Juarez Moreira

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Meu nome é Juarez Ferreira Moreira. Nasci no dia 06 de fevereiro de 1954, em Guanhães, Minas Gerais.

FAMÍLIA
Pai, avô, tios, irmãos

Meu pai já vinha de uma família de músicos. Meu avô era músico e dentista, ele tinha o hábito de ensinar música para todo mundo em casa, todos os meus tios. O irmão do meu avô, que se chamava Valério Moreira, foi um grande flautista aqui em Belo Horizonte no começo do século XX. Dizem que a relação com a música da minha família remonta a uma família de espanhóis, me parece que eram artistas que vieram para o Brasil por conta de alguma guerra e em algum momento se casaram com portugueses, aí essa história da música veio desse lado. Mas meu pai, que eu costumo dizer que era um músico diletante, na verdade não desejava que fôssemos músicos profissionais. Lá em casa, além de mim, tem outro irmão, o Celso Moreira, músico muito conhecido aqui e a gente toca desde menino ouvindo meu pai tocar, ouvindo aqueles amigos tocar bossa nova. A bossa nova foi uma coisa que norteou muito a vida da gente, o choro, a bossa nova, e antes disso eu ouvia até o próprio Roberto Carlos, os Beatles. Então, nossa casa era um lugar de música, tudo na base diletante, não tinha nenhum músico profissional.

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Faculdade

E eu vim para Belo Horizonte com o objetivo de estudar para ser engenheiro civil e eu fiz isso. Estudei no Colégio Estadual, fiz vestibular e fiz Engenharia Civil. Larguei no último semestre, faltando duas matérias. É um caso raro na faculdade, porque eu tinha 92% do curso completo.

Voltar ao topo EVENTOS HISTÓRICOS

Ditadura Militar

Mas por que eu fiz isso? Porque nos anos 70, você já deve ter visto isso em vários depoimentos aqui, nós vivemos uma barra pesada mesmo. Nós tínhamos a repressão do sistema militar, da classe média e, além disso, da alta repressão, então é um medo que você aprende a ter. Você está vendo a Mariana e o Pedro ali fora? Eles gostam de música, ninguém está falando assim com eles: “Você vai ter que ser engenheiro, vai ter que ser médico”. Pode até falar, mas não obriga. Nessa época, era impraticável você ser um artista. Além da posição de músico ser muito difícil, era um perigo fazer qualquer coisa ligada à poesia e à música. Então a gente vivia, nos anos 70, uma solidão imensa, porque vivíamos uma ditadura com todas as implicações que ela teve e com este medo: “Você não pode ser músico”. Isso fazia com que a gente se atirasse mais. Eu, por exemplo, vim de Guanhães, e já era um cara aficionado com música.

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Influências

Uma coisa que talvez me colocou dentro da música foi minha paixão por qualquer estilo. Eu vim de Guanhães, tocava Baden Powell, chorinho, bossa nova, etc., e quando eu cheguei aqui já estava estourando esse negócio que eles viriam chamar de Clube da Esquina, Milton Nascimento e essa turma toda. Logo em seguida, através do Gilbertinho de Abreu e o Yuri, eu conheci o Toninho Horta e foi uma sorte na vida, porque eu vivia uma crise existencial fortíssima – falava que não queria ser engenheiro. Eu sempre fui um bom aluno, mas nessa época eu já estava começando a ser um aluno relapso. Eu passei no vestibular muito bem colocado. Sempre fui bom em matemática, fato que fez alguém falar: “Então ele vai ser engenheiro, não é?”. Mas eu queria ser músico e meu outro irmão também, mas meu irmão tinha um temperamento diferente e ficava mais em off . E eu com essa inquietude…
Quando conheci o Toninho Horta eu já era amigo do Yuri Popof e do André Dequech, já tínhamos um grupo de música instrumental. Com esse contato com o Toninho Horta, eu tive contato com a música do Clube da Esquina. Pra mim era uma coisa muito nova na época e que me causou muito fascínio porque era diferente de tudo aquilo que eu conhecia. Era uma música contemporânea, uma música jovem, ela misturava rock and roll com outras influências de música que eu achava interessante. Apesar de eu gostar de música popular brasileira, eu não era um músico fechado.

