Geralda Horta

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Geralda Magela Horta de Melo. Nasci em Capim Branco, aqui perto de Pedro Leopoldo, no dia 1.º de setembro de 1909 (risos), portanto, estou com 96 anos, fiz agora.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais

Meus pais chamavam-se João Horta e Lucília Guimarães Horta. Meu pai era maestro e além de maestro ele era funcionário da estrada de ferro Central do Brasil, então ele viajava muito e nas viagens ele sempre levava as pastas de música e por todos os lugares onde ele andava ele plantava a música dele. Então ele era um maestro de música mais sacra, compôs missas, Te Deum, fazia Semana Santa nas cidades históricas de Minas. Ele é um maestro até hoje desconhecido, completamente, mas ele deixou um acervo muito grande de obras e a família pretende um dia editar essas obras. A minha mãe era da família Guimarães, aqui de Sabará, tocava piano, gostava muito de música. Os dois se conheceram através da música. Ele era professor dela de piano, ele levava a flauta e faziam um sarau ali de vez em quando. Ela gostava muito de música, mas era doméstica, não tinha outra profissão não. Criou seis filhos, três homens e três mulheres, e eu sou uma delas. (risos)

Irmãos

Eu tenho um irmão que cantava muito aqui em Belo Horizonte nas rádios, principalmente na rádio Guarani. Ele tem uma voz muito boa, hoje está com 90 anos e ainda canta um pouquinho, por incrível que pareça. Ele cantava na rádio Guarani, mas tinha um pseudônimo – ele se chama Pedro Horta e cantava com o nome de Lauro não sei o que, nem me lembro mais. E agradava muito sabe? Ele era muito fã dessas músicas antigas, dessas valsas, essas coisas que o Silvio Caldas cantava, então esse era músico. Agora, das irmãs, tinha uma que tocava bandolim, tocava na orquestra do meu pai também. Os outros gostavam muito de música, mas não foram músicos.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de infância

Eu saí de Capim Branco com um ano de idade e voltei quando já era professora. Devia ter uns 20 anos quando voltei lá e fiquei conhecendo a casa onde eu nasci. Teve uma coisa muito interessante no dia em que eu nasci: meu pai tinha uma banda e estava ensaiando o Hino Nacional, eu nasci em 1.º de setembro e ele ia tocar com a banda no dia sete de setembro, que era a chegada de um político, acho que Francisco Sales, que era nascido lá, não sei. Então, na hora em que eu nasci – naquele tempo a gente nascia em casa, não é? – estava tocando o Hino Nacional. E por sinal eu sou muito patriota, adoro o Hino Nacional, me emociono em qualquer hora que toque o Hino Nacional, campo de futebol, em qualquer lugar eu me emociono. Tanto que na minha sala de jantar, não sei se você viu, eu mandei pintar uma bandeira na época da copa de 94 e ela está lá até hoje, de vez em quando dou uns retoquezinhos, porque gosto muito. Não sei se foi por isso, porque teve esta influência. (risos) Depois que eu nasci, meu pai viajou muito. Ele morou em Barbacena, Juiz de Fora, Diamantina, Pirapora, em muitas cidades, Mariana, Ouro Preto. Tenho um irmão que nasceu em Ouro Preto, e o nome dele é Efigênio Ouropretano. Meu pai tinha estas coisas. O Efigênio nasceu lá e tem muito orgulho de ser ouro-pretano, até hoje. Ele está com 92 anos e é um cara muito íntegro, muito tradicional com as coisas, de modo que ele fala: “Minha terra é Ouro Preto” e bate no peito. (risos) Meu pai sempre viajava e eu adorava viajar. Ele era escriturário da Central do Brasil e acompanhava a construção da linha, sempre era removido para algum lugar. Aonde a linha ia, ele e a família também iam. Então o carro da Central encostava, pegava a mudança e ia embora. A gente vivia uma vida meio de cigano, vamos dizer assim. E aonde ele ia deixava um sinal da música dele – ou ele deixava um grupo, ou ele deixava uma orquestrazinha, ou ele deixava nas igrejas as partituras sacras. Então ele semeou a música dele por este Estado de Minas quase todo. Depois que ele se aposentou ele foi morar comigo, a minha mãe morreu antes e ele ficou com a gente até o Paulo nascer. Ainda conheceu o Paulo, que era o mais velho. A vida nossa era assim, era uma vida itinerante.

Voltar ao topo EDUCAÇÃO

Escola

Olha, ficamos mais tempo em Diamantina. Temos até vários parentes lá. Eu estudei em Diamantina porque era assim: eu comecei a estudar em Sabará, depois fui para Barbacena. Para cada lugar que eu ia, estudava um ano, dois anos. Em Diamantina, nós paramos mais, ficamos uns seis anos lá, então eu me formei lá no colégio Nossa Senhora das Dores, que é um colégio que existe até hoje. Ele tinha um prédio de um lado e de outro e uma passadeira que ligava os dois prédios. Então os rapazes ficavam lá em baixo para ver as alunas passarem e tinha aquele negócio de dar adeusinho, aquelas coisas todas. Foi lá que eu me formei no curso normal. De lá fomos para Pirapora. Saímos de um lugar muito frio, lá era gelado, e fomos para Pirapora. Meu pai tinha reumatismo e falou: “Eu não posso morar mais aqui não”. Fomos para Pirapora e foi lá que ele se aposentou. Em Pirapora, eu conheci o meu marido e viemos para Belo Horizonte nos anos 40, eu já tinha dois filhos lá e tive os outros aqui.

