Fernando Pimentel

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Voltar ao topo APRESENTAÇÃO

“Clube da Esquina”

Eu sou Fernando Pimentel, hoje prefeito de Belo Horizonte. Nasci aqui, aqui me criei. Vivi boa parte da minha vida nesta cidade. A primeira notícia que eu tive do Clube da Esquina, por incrível que pareça, não foi aqui. Foi em Juiz de Fora. Eu estava preso naquela época, preso político, no presídio de Linhares. E escutei o disco “Clube da Esquina”, se não me engano em 1972, no pátio do presídio político de Linhares com outros companheiros numa tarde de sol, numa tarde que a gente tinha permissão pra sair das celas. E alguém que tinha um toca-discos portátil tinha posto o disco pra girar. E me marcou pra todo sempre ouvir “Nada será como antes”, no pátio interno do presídio de Linhares.

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Preferências musicais

Ali eu comecei a tomar conhecimento disso que viria a ser depois conhecido nacionalmente como Clube da Esquina. É claro que eu já conhecia o Milton Nascimento e suas composições, “Travessia”, que é de um período anterior a esse, e marcou muito toda minha geração, a geração política de 68. Mas com o Clube da Esquina, que é a junção de Milton, da música de Milton, Wagner Tiso, seu parceiro inicial em Três Pontas, os irmãos Borges e Toninho Horta, que já é um momento posterior na década de 70, o meu primeiro contato foi esse. Foi um contato, eu diria, muito inusitado, porque, por ser belo-horizontino, pode-se imaginar que eu deveria ter um contato mais próximo, mas eu estava fora da cidade, eu fiquei fora de 69 até 73, um período de clandestinidade, e depois num período de prisão política. Quando voltei, o Clube da Esquina já existia. Já estava formado, já tinha uma importância musical evidente no país inteiro. E pra juventude da época era uma referência muito forte. Assim prosseguiu.

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“Clube da Esquina 2”

Depois, o “Clube da Esquina 2”, o segundo LP, se não me engano em 78, também fez muito sucesso e foi muito marcante pra todos nós. Eu acho que, pra cidade de Belo Horizonte, um movimento musical com essa importância, com essa profundidade, com essa extensão, é um orgulho. É um orgulho pra todos nós que somos belo-horizontinos, é um orgulho pra todos nós dessa geração, da geração dos anos 60, é um orgulho pra quem, como eu, gosta da boa música brasileira e sabe que o caminho musical é um dos caminhos de construção da cidadania.

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Clube da Esquina: Museu

Eu tenho certeza de que o exemplo que esse magnífico conjunto de jovens, jovens na época, que constituiu o Clube da Esquina vai ficar, vai proliferar. E o Museu do Clube da Esquina, com certeza, vai ser um local adequado pra que a gente tenha a memória viva desse que foi o período dos mais importantes, se não o mais importante, da história musical da nossa cidade e do nosso país.

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