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Belo Horizonte

Eu já conhecia o Toninho Horta, o Lô Borges e o Paulinho Carvalho. O Paulinho conheci pela rua, com o Melão, o Fernando Boca… Um dia, andando na rua, na esquina de São Paulo com Rio de Janeiro, o Paulinho Carvalho me apresentou o Lô Borges e o Lô já estava fazendo sucesso, tinha acabado de sair o “Clube da Esquina”. Conheci ele ali. Naquela época, Belo Horizonte era muito pequena, tinha uns guetos onde eu conheci essa turma e decorrentemente eu conheci Flávio Venturini, todos, Fernando Orli, Tavinho Moura, Vermelho. Embora eu fosse um cara que tocasse um estilo de música – por exemplo, eu não era roqueiro – eu gostava de música boa. De certa forma eu estava sempre perto deles porque eu achava a música deles muito rica. Por exemplo, a música do Lô Borges tem uma harmonia muito boa e aquilo era interessante para mim, do ponto de vista musical, então eu ficava perto. Ao mesmo tempo, eu nunca deixei de ter esse gosto que eu tenho por música brasileira, tradicional, popular, jazz. Naquela época, eu fazia isso de uma maneira até inquieta, porque eu sentia muita solidão e quando você encontrava pessoas afins, você se agrupava. Então foi uma coisa engraçada e por outro lado – eu estou tentando lembrar como era – era tudo meio espontâneo, a gente se encontrava muito para tomar uma cerveja, ou então para tocar um violão. Belo Horizonte era muito diferente do que é hoje.

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Clube da Esquina – 1972

Para mim foi um impacto muito grande, porque a música do Clube da Esquina já era uma mistura daquilo que eu achava que a música tinha que ser, porque tinha os Beatles, tinha a bossa nova e tinha a harmonia. Quando eu ouvi, eu falei: “Porque jogar fora a bossa nova? Porque não usar a bossa nova com os Beatles? Porque não usar o choro com uma harmonia de Bossa Nova?”. Na minha cabeça eu tinha isso secretamente. Depois eu vi que o mundo convergia para isso e eu achava que estava descobrindo a pólvora. É uma coisa que sociologicamente, esteticamente ia acabar acontecendo. Mas eu achei importantíssima, por exemplo, a música do Lô Borges e do Beto Guedes, porque a do Toninho Horta eu já tinha um link, já tinha uma ligação direta, já vinha de coisa que eu gostava, harmonia e a guitarra do West Montgomery, que era uma influência que ele tinha, o jeito de tocar guitarra com o dedo. Inclusive eu tocava assim também e àquilo foi fácil chegar.

