Frederico Carvalho

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data, local de nascimento

Meu nome é Frederico Eugenio de Silva Carvalho. Eu nasci no dia 11 de setembro de 1977, em Santos, São Paulo.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de infância

Eu tive uma fase da minha infância, até os sete anos, que não ficava em lugar nenhum, a gente morava um ano no máximo em cada cidade. A família mesmo não tem nada a ver com São Paulo, a família é toda mineira. Até que com sete anos a gente voltou pra Minas Gerais, numa cidade chamada Ouro Branco, que é uma cidade bem antiga, mas não tem aquela importância histórica de Ouro Preto, até ficou meio esquecida. Quando se construiu lá a Açominas, teve um grande fluxo de pessoas pra lá para trabalhar na Açominas e meu pai foi um deles. Na verdade, a minha referência de infância é Ouro Branco.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Iniciação musical / Primeiro instrumento

A gente morava em Ouro Branco, uma cidade muito próxima das origens da minha família, que é da região do Campo das Vertentes. Meus avós tanto maternos quanto paternos criaram as famílias em Prados, cidade ali coladinha em Tiradentes e São João del-Rei. E lá em Prados, todo mês de julho tinha e ainda tem um festival de música coordenado por uma espécie de banda e orquestra que tem na cidade chamada Lira Ceciliana e pelo pessoal da Universidade Federal de Minas Gerais, da Escola de Música. Era comum eu passar férias de julho sempre em Prados e era supercomum toda criança ser encaminhada pra fazer curso de música nesse festival. Normalmente a gente começava com flauta doce e na família do meu pai tinha dois irmãos que tocavam nessa banda, o meu tio tocava flauta e a minha tia tocava clarinete. Eu comecei estudando flauta doce e, depois daquele início de aprender a dedilhar as primeiras notas, eu acredito que as duas primeiras melodias que eu toquei foram “Maria Maria” e “Na Janela Lateral”, copiando meu tio. Então acho que o primeiro contato deve ter sido esse.

Voltar ao topo ADOLESCÊNCIA

Musicas que ouvia

Foi uma mudança muito grande. Eu comecei a minha adolescência no fim dos anos 80, a gente ouvia o rock nacional, que foi uma coisa muito forte que teve, mas eu fiquei na verdade pouco tempo ouvindo isso. Também nessa época, que eu me lembre, já tinha tido um movimento nos anos 70 do skate entrar no Brasil. Ficou parado um tempo, e na década de 80 voltou e eu me interessei pelo esporte. Comecei a praticar e a turma que andava de skate ouvia rock pesado americano, coisas que se chamavam na época de hard-core, alguma coisa de punk, então eu comecei a minha adolescência por aí. Só que os próprios esqueitistas acabaram isso aí e foram caindo no hip-hop, no rap. Hoje em dia, o skate é mais relacionado a esse tipo de música e por algum motivo qualquer eu não me interessei nem um pouco por hip-hop, nem rap. Meus estudos de música continuaram e comecei a conhecer algumas pessoas um pouco mais velhas do que eu, cinco, seis anos mais velhas, que estavam montando uma banda lá na minha cidade chamada Cartoon, que era superinfluenciada por rock progressivo e por rock clássico dos anos 60 e 70. E aí eu comecei a ouvir rock inglês dos anos 60 e 70 a partir de conhecer essas pessoas. Tinha um amigo meu, o Vladimir, cujo irmão mais velho era guitarrista da banda e a gente ficou fascinado com a banda deles, a gente viu começar e hoje é uma banda fantástica. Então, principalmente por influência deles – um deles, inclusive, o irmão do Khadhu, que é o vocalista, montou um bar na cidade que só tocava rock clássico, rock progressivo, o Bhidhu – eu passei a ouvir rock progressivo e eu acho que boa parte da minha adolescência foi basicamente ouvindo rock inglês. É interessante porque depois desse primeiro contato da infância, na minha família, não no meu núcleo familiar mais próximo, pai, mãe e irmãos, porque nem era uma família muito ligada a música não, mas no núcleo maior, os dos meus avós, principalmente por parte de pai, os irmãos dele eram fascinados por Milton Nascimento. Ouvia-se Milton Nascimento na casa deles. Mas depois eu fiquei um bom tempo afastado de música brasileira. Mas acabou que, através do rock progressivo, eu comecei a encontrar na música brasileira algumas coisas que levavam essa influência e comecei a gostar de ouvir muito Mutantes, alguma coisa do Tropicalismo e muito recentemente comecei a perceber isso também no Clube da Esquina.

