Hamilton Mendonça

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é Hamilton Mendonça de Paula. Nasci em Três Pontas, em 26 de junho de 1957.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais / Irmãos

Meus pais chamam-se Francisco Galvão de Paula e Maria Ivone Mendonça de Paula. Meus irmãos vivos são: Luís Eduardo Mendonça de Paula, Marco Antonio Mendonça de Paula e Viviane Mendonça de Paula. Teve dois que faleceram – uma irmã minha que faleceu chamava-se Liziane Mendonça de Paula.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Brincadeiras de infância

O ambiente em casa era bem familiar. Tive uma infância de cidade do interior: jogava futebol, brincava com os amigos. A gente fazia brincadeira de pique, de guerra-guerra – que reunia duas turmas. Uma saía e delimitava a área; uma não podia chegar na área do outro. Eram aquelas coisas que não existem mais.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pai

Meu pai começou como comerciante e logo depois foi funcionário da Usina Boa Vista. Depois, como comerciante, ele começou vendendo adubo; e de vendedor de adubo ele tornou-se diretor de uma das maiores empresas de Três Pontas, a Featbrás.

Voltar ao topo TRABALHO

Primeiro emprego

Meu primeiro emprego foi com meu pai, na Featbrás. Eu era assistente de vendas dele, logo no começo da empresa.

Voltar ao topo CIDADES

Três Pontas

Em Três Pontas tinha muitas festas populares. As mais famosas eram as quermesses. Tinha a festa da Embaixatriz da Televisão, que foi uma festa em Três Pontas que teve um auge estupendo, mas infelizmente acabou. E as quermesses depois viraram exposições agropecuárias. Nessa festa da Embaixatriz da Televisão vinham representantes das cidades de Minas Gerais, que mandavam as misses e era coberta, se eu não me engano, pela Rede Tupi. Então vinham todas as artistas pra festa. A cidade vivia um auge total nessa época. Eu ainda era bem novo, mas a gente participava das festas e era bem interessante. Aquelas mulheres que vinham eram muito bonitas.
Três Pontas realmente tem esse poder de fabricar bons músicos. A cidade é musical naturalmente. Aqui tem essa particularidade; a música flui mesmo. Os exemplos do Bituca, do Wagner, deixaram a cidade criar esse clima e todo mundo querer também. Ver o Bituca sair daqui e se tornar… Então ajudou muita a cidade. É um orgulho pra Três Pontas ter o nosso Bituca, que sempre fala de Três Pontas. Quando o Bituca fala daqui na imprensa, Três Pontas, no outro dia, é outra cidade.

Voltar ao topo PESSOAS

“Bituca” (Milton Nascimento)

O Bituca fala uma coisa que é interessante; ele diz que não tem lugar do Brasil que ele toque que não apareça um trespontano: “Eu posso estar dando show onde estiver. Penso: ‘hoje não vai ter um trespontano’. Quando vejo, batem no camarim. É um trespontano!” Ele confirma isso pra todo mundo daqui. O pessoal fica sabendo do show dele e aparece. E trespontano é orgulhoso.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Bailes

Os bailes foram depois, na adolescência. Na adolescência chamava-se “brincadeira”. Eram uns bailinhos dançantes que se faziam em casas mesmo. Punha a música e você ia, dançava, escolhia a colega e fazia. Chamava “brincadeira”. (riso)

Voltar ao topo ADOLESCÊNCIA

Adolescência

Tive vários amigos: Vaguinho, Betinho, antes o Pena, o Frã – irmão do Jacaré – foi meu grande amigo, Pantera. Eram diversos amigos que a gente guarda muito.

Voltar ao topo BEATLES

Preferências musicais

Eu sempre gostei de Beatles e da boa música popular brasileira. Foi sempre do meu gosto. Adoro! Eu vou pra Belo Horizonte e escuto a Inconfidência 24 horas por dia, porque só toca música popular brasileira.