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Lô Borges, Beto Guedes

A música do Lô Borges e do Beto Guedes foi uma coisa nova, era diferente. Por exemplo, eu tive que aprender a tocar. Eu fui tocar com eles e apanhei muito. Considero que eu não sabia acompanhar, e aprendi muito com isso. Um dia eu falei com o Beto Guedes que eu não sabia acompanhar música deles. E aquilo me obrigou a cair a ficha, porque eu tinha que aprender a tocar em grupo e aprendi muito com eles. O Beto Guedes é muito sincero e ele falava: “Não está bom, não é assim”, mas na época a gente era muito novo e muito presunçoso e você se assustava. Anos mais tarde, eu fui ver que aquilo foi muito bom, porque eu tive que aprender. Uma coisa é você tocar um violão solo, eu tocava em um trio de jazz, tocava uma música com uma licença poética, uma coisa livre. Uma coisa é você tocar em um contexto e eles sabiam muito o que eles queriam. Apesar de serem muito novos, eles sabiam muito o que eles queriam. Eu me lembro que eu já toquei a guitarra com o Lô Borges e tive que aprender a tocar o que eles chamam hoje de groove – hoje eles deram um nome pra isso. Embora eu não tenha trabalhado com eles o tanto que eu desejava, eu estava sempre por perto durante um tempo, depois fomos tomando caminhos diferentes. Mas a primeira coisa que me deu um puxão de orelha em música foi ter trabalhado com eles, porque não era fácil, tinha compassos alternados nas músicas, as guitarras não trabalhavam de maneira combinada, não era uma coisa simples. Por exemplo, o Beto Guedes tinha ritmos muito particulares, era ligado a rock progressivo, ligado muito a Beatles. E o Lô Borges também. São compositores muito originais, então o que eu posso dizer deles é que ficou pra mim a experiência. Uma vez o Lô Borges me chamou pra tocar uma música dele, que depois o Toninho Horta gravou. Eu estava no Rio e nós fomos para o estúdio da Odeon – estava o Chico Neves – e eu fiquei, entre aspas, brincando. Na época, a coisa era tão relaxada que no estúdio você podia ficar à vontade. Eu lembro que dentro do estúdio da Odeon tinha uma guitarra Gibson e um amplificador Fender e o Lô Borges falou: “Você quer tentar colocar?”. E eu não sabia a música. Só sei que eu fiquei tentando lá umas três horas e não consegui tocar (risos). Por outro lado, eu tinha capacidade de saber que aquilo não dava certo, e não tinha essa fissura: “Ah, eu tenho que fazer”. Foi uma coisa curiosa. Tanto que até hoje eu não participei de nenhuma gravação com o pessoal. Engraçado, eu estive sempre perto deles em um momento da minha vida, tanto que nós fizemos muito contato, só que eu não gravei, isso é curioso. Por isso, eu acho importante até dar este depoimento aqui, porque até um dia eu estava falando com um rapaz mais jovem que eu toquei e ele não sabia disso. Falei com Márcio Borges um dia que era bom a gente falar, pra ter registrado isso, que foi uma fase interessante para mim musicalmente e pessoalmente.

FORMAÇÃO MUSICAL
Shows: Projeto Pixinguinha

O Pixinguinha foi uma coisa curiosa. Foram o Wagner Tiso, o Lô Borges e uma cantora que se chamava Rosali, do Rio, que eles chamavam de “janela”, porque os artistas principais eram Wagner Tiso e Lô Borges. Fomos Paulinho Carvalho, Telo Borges, eu, Fernando Orli, um saxofonista do Rio de Janeiro chamava Beto Saroldi, e o baterista daqui, Aécio Vilar, que foi uma coisa curiosa também. O Aécio é conhecido como um baterista de jazz e toca muito bem samba, e naquela época estava vivendo as suas experiências musicais de tocar, vamos dizer, mais livre. Com todo respeito que eu tenho por todo mundo, pelo Aécio, que é um grande baterista, fui eu que fiz a política, se é que se pode dizer assim, pra que ele tocasse com a gente. Mas ele não era na época o baterista adequado para tocar a música do Lô Borges. Por quê? Porque a gente toca muito dentro daquilo que se chama a levada. Você sabe disso porque você é músico, a levada. Hoje eles chamam de groove aquilo e naquela época não tinha. Mas mesmo assim, naquela época era tão livre que o Aécio foi (risos). Fizemos uma viagem com o Projeto Pixinguinha, que foi uma viagem muito bacana, ficamos uma semana em cada cidade e além do mais tinha a coisa do bom humor muito grande. Uma coisa que eu sempre me lembro deles todos, que eu acho que é próprio do músico, é esse bom humor, são espirituosos, Paulinho, Márcio, Lô Borges, Telo Borges, todo mundo, então era muito agradável, era muito bacana esse convívio. Porque era uma forma muito bacana de levar as coisas, com bom humor. Eu acho que não há salvação sem bom humor, acho que pode ser considerado um defeito gravíssimo de uma pessoa ela não ter bom humor. Eu até aceito outros defeitos, mas não ter bom humor eu acho um defeito gravíssimo.

