César Maurício

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, local e data de nascimento

Meu nome é César Maurício e eu nasci em Belo Horizonte em 1964.

FAMÍLIA
Pais

Meu pai se chama Benonil Alberto e a minha mãe Maria Nícia de Almeida Alberto. Meu pai é professor de matemática aposentado e minha mãe é do lar.

FORMAÇÃO MUSICAL
Músicas que ouvia

Eu ouvia o que tocava no rádio, apesar da minha casa não ser uma casa assim onde a música brotava. Acho que nem rádio direito tinha. Acho que eu ouvia a Rádio Itatiaia. Mas eu vi todo mundo que tocava na TV, na época. Benito de Paula, tudo que pintava na reta a gente ouvia. Isso estou falando da minha infância, não é? Mas a minha adolescência eu fui ouvir punk rock, basicamente The Clash e Sex Pistols.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Influência familiar

Dentro da minha casa não tinha ninguém ligado à música. O meu avô – que quando eu conheci já era velhinho e tudo –, eu sabia da história dele, que tocava cavaco nos botecos de Belo Horizonte. Era o único que mexia com música na família.

FORMAÇÃO MUSICAL
Iniciação musical

Tudo começou com uma, eu não sei… Acho que do nada mesmo. Eu pedi ao meu pai um violão. Eu gostava demais de música. E ele me deu de presente para eu fazer aula com um moço do centro da cidade. Depois fiquei naquela situação de comprar revistinhas e ficar tirando as músicas. Aí eu tirava música da Rita Lee, Lulu Santos, do Lô Borges, Milton Nascimento, Caetano Veloso, basicamente assim, e Chico Buarque.

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Virna Lisi

O Virna foi minha primeira banda, banda que gravou disco, essas coisas… Foi minha primeira banda e começou do encontro que eu tive com… Eu já tocava com o Ronaldo Gino, uma época, lá do bairro mesmo – Jardim América – e tinha uma bandinha que tocava nas festinhas do bairro. Depois a gente encontrou com o pessoal de Montes Claros, que era a outra parte do que veio a ser o Virna – o Marcelo, o Marden e o Marquinho. E a gente estava a fim de fazer um som que fosse só nosso. Já estava procurando fazer alguma coisa que misturasse com samba, por conta de gostar mesmo do samba; e até ser um pouco referência pra gente. E assim que surgiu o Virna e a idéia de misturar, naquela época, rock’n’roll com elementos de samba. A gente fez três discos e no terceiro disco a gente achou que cada um queria seguir o seu próprio caminho, já tinha descoberto outras possibilidades, todo mundo fazia faculdade. Estava tomando um tempo também essa coisa, um fazia arquitetura, outro fazia cinema, outro fazia publicidade e tal. Aí foi ficando um pouco pra traz a música, até porque o espaço do mercado…, a gente talvez não tenha sabido lidar com ele e aí a banda foi ficando num lugar pouco interessante pra nós. A gente optou em deixar os discos só mesmo.
O Virna passou por mais de uma gravadora. A primeira gravadora foi a Tinitus, antes mesmo de ter essa coisa de independente, isso foi em 90. Pena Schimidt que era produtor dos Mutantes, da Rita Lee, descobriu a gente. Quando a MTV veio para o Brasil a gente tinha mandado um videoclipe para a MTV e tal. Ele montou um selo independente e a gente gravou por ele. O segundo disco já foi uma parceria com a Polygram mais a Tinitus; e o terceiro a gente gravou pela Universal, aí já era uma multinacional.

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Radar Tantã

Aí o Virna parou, vamos colocar assim, e eu e o Ronaldo a gente continuou tocando. E conhecemos o Barral. O Barral era o baixista, montamos O Radar Tantã e resolvemos tocar. E aí a gente optou por ficar um ano só compondo. Compusemos um tanto de músicas e dissemos: “agora a gente pode fazer um disco”. Foi aí que a gente fez o primeiro disco do Radar, isso foi em 2000, 2001. Depois disso a gente rodou bastante, alcançou algumas coisas, tocou na MTV, concorreu a prêmio, essas coisas todas. Fomos tocar nos Estados Unidos – no Festival de Música independente, South By Shothwest. E gravamos o segundo disco, que se chama Passeio Entre Céu e o Sol e aí a banda acabou também. Cada um na mesma situação, eu também estava a fim de fazer o meu trabalho solo, intensificar esse meu lado de compositor, compor com outras pessoas, e tal. O Radar foi ficando e hoje é uma banda também que parou.

