José Francisco da Silva

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Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é José Francisco da Silva – os amigos me chamam de Chico. Sou nascido em Belo Horizonte, no bairro de Santa Tereza. Nasci em 1949.

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Primeiro emprego

Qual foi o meu primeiro trabalho? Quando eu tinha 7, 8 anos de idade eu… Naquela época, a gente pedia ao pai pra poder ir ao cinema, por exemplo. Eu achava muito pedir ao pai pra ir ao cinema e ainda pedir o dinheiro. Então tinha um sujeito na feira de domingo do bairro, e eu tratei com ele. Ele me arrumou um balaio e uma faquinha e então eu colhia laranjas. Ia para o campo de futebol do Ferroviário – que era embaixo assim e ficava lotado no domingo – e vendia laranja. Aí ganhava o meu troco. Só pedia pra ir ao cinema, porque eu já tinha um dinheirinho pra pagar meu ingresso. Então eu fui acostumando com o trabalho. Depois eu passei a inventar de cuidar das casas no final de semana, de sexta à tarde, de sábado. Eu cuidava do chão; limpava o chão, esfregava com palha-de-aço. E aquilo virou um sucesso no bairro. Eu era muito requisitado. Então ganhava um dinheiro legal com isso (riso). Depois comecei até a ficar exigente. Como me chamavam muito, eu falava: “Olha, eu vou, mas eu quero sossego. Quero ver os móveis e as cadeiras viradas, pra eu já poder trabalhar e tal.” (riso)

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Estudos

E em 1960 eu fui pra um colégio na Pampulha. E a Igrejinha São Francisco tinha acabado de ser reaberta ao público, porque ela ficou fechada para culto. E eu fui ser sacristão daquela igrejinha. Para mim era o máximo, com 10, 11, 12 anos. E ela era uma atração. Recebia gente do país inteiro e era muita gente. E ali deixavam muita oferta para a igreja, mas também para o sacristão. Então eu também ganhava um dinheiro. Porque um menino de 10, 11 anos conviver com aquelas obras de arte, com Ceschiatti, com Burle Marx, com Portinari, Niemeyer… Era o que estava acontecendo naquele momento ali. Quer dizer, claro que eu não tinha essa noção, mas sabia que era uma coisa importante, então eu mostrava. Inventava um roteiro para os turistas, para explicar a igreja. E ali eu lembro que foi uma coisa muito gostosa de fazer. Eu também anotava os batizados e os casamentos da comunidade. Marcava os dias, o horário. Mas o que eu mais gostava era quando ia no badalo do sino chamar para a missa de domingo. Adorava chamar para a missa de domingo. (riso)
O colégio que eu estudava era interno e com o dinheiro de sacristão eu ia uma vez por mês em casa, no último domingo do mês. Então eu levava presentinhos. Comprava uma revista que a minha mãe gostava e guardava um pouquinho. Quando eu voltava no domingo à tarde para o Colégio, levava alguns mimos para os colegas, para os amigos. Comprava umas coisinhas e deixava um dinheirinho em casa. Era isso o que eu fazia com o dinheiro.

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Atividades profissionais

Depois, já fora do colégio – quando eu fui fazer o final do Ginásio, o Científico – descobri uma outra coisa muito legal: ser cobrador também dava dinheiro. Então cobrador do quê? Havia uma organização – que era o início desse serviço de seguro-saúde, era o iniciozinho, em 1967, 68 – que chamava-se Sabermédica. Então você cobrava as mensalidades dos sócios daquele serviço, como se fosse um seguro-saúde, mais ou menos assim. E nisso eu fiquei por anos. E ainda levei vários amigos de Santa Tereza, mais ou menos da mesma idade, para fazer a mesma coisa. E a gente era filho de família pobre, de classe média baixa, cujo poder aquisitivo era muito pequeno. Então isso fazia muita diferença, porque a gente fazia até um certo sucesso, já que podíamos freqüentar as coisas que tinham importância em Belo Horizonte. Na adolescência podia ir ao tal do Dom Quichop, que era na Savassi – porque no máximo o pessoal ia no cinema, no Cine Odeon, no Floresta, no Cine Paté. Mas a gente já podia sair para a noite, porque tinha um retorno legal. E eu fui sempre com trabalhos assim, até que curso a universidade.
Quando saio da universidade é que eu tenho o meu primeiro emprego de carteira assinada. Fui ser professor da Universidade Católica, professor da própria Universidade Federal, pesquisador pelo CNPQ. O Célio Garcia foi meu orientador, um grande psicanalista, uma figura muito importante na área das ciências aqui em Minas Gerais. E essas pesquisas, profissionalmente mesmo, de carteira, fui ter no final da universidade. Mas eu sempre me virei. No tempo da universidade eu também me virava. Ganhava um troquinho com as próprias atividades dali mesmo, dentro da universidade. Eu sempre sobrevivi dessa forma. A família não teria condições de bancar completamente, então era a forma que eu tinha de ir galgando.
E depois da universidade eu fiz uma opção, porque já estava muito orientado para a questão do social desde os anos 60. O Clube da Esquina tem muito a ver com essa coisa toda, porque era um movimento musical, mas que pulsava com aqueles anos difíceis da ditadura. Então aquele movimento influenciou a gente nas escolhas – eu tenho essa consciência. O que eu fui escolhendo tem tudo a ver com essa geração.