Voltar ao topo DESCENDÊNCIA

Filhos

Lá em Pirapora nasceram a Letícia e a Gilda. A Gilda está nos Estados Unidos, mora lá há dez anos. As duas moram lá. O Paulo nasceu aqui, eu vim tê-lo aqui, porque lá eu morava em uma fazenda naquela época, então o médico falou: “Vá para Belo Horizonte, tenha esse filho lá em Belo Horizonte”. E nasceu em Belo Horizonte. Aí, quando eu mudei para cá definitivamente, eu tive, depois da Gilda, a Berenice, o Toninho e a Lena, que são os três aqui da Floresta, nasceram na mesma casa. (risos)

Voltar ao topo MATRIMÔNIO

Marido

Meu marido eu conheci assim: ele era estudante de Engenharia aqui em Belo Horizonte, morava aqui na Rua Cláudio Manoel, em uma pensão aí, não sei. Ele foi passear em Pirapora e eu, com 19 anos, tinha chegado lá. Ele dançava muito bem, gostava de dançar (risos) e num baile lá começou o namoro. E esse namoro levou muito tempo, porque ele era filho de família muito rica, o pai dele tinha não sei quantas fazendas, era um cara que tinha muito gado, tinha muita fazenda, tinha muita coisa, e a intenção dele era casar os filhos com outras filhas de fazendeiros. Ele não apoiava o namoro. E meu pai, por sua vez, também não apoiava o namoro por uma questão que até eu agora perdôo, por causa de racismo, porque ele era bem moreninho. Então um falava de lá: “Meu filho vai casar com a rica”, e o outro falava de cá: “Minha filha não vai casar com o preto”. (risos) Ele não era preto, ele era moreno, assim, bem chegado, mas não era e mesmo que fosse, que mal haveria nisso, não é? Então ficava aquela briguinha, não deixavam namorar. Eu fugia para conversar com ele. Era tudo fugido, tudo escondido. Depois eu vim para Belo Horizonte, mudamos para cá definitivamente, e meu pai falou: “Vamos mudar para Belo Horizonte, vamos ficar aqui mais não, agora eu já me aposentei”. Mudamos para cá e dois anos depois ele chegou aqui em Belo Horizonte, falou com meu pai e meu pai falou assim: “Eu não resolvo nada, resolve com meu filho” – que era o filho mais velho, o Augustinho. Então conversou com o Augustinho: “Eu gosto muito da sua irmã, tem sete anos que a gente se gosta e isso e aquilo…”. Então meu pai foi e falou assim: “Quer casar, casa, pode casar”. E foi assim. O nome dele era Prudente de Melo, o pai dele era Manoel Joaquim de Melo, primo de Afonso Arinos de Melo Franco, lá dos sertões de Pirapora, Paracatu, aqueles lugares. Depois que o pai morreu é que nós casamos. Ele ficou tomando conta da família, ficou sendo tutor dos outros irmãos e aí chegou a hora de casar. Casei, mudei para a fazenda e morei sete anos na fazenda. Quando o Paulo tinha sete anos, nos mudamos para Belo Horizonte, viemos para cá em 1940.

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Mudança para Belo Horizonte

Primeiro eu fiquei na casa do meu irmão, lá na Lagoinha, na Rua Além Paraíba. Ficamos uns tempos lá, depois nos mudamos para a Floresta e ficamos lá por uns 20, 25 anos. O Toninho nasceu lá, na Rua Pouso Alegre.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividade profissional

