André Quintão Silva

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é André Quintão Silva. Nasci na cidade de Belo Horizonte, em 5 de agosto de 1964.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Sempre estudei em escolas públicas. Tive a oportunidade de fazer o antigo científico no Colégio Estadual Central. E aos 15 anos comecei a trabalhar na extinta Minas Caixa, como mensageiro concursado. Depois, em concurso interno, fui escriturário e por lá fiquei praticamente 8 anos, até perto da extinção dessa instituição. Fiz o curso de Serviço Social na Universidade Católica de Minas Gerais, e de Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais. Foi num período de transição da ditadura para o regime democrático no país. Lá na universidade iniciei uma forte militância no movimento estudantil. Fui coordenador do DA de Serviço Social e do DCE da Universidade Católica. E já no início da década de 80 me filiei ao Partido dos Trabalhadores. Fui assessor parlamentar, de 89 a 92, do então vereador Patrus Ananias. Fui Secretário de Desenvolvimento Social no primeiro governo do PT em Belo Horizonte, na gestão do Patrus. Fui Vereador eleito em 96, no primeiro mandato, tendo sido líder do prefeito Célio de Castro na Câmara Municipal. Depois tive a oportunidade de ser reconduzido à Câmara no segundo mandato, no ano de 2000. E no ano de 2002 fui eleito deputado estadual pelo PT. Hoje, na Assembléia, sou presidente da Comissão de Participação Popular e Coordenador da Frente Parlamentar dos Direitos da Criança e do Adolescente. E como profissão sou Assistente Social concursado e licenciado da Prefeitura de BH.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Avaliação

Eu conheci o Clube da Esquina através das músicas. Tinha uma admiração, uma vinculação e intensidade muito grande já no final dos anos 70. A minha irmã Andréia era Presidente do Diretório Acadêmico dessa Faculdade de Ciências Médicas e eu sempre visitava o Diretório, especialmente pra ver os discos novos e os discos do Clube da Esquina. Eu gravava e levava a minha fita K-7 para casa. E com o meu primeiro salário na Minas Caixa, de mensageiro, eu adquiri um som Gradiente em suaves e longas prestações… E a partir daí comecei a ter condição de adquirir discos e fitas k-7.
E essa vinculação foi muito forte por alguns motivos: eu acho que o conteúdo da produção musical do Clube da Esquina reforça valores humanistas; valores simples, mas tão distantes da nossa realidade e da realidade brasileira. É presente na produção do Clube da Esquina palavras e sentimentos como paz, amor, verdade, esperança, utopia. Coisas simples, mas fundamentais, que nos estimulam e nos auxiliam a ter uma compreensão mais amorosa da vida. Então foi uma fase extremamente importante para mim. Era a fase que eu me formava profissionalmente e era a fase que eu me formava do ponto de vista de cidadania. E a produção musical do Clube da Esquina foi e é uma presença permanente nos meus bons e maus momentos também, que cada um tem em sua vida. Agora, essa vinculação em primeiro lugar foi pela produção musical em si; o Milton, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, enfim, o conjunto. Sem falar também nos letristas – no Márcio, no Fernando Brant, no Ronaldo Bastos. Posteriormente, já na atividade política, eu tive a oportunidade de conhecer alguns mais de perto. E felizmente tenho uma grande identificação com o Lô Borges. É costumeiro encontrá-lo pelas ruas de Santa Tereza.

Voltar ao topo DISCOS

“Clube da Esquina”

Evidentemente o próprio Clube da Esquina reforça muito a ligação com a cidade de Belo Horizonte. Eu sou um belo-horizontino apaixonado. Então quando a gente lembra do “Curral del Rei”, a música fala exatamente da nossa história, da história de Belo Horizonte. E é a simbologia da esquina. A esquina não é simplesmente um cruzamento de ruas. Nas ruas moram famílias, pessoas, seres humanos. Então a esquina também é a possibilidade do encontro, do convívio entre as pessoas, que podem se encontrar à noite e dividir a lua, a solidão. E essa música me marcou muito, porque resgatou essa dimensão de Belo Horizonte.

