Cristiano Quintino

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é Cristiano Quintino Gomes. Nasci em 24 de setembro de 1951, na Cidade Jardim em Belo Horizonte.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividade profissiona

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A fotografia apareceu na minha vida numa necessidade, numa época que eu corria de kart e tinha uma coluna nos jornais O Estado de Minas e Diário da Tarde escrevendo sobre kart também. Eu pedia a um fotógrafo do jornal para ir cobrir as provas para eu ter as imagens pra matéria e sempre faltavam as imagens do piloto que era o melhor. Às vezes o fotógrafo de jornal pega muitas pautas no mesmo dia e às vezes ele tem que passar por vários lugares ao mesmo tempo. Não dá pra concentrar as suas atenções e as imagens ficavam faltando. Eu fui fazer a cobertura no campeonato mundial em Estoril, em Portugal, e então eu levei uma máquina fotográfica para registrar todo esse evento lá. Esse negócio é muito antigo, porque na época quem foi campeão mundial de kart foi o Ricardo Patrese, que já até parou de correr. Depois disso, eu comecei a me interessar mais pela fotografia, comecei a fotografar de hobbie e depois fui aprendendo e comecei a usar a fotografia como uma forma de comunicação. Minha história com fotografia começa por aí. Depois, eu comecei a fazer os cursos de fotografia e profissionalmente eu comecei a fotografar. Eu tive uma oportunidade com a ator José Mayer, que me convidou pra fazer as fotos de uma peça dele. O José Mayer sempre foi um cara muito profissional nas coisas dele, então, quando o espetáculo estava montado, ele fazia um ensaio especial, com a luz do espetáculo, com o figurino, com o cenário, com iluminação e pegava as principais cenas do espetáculo para fotografar. Então eu fazia esse trabalho e foi também a primeira vez que eu vi essas fotos minhas publicadas no jornal como release da peça. Elas ficavam também na porta do teatro convidado as pessoas para verem o espetáculo. Então a minha história começa mais ou menos dessa forma com a fotografia.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Avô

Meu avô foi dono dos cinemas em Belo Horizonte, então a gente tinha as carteirinhas de permanente e ia principalmente para o Cine Brasil, que era superbacana. A gente subia para o terceiro andar, que era onde eles compravam os filmes que iam passar. A gente, desde pequeninho, acompanhava essa história de cinema, escolhendo os filmes. Eu via de primeira mão. Às vezes eu entrava no filme só pra ver o jornal, pra ver o futebol no Canal 100, então tinha essa coisa com o cinema. E teve um tio também, o tio Marcio, que fez o Cine Grátis, que era o filme que passava nas praças e nas ruas de Belo Horizonte. Então a gente era pivetinho e saía atrás da caminhonete dele pra ver os filmes nas praças. Tinha toda essa ligação com cinema desde pequeno.

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Milton / Beto Guedes / Lô Borges / Atividades profissionais