PESSOAS
Milton Nascimento

O Milton Nascimento eu conheci também na época, conheci através do Keller Veiga, que é lá de Três Pontas e foi meu colega na escola de engenharia. Conheci o Milton e já estive com ele em várias situações diferentes. Quando ele fez “Canção da América”, eu estava hospedado na casa dele com o Keller. Eu lembro que ele fez essa música – não tinha letra ainda – e tocou no piano. Eu não esqueço disso, foi muito bonito, toda vez que eu escuto no rádio, eu vejo.
Eu já participei mil vezes tocando o violão. Gravei uma faixa com o Milton no disco “Anima”, uma música do Celso Adolfo, “Coração Brasileiro”. Quando ele morou um tempo aqui, a gente ia muito à casa dele, ele promovia umas tardes lá. Eu gosto muito de cerveja, eu e meu irmão Celso Moreira, e a gente chegava lá e ele falava: “Está aqui”. Ele tinha um freezer que mantinha a cerveja gelada, então foi uma boa época aquela que ele morava aqui e a gente ia muito à casa dele. Meu primeiro disco foi lançado nos Estados Unidos e ele escreveu uma capa muito generosa a respeito da minha música. Já se falou tudo sobre o Milton Nascimento, então é redundante, chega até a ser piegas ficar falando a respeito de uma pessoa tão importante, que foi tão celebrada quanto o Milton Nascimento. O que eu acho e continuo achando é que é a música mais original que eu conheço de compositores modernos, nos sentido primitivo. Eu consigo identificar, eu já ouvi muita música e conto bravata que sou capaz de descobrir de onde que a pessoa pegou a influência, se pegou de uma música remota, porque não é difícil também não, isso não é crime não, às vezes você escutou muita coisa… Mas o Milton Nascimento eu nunca vi. Tem muitas músicas dele que são muito fortes, eu sinto que elas vêm com uma coisa muito forte na composição, principalmente na primeira fase da música dele. É uma coisa que eu não consigo enquadrar. Tem grandes compositores que eu amo, sobre os quais eu consigo falar: “Isso aqui teve influência do Pixinguinha, isso é Noel Rosa, Ary Barroso”. Mas eu não consigo formular esse pensamento com relação a Milton Nascimento, a influência dele é muito grande, tem música moderna, tem música negra, e ao mesmo tempo tem uma coisa que eu gosto muito que às vezes as pessoas brincam: a igreja, entre aspas, que algumas pessoas, os jornalistas, vêem como uma coisa ruim ou até brincam com isso. Eu acho isso uma coisa fortíssima da música dele.

PESSOAS
Wagner Tiso

O Wagner foi uma pessoa que, nessa minha inquietude, me deu muito apoio e que teve muita compreensão para com essa agitação minha. E eu fui chamado pra tocar com ele em 1979, quando ele começou a fazer aquilo que se chama de carreira solo. E o Wagner é uma pessoa espetacular mesmo, ele é um artesão, um maestro, trabalha ali muitas horas e é uma pessoa muito equilibrada. Às vezes é até imediatista, é um homem assim, pelo menos no que eu convivi com ele. Inclusive, recentemente, eu toquei com ele de novo em um show com a Gal Costa. Ele montou uma orquestra de cordas com instrumentistas e fui chamado para fazer o violão. Foi um trabalho muito bacana, em novembro de 2004. Mas pelo que eu sei, é uma pessoa muito centrada, é um sujeito brilhante em todos os aspectos, é um autodidata, eu o admiro muito. Ele escreve arranjos para orquestra muito sofisticados e ao mesmo tempo com personalidade. E naquela época, eu ainda menino, o fato de tocar com a banda dele me deu muita força, porque eu tive a oportunidade de conhecer o outro lado, conhecer músicos profissionais, Paulo Braga, Robertinho Silva, Mauro Senise, Luiz Alves e vai por aí. Nessa época eu decidi ser músico, ser guitarrista, porque você não sabe direito o que quer da vida, vai fazendo por uma necessidade que você não sabe exatamente de onde vem, aí você compõe umas músicas, ou vai acompanhar o cantor, e chega um momento que você não sabe. O Wagner me ajudou muito a decidir essa coisa de largar a engenharia, que eu te falei no começo, foi muito importante isso aí.