Voltar ao topo OUTROS DISCOS

“Disco do Tênis” / “Clube da Esquina 2”

São muitas as músicas que me marcam. O arranjo do “Girassol” é muito forte. É uma música que mostra toda a dimensão, a pluralidade, a abrangência do Clube da Esquina e das possibilidades de arranjo. É uma música, desse ponto de vista, que me marcou muito. Do ponto de vista de disco, um outro disco que me marcou muito foi o “Tênis”. Inclusive a capa do “Tênis” diz muito, porque a minha vida era de muito tênis surrado: é o tênis surrado para ir na universidade; é o tênis surrado para ir no cinema; é o tênis surrado para ir trabalhar na Minas Caixa. E aquele tênis ali simbolizou muito isso. É a vida de cada um de nós. Lá tem uma música, “Faça seu Jogo”: “Jogue sua vida na estrada…” Eu viajo muito pela minha atividade política e profissional de deputado, e a gente se jogou um pouco na estrada no Brasil, acabando com a ditadura e iniciando o processo democrático. E hoje também construindo um mundo melhor. Mas são centenas de músicas. E o “Clube da Esquina 2” também é belíssimo. “Contos da Lua Vaga”, do Beto Guedes, também é uma música que fala das gerações futuras. “Manuel, o Audaz”, do Toninho do Horta, é fantástico. Hoje Minas é entrecortado por estradas de terra, localidades, distritos. Eu adoro viajar por Minas Gerais. As “Minas” são várias mesmo e cada lugar tem sua riqueza. Então sempre que eu viajo, eu levo o Clube da Esquina. E é exatamente aquilo. Eu acho que o Clube da Esquina cantou Minas Gerais nas suas várias dimensões. Então dá essa identificação cotidiana. E eu trato o Clube da Esquina sempre no presente.

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Santa Tereza

Tenho uma história pessoal com Santa Tereza, que é muito interessante. Eu sou casado desde 92 e minha filha nasceu no ano de 97. E já estava na hora de buscar um bairro onde eu pudesse fincar mais raízes. E a identificação com o bairro de Santa Tereza era muito grande, em função até do Clube da Esquina. Santa Tereza sempre me trazia a idéia de tranqüilidade, de calma, de encontro das pessoas, de famílias, dos bares. Da produção e vocação culturais. Então eu escolhi Santa Tereza para priorizar a minha moradia. E fui, na época, nas imobiliárias pra alugar um apartamento. E peguei um endereço – rua Divinópolis, número tal. Aí fui verificar o apartamento e por coincidência era exatamente a um quarteirão da famosa esquina, inclusive onde tem uma placa – que foi colocada até na época do governo Patrus, quando fizemos a homenagem. Então o apartamento era praticamente a quatro, cinco casas da esquina. Então, na mesma hora, eu já fui na imobiliária e fechei o negócio. Isso me trouxe uma alegria fenomenal. Quer dizer, toda aquela ambiência, tudo aquilo que eu acompanhava desde jovem, agora eu teria a oportunidade de morar, de residir ali, tão próximo daquela esquina que me encantava. Como eu disse do “Clube da Esquina 1”, era a esquina do encontro, do “Curral del Rei”. Porque de lá a gente avista inclusive a Serra do Curral – é muito próximo da Serra do Curral. Hoje eu tenho um apartamento próprio em Santa Tereza, bem próximo da rua Divinópolis. Essa história ficou marcada.

