Lena Horta

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Obrigada vocês por terem me convidado. Eu nasci em 9 de abril de 1951, em Belo Horizonte e meu nome completo é Marilena Consuelo Horta de Melo Popoff.

Família
Identificação dos pais

Sou filha de Geralda Magela Horta de Melo e Prudente de Melo.
Meu avô João Horta era músico; morreu na década de 30, com quase 80 anos. Você sabe que a minha mãe é de 1909, então tem uma distância de data muito grande, a família é muito antiga e eu sou a última dos filhos. Eu nasci em 1951 e acho que o primeiro irmão nasceu na década de 30. Então tem uma diferença, do primeiro filho para mim, de 20 anos. É muita gente, é uma história antiga.

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Cotidiano da casa na infância

A minha infância sempre foi coberta de muita gente. Além dos meus pais, meus irmãos, tiveram duas tias, tia Clarice e tia Maria, que foram irmãs da minha mãe. No início quando a minha mãe casou, ela morava na fazenda Paulo Geraldo em Buritizeiros. E depois que foi para a cidade, ela carregou as duas irmãs que moravam na fazenda com ela. Inclusive o pai dela, o João Horta, também que era músico, compositor, instrumentista, também chegou a morar nessa fazenda. E esse povo todo foi morar em Belo Horizonte. Meu pai vendeu a fazenda e foram morar em Belo Horizonte. E morando em Belo Horizonte a casa era muito cheia. Impossível uma família muito grande sair de uma fazenda e ir para a cidade. Então, o que eu me lembro… eu nasci na Rua Pouso Alegre, como todos os irmãos, a maioria dos irmãos, não todos, né? Porque tiveram outros que nasceram na fazenda. E é uma casa onde os primos também nasciam, na Rua Pouso Alegre, na Floresta. E eu sei que os irmãos mais velhos sempre contavam muitas histórias … Eu nasci no aniversário da minha irmã que estava fazendo 11 anos, a Gilda. E nessa noite, se estendeu o aniversário dela e eu fui nascer às quatro e meia da manhã do dia seguinte. Ela é do dia 8 de abril, eu sou do dia 9. E esses amigos dela, que estão vivos até hoje, que está tudo na média dos 60, 70 anos, todos eles lembram quando eu nasci. Porque eles haviam ido embora para casa e daí a pouco a Gilda ligou para eles, ligou, chamou, não sei como: “Olha, a minha irmãzinha acabou de nascer”. Voltou todo mundo da festa, voltou lá para casa, quatro e meia da manhã, cinco horas da manhã, estava todo mundo lá. E eu nasci nessa loucura que foi o aniversário da Gilda. Então, sempre foi uma casa muito cheia, não só de parentes, amigos, pelo fato de ter muita gente, sempre os agregados. E que eu saiba minha tia Clarice criou umas 12 pessoas, minha mãe umas dez, além dos filhos que foram seis. E tem outra história, não sei se eles contaram para você, que eu sempre lembro aqui Rio – eu moro aqui no Rio há 22 anos – e as histórias ficam na memória, e ficam vivas, né? E eu lembro de coisas que, às vezes, eles nem estão lembrando disso. Mas a minha mãe era para ter 23 filhos, eu fui a vigésima terceira. As pessoas perguntam: “como foram 23 filhos, você foi é a vigésima terceira”, não, isso é meu pai que conta. Porque ele falou que eu nasci igual quiabo, escorregando. Porque minha mãe, ela teve na realidade, acho que 16 abortos naturais. Naquela época acho que ela perdia, o útero dela estava virado, então entre os três filhos mais velhos e os três mais novos, houve um espaço grande e nesse espaço ela havia perdido muitos filhos nas gravidezes dela. Ela perdia facilmente. E não só por isso que eu queria falar, mas o fato de ser muita gente na família, eu sempre fui coberta de pessoas cuidando de mim. Era de mim, do Toninho, e da Berê, os três mais novos, que tinham além das duas tias, que arrumavam a cama, levavam mingau na cama. Depois que você saía da cama, depois que você acordava, a mesa estava posta, era para você sentar à mesa. Sempre aquela união, todo mundo junto, aquela