Eu não trabalhava como professora, detestava esse negócio de professora. Eu trabalhava no Estado, comecei a trabalhar e fiquei 31 anos trabalhando no Estado. Eu me aposentei em 1980. Gostava de trabalhar e até hoje eu gosto de trabalhar, se fosse para trabalhar até hoje… Trabalhei com a Madame Helena Antipoff, mas isso foi antes de casar. Trabalhei com ela em 1932, casei em 1933. Trabalhei com ela durante dois anos na Escola de Aperfeiçoamento – onde hoje é o Minas Centro. Ela era uma belga que veio para o Brasil na ocasião da Guerra. Chegando aqui, o governo contratou-a para fazer uma renovação no ensino primário, então ela convocou professoras de todos os Estados para virem fazer o curso. E a minha cunhada era professora do grupo Olegário Maciel, mas estava de licença, e foi convocada para trabalhar com a Madame. Aí ela falou comigo: “Você podia fazer esse negócio para mim? Porque eu quero arrumar uma pessoa em quem eu confie, eu não posso chamar qualquer um, então você pode fazer esse negócio para mim?”. Falei: “Posso”, eu estava disponível, não é? O namorado tinha ficado lá, então eu fui pra lá trabalhar com ela. Trabalhei durante dois anos. Ela introduziu o ensino moderno aqui no Estado de Minas, aliás, no Brasil inteiro. Era uma pessoa muito dinâmica. O filho dela morreu há pouco tempo aqui em Belo Horizonte, o Daniel. Ela acabou fundando a escola de Pestalose, que era de deficientes, crianças excepcionais. Ela criou essa escola e posteriormente criou a Fazenda do Rosário, que era também do pessoal excepcional, mas que trabalhava na lavoura, e até hoje existe essa escola lá. Eu trabalhei com ela e era assim: eu ia para os grupos, fazia teste na criançada, fazia seleção dos excepcionais e levava para a Escola de Aperfeiçoamento. Então fizeram uma classe desses excepcionais para que as professoras vissem o modo de ensinar e também para eles terem uma classe deles mesmo, só deles, porque havia aquela discriminação: “Meu filho é assim, é isso, é aquilo”. Então pessoas da alta sociedade daqui tinham alunos lá tomando esse ensinamento e foi nessa época que eu trabalhei com ela. Uma pessoa muito inteligente, muito brava, seguia tudo ali na linha mesmo. Tinha uma diretora, uma outra professora que tinha vindo da Bélgica também, que ajudava nos jogos infantis que as crianças faziam. Então eu trabalhei muito tempo lá. Depois, em 1933, quando eu saí para casar, a minha irmã foi pra lá, para a Fazenda do Rosário. Depois que ela abriu o Pestalose, ela foi para a Fazenda do Rosário e ficou trabalhando lá. A Clarisse, minha irmã. Eu sei que a vida é cheia de coisas. (risos)

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Pai / Francisco Nunes

Eu morei com ele até antes de casar, aqui em Belo Horizonte. A gente morava ali no Carlos Prates. Ele era músico e já estava com 60, quase 70 anos, ou mais de 70, quando um dia chegou um senhor lá, um senhor meio grisalho e bem mulato, e falou: “Eu queria falar com o maestro João Horta”. Aí a minha irmã recebeu ele na porta e disse: “Faça o favor de me dar o seu nome que eu vou lá avisar o meu pai”. Ele falou: “Eu me chamo Francisco Nunes, fui aluno dele e eu vim aqui fazer uma visita”. Aí meu pai veio de lá e foi aquele abraço, mas aquele abraço mesmo, e ele ficou muito contente de ver o meu pai e meu pai ficou muito alegre, chorou. Meu pai é igual ao Toninho, muito emotivo, chorava à-toa. Ficaram abraçados muito tempo e o Francisco Nunes ficou muito grato de ter feito a visita, de ter visto meu pai. Foi uma passagem que até hoje a gente lembra. O Chico Nunes, do teatro, não é? Eu já tinha vinte e poucos anos, em 1932, nessa época.

Irmãos

A ordem é essa: Agostinho – meu pai gostava de pôr nome de Santo – Agostinho de São Luiz Horta, pai da Júnia Horta, que é uma compositora também, minha sobrinha. A primeira era a Maria de Cáritas Horta, a mais velha de todas, depois vinha a Clarisse Horta – que era professora, trabalhou 50 anos aqui em Belo Horizonte e a última escola em que ela trabalhou foi a Fazenda do Rosário ensinando os excepcionais – o Agostinho de São Luiz Horta, depois o Efigênio Ouropretano Horta, não, eu errei, depois do Agostinho sou eu, depois de mim é que veio o Efigênio, esse que está com 92 anos, e depois o Pedro, que está com 90. Então é 90, 92 e 96.

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Brincadeiras de criança

Meus irmãos eram muito alegres. O Pedro gostava muito de cantar, desde mocinho ele pegava o violão e cantava. O Efigênio não, o Efigênio era meio desafinado. Ele falava assim: “Eu não sirvo para a música, eu sou desafinado”. (risos) Mas a Clarisse tocava bandolim, cantava muito, tem uma novela que está passando, das seis, que tem uma música que ela adorava cantar. Toda vez que toca eu me lembro dela. Ela cantava essa música, tocava no bandolim. A mais velha não tocava nada, mas ela cantava no coro do meu pai. O Efigênio e o Pedro entraram depois para a Central do Brasil. Eu não sei se vocês sabem, mas a casa do conde era o escritório onde eles trabalharam durante 30 anos. Durante 30 anos eles trabalharam lá na Central do Brasil, herdaram do meu pai essa vocação. Eles trabalhavam lá e a gente morava aqui na Floresta. Depois, o Agostinho e o Pedro se casaram e eu fui para a fazenda. Nessa época, eu já tinha casado também e levei meu pai para a fazenda. Ele ficou morando comigo lá. De lá, nós voltamos para Belo Horizonte, mas ele morreu em Pirapora. Morreu muito novo, 79 anos.