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Clube da Esquina

Olha, o Clube da Esquina. Eu ouvi a primeira vez na minha adolescência, nos meus dezesseis anos, dezessete, quando eu estudava no Estadual Central, mais ou menos isso. Quando eu estava lá, no Estadual Central, era motivo de roda de violão tocar Clube da Esquina. Eu lembro que tinha um colega meu que era pianista, na época estudava piano, hoje ele toca em orquestra e tudo mais, e a gente levava violão para a escola e nos intervalos ficava tocando violão. E foi assim. Agora o disco mesmo eu só fui ter em 1998. Eu comprei numa feira no Rio de Janeiro; e ele não ficou nem na minha mão, me roubaram o disco.

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Influência

Tenho muita influência do Clube da Esquina no meu trabalho, sempre. Igual eu já falei pro Lô mesmo. Ouvir as músicas deles era o que me motivava a tocar violão, e aprender aquelas melodias e harmonias diferentes. Tenho influência do Clube da Esquina completamente, principalmente do Lô Borges, muito. E do Marcinho, por conta das letras que eu sempre admirei demais.

PESSOAS
Lô Borges

Meu primeiro contato com o Lô foi uma surpresa legal demais. A história, ali na lata, contada assim: foi uma noite, em casa, tomando uma cerveja e o Lô – nunca tinha conversado com ele – e ele me ligou e falou: ”cara, eu queria muito fazer umas músicas com você”, e tal. Ele conseguiu meu telefone porque era amigo de amigo. O Marcelo Pianetti estava trabalhando com ele, no início do trabalho. Aí ele falou assim, que já me conhecia, precisava conhecer o trabalho, “adoro o Virna” e tudo o mais e “adoro as suas letras, vamos fazer coisas?” Eu fiz, “nossa, é prá já!” E assim a gente começou essa parceria que para mim é uma honra muito grande.

Voltar ao topo EVENTOS

Encontro de Gerações

A gente fez um projeto que, quando a gente viu – o Lô percebia isso, e a gente também – essa proximidade da música do Radar, especificamente, com a música dele. Era muito óbvio, porque a gente se baseou em muito no trabalho deles para construir esses dois discos e, principalmente, o segundo disco, esse “Passeio entre céu e sol”, a gente queria usar e usou como referência a música feita por eles. E a partir disso a gente viu essa afinidade e propusemos para a lei o projeto que juntasse essas duas gerações, com essa diferença de tempo, pra poder fazer os shows juntos e mostrar para as pessoas não só que as músicas têm essa proximidade e essa singularidade, mas que pudesse mostrar também que tem outros caminhos além, sabe? Transpor essa barreira do preconceito que às vezes a gente vê as pessoas dizendo: ah, música de Minas, música não sei o quê.

TRABALHOS
Parcerias

A minha primeira parceria com o Lô foi no disco Um dia e Meio. E agora nesse disco novo BHANDA já vem mais outras. Nesse o Lô gravou uma música minha e do Barral, que é “Pode Esquecer”, e uma que eu fiz com ele que chama “Bicho de Plástico”.

CLUBE DA ESQUINA
Avaliação

São milhares as contribuições trazidas pelo Clube da Esquina à música brasileira! Assim, dentro do contexto histórico, por exemplo, a música que era feita no início dos anos 60 era muito mais voltada, a MPB era mais voltada, talvez, pro samba e essa coisa que estava se desenrolando, a Bossa Nova, até chegar. E aí eu vejo como um contraponto a música feita em Minas, basicamente em Belo Horizonte, não em Minas. O Clube da Esquina é um movimento específico, da esquina mesmo. É que contrapunha, onde juntava essa visão do rock-and-roll, feito pelos Beattles, que é referência até hoje, e vai ser eternamente, com a música popular brasileira. Valorizando também a qualidade da escrita, que eu acho muito importante, não que as outras músicas não tivessem, que é isso? O samba, a bossa nova, só tem clássicos; na literatura, das letras e essa situação toda.

Voltar ao topo MUSEU

Clube da Esquina

Eu estou achando o máximo estar dando esta entrevista para o Museu, cara. Eu acho que Museu é aquela coisa, não é? É o lugar da cultura ali. E eu me sinto fisicamente integrante dessa cultura, que ela desenrola e desenvolve. E tudo o que eu quero e queria mesmo, que eu tive como meta, era poder participar de algum jeito dessa formação cultural, pop também, vamos dizer assim, da minha cidade, Belo Horizonte, que eu gosto demais.

CLUBE DA ESQUINA
Considerações finais

Que mais pessoas possam estar aqui na frente da câmara, dando seu depoimento e acumulando mais informação para as pessoas que virão no futuro.

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