mesa muito grande, muita gente e as tias sempre falando: “Olha se você vai sair, vai ao banheiro antes de sair”, sempre dando aquela educação o tempo todo. E eu aprendi na minha vida, desde pequena, eu sonhava só em dançar. Meus sonhos era só dançar, dançar balé. Desde pequenininha eu pedi para minha mãe: “Eu quero dançar balé” e eles nunca… ninguém me dava atenção. Porque era muita loucura, muita gente. Eu a última, eles não queriam nem saber, aquela coisa de rapa do tacho, entendeu? E até que eu consegui ir para o balé, com meus próprios pés, já na quarta série, o quarto ano primário. Eu vi uma coleguinha na escola e falei: “Onde que você estuda?” “Ah, eu estudo no Carlos Leite”. “Ah, é! Onde que fica?”. Eu fui logo pedindo para minha mãe, até um dia ela me levou e eu consegui estudar balé. Bom, mas paralelamente a essa história do balé, porque eu fui à última, e a última era a mais esquecida, tinha a música. E com sete anos de idade eu já tocava violão, também. Porque a casa tinha violão, naquela época, tinha violoncelo, tinha piano, tinha o bandolim da minha mãe. E o fato deles tocarem, eu copiava as posições dos irmãos, porque não era só o Toninho, era a Berê, era a Letícia, a Gilda também arranhava o violão e o Paulo que era contrabaixista, baixo acústico; vivia ouvindo Ray Brown. E eu ficava ali só ouvindo, assistindo, dançando aquelas músicas loucas… o jazz era muito freqüente lá em casa. Quando surgiu a Bossa Nova eu já sabia de tudo, já cantava. Via um programa na televisão, todo mundo já cantava as músicas, a gente já conhecia. Então era essa efervescência. Que eu falo isso, porque tinha quem fazia minha cama, tinha quem lavava roupa, tinha quem punha a comida na mesa, era empregado para tudo naquela época. Tinha passadeira, que era a Matilde, uma pessoa incrível lá em casa. A gente chamava ela de fantasma, que você não via a hora que ela chegava e a hora que ela ia embora. Ela passava a roupa o dia inteirinho, aí falava: “Ah! Cadê a Matilde?”, e a Matilde já foi embora. Era figura, assim, histórica na família. Então essas pessoas que ficaram e os meninos que a minha mãe criou e eles depois casaram, hoje a gente só tem contato com os netos, muitos deles já morreram. Então, imagina a confusão que era, eu falei só um quadro mais ou menos, assim, para você. E nesse meio tempo, eles tocando e eu querendo copiar o que eles tocavam. Eu só copiava. Eu me lembro muito bem da irmã, a Letícia, ela tocava tipo Barney Kessel, acompanhando a Julie London, que era aquele disco famoso da Julie London, que tinha ela e o Barney Kessel. Um disco maravilhoso, histórico também na história do Jazz e famoso no mundo inteiro. É um disco que marcou gerações e a gente ouvia aquela guitarra do Barney Kessel e a Letícia copiava muitas posições, muitos sons ali. Então todo mundo era ligado mesmo com a música, porque ninguém tinha nada o que fazer. Isso eu vejo hoje, minhas filhas hoje no Rio de Janeiro, têm que lavar roupa, têm que passar, tem que arrumar a casa, tem empregada poucos dias da semana. Agora a gente tem que ir a luta. Naquela época não, todo mundo fazia tudo e a gente ficava por conta da música. Não havia aquela cobrança: “Você tem que estudar, tem que passar de ano”, não, isso não existia. Porque os encontros familiares, os primos, os tios… Tinha uma tia que tocava na Orquestra Sinfônica, era violinista e as filhas dela cantavam todas em opereta. A Letícia, a Gilda, também cantavam em operetas. Então, quando tinha no Francisco Nunes, a sessão de operetas, a família toda ia assistir aquelas operetas. Eu já sabia Viúva Alegre de cor. Então era assim, entendeu? E a escola mesmo, de música, foi surgir para mim, foi quando eu tinha 12 anos. Uma escola que chamava, eu só lembro da sigla, UMA, Universidade Mineira de Artes, que não sei o que hoje é lá. Essa Universidade Mineira de Artes, só lembro dessa sigla: UMA.