Filhos

Dos meus filhos, o meu pai conheceu só o Paulo. Na época que ele morava comigo na fazenda, o Paulo estava com 3, 4 ou 5 anos e ele chamava o Paulo de “meu nego Paulo”. (risos) Depois que ele morreu acho que em 1938. Em 1940, nós arrendamos a nossa fazenda para o professor Jorge Bernardeau, um professor francês que veio também corrido da guerra, e viemos para Belo Horizonte. Começamos a vida aqui, os meninos estavam pequenos e aí cresceram, foram estudando e foi difícil criar os filhos. Aí criei os seis. Agora são cinco porque o Paulo se foi. Mas a vida da gente é essa, tenho sessenta e tantos anos de Belo Horizonte, vi Belo Horizonte crescer, quase que nascer.
Eu tive um casal de gêmeos que eu perdi antes da Letícia, depois do Paulo, então eu fiquei com o Paulo, a Letícia, a Gilda e passei nove anos sem ter filhos, depois é que vieram a Berenice, o Toninho e a Lena. A Lena é a caçula, caçula que já está com 52. Seis filhos eram uma festa, a minha casa sempre era uma festa, graças a Deus. Morava ali na Floresta, uma casa muito grande. A Gilda fez vestibular para Direito, ela foi colega do Fernando Brant na Escola de Direito daqui. Quando ela entrou ele entrou também. Ela começou a estudar lá, depois resolveu ir para o Rio, e se formou na Escola Nacional A Berenice também estudava, a Letícia, todos eles, o Paulo. E era música o dia inteiro. Eu gostava muito de música clássica, tinha uma eletrola Pilot grande de alta fidelidade e eu punha as minhas músicas prediletas. Gostava muito de Debussy. Quando o Toninho ouvia tocar Debussy, ele se enfiava debaixo da cama, chorava que só vendo, abria a boca.

Voltar ao topo FILHO

Paulo

Nós mudamos para cá em 1948, 1949. O Paulo gostava muito de música também e gostava de ouvir a rádio Inconfidência. A Inconfidência era na Feira de Amostras, lá na Lagoinha, e tinha um locutor que chamava Agnaldo Rabelo, que tinha um programa de música americana. O Paulo gostava muito de música americana e os colegas dele – o Donato Donatti, o Cid Rodrigues, o Walace, diversos, ele tinha uns dez amigos da mesma idade, 17 anos por aí – ficavam ouvindo no rádio o programa de música americana, que era novidade para ele. Um dia, o Agnaldo Rabelo fez um programa oferecendo um disco que se chamava Baby não sei o que, aí o Paulo escutou esse negócio e chamou o amigo dele, o Donato, e falou: “Donato, Vamos telefonar pra lá?”. A primeira pessoa que ligasse ganhava o disco. O Paulo ligou pra lá e ganhou o disco. Saiu correndo para a rádio Inconfidência – eu morava na Rua Pouso Alegre, era só descer e ir para lá – e o Agnaldo deu o disco a ele. O Agnaldo ficou muito amigo deles e eles ficaram freqüentando a rádio, ouvindo música americana e resolveram formar um clube com 17 anos. Formaram um clube que se chamava Jazz Fã Clube, eram uns dez mais ou menos. Eu me lembro de alguns. Eu me lembro do Agnaldo Rabelo, que era o chefão – ele tomou as dores, ele ajudou os meninos –, o Cid Rodrigues, que morava ali em Santo Agostinho, o Walace, não sei o sobrenome dele, o Donato Donatti e mais alguns que eu não me lembro. Eu sei que foram para a tipografia e imprimiram até os estatutos. Cada um dava um tanto de dinheiro para importar disco direto dos Estados Unidos. Eles pegavam os nomes, importavam os discos e iam ouvir lá em casa. Depois, alguém importava outro: “Vem ver! Chegou outro aqui”, e ia pra casa dele pra ouvir. E eu sei que eles ficaram fãs da música americana e o Jazz Fã Clube durou só dois anos, 1948 e 1949, porque em 1950 o Donato se mudou para o Rio e o clube acabou. Nesse meio tempo, o Paulo já foi entrando para a música, daí a pouco ele já estava tocando nas noites belo-horizontinas e foi levando o jazz para as noites, pois não tinha esse tipo de música. Eles tocavam numa casa que se chamava Confeitaria Elite, na Rua da Bahia, e o pessoal ia para ouvir as músicas. Eles tocavam no Trianon também. Eu sei que eles foram introduzindo a música americana aqui em Belo Horizonte, foram os pioneiros. Até pouco tempo eu tinha uma parte dos estatutos, se eu encontrar eu vou mostrar para você. No princípio, eu não achei bom ele se tornar músico, porque tocar à noite perde o sono, aquela coisa toda, mas como aqui em casa a música está no sangue, não teve outro jeito. Ele pegava o contrabaixo acústico, depois o outro também, e entrou para a música. Ele tocava com o Nazário, tocava com o Plínio, com esses músicos antigos todos daqui de Belo Horizonte. Tinha o Dino, que tocava saxofone. Muitos anos depois, aquele pianista, o Mauro Tolentino, veio tocar numa casa de jazz na Savassi, que se chamava Pianíssimo, e chamou o Paulo para tocar com ele, estava na onda dele, o jazz. E o Toninho começou a ter influência jazzística por causa disso.