Tem aquela velha história que os gambás se cheiram, e a gente tinha aquela coisa de gostar das mesmas músicas, já vinha de ouvir os Beatles, de ouvir as músicas todas que ouviam naquela época. O Milton, o Beto e o Lô, a gente adorava os caras, a gente já ficava fazendo fila para esperar na porta da loja quando ia sair um disco dos Beatles. Eu lembro que quando eu cheguei de Londres uma vez e trouxe o disco dos Beatles, aquele de capa branca, que ninguém tinha aqui no Brasil, cara, fez fila lá em casa, lotou pra poder ouvir o disco a primeira vez. Então é mais ou menos nessa história de a gente ter o mesmo gosto e eu adorava eles, sempre adorei, queria muito conhecer e trabalhar com eles. Nós somos exatamente a mesma geração, da mesma idade, eu tenho a mesma idade do Beto, do Lô. E teve uma época que eu saí de Belo Horizonte e tinha o sonho de ser fotógrafo do jornal A Última Hora, do Samuel Wainer. Eu adorava o jornal A Última Hora porque era uma capa inteira de fotos e eu falei: “Ainda vou fazer foto pra esse jornal”. Então, nessa época que eu escrevia no Diário da Tarde sobre kart, o editor geral, o doutor Fabio Doyle, me deu uma carta de apresentação e eu fui pro Rio, consegui um estágio no jornal A Última Hora e fui empregado na mesma época. Logo que eu cheguei, me deram o emprego e comecei a fotografar no Rio. Passou um tempo e eu recebi um convite pra participar da Bienal de São Paulo. Ia ter uma parte da Bienal que era “O jovem fotógrafo brasileiro”, sobre fotografia brasileira, e foram uns três fotógrafos convidados daqui de Minas Gerais. Éramos Nem de Tal, eu e o José Luis Pederneiras. E também, além desse convite, eu namorava a minha atual esposa, a Flávia, e ela cantou no coral com o Milton no lançamento do disco “Minas”, no Mackenzie, e ela fez o coral em “Nas Asas da PanAir”. Então eu aproveitei as duas coisas, vim pra Belo Horizonte pra preparar o meu trabalho pra Bienal de São Paulo e ver o show e acabou que no final eu não voltei mais para o Rio de Janeiro porque eu recebi vários convites de amigos para projetos. E o primeiro disco que eu fiz com o turma foi a convite do Tavinho Moura. Tavinho me convidou pra fazer as fotos do disco dele, “Engenho Trapizonga”, e praticamente esse trabalho com o Tavinho foi o primeiro, foi quando eu comecei a trabalhar com os outros todos.

DISCO
Engenho Trapizonga/Sonho Real/Engenho Trapizonga/Clube da Esquina/Solo

O “Engenho Trapizonga” com o Tavinho foi em 1982. Esse disco foi superbacana, porque naquela época tinha uma revista, a Íris, que era uma revista de fotografia nacional. Quando chegava o fim do ano, ela sempre dava prêmios para as melhores fotografias do ano. Então separava por fotografia de moda, publicidade, jornalismo e também as dez melhores capas de disco. E a gente ganhou com essa capa do Tavinho. Eu lembro que eram duas capas – uma do Tavinho e a outra agora me fugiu o nome – e as outras oito capas eram só das mulheres, então tinha muita capa de Rita Lee, Elba Ramalho e foi superbacana essa capa porque deu uma repercussão muito legal. A partir daí que começa esse meu envolvimento com a música e aí comecei a trabalhar com quase todos, preparando fotos para capa de disco, release e assim por diante.