Voltar ao topo AMIGOS

“Bituca” (Milton Nascimento)

Eu conhecia o Jacaré e fomos fazendo amizade com o Frã, irmão dele. Fizemos amizades e uma vez eu fui presidente do Estudante do Samba, uma escola de samba daqui de Três Pontas. E uma vez eu tive a cara-de-pau de pedir pra ele fazer um samba-enredo pra mim e ele topou fazer. E fomos tendo afinidade. Isso faz 30 anos brincando! Ele fez o samba-enredo e depois acabou fazendo outro, que fez muito sucesso, que foi Reis e Rainhas do Maracatu, e que foi gravado em disco. Outras vezes que eu fui presidente ele tornou a fazer samba-enredo. Quando eu ia no Rio de Janeiro, sempre ia na casa dele. Uma amizade sem cobrança. Eu tenho o Bituca como um ídolo, sem nunca cobrá-lo nada. Eu sou amigo dele por gostar.
Eu devia ter 14 anos de idade quando conheci o Bituca. Conheci nessa casa mesmo, por intermédio do Hélson Romero – o Jacaré – e do Frã. Eu tinha amizade com eles. Com o Hélson joguei muito tempo futebol de salão. Então tenho amizade com ele há muito tempo.
Eu só chamo o Bituca de “Divindade”. No lançamento do Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte, o Marcinho falou que tinha três pessoas no mundo que ele admirava e colocava na frente de tudo: Deus, Miles Davis e Milton Nascimento. O Bituca falou assim: “Não necessariamente nessa ordem.” Achei fantástico, porque é o espírito dele. E é por isso que eu o chamo de “Divindade” há muito tempo. Quando ele manda cartões de Natal pra mim, escreve: “Abraços e Beijos da ‘Divindade’”. O apelido surgiu naturalmente. Num show em que eu estava presente, cheguei e falei: “É ele, a ‘Divindade’ da música!”
Eu tinha envolvimento com o próprio Bituca. Eu fui conhecer o pessoal do Clube da Esquina posteriormente. Nessa época não tinha envolvimento com eles. Tenho muito contato com o Fernando Brant, com o Lô Borges, com o Marcinho, o Tavinho Bretas, o Murilo Antunes, mas os conheci posteriormente. O Bituca toda vida quis fazer alguma coisa parecida com Beatles. No começo da carreira dele é Beatles. Beatles é Beatles; até hoje não tem o que falar.
Ele fazia um programa de rádio na cidade e já dava pra saber que o negócio dele era música, porque só tocava músicas boas. Já tinha um gosto musical apurado. Depois, quando ele apareceu com “Travessia” no festival, falamos: “Agora ninguém segura.” E foi o que aconteceu mesmo.
O Bituca, quando ele vem pra Três Pontas, costuma não avisar que está chegando. Aí chega e começa a fazer os contatos. E ele adora comer traíra, que é um peixe natural da gente aqui. E tem um amigo particular nosso, que é o Vaguinho, que tem uma casa de campo na beirada da cachoeira, um lugar maravilhoso. E eu aviso: “Vaguinho, o Bituca tá aqui; vamos comer a traíra.” E pode ser segunda, terça, o dia que for; o Bituca chega com a gente – pouca gente que ele não gosta de muito movimento – e começamos a comer a traíra. Ele não bebe, fica ali no suco, na água mineral. Quando a gente vê, o papo vai indo, vai indo e ele fala assim: “Hoje não é mais segunda.” Aí perguntam: “Por quê?” “Não, hoje virou sexta-feira. Nós vamos embora só Domingo” Ele decreta o dia e nós temos que acompanhá-lo. Sendo segunda-feira, vira sexta, então nós ficamos até na quarta – que quarta virou domingo.
A gente fica lá só comendo peixe, pescando, conversando. E é o que ele mais adora: ficar conversando e saber as coisas novas da cidade, as palhaçadas, o que aconteceu, o que não aconteceu. É um molecão quando está com a gente. Ele não pesca, prefere o peixe fritinho no prato. Quem pesca é o Vaguinho, que é o dono dessa casa de campo. Ele coloca os funcionários dele pra arrumar o peixe pra que, na hora que o Bituca chegar, tenha o lambari e a traíra prontinha, fresquinha pra ele poder comer. E a gente conta tudo que acontece na cidade, os causos. E ele quer saber de tudo: quais são as gírias novas na cidade, o que se fala – porque aqui se fala da cidade vizinha, que rifa televisão preto-e-branco, e ele adora ficar sabendo dessas palhaçadas. E ali a gente ri, passa a sexta, o sábado e o domingo – que seria segunda, terça e quarta.

Voltar ao topo FESTIVAIS

Woodstook Mineiro

Eu participei do Woodstock Mineiro. Aquilo tinha que acontecer outras vezes. Foi fantástico! Muita gente tocou: Chico, Francis Hime, Bituca, Clementina, Fafá de Belém, Azimute, Grupo Água. Eu posso esquecer alguém, porque era muita gente. Foi uma loucura. Pra se ter uma idéia, na época, em Três Pontas, no dia do chamado Woodstock Mineiro – acho que foi manchete que deu o nome – acabou leite e água na cidade! Não tinha mais nada. A reação da população foi maravilhosa. No princípio houve certo receio de hippies e drogas, mas depois viram que era uma coisa que teria que acontecer de novo. E só o Bituca pra fazer isso acontecer aqui de novo, a “Divindade”.