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Iniciação musical

Eu e o Toninho começamos a estudar a teoria musical lá com 12 anos. Eu tinha 12 anos, Toninho devia ter 14, por aí. Então, lá se foram muitos anos que eu contei assim, mais ou menos, desde o nascimento até os 10, 12 anos, está bom para você?
Na infância eu não só ouvi rádio, como ouvi muito disco, era uma casa que tinha pilhas e pilhas de discos. E todos os discos que saiam na Broadway, eu não sei porquê, paravam lá em casa. Imagina, Belo Horizonte, na década de 50, 60, aqueles discos todos, aqueles filmes todos que saiam em Hollywood, a gente tinha os discos em casa. Porque tinham amigos do Paulo, que tinham famílias que viajavam, traziam esses Long Plays. A gente tinha acesso, levavam, davam de presente para nós. Então ganhávamos muitos discos de musicais de filmes de Hollywood. Então quando a gente ia assistir o filme, a gente já cantava as músicas. Então já sabia tudo. Tinha o Oklahoma, Les Girls, fora aquela mãe da Liza Minelli, a Judie Garland. Mágico de Óz. Meu Deus, Mágico de Óz, tão famoso. Então por aí vai. A gente sabia todas aquelas músicas, cantava, dançava. Dançando na chuva, Gene Kelly, Fred Astaire, aquelas maravilhosas atrizes hollywodianas, aqueles balés maravilhosos, aqueles sapateados. Então, o que a gente ouvia? Minha mãe ouvia muito clássico, o Paulo, que era o filho mais velho ouvia muito jazz, com todos aqueles discos que tinham… fora o rádio também, que eu lembro muito de programas de jazz, de bossa nova. E mais tarde foi a televisão, que ficou muito, eu lembro muito, a gente morava na Rua Araxá, e tinha uma sala muito grande, tinha uma televisão bem no meio da sala e para assistir os programas. A gente via ali não só Tom Jobim, mas a gente começou a ver João Gilberto, Tito Made, os mais antigos do samba canção, depois da bossa nova. E a gente já estava atento ali, porque essas músicas, elas invadiam a nossa casa. O Paulo tinha um conjunto de baile, fazia os arranjos para a banda e eles iam ensaiar lá em casa. Sempre casas muito grandes, minha família morou sempre em casas muito grandes, com terrenos muito grandes. Então sempre houve aquela confusão de gente. Eu lembro, anos mais tarde, o fato do Paulo estar ensaiando na sala da casa, músicos que iam lá, ficavam lá perto da casa, na rua, passavam na rua, só para ouvir a música. Anos mais tarde, a gente soube quem eram. Então tem um pianista chamava Ricardo, não vou lembrar aqui do nome, ele até foi marido da Doris Monteiro. Então eram músicos: “Poxa, então eu passava em frente a sua casa só para ouvir aquela música”, porque era ao vivo, né? E todo mundo queria ver um baixo, bateria, Aécio Flávio, Densio Guastini. Deixe-me ver, é muita gente. Helvius Vilela, Pascoal Meireles, tinha um cantor ,José, não me lembro. Então era assim… Porque meu irmão mais velho, ele trouxe muita música para dentro de casa, fora a liberdade que nós tínhamos em casa, dos pais, né? Meu pai era um filósofo nato, ele vivia filosofando e tocava violão e aprendeu os primeiros acordes com o meu avô João Horta. E foi nessa que ele conheceu minha mãe. Tem uma história assim, não sei como eles contaram, mas isso está na minha cabeça. Bom, eu sei de uma história mais antiga ainda, do século XIX, que a minha mãe conta. A mãe dela conheceu o marido, quer dizer o meu avô, o pai dela, no Teatrinho de Sabará, naquele Teatrinho Municipal de Sabará. Ele regendo ali e ela estava lá assistindo. Ela me contou e isso ficou na minha memória. E a minha mãe com meu pai, foi diferente. A minha mãe foi passear, meu avô, o pai dela foi trabalhar na Rede Ferroviária lá de Pirapora, e ela conheceu meu pai. Meu pai era fazendeiro daquela região, da família Melo. E por aí vai. Olha é muita coisa. Eu sou a última e vivi assim, sabendo de várias histórias. Eu era curiosa, perguntava mesmo: “Como é que foi isto? Como é que aconteceu? Porque é que vocês saíram da fazenda e vieram morar na cidade?”. E essa primeira casa que eles moraram na Rua Pouso Alegre, tinha uma parteira ali de plantão, que fez os últimos partos dela, da minha mãe e das tias também. Vários primos nasceram com essa mesma parteira. Fazia plantão ali para a família dentro de casa. Todo mundo nascia em casa naquela época.