Sonho Real

O “Sonho Real” foi o primeiro trabalho que eu fiz com o Lô. Quem trouxe esse trabalho para eu fazer foi o Gilbertinho de Abreu, ele já tinha feito várias capas com o Beto, já tinha feito “Equatorial” com o Lô. E aí nós nos encontramos em Santa Tereza, começamos a discutir o trabalho e fomos para o apartamento do Lô e começamos a fazer. E o primeiro trabalho que eu fiz com o Lô foi “Sonho Real”. Depois eu fiz muita coisa com o Lô, fizemos muita coisa bacana, fizemos muitos trabalhos legais. O “Sonho Real” foi legal demais, essa historia é interessante. A gente teve uma idéia, eu não tinha tanta intimidade com o Lô ainda e a gente resolveu fazer a capa e o Gilberto pegou o estúdio e ficou lindo, pintou o estúdio inteiro, o fundo dele todo com cenários de nuvens, até nas luminárias o Gilberto pintou o cenário, e o Lô chegou no estúdio,. A mãe dele, dona Maricota, também estava acompanhando, e quando nós estamos preparando o Lô para o estúdio, a dona Maricota tirou o casaco vermelho e pôs no Lô e ele ficou chiquérrimo de casaco vermelho, com a guitarra, e fizemos uma série de fotos. Depois fomos pro Rio para Lô colocar a voz, porque em uma das faixas do disco a letra tinha ficado maior do que a música, então tinha que dobrar a música. Então nós aproveitamos e fomos pro Rio. O Lô foi lá refazer essa gravação – na época era Odeon – e eu fui pro departamento de criação com Tadeu Valério mexer na capa. E nós chegamos com essas capas coloridas, com as fotos coloridas para pôr na capa e o pessoal não queria fazer a capa colorida: “Não, vamos fazer a capa preto-e-branco.” No final, a gente conseguiu, liga pra Bituca pra não sei o quê, o Ronaldo estava produzindo o disco também… E no final autorizaram, escolhemos as fotos, bolamos a capa, estava tudo o.k., depois o Lô chegou todo satisfeito, deu tudo certo, aí saímos, fomos comemorar, pegamos o avião mais tarde e viemos embora para Belo Horizonte. Eu, uma semana antes, já tinha feito umas fotos na rua, umas fotos preto-e-branco que eram exatamente para a divulgação do disco. Já tinha feito antes pra divulgação, para release, pra divulgar o “Sonho Real”. Às quatro horas da manhã toca o telefone lá em casa, era o Lô e ele falou: “Eu não quero nem ver essa capa, aquela foto não sou eu, eu não quero aquilo” e acabou comigo. “Eu não quero aquilo, esse casaco vermelho, não sou eu.” Aí eu levantei da cama e falei: “O que é que eu vou fazer?”. Fui pro estúdio e peguei todo esse material que eu tinha colhido que eram essas fotos de rua, fiz uma seleção, vi uma foto que era superbacana e falei: “Essa foto vai ser legal”. Ela tinha muito mais a ver. Eu já tinha aprendido a conhecer um pouco mais o Lô, já sabia mais como que era a personalidade dele, o jeito do Lô e falei: “A capa é essa mesmo, o Lô está coberto de razão”. Aí trabalhei nessa foto e na época a gente usava muita separação de tons, foto mecânica, estava muito na moda a gente fazer essa coisa. Então fui pro laboratório e fiz uns tratamentos na foto. Esperei até mais tarde, falei: “O Lô agora está dormindo”, deixei pro final do dia. “Lá pelas seis horas eu vou na casa do dele.” Liguei pra ele, nos encontramos lá em Santa Tereza e aí sim ele ficou superfeliz, mudou completamente, foi outra capa e a capa não tem nada a ver com aquela idéia inicial, é preta-e-branca também. Tem essas histórias mesmo.

Engenho Trapizonga

Tem uma capa, a própria capa do “Engenho Trapizonga” com Tavinho – porque o processo da fotografia é muito legal, quando você entra no processo, o músico já acabou o estúdio, já gravou, está mixando, então é outro momento, de repente você já sabe qual é a música que vai dar nome ao disco, qual vai ser a música que vai puxar, que vai tocar no radio, então você já sabe mais ou menos como você vai trabalhar esse disco e a imagem dele e o próprio músico, o autor, já sabe o que é que ele quer. Então o Tavinho já tinha acabado de fazer essa parte toda, já estava mais relaxado e ele ligou: “Cristiano, vamos fazer aqui em casa. Meu quintal está maravilhoso, está coalhado aqui de margaridas amarelas e tal. Vem pra cá, vamos fazer umas fotos aqui”. “Daqui a pouco eu estou aí.” Mas eu já saí de lá e fiquei pensando: “Não vai dar certo esse negócio, bicho. No meio de um jardim de margarida amarela? Não vai dar certo esse negocio” (risos). Mas fomos fazer as fotos, naquela época tinha que esperar o dia seguinte pra revelar, ver os cromos, era muito mais demorado o trabalho, apesar de às vezes usar muito polaróide pra me dar um auxilio de luz e de composição. Mas não deu outra, as fotos não deram nem para release, o Tavinho não deve nem lembrar dessas fotos. Nós fizemos umas coisas completamente diferentes, pusemos umas fotos de um barco, mudou completamente a história, essas história das capas são muito interessantes, bacanas.

Clube da Esquina

Eu tenho a lembrança total do “Clube da Esquina” porque eu acho que é a música mais bonita que eu já ouvi em toda a minha vida, é a mais bonita, eu até arrepio de falar dessa música. Tem vários lugares que eu vou, com o pessoal mais novo, que tem música ao vivo, em fazenda de alguém, e aí o pessoal fala quando eu chego: “O Cristiano está aí, vamos tocar ‘Clube da Esquina’ porque ele fica superfeliz”. Então eu lembro direitinho e é um disco que tem muita gente, amigos envolvidos, o próprio fotografo, o Juvenal, é muito meu amigo, nós fizemos muita coisa juntos, ele foi um dos fotógrafos do disco. Então tem todo aquele processo daquela época e são vários amigos envolvidos que tem fotos ali na capa. Aquele disco é muito marcante pra todo mundo e a música pra mim é uma maravilha.