EDUCAÇÃO
Faculdade
Eu fiz Psicologia, mas me voltei para a Psicologia Social. Deixei a universidade e fui para Montes Claros, no norte de Minas, para coordenar parte de um projeto que se chamava Extensão de Cobertura de Serviço de Saúde. Era uma região paupérrima que não tinha nada de serviço de saúde. Eu fui pra lá em 76. Aí comecei a trabalhar com Saúde Pública. Eu já tinha feito estágio na Secretaria de Saúde, no tempo de estudante, e no INERU, na área de Saúde Pública. E em 79, 80, fiz minha pós na área de Saúde Pública e tornei-me um profissional da Saúde Pública.

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Márcio Borges

Meu contato com o Clube da Esquina era de amizade, mas eu também já era muito fã de tudo o que rolava. Tinha muita amizade com o Marcinho e com o Lô, lá em Santa Tereza.
A gente se encontrava nas festas, se encontrava andando pelo bairro nas horas que você tinha vontade mesmo, se encontrando na esquina pra conversar. Tinha a esquina de Paraisópolis com Divinópolis, mas de vez em quando a gente migrava dali para outra esquina de baixo, que era Paraisópolis com Dores do Indaiá. E o Marcinho estava sempre muito ligado em tudo. E os Beatles estavam acontecendo. O Marcinho sabia cantar as coisas deles. Eu me lembro de “Bungalow Bill”, que era uma música que ele cantava meses! Toda noite vinha: (canta) “Eh, Bangalot Bill…” (risos) E a gente fazia muita coisa junto, que era andar mesmo, andar pelo bairro de uma casa para outra. A gente se encontrava muito. E a gente ia aprendendo tudo rapidamente.

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Shows

Claro que o Bituca já tinha feito muita coisa, mas no registro da gente talvez o primeiro show do Milton Nascimento tenha sido no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro. Então o pessoal do bairro se organizou. Eram aqueles amigos ali: João Índio, Gerval, Yé. E tinha acabado de sair aquela música, “Equatorial”. Tinha acabado de ficar pronta e a gente, então, sabia cantar inteira. E ninguém tinha dinheiro para alugar um ônibus. Mas nós compramos, mais ou menos, a metade das passagens daquele horário do ônibus para ir ao Rio de Janeiro para assistir o show do Bituca no Teatro Opinião. E a gente foi cantando, daqui de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro, sem parar. Não sei como aqueles passageiros suportaram. Não teve um xingo, não teve um nada. E a gente chegou de manhã no Rio de Janeiro, cantando “Equatorial”.

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Lô Borges/ Márcio Borges

Então era uma convivência muito próxima. A gente sempre recebia um na casa do outro, ia muito um pra casa do outro. O Lô ia muito na minha casa e a gente ia muito pra casa do João Índio. A gente também ia muito na casa do Lô e do Marcinho. E eu acho que o caminhar na rua era a coisa que eu mais tenho na lembrança. Lembro-me da gente passeando na praça, eu e o Gerval, da gente conversando, passeando e , mais atrás, vinha o Marcinho e a Gláucia; o Lô ia mais à frente. Foi num fim de tarde, com aquela luz batendo assim. É uma lembrança gostosa. Então era sempre muito na rua. Claro que a gente ia no boteco também, mas era rua, andar pelo bairro, caminhar, ir à casa um do outro. A gente cantava muito, fazia muita piada, gozava muito um do outro. E também papeava sobre as coisas que estavam acontecendo, das coisas do Brasil, do que estava nascendo. A Elis Regina estava começando. Foi tudo uma explosão.