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Lô Borges

Eu tenho uma identificação e acompanho mais a produção do Lô Borges – de ir em shows, de comprar CDs, etc. E um dia, domingo pela manhã, eu encontrei com o Lô Borges no Bar do Lúcio, que é de Bocaiúvas – nós temos grandes amigos lá. E foi a primeira vez que eu conversei com ele. Conversei muito com o Lô Borges sobre o Clube da Esquina, sobre o futebol, sobre Belo Horizonte. E aquilo quebrou para mim, porque a minha relação com o Lô Borges era de fã. E, de repente, aquela oportunidade de, em Santa Tereza, encontrar com o Lô Borges; como fã, foi muito importante. E também por conhecê-lo como ser humano, como cidadão. E aquela foi uma oportunidade boa. Depois ela se repetiu. O Lô tem o grande defeito de ser cruzeirense, mas isso a gente releva… (risos) Aliás, tem muito cruzeirense e americano no Clube da Esquina. Tinha que ter um pouquinho mais de atleticano. (risos)

Voltar ao topo LOCALIDADES BELO HORIZONTE

Santa Tereza

Eu tenho uma atividade profissional que me obriga a ficar em BH nos dias de semana. Terça, quarta e quinta são os dias de reunião ordinária da Assembléia. Sexta, sábado, domingo e segunda são os dias que eu dedico às viagens para o interior. Então eu não tenho tanta possibilidade de permanecer em Belo Horizonte no final de semana. Mas quando fico, é muito agradável. E eu gosto muito de ficar em Santa Tereza. Santa Tereza tem essa característica das famílias. Apesar de que até teve um aumento da marginalidade, da violência, mas ainda é possível em Santa Tereza você encontrar famílias com mesas, com cadeiras do lado de fora. Eu gosto muito de andar em Santa Tereza. As ruas de Santa Tereza são arborizadas, bonitas. É um bairro que tem praças. Então eu gosto muito do meu cotidiano em Santa Tereza: caminhar, de preferência com a minha filha ; levá-la na pracinha, passando pelas casas ou mesmo pelos bares, onde a gente encontra muitos amigos pra conversar também das coisas boas da vida, de futebol, de música, de cinema, do bairro. Então essa é uma relação muito próxima. Lá tem bons locais para se alimentar. Então lá você passa um bom dia só andando pelas ruas de Santa Tereza. E em especial com crianças nas praças. Eu acho que é um bairro que me permite muito isso.
Agora, só faltou o campo do Sete ou o Mineirão ser em Santa Tereza(risos) . Aí seria o final de semana completo, porque também no meu cotidiano, quando fico aqui em Belo Horizonte, um dos lugares que mais me relaxa é o Mineirão. Apesar do nosso time não estar tão bom, aquela força da torcida é muito legal. Então eu acho que Santa Tereza é um bairro que permite esse convívio. Então o meu cotidiano é muito caseiro. Eu gosto muito de ficar em Santa Tereza. Quando eu fico em Belo Horizonte, não tem aquela necessidade de ir para outro bairro, de ir para outro lugar, de ir para clube, não. Santa Tereza me supre.