Voltar ao topo DISCOS

Clube da Esquina: 1972

Eu já tinha ouvido o disco, claro que eu já conhecia praticamente todas as musicas do “Clube da Esquina”, porque, como o Cláudio, que estava aqui antes de mim, falou, praticamente o repertório inteiro daquele disco virou clássicos da música popular brasileira. Mas eu nunca tinha pegado para ouvir a concepção do álbum, com a ordem das músicas. Quando eu entrei na Petrobras, não tem nem dois anos, eu comecei a me interessar pelo “Clube da Esquina”, mas não havia comprado o disco ainda. Eu acho que ouvia o disco emprestado e em mp3, pela internet, e depois que eu cheguei à Petrobras, logo caiu no meu colo esse projeto e eu achei uma coisa interessantíssima. A gente fez uma reunião uma vez ali no hipódromo da Gávea com o pessoal todo pra fazer uma espécie de entrevista com a imprensa aqui do Rio de Janeiro pra divulgar o lançamento do site e eu falei: “Agora eu vou ter que aproveitar a oportunidade”. Fui à loja mais próxima, comprei o CD, dei pra todo mundo autografar e ai é que eu acho que parei mesmo pra ouvir o álbum. Eu sempre fui ligado a álbuns, sempre evitei comprar coletânea e ouvir do artista uma música que tocou aqui ou ali. Se eu me interesso por uma música, tinha sempre a mania de comprar, ou de alguma forma adquirir o álbum inteiro. Me encanta muito a concepção de um álbum, a ordem em que se colocam as músicas, as músicas que não fazem sucesso. Foi interessante essa volta pra ver o que era o álbum tão falado e que tinha me influenciado quando criança, porque as pessoas adoravam Milton Nascimento e na minha família eu ouvia muito. Eu lembro que eu achava “Maria Maria” uma canção lindíssima. Mas eu acho que vem daquilo, daquele conceito de música que se fez, daquela época e de todos eles, principalmente o Lô Borges e o Milton Nascimento, talvez os dois maiores expoentes. Eu acho que vem dali essa notoriedade toda que eles tiveram e foi uma coisa muito legal ter redescoberto o álbum completo.

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Clube da Esquina: museu

Eu fiquei fascinado com a idéia. Troquei alguns papos com o José Santos, e ele me explicou o que seria esse conceito de Museu Vivo, que realmente era uma coisa que eu não tinha tido contato ainda antes de ver esse projeto, e eu achei fantástico. Normalmente, as pessoas dizem: “Ah, vamos resgatar determinado movimento musical”, fazem uma reunião de todo mundo – às vezes nem tem mais tanto a ver o momento de se reunir – e lançam um CD, um acústico, sei lá das quantas. Eu acho que é muito mais relevante se lembrar do museu dessa forma. O Cláudio estava falando aqui que achou fantástica a coisa de se ter usado tecnologia atual para poder disponibilizar isso na internet. Eu também fiquei encantado com essa idéia de ser um Museu Vivo, de coisa que ainda está acontecendo, que ainda vai mudar e que não é uma contemplação do que existiu. Na verdade, é uma forma de se organizar ali uma coisa que está acontecendo ainda. Eu fiquei realmente encantado, e como mineiro, bastante contente de que provavelmente Belo Horizonte vai lucrar muito com isso. Eu acho que a vida cultural da cidade, a partir do momento que o projeto cresça, a partir do momento que se conseguir ter uma sede – eu nem sei se a sede talvez seja um marco, o site já fez muito sucesso, eu já andei vendo comunidades no Orkut e coisas afins por aí –, isso vai fazer muito bem pra vida cultural lá de Minas, lá da nossa cidade, e eu acho fantástico. Hoje em dia é engraçado a gente falar em música pop, parece até que já é um adjetivo pejorativo para a música, mas o Clube da Esquina era música pop nos anos 70. Hoje em dia parece que música pop virou música industrializada e é bom sempre se ter referência do que era música pop pra ver se ajuda o pessoal a conhecer mais e trabalhar música de uma forma mais pessoal, mais apaixonada, que eu acho que é uma grande característica do Clube da Esquina – é uma aproximação muito apaixonada pela música e pelas letras.

Voltar ao topo CLUBE

Clube da Esquina: avaliação

Eu considero o Clube da Esquina um movimento sim. É até estranho responder a essa pergunta, porque eu tinha visto o Cláudio Jorge e ele já falou sobre isso aqui, e talvez eu não tenha muito a acrescentar. Eu acho que é um movimento porque dá pra tirar certa unidade que existe entre todos aqueles artistas e tudo o que foi feito naquela época em Minas Gerais. Até hoje eu acho que em Minas Gerais ainda tem essa influência mais do que em outros lugares. Eu acho que essa influência do movimento Clube da Esquina permaneceu lá. Parece-me que não era a intenção de ninguém que fosse um movimento, não tem estatuto com “O que nós queremos com isso aqui”, mas eu acho que a amizade e a troca entre os músicos foi tanta que aquilo gerou uma coisa. Não é o trabalho de cada um e não é igual a mais nada que já tenha sido feito, então eu acho que pode ser considerado um movimento, que, inclusive, dá frutos lá em Belo Horizonte. Eu agora morando no Rio de Janeiro vejo que as pessoas se reúnem e vão para um barzinho para ouvir samba, choro. Lá em Belo Horizonte, as pessoas se reúnem para ouvir rock, ou para ouvir alguma coisa que é muito mais para o lado do que foi o Clube da Esquina ou do que o Clube da Esquina deixou lá. É uma cidade que não é totalmente roqueira, mas o tipo de musica que se faz lá é um pouco jazzística. Mas mesmo quando não é rock, é MPB, é um tipo de música diferente, não é aquela coisa de ouvir para dançar, ou ouvir por pura diversão, eu acho que é um pouco mais, é de contemplar. Eu acho que a música de Belo Horizonte tem muito isso, a música de Minas, não sei se é por causa de montanhas… Há até certo costume, pelo menos lá na região de Ouro Preto, Ouro Branco, dessa coisa de acampar, de ir pra cachoeira. Você não pega o violão pra fazer as pessoas dançarem ou cantarolarem uma música que está tocando no rádio, o cara quer mostrar aquela harmonia que ele pegou, bonita, para que as pessoas ouçam e contemplem aquela música. Eu acho que é um pouco do que o Clube da Esquina deixou em Belo Horizonte pra gente.

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