Voltar ao topo O FILHO

Toninho

Quando o Toninho tinha uns oito anos, mais ou menos, o Paulo já começou a ensinar violão para ele, os primeiros acordes, e ele foi logo pegando tudo e fazendo aquelas harmonias dele. Tem muitas histórias, são muitas histórias. Tem uma história do Vinicius de Moraes também, mas essa aí já é com o Toninho. O Vinícius veio na Escola de Direito – o Fernando deve lembrar disso – tocar para os estudantes. O Toninho ficou sabendo e correu para lá. Quando chegou lá, os estudantes estavam gritando: “Por que demoraes?”, de Vinícius de Moraes, porque ele estava demorando demais. Aí chegou o Vinicius, foi muito aplaudido e cadê o violão? Não trouxe o violão. Aí o Toninho falou: “Eu vou pegar um violão”. Ele voou de lá e arrumou um violão. Aí deu ao Vinicius um violão, o Vinicius tocou e depois o Vinicius falou: “Você toca violão?”. E o Toninho falou: “Toco não, estou aprendendo”. “Então pega o violão aí e faz qualquer coisa.” O Vinicius ficou bobo de ver ele tocar. Então no outro dia saiu no jornalzinho lá da escola o retrato do Vinicius com o Toninho e o violão. (risos) E ele com poucos anos de idade, tinha 12 anos nessa época.

Voltar ao topo FAMILIARES

Cotidiano

Nossa, tinha amigos toda vida. Os meninos foram crescendo, o Paulo fazia aniversário e a casa enchia de gente. Uma vez teve um aniversário dele e o Bituca foi. Ele viu o Toninho tocando violão, e achou interessante. O Toninho já estava com uns 16 anos, por aí. E houve até uma coisa curiosa que aconteceu uma vez: eu tinha um sobrinho, o Byron, que tinha acabado de se formar em Engenharia, tinha ganho um carro novo do pai, foi passear com uns amigos e com umas fulanas que eu não sei quem são e o carro caiu na lagoa da Pampulha e ele morreu afogado. Mas ele era um menino muito inteligente, gostava demais de música. Era filho do Pedro, meu irmão, esse que gosta de cantar, e gostava também de música. Então ele chegou lá em casa um dia, tinha hora dançante, tinha aniversário, aquela coisa toda, e falou: “Eu trouxe aqui um disco de um grupo que está fazendo muito sucesso na Inglaterra para vocês ouvirem”. Então pôs lá na radiola. Eu não me lembro o nome da música, mas era uma música dos Beatles, o primeiro disco dos Beatles que entrou em Belo Horizonte, ninguém tinha, ninguém conhecia. Aí todo mundo que estava dançando foi para perto da radiola ouvir: “Mas que som!”. Todo mundo adorou. E vira o disco e torna a virar e tocou não sei quantas vezes.

Pai

Eu gosto muito das músicas que o Toninho compõe, gosto muito dessas músicas mais românticas, porque toda vida eu tive um pouco de romantismo. Mas influência não, porque meu pai era um músico sacro. Mas ele compunha outras músicas também, tinha uma série de músicas que meu pai compunha com o nome de cada aluna. Cada aluna dele tinha uma valsa. “Essa é para fulana, essa é para Belinha, essa é para Maria das Graças, essa é para Maria Não Sei o Que…” e de vez em quando eu ainda encontro. Ele era muito bravo, na hora de ele reger a orquestra todo mundo tinha que ficar calado na posição certa. E eu tocava bandolim na orquestra, por aí você já vê. (risos) Na hora que ele estava compondo, ele abaixava a cabeça na mesa e ia escrevendo, ninguém podia falar um “A”, todo mundo ficava caladinho. Então, uma vez, a orquestra estava toda pronta, todo mundo pronto, mas todo mundo conversando. Então ele pegou o violão – na orquestra ele tocava violão – e sentou na cadeira em frente ao pessoal todo, virou para as meninas e falou assim: “Quando vocês acabarem de conversar vocês me avisem, eu vou sair daqui e depois vocês me avisem que eu volto”. Bravo mesmo com elas. (risos) Quando ele estava fazendo acordes no violão, ele também não gostava que ninguém desse um pio, ele dava cada acorde no violão que você ficava boba. Então quando ele dava aqueles acordes assim, ninguém falava nada, todo mundo ficava calado, e depois comentava: “Ah, Seu Horta, está muito bonito o que você fez”. Mas ele era muito bravo e o Toninho também é meio bravo, parece que ele herdou esse negócio do avô.