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Rio de Janeir

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Depois, em 70,71, o Marcinho vai morar no Rio de Janeiro e a casa dele virou o consulado mineiro, porque a gente ia pra lá demais. Morava o Marcinho e a Duca – ele já era casado com a Duca. Lembro até hoje do primeiro aniversário do Zé Roberto, da festa lá. Estava eu e tantos outros de Santa Tereza na casa do Marcinho. Estava o Caetano, o Gil e, claro, o Milton. Aquela festa. Então era uma freqüência muito grande. Nós passamos a migrar mesmo para o Rio. Essa turma de amigos ia para a casa do Marcinho e era acolhida como se fosse a coisa mais natural do mundo ficar assim 15 dias na casa do outro (riso) – ou até mais! Voltava pra Belo Horizonte e dali a 15 dias ia pro Rio outra vez… E partilhava tudo. Também morava o Eide com a Gina; o Lô também morava nessa casa. Então a gente ia muito.
Ali eu já estava na universidade e tinha todas aquelas coisas: Leung, Cooper, Baságlia. Era o movimento também da anti-psiquiatria, da contracultura. E o Marcinho estava sempre interado de tudo. O Marcinho é um sujeito de grande conhecimento da ciência e das artes; ele, pra mim, é o meu grande interlocutor. Porque a gente conversava muito sobre essas coisas, sobre o movimento que estava acontecendo no mundo, sobre o maio de 68 na França. A gente era absolutamente interado com isso. A gente tinha bibliografia, lia e discutia muito. E isso é interessante, porque é parte da minha vida. Isso é uma emoção.

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Clube da Esquina: Museu

Hoje, especialmente antes de vir para cá, em casa, fiquei me preparando, porque comecei a ter aquelas sensações que a gente tem quando vai fazer uma coisa que é muito importante, que é como quando você vai fazer o que está sendo feito aqui, dar uma entrevista, fazer uma conferência importante, onde vai ter pessoas importantes. Então você tem uma tensão natural – dá uma dor de barriga, uma coisa assim. Eu tive isso tudo! (risos) Antes de vir pra cá, fiquei pensando muito, porque é importante para a minha vida. Eu sei que é um movimento que foi importante para a música do mundo, que é um movimento importante para a cultura brasileira; para a cultura mineira, então, nem se fala, porque é o grande ícone. Mas é importante também para as pessoas individualmente. Para mim isso foi parte da minha vida. O movimento marcou a partir daí. A gente reconhece, por exemplo, uma assinatura. Eu não sou músico, mas a gente identifica o som. Daí esse movimento – porque a gente chama de movimento – que também desembocou na política. Muita gente esquece disso.

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Diretas Já

Eu já estava morando em Montes Claros e o Lô ia muito pra lá. O Yé também. Eu já freqüentava menos o Rio. Falava muito com o Milton por telefone ou escrita. Também falava com o Marcinho, mais por telefone. E o Brasil estava naquela efervescência. E Minas Gerais tinha dado um salto imenso em 82, porque ali já teve uma participação vigorosa dos músicos mineiros na campanha da virada do Tancredo. Então esse movimento cultural-político desembocou nas Diretas Já. E o Milton foi o puxador das Diretas Já. Ele foi uma pessoa muito importante. Claro, viemos numa caravana de Montes Claros para a coisa (riso), para um comício que teve ali na praça da estação, em 84. Aí me lembro do Milton sentado entre as maiores autoridades do país: Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Paulo Brossard – são tantos nomes… E eu tive essa sensação de que o Milton Nascimento era o puxador daquilo, tanto que eu me lembro feito hoje. Eram 300 mil, 400 mil pessoas na rua. Era um negócio gigantesco, de balançar mesmo. Aí, quando entra o Milton fazendo a ovação do povo e ele chama o Tancredo para a fala, isso é uma marca de alguém que exerce a liderança, que exerce essa importância. Porque não é um músico que está ali fazendo um show. Era uma participação, uma decisão da vida do país. Que era para mudar, sair do estado totalitário para o estado democrático, para o estado de direito. Esse movimento desembocou nisso também. E tenho certeza de que isso será registrado pelos historiadores, pelas pessoas que estão interessadas na história do Brasil, na história recente que é muito pouco falada, muito pouco dita. Daí eu acho que o Museu Clube da Esquina é um presente para o Brasil, que merece e precisa.

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“Clube da Esquina 2”

No “Clube da Esquina 2” eu estava no estúdio. O Lô me encontrou na rua, em Santa Tereza, e falou assim: “Você vai comigo” Eu falei: “O que é isso, Lô? Eu estou fazendo fisioterapia.” “Não, você dá uns dias nessa sua fisioterapia e vamos para lá.” E me levou para o Rio e eu fiquei dias e dias em um estúdio, acho que da Odeon – acho que era no Botafogo. Ficamos dias ali dentro. A gente batia palma e ficava ali ouvindo tudo, participando de todas. O Milton de um lado e o Lô. Foi uma temporada.

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Shows

Lembro muito do “Milagre dos Peixes ao vivo”, em São Paulo. Eu estava lá. Lembro de um outro também, gravado ao vivo. Aí foi o Milton que me chamou.