Formação Musical
Flauta/Balé

A flauta chegou mais tarde. Foi assim: eu tive um namorado que tocava flauta, mas antes de namorar esse rapaz eu já tinha visto um programa na televisão, o que mais me marcou… eu vou começar… como foi o lance da flauta, você está perguntando. A flauta, foi Herbsman. Herbsman foi um flautista de jazz, dos anos 60, famoso e tal. E ele veio ao Brasil tocando bossa nova e eu o vi na televisão. Quando eu o vi tocando flauta, bossa nova, eu falei: “É esse instrumento que eu quero!”. E foi assim, a primeira paixão, a primeira vista foi assim. E quando eu vi o Herbsman na televisão, eu já sabia a música que ele tocava na flauta, porque lá em casa tinha o disco dele. E eu cantava uma valsa dele tocando aquela flauta. Anos mais tarde fiquei tocando, lembrando quando eu peguei na flauta depois, né? Mas, de pequena eu já sabia o que o Herbsman tocava. E não me lembro se nesse programa de televisão ele tocou a mesma música, mas ele estava tocando bossa nova, com músicos brasileiros. Eu falei: “Não, é esse o instrumento que eu quero!”. E eu não tinha o instrumento. Então um namorado que me emprestou o primeiro instrumento, a primeira flauta para mim. Fiquei tocando… depois um amigo me emprestou uma flauta, fiquei com ela uns dias. Alguns dias não, fiquei bastante tempo. Até que o Toninho, meu irmão Toninho, maravilhoso, sempre agradeço a ele, foi ele quem comprou a minha primeira flauta. Até então eu já estava com 19 anos e ele comprou essa flauta, se não me engano aqui no Rio, mas em uma turnê que ele fez com a Gal Costa na França. E com esse dinheiro, ele fez questão de comprar uma flauta para mim. Porque ele sabia que eu já tocava e que eu tinha flauta emprestada. Isso é incrível, né? É irmão, ele já é assim desde que nasceu. Minha mãe falava: “Ele nasceu com não sei o quê virado para a lua”, entendeu? Então é assim, com muita sorte, tenho muita sorte de ser irmã dele, porque ele realmente, ele dá aquele chão para a gente. O fato dele ter dado a flauta com 19 anos eu já estava entrando na escola de música, fiz vestibular, passei em primeiro lugar da escola toda. Até me surpreendi, porque eu fiz vestibular para arquitetura, em 1972 e passei assim, fiquei em nono lugar de espera, quer dizer, eu não passei direto, fiquei no nono lugar de espera. E eles já iam me chamar quando eu soube que em 1972 para 1973 ia abrir o vestibular para música. Aí eu falei: “Não, eu quero fazer música”. Estudei bastante para fazer vestibular de música e passei em primeiro lugar da escola inteira. Porque eu vou falar isso, não é vantagem nenhuma para mim, porque quem me lembrou isso outro dia foi um primo meu, o Lúcio. Porque eu tenho uma medalinha em casa, do Globo, porque todos os primeiros lugares de vestibular era para ir para uma recepção da Globo. E lá fui eu, ganhar uma medalinha, honra ao mérito e tal. E foi ele quem me lembrou. “Lena, você sabia que você tirou uma nota enorme, uma notona, que você poderia fazer engenharia, fazer o que você quisesse. Se você tivesse feito para outra coisa?”. Eu falei: “Lúcio, foi muito bom saber disso, porque mais uma vez eu sei que eu queria fazer mesmo era música”. Isso foi claro para mim. Tanto é que eu passei no vestibular de música, já com 19 anos. E aí que eu comecei a estudar para valer com Expedito Viana. Porque até então eu tinha aquelas aulinhas com amigo que ensinava, outro que ensinava outra coisa. Então ficava só na boa vontade das pessoas e dos amigos, claro. E posso até falar do meu namorado que foi o Vitor Lemerle, e o amigo que me emprestou a flauta foi Tiago Veloso, que foi o fotógrafo do filme “Macunaíma”. Outro mineiro também. Então, naquela época estava em altas rodas em Belo Horizonte. E foi