Solo

Tem um disco do Lô que também foi legal. O Lô foi fazer aquele disco solo dele, que era ele e Marilton, e eles foram gravar no Rio e o Lô foi me chamar para esse trabalho. Eu lembro que eu estava na Cervejaria Brasil com o pessoal e aí tocou o telefone, o garçom me chamou, falou que o Lô queria falar comigo ao telefone. Ele falou: “Cristiano, vem pro Rio amanhã, vem com Kimura, com Esquetino, eu preciso de você aqui pra fazer as fotos no estúdio, eu vou gravar”. Nós pegamos o carro e fomos para o Rio. Chegamos no estúdio e ele era mais ou menos parecido com esse daqui, tinha uma parede de pedra. Eles montaram o estúdio cheio de cadeirinha e no primeiro dia era só pra vendedores. O Lô cantava e o pessoal só batia palminha, o disco sendo gravado ao vivo. Todo mundo saiu do estúdio falando assim: “Nossa, está horrível”. Todo mundo estava deprimido. “Nós temos que aprontar alguma confusão, vamos animar isso daqui.” Aí saímos, fomos jantar e tivemos uma idéia. O Kimura lembrou que ele tinha o painel de uma peça de teatro imenso. Aí nós forramos o estúdio todo de preto. O Marcolino estava também fazendo a luz, a luz já estava no Rio, com mar de fumaça. E nós fizemos aquilo e colocamos em uma rádio – agora eu não lembro qual foi que nós fizemos a chamada – que o Lô estava gravando um disco ao vivo e que as X primeiras pessoas que chegassem – eu não me lembro se era 50 a capacidade do estúdio – iriam assistir ao show do Lô ao vivo. E aí o que é que aconteceu? Foi o contrario, só foram pessoas que eram fãs dele, então foi o maior clima, o disco mudou da água para o vinho, foi a maior emoção, o Lô ficou todo emocionado nesse segundo dia, ele e o Marilton, os dois emocionados, e foi maravilhoso esse dia. E essa história é muito bacana pra você ver como a gente mudou a cara da emoção do disco, a gente viveu essa história pra fazer um disco emocionante que está aí, é histórico, o Lô e o Marilton juntos, muito bacana.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Museu

Eu acho isso aí louvável, porque isso é uma memória, a gente está exatamente precisando disso. Outro dia nós estávamos conversando na faculdade Estácio de Sá que a gente estava com a idéia de levar o Museu Vivo lá na faculdade, para essas novas gerações conviverem com isso, porque são poucos meninos hoje que conhecem mesmo essa história. E quando e gente estava preparando pauta de um trabalho lá sobre a influência do Clube da Esquina – que seriam os Beatles etc. – e sobre as pessoas que foram influenciadas que já pegaram um pouco da estrada do Clube da Esquina, como o Skank e agora os meninos, Gabriel e os meninos todos, eu falei: “Gente, se bobear, lá na faculdade, se perguntar pra aqueles meninos, é capaz de eles não saberem cantar Beatles, muito menos Clube da Esquina”. E não deu outra, no dia seguinte chegamos lá e pegamos uma quatro pessoas assim: “Canta uma música dos Beatles”. “Não, não eu não sei cantar, não.” E eu: “Dá só uma cantarolada”. E eles não sabiam cantarolar Beatles. Então isso é muito importante, eu acho importante mesmo. Trazer essa história, esses depoimentos todos – porque o Clube da Esquina é um universo – essa iniciativa do Marcinho e da Claudinha é uma coisa que a humanidade vai agradecer porque quantas pessoas já falaram… tem gente muito mais balizada que eu que já falou aqui que a música mineira até hoje é fonte pra eles, então isso é bacana demais.