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“Clube da Esquina”

Clube da Esquina… “Noite chegou outra vez…” Essa bate fundo! E depois vem “Amigo é coisa para se guardar…”, que é também de matar. Todas do Lô. Todas. Porque aquele disco do “Tênis”, do Lô, era uma coisa sagrada para nós. A gente andava com aquele disco debaixo do braço. (risos) Para todos os lugares que a gente ia, a gente carregava aquele disco.

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“Clube da Esquina”

Eu estava na universidade na época do “Clube da Esquina 1”. Eram sessões e sessões de ouvir o disco. A gente ia pra casa um do outro pra ouvir. Juntava aquela quantidade de gente e a gente ouvia uma, duas, três vezes na mesma noite. Três vezes! Não entrava outra coisa; era eletrola naquela época. E no dia seguinte era a mesma coisa. A gente ouvia. E na universidade aquilo caiu como uma coisa absolutamente nova mesmo. E foi recebido assim, tomou conta dos ouvidos, das sessões, das reuniões. É muito legal lembrar disso. Eu fico emocionado até hoje.
Os amigos falavam tudo sobre as músicas. Era tudo muito engraçado. E de repente, um dia, o Lô falou assim: “Eu quero que você faça uma letra.” “Mas eu não…” Então era uma coisa assim. Agora, claro, o Milton, o Marcio e o Lô eram profissionais. Era outra coisa. Tinha essa vivência, mas tinha também essa outra coisa, de ser fã. E essa relação de amizade ocorria naturalmente.

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Shows

Eu me lembro desse show, em 68, 69, do Milton, no Teatro Opinião; no intervalo a gente se encontrava pra tomar Coca-Cola. Ali conversava um pouco e depois voltava para o show. E ao final do show uma luz acende-se e o Milton então levanta. A Elizete Cardoso estava lá – eu me arrepio até hoje. Era a grande diva, a grande cantora brasileira, ali, assistindo o Milton Nascimento. E ele oferece a ela um buquê. Acho que era Milton Nascimento e o Som Imaginário naquele show. Ele oferece uma corbelha de flores para a Elizete Cardoso. Nós ficamos tão emocionados, porque ela tinha ido de Belo Horizonte para assistir, porque ela era muito chique. Era chique demais a Elizete estar ali e o Milton fazer aquele gesto, de oferecer uma corbelha de flores.

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Clube da Esquina: Avaliação

Não imaginava que esse projeto fosse ser tão duradouro. Ele foi acontecendo como se fosse a coisa mais natural. Não houve nenhuma surpresa, porque era uma coisa fina, de qualidade boa e original. Então era natural que o mundo se apropriasse dela, que se tornasse sucesso nos Estados Unidos, na Europa, que tivesse o conhecimento que tem hoje. Não só o conhecimento como a referência do som, porque é feito como referência no mundo. Eu vejo primeiro com alegria. A gente fica muito orgulhoso, porque é uma coisa dos nossos amigos mineiros que produziram. Mas eu não sei se havia esse planejamento. Eu acho que foi ganhando porque tinha qualidade, tinha novidade, como ainda tem hoje. Hoje ainda é marca e a gente identifica isso. E a gente sabe que o Clube da Esquina tem participação de gente que está nos Estados Unidos que a gente nem conhece. Tem participação de gente que está na Europa, de grandes músicos do mundo todo, que fazem parte hoje desse Clube da Esquina e que é uma coisa natural, muito bonita.

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Clube da Esquina: Museu

Meu pai tinha uma frase bonitinha: “Eu não mereço, mas agradeço.” Porque o Clube da Esquina é uma coisa muito grande e a gente estava ali, como amigo. Não tenho essa importância pública que os que fazem e fizeram têm. Enquanto movimento, enquanto história da música, história da cultura e da política cultural, eu acho fundamental. Então acho que a idéia do Museu é de gênio. Porque isso é muito simples. Eu morro de inveja quando vou para outros países e vejo em um canto uma plaquinha de bronze, com o nome de uma pessoa, com a data. Eu penso: “Mas que coisa importante.” E fico com um pouco de inveja. E a minha inveja já não preciso mais tê-la, porque isso que está sendo feito, esse registro, é importante para que o Brasil o torne algo que não seja estranho, que não seja excepcional, mas que seja natural. Registrar a própria história nas suas mais variadas formas de interpretação. Isso eu acho da maior importância e quero parabenizar como amigo, como fã e como mineiro. Como cidadão que tem participação nessa história e quer ver isso registrado para a posteridade. Então eu acho muito importante. Parabéns para vocês que estão fazendo esse trabalho.

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