Elisabeth Silva Campos

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Meu nome é Elizabeth Aparecida Silva Campos. Eu nasci em 19 de julho de 1959, em Três Pontas, Minas Gerais.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais

Meus pais são Josino de Brito Campos e Lilia Silva Campos.

Tenho três irmãos: Bituca, Fernando e Jaceline.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de infância

Foi maravilhosa, só de ter ganho mais dois pais na minha vida. Eu também sou filha adotiva, e nessa época adoção era um pouco complicado, porque as pessoas adotavam as crianças para trabalharem, para ter algum retorno em cima dessa adoção. E não foi o nosso caso. Foi muito bom ter sido adotada, ter ganho um pai e uma mãe de novo.

Voltar ao topo PAIS

Pai e mãe

É difícil falar dela, porque ela era uma fadinha, eu não posso falar senão eu vou chorar… (pausa) Fadinha. Era uma maravilhosa que apareceu na vida da gente e deu amor, carinho, tudo que um filho precisava.

Pai

O pai já era aquele Professor Pardal, mais durão, mas muito inteligente e muito paciente também. Não participava muito das coisas familiares, mas estava sempre atento. Paizão também.

Voltar ao topo MÚSICA NA FAMÍLIA

Lembranças de infância

Eu acho que teve pouca ligação com a música. A única ligação foi que a minha mãe cantou no coral do Villa-Lobos e que minha tia, irmã dela, tocava piano. Essa é a ligação mais forte que eu vejo da família com a música. O primeiro contato que eu tive foi com eles, com o Bituca, com o Márcio, com o Beto, escutei música a primeira vez com eles. Eu sempre gostei muito, gostava tanto que, toda vez que eles iam para Três Pontas, eu fazia teatro e me apresentava para eles. Sempre gostei de música.
A minha casa é a mesma casa de hoje, era uma casa superfreqüentada, sempre estava cheia de amigos, os meus amigos, os amigos do Bituca, sempre muita gente dentro de casa…

Voltar ao topo QUEM É BITUCA

Milton Nascimento

O apelido de Bituca é porque ele estudava no grupo, como se chamava na época, eu não sei se é assim ainda, e um amigo dele bateu na porta de casa chamando pelo Bituca – isso foi minha mãe que me contou. Aí ela falou: “Quem é Bituca?”. “É o seu filho Bituca.” “Mas por que Bituca?” “Ah, porque ele é Botocudo, então, para ficar mais carinhoso, Botocudo ficou Bituca.”

Voltar ao topo LEMBRANÇAS

Brincadeiras de criança

Acontecia muito era roubar muita fruta (risos), queimada, ouvir música, fazer teatro, brincar na pracinha, eram essas as brincadeiras.

Voltar ao topo ADOLESCÊNCIA

Músicas que ouvia

No caso, o que eu ouvia o Bituca ouvia. No ambiente familiar rolava Crosby, Stills, Nash & Young, Aretha Franklin, Michael Jackson, Cat Stevens, era tanta coisa. Depois veio o Beto Guedes com Yes, com Genesis. É uma salada muito boa.

Voltar ao topo RAÍZES

Irmãos

Para saber a diferença de idade a gente vai ter que fazer uma matemática. Primeiro é o Bituca, depois, o Fernando, eu e a Jaceline.

Voltar ao topo CRIANÇA

Lembranças de infância

A minha lembrança mais antiga do Bituca famoso foi quando ele saiu na revista O Cruzeiro, na Manchete, e na Fatos e Fotos, quando ele ganhou o Festival da Canção, sendo carregado pelos amigos com o Galo de Ouro, e minha mãe atrás. Foi a primeira vez que eu vi o sucesso dele e daí em diante não parei mais de ver. A lembrança mais legal é que em todas as férias o Bituca levava a gente para o Rio e era obrigado a nos levar para a praia, ao Tivoli Parque. Ele fazia o papel de pai, de irmão, de tudo e ele gosta de criança, até hoje ele gosta muito. Então era um barato porque acabava que ele participava com a gente de todas as brincadeiras, entrava no Trem Fantasma com a gente e participava mesmo, ele virava uma criança também.