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Clube da Esquina

Eu acho essa iniciativa ótima e vou te falar por quê. Tem um ditado que fala assim: “A mulher do César não basta ser só honesta, tem que parecer honesta”. Nós estamos vivendo no mundo da mídia e é preciso, mesmo que possa ser pedante, você falar: “Eu fiz aquilo, eu compus aquela música”, porque existe um grande processo de diluição e de esquecimento da memória, e há situações que você tem que pontuar. Eu acho que, pela importância que tem a música do Clube da Esquina no cenário nacional, até demorou essa iniciativa. Ainda bem que conseguiram, o Márcio Borges conseguiu o apoio de várias pessoas, porque no nosso país, no mundo de hoje, a memória tem que ser muito breve e você tem que chamar a si. Por exemplo, a Tropicália foi um movimento conceitualmente muito importante do ponto de vista do comportamento, politicamente se colocou, e musicalmente também. Mas a evolução profunda da música popular, o divisor de águas foi a música do Milton e aquilo que se chamou Clube da Esquina. E eu não estou falando isso como mineiro, porque eu acho pedante, eu falo isso como um brasileiro, um cidadão que gosta de música antes de ser músico e observar a cena. Eu já vi o Caetano Veloso fazer considerações sobre isso, sobre esse caráter de vanguarda da música mineira. Só que eu acho que nós mineiros somos um pouco tímidos, a divulgação disso é pouca. Eu espero que a partir desse movimento aqui do site, desse filme, consiga-se criar um movimento em torno de valorizar e situar historicamente e esteticamente essa música. Eu viajo muito e vejo uma tendência a não dar o valor real que isso merece dentro da música brasileira.
Eu fiquei muito feliz em ter sido convidado para dar meu depoimento. Inclusive, eu passei um pito no Márcio Borges um dia porque eu não estava citado no livro, embora a minha importância não seja grande e eu não tenha tocado tanto tempo assim com o Clube da Esquina, como o Paulinho Carvalho, por exemplo, e o Mario Castelo, que estão aí há anos. Mas eu estive perto disso, e foi muito importante na minha vida, na minha juventude, e é uma música que eu gosto, e que teve influência na minha formação e no meu jeito de ser músico.

TRABALHO
Cotidiano de Trabalho

Tem mil casos, a gente viajou muito, tinha muita conversa. Parece que o mais importante eu te falei no geral. Tinha também polêmicas que eram frutos daquela época nossa, nós refletíamos muito sobre a realidade brasileira, tinha polêmicas sobre estilos de música. Eu já me envolvi muito em discussões, gostávamos muito de tomar umas cervejinhas também. Tinha polêmicas, mas é engraçado, é uma coisa bonita, isso nunca resultou em uma coisa pessoal, tinha a franqueza de falar: “Não gosto dessa música. Esse negócio de jazz é muito chato”. Às vezes eu falava assim: “Essa música está muito ruim”, mas tudo com muito carinho, tudo dentro de certa dose. Mas geralmente os encontros eram muito divertidos, muito espirituosos, cheios de piada, muito alegres. É uma coisa que eu te falei, um bom humor que vai ao meu encontro, porque eu também sou assim, eu gosto muito desse lado, o lado alegre da música, eu acho muito bacana. Fiquei muito feliz, eu ficaria muito triste de não estar aqui, embora eu não tenha tocado anos e anos com eles, mas estive perto em um momento, estive com eles.

Museu

Tem que colocar na roda para as novas gerações a importância real daquilo que a gente chama Clube da Esquina.

Fale na Esquina

Uma mensagem para Juarez Moreira

  1. Marcos Morais disse:

    Há um material humano muito rico por aí, sobreviventes dos anos 70, malucos e caretas. Estou muito interessado em escrever sobre essa época e até voar mais alto… Os anos 70 ainda estão na gaveta. Precisam sair… virar literatura, filme e o que mais vier.