Voltar ao topo CUBE DA ESQUINA

movimento

Ele teve importância sim, uma importância social e na cultura mundial. Porque tem o pessoal que faz parte dessa indústria cultural que não sabe disso, mas tem uma outra levada, uma outra turma, que não é essa da indústria cultural, que é outra coisa. Então isso é um movimento em todos os sentidos mesmo. O Clube da Esquina tem uma coisa que é muito bacana, as pessoas são amigas, não é aquela coisa de vaidade, de briga por trás não. O Clube da Esquina tem uma coisa ímpar ainda, que é essa amizade que eles têm. A gente fica sem se encontrar um ano, mas parece que se viu ontem, todo mundo é muito carinhoso um com o outro, todo mundo conta histórias, conta a sua vida, e principalmente eles ali. É um barato você ver quando o Lô encontra com o Beto, quando o Beto encontra com o Milton, você vê que tem uma coisa mesmo e essa coisa veio naturalmente, veio com a música deles, eles se encontraram e isso é muito bacana. Esse lado carinhoso que vem na composição eu acho que é um lado super-humano. Trouxe essa emoção e ela está toda aí. Eu acho que isso é que atraiu e marcou mesmo a história do Clube da Esquina.

FOTOGRAFIA
Trabalhos

Eu tenho o maior orgulho, adoro essa turma, porque a gente pensa igual, a gente gosta mais ou menos das mesmas coisas, gosta dessa coisa da liberdade, tanto é que a gente trabalha junto até hoje. Mas na minha parte do trabalho com fotografia, todo esse silêncio que eu inspiro na composição do meu trabalho, nas formas, na coisa de admirar o barroco, de olhar, de dar tempo, de parar para ficar curtindo aquilo, de ir para Ouro Preto igual a gente ia desde o Festival de Inverno, ficar caminhando, isso tudo tem na minha fotografia, no timing dela e na minha produção, que é a preocupação com o enquadramento, o silêncio. A fotografia tem essa coisa muito bacana que é assim: pode estar todo mundo em volta aqui para a gente bater aquela foto ali, mas quem decide o momento exato de apertar o botão sou eu. Então essa coisa na composição tem muita influência e tem muitas passagens importantes. O Beto Guedes é uma pessoa muito importante na minha vida por várias histórias, de momentos péssimos em que eu estava e ele chegou e me falou coisas que ninguém tinha coragem de falar e mudou a minha vida da água para o vinho, então é um cara muito importante nisso. Em todos os sentidos é importante pra minha carreira.

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Projetos futuros

Eu estou gostando de fazer agora esse depoimento porque eu estou fotografando. Eu fiz uma exposição que foi um tempo atrás, que se chamou Música P&B, em que eu peguei todo esse meu arquivo de vários anos e montei essa exposição, se não me engano em 1999. Foram mais de 60 fotos, era todo o meu acervo desse trabalho com quase todos os mineiros e outros de fora de Belo Horizonte. Essa exposição, eu fui convidado depois para fazê-la no Mês Internacional da Fotografia lá em São Paulo, que foi lá na Aliança Francesa. E nas fotografias, o pessoal está todo novinho, o 14 Bis começando, tinha foto de todo mundo bem novinho. Tinha as fotos que eu fui fazendo atuais também, que eu não tinha no meu arquivo e eu produzi. Por exemplo, Chico Amaral eu não tinha, tive que fazer, Juarez Moreira eu também não tinha na época, o Saulo Laranjeira eu não tinha. Mas quando eu montei a exposição, que eu fui pra São Paulo, as pessoas, principalmente os fotógrafos de lá, viram aquelas imagens dos caras novos e falaram: “Você tem que fazer uma exposição agora com os caras de cabelo branco. Deve ser o maior barato, fotografa os caras agora pra gente ver como eles estão”. Então de repente, com essa de a gente estar fotografando esses depoimentos agora, já me passou pela cabeça de fazer os “cinqüentões bonitos”, pode ser até que dê uma história aí.

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Uma mensagem para Cristiano Quintino

  1. tadeu valerio disse:

    Beijos Gilberto. Vc é demais!!! Tadeu V.alerio