Voltar ao topo CIDADE

Três Pontas

Quando os amigos do Bituca visitavam Três Pontas era um aluguel, porque eu queria cantar, eu queria interpretar, eu queria mostrar que eu também queria ser artista para ver se ia com eles. Era um aluguel porque eu me apresentava para eles e ainda cobrava o ingresso, e aí esquecia a cena (risos), voltava. Mas eles me prestigiavam. Tudo o que eu queria é que eles chegassem, aí eu já botava um bilheteiro na porta da garagem, cobrava os ingressos, botava as cadeiras da copa, da sala de jantar no quintal e me apresentava. Eu cantava “Travessia”, porque tinha acabado de acontecer isso tudo e imitava a Noviça Rebelde também, porque eu tinha acabado de ver o filme. Basicamente dançava igual à Noviça Rebelde e cantava.
Todo mundo aplaudia. (risos) Eu devia ter, nessa época da “Travessia”, oito ou nove anos. Tinha uma cortina que era um lençol que eu mesma abria e fechava, eu que administrava todo o teatro. Jaceline não participava porque ela era pequenininha. Mudava muito o movimento em Três Pontas, praticamente virava um feriado, porque quem trabalhava não ia trabalhar para poder encontrar com todo mundo, pra poder sair, tocar, ver o pôr-do-sol, enfim, curtir coisas com eles que eles sabiam mais do que a gente, porque eles moravam fora. As coisas aconteciam mais rápido para eles. Então a gente adorava quando eles chegavam, porque eles mostravam pra gente o que estava acontecendo, o que estava rolando. Beto, Lô, Marcinho, Telo, Nico, Guarabyra, essa galera. Zé Rodrix, Wagner… Miúcha teve uma época que foi lá. Cada época era uma turma, eles iam conhecendo cada vez mais gente então o grupo ia aumentando. Todo mundo ia a Três Pontas. Se fosse carnaval, a diversão era correr atrás do boi, ou o boi correr atrás da gente. Ou então a gente fazia um bloco de todo mundo que tinha ido. Dependia da época.

Diamantina

Eu viajei com eles uma vez para Diamantina. Nem me lembro para o que foi, nem sei o que estava sendo filmado, era um especial para televisão, alguma coisa assim. E foi ótimo, porque nessa época a gente conseguia fazer da filmagem um lazer também. Era tudo muito espontâneo, muito natural, muito carinhoso, fluía de uma maneira profissional e ao mesmo tempo bom demais. Era muito prazeroso estar todo mundo junto.

Voltar ao topo DISCOS

Clube da Esquina

A época da gravação foi maravilhosa. Eles estavam gravando na Odeon ali em Botafogo e a gente vinha de Três Pontas, podendo estar dentro de um estúdio, vendo como é que acontece um disco, e era tudo muito mágico. Às vezes, tudo era feito ali na hora ou já estava pronto, mas era emocionante ver gravar e ficar horas no estúdio. Muito bom, foi uma época boa demais.

Clube da Esquina 2

Eu estive na gravação do “Clube da Esquina 2” uma vez, porque nessa época eu já estava morando em Belo Horizonte, estudando, com compromissos, então não podia estar presente como na gravação do primeiro. Na época do “Clube da Esquina 1”, eu era menor, era época de férias, eu ficava um tempo. Mas nesse segundo eu já não participei tanto. Eu estive uma vez no estúdio, mas não me lembro da música que estava sendo gravada nesse dia. Sei que tem até a foto de todo mundo no Estúdio 2, é a foto de todo mundo que esteve no estúdio. No primeiro são fotos de um apanhado geral, então não me lembro direito. Eu estive uma vez só.

Músicas

As que eu mais gosto: “Tudo que você podia ser”, “Hoje é dia de el rey”, “Tarde”, “Outubro”, “Rio Vermelho”, “Irmão de fé”, “Itamarandiba”, “Cravo e canela”, “Fé cega, faca amolada”. Tudo você vai ouvindo e vai resgatando, vai levando.

Voltar ao topo FESTIVAIS

Festival de Três Pontas

Foi o festival no Paraíso, eu devia ter uns 14 anos, Foi uma loucura, por isso que eles chamam de segundo Woodstock, porque acabou água, acabou comida. A cidade não estava preparada para receber tanta gente, então não tinha uma infra-estrutura e foi virando uma loucura. Mas ao mesmo tempo muito bom, muito emocionante, porque Chico, Fafá, Clementina de Jesus, Gonzaguinha estavam no meio do mato, no meio de um nada. Naquela época, levar aquilo tudo para cima daquele morro! O Paulo Pila foi um gênio com a montagem que ele fez, ele pensou até na lata de lixo para colocar lá em cima e o show aconteceu do seu jeito, mas aconteceu. Eu fui, eu filmei com câmera de Super-8 que eu tinha ganho de um namorado, mas lá pelos tantas eu passei a câmera para um afilhado do Bituca, o Sossoca, e ele passou a câmera rápido para outro. Eu tenho até que procurar isso, porque eu acho que eu tenho pelo menos a parte que eu filmei, acho que rola legal. Mas quando eu passei pro Sossoca, o negócio virou uma… Eu preciso encontrar, porque realmente agora eu não sei, eu acho até que está em Três Pontas, fantástico isso. O Bituca participou, ele cantou uma musica chamada “Viva Belém”, do Tucupi e do Tacacá, e depois ele realmente estava tão emocionado com a situação que os amigos acabaram dando conta do resto do recado. Aí entrou a Clementina com “Circo Marimbondo”, que foi o maior barato. O Gonzaguinha… É difícil falar, eu não lembro qual foi o repertório, mas “Viva Belém”, do Tucupi e do Tacacá, foi inesquecível. Os meus pais também foram.