Voltar ao topo MÚSICAS

“Clube da Esquina 2”

Eu tenho uma música que me toca demais da conta, que é “Clube da Esquina 2”. Eu acho que aquilo nunca mais vai existir, musicalmente falando. E a letra encaixada naquilo é fantástica!

Voltar ao topo MOVIMENTO

Clube da Esquina: Avaliação

Tem coisas que eu gosto muito, como “Coração de Estudante”, “Canção da América.” Tem coisas dele que são bonitas demais da conta! Acho que ele deveria ser mais idolatrado do que é. Porque ele pegou o final da Bossa Nova e entrou com uma coisa diferente; e foi seguido por esse pessoal de Minas, do Clube da Esquina. Hoje você não vê surgir alguma coisa diferente. Depois deles não existiu outro ritmo musical no Brasil, a não ser o do Clube da Esquina, que começou com a “Divindade”. Quer queira, quer não, eu acho que todos esses grupos novos que estão surgindo em Minas se espelham no pessoal do Clube da Esquina, como o Skank, o Jota Quest e outros menos famosos. Tudo se espelha neles. É que tem que se espelhar. Se o Milton começou espelhando-se nos Beatles, quem começa tem que se espelhar em alguma coisa pra fazer jus.

Voltar ao topo OUTROS FESTIVAIS

Festival Internacional da Canção

Eu me lembro do Festival; eu estava em casa assistindo na televisão. Eu senti uma loucura… Eu me lembro de uma coisa muito boa, muito importante: eu estudava no Ginásio São Luiz, e ganhou em primeiro a música “Apareceu a Margarida”. “Travessia” ficou em segundo e a “Carolina” em terceiro. A repercussão não foi a esperada, porque o povo esperava ou “Travessia” ou “Carolina.” Então eu estava no Ginásio São Luiz e apareceu um pessoal fazendo pesquisa pra saber qual música que as pessoas achavam que teria que ser a primeira. E os meus colegas de classe não sabiam que “Travessia” era do Milton Nascimento. E eu vi que eles não votavam na música. Fiquei revoltado com aquilo: “Pronto! Estão votando contra o cara que é daqui…” Isso me gravou muito. Eu acho que “Apareceu a Margarida” não deveria ter ficado em primeiro. Mas eu não concordava que alguém votasse na “Carolina”, porque eu queria que votassem na “Travessia.” E sabendo que o Bituca era daqui, isso me gravou muito.

Voltar ao topo LEMBRANÇAS

Dona Lília

Eu me lembro muito da Dona Lília. A imagem dela é de uma pessoa meiga, carinhosa. A Lília do Bituca… E a minha família sente o mesmo pelo Bituca. Minha mãe, quando morava na Usina Boa Vista, chegou a pajear o Bituca. Ela lembra dele menininho, que saía com ele, passeava. Quando a gente se encontra, conversa muito a respeito disso. Eu nem tinha aparecido ainda. Era minha mãe com ele. Ele ia lá na Usina, porque a Usina era dos Brito, e minha mãe o pajeava.

Voltar ao topo TRÊS PONTAS

“Bituca” (Milton Nascimento)

Ele é uma pessoa simples, humilde. Se você chega com uma pessoa que ele não conhece, ele demora 10 minutos pra poder falar alguma coisa. Acho que é um dom que ele tem, que a “Divindade” tem de conhecer a pessoa pra saber se ele pode conversar, se pode se abrir. E é uma pessoa que foi bem acolhida pelo seu Josino e pela Dona Lília, mas que vem de situação difícil. Menino adotado que conseguiu chegar onde chegou, com méritos próprios. A gente faz torcida pra ele. Aqui em Três Pontas eles falam que nós somos do PSDB – Puxa-Saco Do Bituca. Sou eu, o Jacaré, o Vaguinho, o Bichinho, o Pantera, o Paulinho. Tem uma turma que se reúne pra fazer um aperitivo e, quando o pessoal chega, falam: “Ali está reunido o PSDB, os Puxa-Saco Do Bituca.” A mensagem que eu quero deixar pra “Divindade” é que é o maior orgulho poder dar essa declaração pra você, “Divindade”!

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