muito louco, também, eu fazia o balé clássico, já era do corpo de baile do balé do Palácio das Artes. Foi o primeiro corpo de baile que teve no Palácio das Artes, eu já estava lá. E nesse balé, Baryshnikov foi fazer o Lago do Cisne com a Lúcia Tristão e eu estava naquele corpo de baile. Eu sou bailarina de corpo de baile, não sou solista. Estava ali no corpo de baile, dançando. E foi na inauguração do Palácio das Artes. Então nessa época eu já estava ali naquele meio. E é muito louco saber que depois do corpo de baile, anos mais tarde, cinco anos depois, eu já estava no fosso da orquestra tocando flauta. Então, eu tinha que ir mesmo para a flauta. E como eu estudei com Carlos Leite, que é um professor muito famoso em Belo Horizonte, um gaúcho que ganhou prêmio Nijinski, que foi para a Rússia e quando voltou, foi trabalhar em Belo Horizonte. Ele era muito exigente e eu gostava muito dele, porque ele contava histórias do Bolshoi e eu ficava muito louca: “Eu quero ir para Rússia. Um dia eu quero ir para Rússia.” Até que o balé Bolshoi ia muito a Belo Horizonte; foi umas duas vezes para fazer apresentação e eu tive oportunidade de ver o ensaio ao vivo e a cores. Aquelas bailarinas com os pés super tortos, super musculosas, a gente aprendeu muito com isso. E só um parênteses, para falar sobre isso que é muito importante… o que quero te falar. Então quando eu estava me realizando como bailarina e tal, carteira assinada, batia o ponto das oito horas da manhã até o meio dia. Batia o ponto ao meio dia para sair, era quatro horas de balé por dia, todos os dias. E eu já tinha passado no vestibular em frente, que era o Conservatório Brasileiro de Música. Era em frente, era só atravessar a avenida, do lado de lá. Então o que aconteceu? O primeiro ano do vestibular que eu passei para flauta, tranquei todas as matérias teóricas, fiquei só com a flauta a tarde. Porque de manhã que eram oferecidas às matérias. e de manhã eu tinha o corpo de baile. Eu fiquei dividida uns dois anos, até que consegui enrolar muito a escola, quando eu vi que não dava mais para enrolar, eu tive que abandonar o balé. E abandonei por uma causa muito justa. Porque a música chamou mais forte. Aquela época, dos 21 anos, a idade da razão, que você tem que optar o que realmente vai fazer da sua vida, eu optei: “Não, eu vou para música”. E fui de cabeça, tanto é que eu fui direto em uma orquestra sinfônica lá em Campinas junto com Yuri Popoff. Já casei, minha mãe: “Para sair de casa você vai casar”. Casei com Yuri. Já tocava com ele lá na escola de música e ele me viu dançar balé no Carlos Leite. Ele viu toda a transição minha, e foi uma pessoa muito importante na minha vida. São mais de 30 anos de casada, mas ele me falou uma coisa muito importante: “Lena, você tem que optar. Você tem que fazer uma coisa só. Ou você vai fazer o balé ou você vai fazer a música”. E com o namoro, isso veio firmar que eu tinha que fazer a música. Eu já estava na escola de música, eu conheci ele na escola de música. Então foi uma opção que deu certo, larguei o balé. Eu me lembro que no dia que fui me despedir do Carlos Leite, do corpo de baile, o Carlos Leite simplesmente me falou assim: “Ninguém é insubstituível, então, obrigado”. Foi assim. Porque já ali, eu fazia parte de várias danças, já tinha meus lugares, mas ninguém é insubstituível, alguém ia ficar no meu lugar, muito bem. Então foi assim, sabe? Eu fiquei assim, muitos anos na minha casa com um calhamaço de sapatilhas de balé, sem querer me desfazer. Não queria me desfazer daquelas sapatilhas, mas depois cheguei para o Grupo Corpo, fiquei alguns meses apenas, eu vi que não, eu tinha um caminho para traçar. E foi com a música, foi com a flauta. Então, é isso.