Família
Milton Nascimento

É o orgulho da família, porque o Bituca sempre fez tudo sem pedir nada pra eles. O retorno que o Bituca deu para eles é o motivo de serem superorgulhosos com o filho, é o dodói da família. Eu acho, hoje eu tenho certeza disso, que o Bituca é também um orgulho pra cidade de Três Pontas, porque a cidade muitas vezes foi mencionada, muitas vezes foi levada para o mundo inteiro através dele, através da voz dele e ele sempre fez questão de dizer que é de lá, e nasceu no Rio de Janeiro. Ele botou Três Pontas no mapa, ele ama a terra e eles gostam dele também.

Formação Musical
Clube da Esquina: origem

O Clube da Esquina na verdade veio através do Lô Borges, do Beto Guedes, do Bituca, do Márcio Borges e foi crescendo, porque eles não paravam de fazer amigos – aquela época era tão boa pra fazer amigos. Então o Clube foi aumentando. De certa forma, todo mundo foi entrando para esse Clube e hoje eu acho que já deve ter muita gente, eu não sei. Eu não freqüentei muito Santa Tereza. Nessa época, o Bituca tinha saído de Três Pontas e eu ainda era pequena. Eu acho que não peguei muito essa história. Eu ouvi muitas histórias, mas não participei. Participei de alguns almoços, alguns acontecimentos, sempre bons demais, com a família Borges inteira, enorme. Juntava com todo mundo lá de fora, então não tinha como não ser gostoso, não tinha como não ser bom.

Voltar ao topo CASAMENTO

filhos

Sou casada. Moro no Rio de Janeiro há 20 anos. Eu tenho três filhos. Dadáia, que é a minha Jennifer Lopez – não sou de babar ovo de filho, não, mas ela é muito bonita. João Vitor, que é uma gracinha de garoto, que já não é mais um garoto, já está virando um super-rapaz – hoje ele faz Comunicação e Radialismo e toca com o Bituca eventualmente. De vez em quando ele dá uma canja na percussão. Ele é baterista, tem uma banda de rock, de vez em quando toca com a Maria Lucia Priolli, também está indo, fazendo a vida dele. E a Cecília, que tem oito aninhos e também me parece que vai seguir o lado artístico. Ela faz uma escola de musicais chamada Gato e Sapato. Faz teatro, dança, circo e há três anos ela já se apresenta para o público. E Dadáia faz Direito e se forma este ano. O maior presente que eu pude ter são os filhos, é um barato, adoro eles.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividade profissional

Eu já fiz de tudo. Quando cheguei ao Rio, eu trabalhei numa produtora do Paulinho Lima que na época tinha lançado a Gal Costa. Depois ele montou uma firma com a Ana Terra que se chamava Luz da Cidade, onde eu trabalhei com A Cor do Som, Quinteto Violado, Luiz Melodia. A gente trabalhava no teatro Tereza Raquel e no Teatro Ipanema. Depois ficou complicado porque eu não conseguia estudar e trabalhar à noite ao mesmo tempo. Aí fui trabalhar com o Bituca. Eu fiz assistência de produção de alguns discos dele, durante alguns anos. Depois eu resolvi tentar traçar um novo caminho, então a gente foi batalhando, comprou um carro e eu entrei num ramo completamente diferente, o transporte escolar. Hoje eu trabalho com as crianças e, como uma coisa puxa a outra, é todo mundo filho de artista, de diretor de cinema, de teatro. Então eu trabalho com uma criançada muito bacana que eu adoro. Não é igual à música, mas eu também fico muito grata. Eu costumo falar que no meu trabalho hoje eu me chamo de rodomoça, mas estou feliz. E, claro, continuo tendo um contato com a música, e não tem como não ter, porque vivo ligada ao Bituca, ao Márcio Borges e aos meninos.

Voltar ao topo PESSOAS

Márcio Borges

Eu sempre fui muito danadinha, Até a Cecília, minha filha, me puxou. Eu amava paquerar eles (risos). Todos eles eram bonitos, mas o Marcinho me tocava mais, os olhos verdes, baixinho, magrinho. Eu falava: “Você quer me namorar?”, e ele falava: “Eu não sou seu namorado, eu sou seu noivo!”. E aí eu viajava nesse noivado.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: avaliação

O Márcio Borges me falou uma coisa certa: “Eu quero viver os últimos anos como eu vivi os primeiros”. Eu acho que esse resgate não é uma nostalgia, é uma memória afetiva da pesada, incrível e que tem que fazer valer.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

museu

Eu acho maravilhoso, eu acho que tem que botar pra funcionar isso tudo que aconteceu para os que estão vindo, para os que vão vir, porque se a gente não colocar na memória, como é que eles vão saber que existiu todo mundo?

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