Voltar ao topo PESSOAS

Milton Nascimento

Então lá em casa aconteciam essas coisas todas, de vez em quando acontecia um caso, como aconteceu esse do baile. Uma vez, o Milton, que era mais amigo do Paulo, fez uma letra de uma música chamada “Segue em Paz”, e o Toninho viu a letra do Milton e pôs a música, uma música até muito bonita, “Segue em Paz”, isso quantos anos tem? Isso foi muito antes do Clube da Esquina. Aí o Toninho guardou a música. Ficou guardada anos e anos. No ano passado, a Paula Santoro queria gravar uma música do Toninho. Aí o Toninho pegou a música e falou: “Eu tenho uma música que dá muito para sua voz, o Milton fez a letra e eu fiz a música”. Pediram licença ao Milton para gravar, o Milton deu a licença, ela gravou a música e vai sair no disco dela. A música nasceu lá nessa casa da Rua Araxá, na Floresta, numa dessas reuniões que tinha lá em casa, antes do Clube da Esquina.

Voltar ao topo PAULO E TONINHO

filhos

Eu sentia na carne que eles iam ser músicos, não tinha outro jeito. O Paulo começou a estudar Engenharia de não sei o que, foi até o terceiro ano e largou, não agüentou, a música não deixava. O Toninho correu quase todos os colégios de Belo Horizonte, era expulso todo dia. Lá no Colégio Arnaldo ele brigava com os padres, os padres punham ele para escrever 1.000 vezes: “Eu devo ser um bom aluno”. Eu morava em frente ao bonde e ele chegava lá em casa às oito horas da noite: “Toninho, o que é isso?”, “Nada não” e saía para lá correndo. Não queria saber de estudar, o que ele sabe ele aprendeu em casa, porque o colégio para ele não valia nada. Ele não ligava. Então eu sentia isso: “Meu Deus, o que eu posso fazer?”. Tanto que com 17 anos ele foi para o Rio, para o Festival Internacional da Canção, e eu não pude segurar. Foi até muito interessante, porque nessa época eu não morava na Floresta, eu morava no centro da cidade, no mesmo prédio em que o Beto Guedes morava, então o Francisco do Carmo chegou lá com o Jornal do Brasil e falou assim: “Toninho, olha isso aqui, três músicas suas foram selecionadas no Festival da Canção”. Eram: “Maria Madrugada”, “Nem é Carnaval”, que é do Marcinho com ele, e “Litoral”. Ele ficou doido e, com 17 anos, foi embora para o Rio. As músicas foram tocadas, foram finalistas, mas não deu, tinha uns intérpretes, mas não sei não, não era para ser. Esse negócio de festival é muito… Eu falei com ele sobre esse festival de São Paulo: “Toninho, vai, faz uma boa apresentação e só. Não pensa em nada não”. E ele falou: “Não, mãe, não estou pensando em nada não, eu gosto de música”. E a Cultura é uma TV idônea, se fosse uma outra qualquer ele não iria. E dizia: “Eu gosto de cultura, eu gosto de música, eu gosto de gente, vou porque eu quero, vou porque eu gosto”. Não foi ele quem fez a inscrição, na época ele estava na Europa sem saber de nada. O letrista dele foi quem fez a inscrição da música. Então o que ele podia fazer? Deixar o letrista desapontado? Na mão? Que, aliás, é um grande amigo dele. “Então vamos lá, vamos fazer.” Deu ou não deu, a cara dele é a mesma, a minha é a mesma, é uma coisa natural. Esse negócio de festival é uma loteria, então para que ficar reclamando? Então como vou segurar uma pessoa que já tem um dom da música, que já nasceu com aquele dom? Porque uma criança que aos quatro anos chora ao ouvir uma música de Debussy, uma música romântica, triste, é predestinada a alguma coisa que seja a música. Eu falei com o pai e o pai ficou assim… Mas graças a Deus ele até hoje é o mesmo menino que foi toda a vida, então eu não me arrependo de ter consentido. (risos)

Voltar ao topo FESTIVAIS

Festival Internacional da Canção

No dia de “Travessia”, no Rio, eu fui com a família toda. Eu aluguei uma quitinete lá em Copacabana, foi a família toda e fomos para o Maracanãzinho. Sentamos e a família do Fernando Brant estava mais ou menos perto. Na hora de “Travessia”, eu falei: “Essa música já é, não tem outra”. E eu bati tanta palma para “Travessia”, tanta palma, mas tanta palma que – eu estou com 96 anos, não minto na minha vida – minhas mãos incharam. No outro dia eu estava com a mão inchada de tanto bater palma para “Travessia”. E foi aquela euforia, aquela coisa toda, não teve jeito, a música para mim é predominante. E eu falei: “Essa vai ganhar, mas vai mesmo, não tem outra”. E “Travessia” ganhou. (risos)

