via aquele sentimento que estava cristalizado no Chico, na obra do Bituca, do Marcinho, do Fernando. Eles eram os grandes porta-vozes. Então o Clube da Esquina é uma coisa impressionante.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Origem do Clube

Se você for chamar o núcleo duro do Clube da Esquina, você vai chegar no Bituca, no Fernando Brant, no Marcinho Borges e no Toninho Horta, com certeza. Se você olhar em um aspecto mais amplo, você vai chegar nessas pessoas que, como eu, não foram autores, mas conviveram de perto. Porque eu viajei com o Bituca, tirei fotografia com o Juscelino e com eles. Fui para o Rio de Janeiro, para a casa do Bituca, várias vezes. Passeamos em vários lugares. Fui para Três Pontas com o Bituca. Então tem esse universo mais próximo de pessoas que não eram autores, mas que conviviam e tinham essa identificação. Ou seja, além deles serem a nossa voz, além de estarem dizendo aquilo que a gente gostaria de estar tendo oportunidade de dizer, em alto e bom som para o Brasil, a gente era amigo deles. E esse pessoal, que é meio anônimo do Clube da Esquina, está na capa dos discos. E tem os absolutamente mais distantes mesmo, que são milhões, que são pessoas que repercutiram isso. Quer dizer, que ouviram falar do Clube da Esquina e que tinham essa identidade com esse momento. O Fernando Brant tem uma frase linda, com uma música do Toninho, assim: “Esse jornal é o meu revólver.” Quer dizer, a obra do Milton Nascimento, a obra do Toninho Horta, a obra desses músicos, fazia da canção o revólver deles. Era a arma de combater. E a gente se identificava muito nisso tudo.

Voltar ao topo DISCOS

“Clube da Esquina”

Eu acho que o primeiro disco, “Clube da Esquina”, é o clímax desse sentimento, ou seja, é uma expressão do mundo que estava acontecendo politicamente, em que o Governo Militar estava matando, oprimindo, estava tolhendo a voz, acabando com a liberdade de expressão. E quanto a gente tinha 20 e poucos anos, a gente tinha esse impulso natural de querer ter voz, de querer ser um indivíduo, de querer participar do Museu da Pessoa, de querer sair daquela massa. É um sentimento muito intrínseco da idade. Você quer se individualizar. E a gente estava convivendo com aquela repressão e, ao mesmo tempo, com a contracultura do movimento hippie no Hyde Park. Eu acho que Belo Horizonte tem uma tradição engraçada, que é de ser fora do eixo. Ou seja, Minas Gerais não faz parte do eixo Rio-São Paulo. E isso é muito interessante, esse sentimento de ser mineiro. Quando eu morei em São Paulo e no Rio eu senti isso muito de perto. Eu sentia que as coisas que estavam na mídia nacional estavam acontecendo ao meu lado. E aqui em Belo Horizonte isso não acontecia. Só foi acontecer com o movimento musical do Bituca, do Fernando e do Marcinho. Quer dizer, uma coisa que tinha expressão nacional estava acontecendo aqui em Belo Horizonte, ao nosso lado. Então, além de ser amigo deles, a gente tinha muito orgulho.
E o disco do Clube da Esquina, que musicalmente é maravilhoso, é um disco que a gente acompanhou. Eu via esse sentimento dele ser uma obra coletiva. O Bituca era o grande agregador. E o Bituca já estava nesse trânsito de Belo Horizonte, era um pouco a nossa ponte dentro da cultura nacional. E a gente acompanhava. Eu não fui àquela casa na praia em que o pessoal ficou, mas eu tinha notícias dela constantemente através dos amigos, do próprio Marcinho quando ele voltava, do Fernando, do Juvenal. E quando o disco saiu, ele teve uma ressonância nacional imediata. O Clube da Esquina foi um disco que aconteceu. E eu até tenho uma fotinho minha lá, pô! Eu era do Clube da Esquina, eu era da turma, porra! Então, além desse meu sentimento pessoal, do momento que eu vivia, um pouco depois da morte da minha mãe, eu tive um reencontro com a música, com a musicalidade desse pessoal todo. Tinha essa coisa de tribo mesmo. Eu sempre tive um orgulho enorme da minha foto estar na capa do disco ali.
Eu gosto de qualquer música desse disco, porque quando eu escuto, elas me remetem a alguma coisa. Por exemplo, “Janela lateral”. Eu me lembro daquilo que o Marcinho fala nos livros dele, que foi a sinfonia dos sapos que o Bituca, o Marcinho e o Lô cantaram com os sapos na sentinela em Diamantina. Eu estava lá presente. E foi um negócio lindo. Entardecer, a noite caindo, e o Bituca cantando com os sapos na sentinela; o Lô cantando também, tocando Violão . Então cada música para mim traz uma lembrança. Mas o disco é esse momento político, esse momento musical, esse momento pessoal dos 20 e poucos anos. Eu tinha esse orgulho de ser amigo das pessoas que estavam levantando a voz contra a ditadura, das pessoas que estavam levantando a bandeira libertária. Enfim, eles eram os nossos ídolos. Eram as pessoas que estavam dizendo aquilo que a gente queria ter a oportunidade de dizer e que assinava embaixo.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Museu