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Clube da Esquina: Museu

Uma cidade, um bairro, um Estado, um país que não resgata a sua memória, ele não se realiza. A memória histórica tem um papel de resgate, de preservação de coisas que influenciaram gerações. E também tem um papel de continuidade, de integração, de intercâmbio. O Clube da Esquina foi fundamental e é fundamental em vários aspectos. Minas tem uma vocação, uma tradição cultural muito forte em vários campos: artesanato, teatro, dança, produção literária. E o Clube da Esquina fortaleceu a dimensão da produção musical mineira. Abriu espaços, internacionalizou, nacionalizou as possibilidades e a produção mineira. Então você resgatar o Clube da Esquina é resgatar a história da produção musical. É resgatar a história da música em Minas Gerais. Então esse é um aspecto fundamental.
O segundo é propiciar esse intercâmbio com as novas gerações. Um episódio também que me chamou muita atenção foi o encontro musical do Lô Borges com o Skank. Porque Santa Tereza também é Santa Tereza do rock de garagem. E o museu vai permitir uma troca, uma integração entre as novas gerações, inclusive algumas de parentes, de pessoas ligadas aos componentes do Clube da Esquina, porque o que foi produzido é muito permanente. A produção musical do Clube da Esquina é muito viva. Quando a gente vai nas letras das várias canções, das várias produções musicais, a gente vê que a temática é muito presente. Então eu acho que esse contato também das novas gerações com o Clube da Esquina vai permitir, inclusive, um aperfeiçoamento, uma boa construção. E vale também para os membros fundadores do Clube da Esquina, que também se aperfeiçoam com o que é produzido hoje de novo em Minas Gerais.
Agora, o que eu acho que é fantástico, é que vai resgatar não só a produção musical mas também as histórias. Todo o momento. Porque foi um momento do Brasil onde se reforça muito as coisas negativas. Foi o período da ditadura militar. Mas eu acho que no interior, no subterrâneo da ditadura, a sociedade – através de várias formas – resistiu. O Clube da Esquina não é uma resistência direta, não há intencionalidade direta, não há música de resistência. Mas quando a gente vê os valores que os fundamentaram, os valores presentes nas músicas do Clube da Esquina, são valores que estimularam todos nós na nossa luta por uma sociedade melhor, por uma utopia. Uma sociedade mais justa para todos. Eu acho que tem essa dimensão histórica também. Muita gente associa a música de resistência – e evidentemente com seus méritos – ao Chico Buarque, ao Geraldo Vandré, ao Gil ou ao Caetano, que com razão sofreram muito no exílio pela sua posição política. Agora, o Clube da Esquina coloca questões que nos ajudaram também a enfrentar a ditadura. Evidentemente que essa compreensão e essa interpretação é livre. Depende também de como cada um assimilou para si a produção musical do Clube da Esquina.
Eu fiquei muito feliz com essa iniciativa do Museu. Eu vi pela imprensa, porque para nós de Belo Horizonte e em especial para mim, que hoje moro em Santa Tereza, o Clube da Esquina tem uma presença muito forte. Com o Clube da Esquina eu vivi a minha juventude; com o Clube da Esquina eu participei do movimento estudantil e viajei muito por Minas Gerais. Eu namorei muito. Com o Clube da Esquina eu me casei. A minha família, que ouve os CDs, as fitas, os discos do Clube da Esquina, também vai tomando gosto pela sua produção. Então eu fiquei muito feliz.

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Clube da Esquina: Homenagens

Tem um outro fato que eu não relatei: na Câmara Municipal, a homenagem ao Clube da Esquina foi no mês de dezembro de 2002. Foi no meu último mês de mandato de Vereador – eu já tinha sido eleito Deputado Estadual na eleição de outubro de 2002. Então foi uma das últimas solenidades que eu participei como Vereador em Belo Horizonte. E eu tive aquela sensação de fechar com chave de ouro o nosso mandato, porque era uma homenagem das mais justas e das mais necessárias. Uma homenagem que foi carregada de muita afetividade. Não foi mais uma homenagem na Câmara; foi um reconhecimento muito sincero. E naquele dia eu pensei muito na nossa história, na predileção pelo Clube da Esquina e na oportunidade que a gente estava tendo de homenageá-lo. Às vezes, os próprios mineiros não reconhecem a sua produção; às vezes, a população de outros estados não reconhecem. É muito comum dizer que as pessoas têm que sair de Minas para ter o seu trabalho reconhecido. Então esse reconhecimento público sobre a importância do Clube da Esquina também me deu uma dimensão de muita alegria nessa solenidade.

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Clube da Esquina: Museu

E acho que esse museu é mais um espaço de valorização, de divulgação. Porque afirmar o Clube da Esquina é afirmar Belo Horizonte, é afirmar Minas Gerais. Na perspectiva daquelas palavras recorrentes, que estão em todas as letras: esperança, paz, amor, amizade, verdade, sinceridade, utopia, compromisso com as futuras gerações. Eu diria que o Clube da Esquina é uma companhia cotidiana no exercício da minha cidadania e também nos meus bons momentos de prazer, como disse, ajudando a gente a ter uma compreensão mais amorosa da vida.

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