Voltar ao topo TURNÊS

Viagens de Toninho

A primeira vez que ele viajou para o exterior foi com a Gal Costa. Eu fui ao aeroporto e a Gal falou: “Dona Geralda, a senhora está com muito medo do seu filho viajar comigo?”. Ele estava com 18, 17, não sei. Aí eu falei: “Não, ele está em boas mãos, ele vai fazer o que ele gosta e se ele vai fazer o que ele gosta eu estou feliz, vou ficar saudosa, mas eu estou feliz porque ele vai principalmente com você”. A primeira vez que ele foi para o exterior foi para Paris, com a Gal. E não sei quantas vezes que ele já andou o mundo todo. Só falta agora a África, mas ele já foi pra Rússia, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Suíça, Indonésia. Eu quase morri, falei: “Toninho, você vai pra Indonésia? É longe demais, meu filho”. Ele falou: “Vou, tranqüilo”. Vinte e tantas horas de viagem. Para o Japão ele já foi 14 vezes, está escrito aí, tem tudo anotado. Começou com a Gal e por aí foi, até hoje. Agora já está com viagem armada para a Dinamarca e vai para a Califórnia no fim do ano, para o tal de Grammy que tem lá – ele foi sorteado. E tem outro lugar que ele vai ainda este ano, deixa eu lembrar… É Argentina. Ele não pára e cada vez que sai eu fico com o coração na mão. Mas quando foi para a Indonésia eu fiquei meio assustada. Porque é longe demais. E depois de lá foi para a China, em Xangai, para aqueles lugares todos, Malásia… Eu sei que andou por lá tudo. E já chamaram outra vez. Ele foi pra Ilha de Bali, longe, e eu ficava no mapa assim: “Ai, meu Deus do céu, hoje ele está aqui”. (risos) Esse negócio do Livrão que ele faz absorve ele muito, então ele fica muito na firma dele trabalhando, mas vem sempre gente aqui.

Voltar ao topo CASA

Cotidiano

Já dormiram aqui em casa Eumir Deodato, Dori Caymmi, Gilberto Gil – esse Gilberto Gil tem uma história, mas essa é da Gilda. A Gilda era promotora no Rio e ela pegou o Gil para levar para Ouro Preto. Ela era produtora pobre e ele estava começando – ele tinha ganho o festival, mas estava engatinhando ainda. Ela foi para Ouro Preto com ele, fizeram o show, voltaram tarde da noite, dormiram aqui em casa no quarto do Toninho e de manhã foram tirados uns slides, nós temos uns slides dele aqui na grama. A Fafá de Belém também veio, com o Ronaldo Bastos e uns outros aí, prum show. Quando é de manhã, estou vendo aquela moça com um vestido indiano, meio baixo assim, curtinho, e falei: “Quem é essa?”. “Essa é a Fafá, ela é de Belém, está entrando na música e veio assistir ao show.” Não sei se o show era da Gal, se era do Milton, não me lembro mais qual o show que ela veio ver, parece que era do Milton, não sei. Então ela dormiu aqui, no quarto dormiram ela, Toninho, Ronaldo e um outro que eu esqueci o nome, dormiram quatro em um quarto. A Joyce também veio várias vezes. Foi tanta gente que eu até esqueço. Edmundo, aquele que morreu, acho que é isso mesmo, um que foi namorado da Joyce, esqueci o nome dele, também veio. Eu sei que por aqui já passaram várias pessoas.

Voltar ao topo TONINHO

Fãs do Toninho

Escrevem muita carta, mandam disco, ele tem umas três pastas deste tamanho cheia de CDs que mandam pra ele, todo dia chega CD. Recebia muitas cartas, bilhetes nos shows, e ainda recebe, eu vejo muito.

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Clube da Esquina: avaliação

Eu acho que esse movimento do Clube da Esquina foi muito feliz, foi muito abrangente, porque criou um novo estilo de música que o Brasil não tinha, um novo modo de compor que o Brasil não tinha e deu um incentivo muito grande para todo mundo, porque foi uma coisa que entrou e não saiu mais. Eu acho que o Clube da Esquina foi muito válido. Nasceu aqui em Santa Tereza. Eu me lembro que às vezes o Lô vinha aqui com o violão, o Toninho ensinava alguns acordes pra ele e o Toninho morava mais lá do que aqui, toda hora estava lá. Eu acho que foi uma idéia muito boa essa idéia da placa, de consagrar a Esquina. Foi um gesto muito bonito a idéia do Museu. E o livro do Marcinho, que é uma coisa de louco, “Os Sonhos não Envelhecem”. Eu falo sempre com o Toninho, porque o sonho dele atualmente é de lançar o Livrão, então eu falo com ele: “Os sonhos não envelhecem, ele não envelhece, lembra do livro do Marcinho?”. Porque ele tem esse sonho, mas esse livro dele é uma coisa muito minuciosa, por isso que está dando esse trabalho, trabalho e dinheiro, porque o dinheiro do patrocínio não dá então eles tiram do bolso. Ele ganha e tira, põe no bolso e tira, mas uma hora tem que sair.