Eu acho sensacional a idéia do museu pelo seguinte: ele está permitindo à essa geração e a todos nós que estamos dando o depoimento de reescrever a própria história de vida. Eu acho que o museu te oferece essa oportunidade, de você repensar esse momento e o que ele significou na sua vida. E eu sinto que o museu vai dar essa oportunidade de olhar sob novas luzes até mesmo para as pessoas que foram agentes muito atuantes no Clube da Esquina. Eu acho que foi um momento muito rico, por causa de todas essas vertentes que eu estou falando aqui – da mudança dos costumes do mundo inteiro; do cerceamento das liberdades individuais e políticas no mundo e, particularmente, no Brasil; e da passagem da nossa geração pelos hormônios dos 20 anos. Eu acho que o museu vai permitir repensar isso porque, no final dos anos 80, o trauma dos anos de chumbo foi muito grande. E se falou muito pouco. Eu acho que Anos Dourados, da Rede Globo, não refletiu nada do que foram os anos 70. Então isso é uma coisa que ainda está para ser falada na História do Brasil. E a música do Milton, as letras do Fernando, as letras do Marcinho, a música do Lô, a música do Beto e de todo esse pessoal, foram os nossos porta-bandeiras. Então acho que todos nós vamos repensar o que foram esses anos aqui em Belo Horizonte, e que certamente foram muito importantes.

Fale na Esquina

Fale na Esquina

Deixe uma mensagem

4 Mensagens para Aluízio Salles (Juninho)

  1. Ana Maria P. Almeida disse:

    Acabei de ler esta reportagem sobre o Juninho, que eu conheci em Santa Rita como " Pingo ". Estava pesquisando na internet, num " ataque de saudosismo , " sobre amigos que fizeram parte de minha adolescência em Santa Rita, e qual não foi minha surpresa ao me deparar com a foto e a história deste amigo que foi muito importante em minha vida. Pingo, espero que vc receba este meu pequeno contato. Hoje moro em Brasília. Um grande abraço .

  2. Mário Borges disse:

    Aluizio,bom dia, a matéria do filme Pipiripau,me interresei,uma obra tão importante que não pode ser esquecida pela novas gerações,por isso participei da Assembléia este ano, um livro de poesias um dos temas é o Pipiripau,gostaria de ter a oportunidade de lhe presentear e quem sabe
    podemos até mesmo apresenta-la no filme,para mim seria uma grande
    honra!abvraços que Deus te abençoe Mário Borges 31 97267134

  3. Mário Borges disse:

    tudo bem Mário Borges