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Família

Isso pra mim é um prazer imenso, ver a Lena. A Lena toda vida acompanhou o Toninho na Orquestra Fantasma. O Iuri. Eu acho isso muito bonito, muito gratificante para mim, é uma prova de que a família é unida. E uma coisa que eu peço muito aqui em casa: vocês gostam muito de harmonia musical, mas a maior harmonia é a de casa, é a harmonia da família, é essa que eu não quero perder nunca. Então no Natal, no Dia das Mães, eu sempre faço um discursinho para falar sobre harmonia na família. A Lena sempre acompanhou o Toninho. Agora a Diana também já se formou no conservatório e está tocando muito bem e isso para mim é uma alegria imensa. O filho dele também já está na guitarra, já está começando, isso pra mim é um grande prazer.

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Festival da Cultura 2005

Pois é, o Tadeu Franco tem uma voz maravilhosa. Eu falei que se fosse por merecimento eles tinham tirado no mínimo o segundo lugar. Eu achei até que fosse o maracatu, as músicas do Brasil. Eu sabia que o primeiro lugar não tinha jeito, mas por causa da voz do Tadeu, aquela voz maravilhosa, aquele timbre, eu falei com o Toninho, ele estava lá na mesa falando que ia chamar fulano, beltrano, e eu falei: “Toninho, chama o Tadeu Franco porque ele tem uma voz maravilhosa, mas ele tem que ensaiar, ele tem que se despojar daquela timidez e pôr para valer”. Mas esse negócio de festival é que nem loteria, você viu quem ganhou, não é? Ganhou o filho de um dos apresentadores e por isso que a vaia foi tão grande. Eu falei com o Toninho: “Olha, Toninho, não pensa em nada, pensa só em fazer uma boa apresentação”. E ele falou: “Mãe, mas é isso que eu quero, eu quero mostrar a minha música, gosto de mostrar a minha música, de sentir a minha música e é por isso que eu vou”. Tanto que ele não entendeu quando eu falei: “Parabéns, porque a sua música ficou muito bonita, o Tadeu ontem estava divino, não deu errada nenhuma”. Mas essas coisas acontecem, são naturais e a gente tem que achar natural aquilo e pronto. Pra mim passou. Eu não deixei de dormir, não deixei de tomar o meu café da manhã.

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Museu

Achei excelente essa idéia do museu, de um movimento desse, que fez tanto bem a Minas Gerais, fez tanto bem ao Brasil e ao exterior também, porque ele é muito respeitado no exterior. Então eu acho que a idéia é genial, eu acho que quem teve a idéia está de parabéns, porque escolheu a coisa certa. Nós não temos um museu da nossa música. Temos grandes nomes da música passada mas não temos um museu. Por isso é que o Toninho está fazendo este Livrão. A maior parte das músicas é de músicas passadas, do século passado, então é pra deixar uma coisa que acaba virando um banco de dados. Então o museu é ainda melhor porque é uma coisa palpável aonde você vai, vê os clipes, os vídeos e é uma coisa que vai ficar para o resto da vida, vai ficar para as novas gerações, que vão adorar esse museu. Ali está uma história grandiosa da música brasileira, uma história que conta tudo sobre a música brasileira e que dá a maior honra ao Estado de Minas.

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Fernando Brant

O interessante foi que na hora do Fernando Brant receber o prêmio, ele foi com o smoking do Toninho. (risos) Não sei como coube nele, porque toda vida ele foi mais forte que o Toninho. O Toninho ia em uma festa de 15 anos aqui em Belo Horizonte e mandou fazer o smoking e estava novinho. Ele não vestiu porque não ganhou prêmio nenhum. Estava lá no hotel e diz que o Fernando falou: “Não consegui arrumar uma roupa”. E o Toninho falou: “Eu tenho uma lá, vamos ver se serve em você”. E ele acabou indo com a roupa. Não sei nem se ele se lembra disso. (risos) Então é isso, vamos visitar o Museu.

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Clube da esquina

Gostei muito de ter dado o depoimento. Eu queria pedir desculpas porque eu não estava preparada para isto. Eu tenho um acervo grande, que, como eu falei pra você, eu vou doar para o Museu, já falei com o Toninho. Quando tinha esses eventos, eu relacionava tudo e guardava. Então eu tenho Manchete, aquela revista antiqüíssima, tem as fotos da Manchete, do Festival. Tem uma foto do primeiro show que o Clube da Esquina deu em São Paulo, com aquela música do Wagner, aquelas músicas lindas do “Clube da Esquina 1”. Tocava o Zé Rodrix, o Fredera. Eu me lembro que teve uma que o Toninho tocou guitarra numa dessas exibições lá em São Paulo que eu tenho aqui na televisão – é televisão ou fita, mas eu sei que tem. O Toninho tinha quebrado o pé e estava com o pé engessado até aqui, tocando guitarra sentado. Então eu tenho essas coisas, que vou procurar e vou ter um grande prazer em doar para o Museu.

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Uma mensagem para Geralda Horta

  1. jayme zylbert disse:

    Parabéns belíssima estoria de vida.muita saúde para a senhora..