Formação Musical
Clube da Esquina
Nossa, muita gente freqüentou a minha casa. É claro que vocês vão saber em relação ao Clube da Esquina, todos eles freqüentaram, inclusive o Milton. E mesmo antes daquela casa do Horto, que a minha mãe mora ali desde 1968, na outra casa, que era na Floresta, eu lembro do Milton lá. Eu era criança, o Toninho ainda usava, como eles dizem, calça curta, e o Milton foi na nossa casa para falar com o Paulo, que é o irmão mais velho. Porque o Paulo era baixista e naquela época o Milton era baixista também. Então, só para você ter uma idéia, eu lembro do Milton na nossa casa assim, vestido normal, uma pessoa simples, normal. Não era o Milton Nascimento, aquele ali era o Bituca que estava lá para conversar com o irmão mais velho. Mas eu lembro dele, incrível, lembro mesmo. Agora, claro, o fato dessa música toda dentro de casa, o Toninho foi trazendo mesmo uns amigos para dentro de casa. E já na época do Clube da Esquina, bem no início mesmo, a nossa família saiu da Floresta, antes de ir para o Horto, nós moramos nove meses em um apartamento no centro da cidade, que é ali na Rua Tupis. E era exatamente o prédio do Beto Guedes. Nesses nove meses aconteceu muita coisa, teve o festival, não sei se é o Fest Vale Tudo naquela Secretaria de Saúde, que hoje é o Minas Centro. Então nesses festivais a gente atuava, a gente estava lá, eu com música, o Toninho também. E eu me lembro, me lembro muito bem do Beto Guedes, não sei se a gente estava no primeiro andar, ele estava mais em cima, transitando no prédio com a roupa igual dos Beatles, cabelinho igual dos Beatles. Sempre com uma guitarra, um violão na mão. Sempre encontrava com ele, sempre via. Engraçado, nessa mesma época, nesses nove meses que a gente morou nesse prédio, que morava a família do Beto Guedes, morava a família do Lô, logo ali embaixo, na Rua Tupis, com Amazonas. Um prédio bem pertinho. O Lô, com o Milton, também morava ali. Quem mais? Wagner Tiso, também, acho que morou também, não sei, na pensão. E por incrível que pareça, mais tarde a família do Yuri também morou ali. A avó dele morou ali, naquele edifício Levi também. Então, já morando no Horto, na casa da Rua Pitangui, ali a coisa continuou. E o fato de ser ali, era perto de Santa Tereza, e naquela época o que acontecia? Os músicos compunham, todo mundo compondo, e eles se encontravam para um mostrar a música para o outro. Eu acho que essa junção de um ir para a casa do outro, mostrar a música, ir para a casa do Lô, e ficar ali na esquina, na Divinópolis, com Paraisópolis. De ficar ali na esquina mostrando a música para o outro é que foi dando uma unanimidade. É claro, com a diferença do Milton que chegou com aquela idéia dele, com aquela idéia musical, a maneira de tocar aquele violão. O canto eu nem falo que é uma coisa assim de Deus, aquela voz maravilhosa. Mas eu falo da harmonia em si, vou falar da harmonia em si, porque ela é uma harmonia… Que a gente até ouviu em um programa de rádio o Milton falando que ele e o Wagner ouvindo programas de rádio e como não tinha gravador, não tinha como gravar aquilo, ficava no ouvido. E para lembrar daquela música eles lembravam da maneira deles, o que cada um tinha para contribuir ali, tocando o violão. Então eles pensavam no que ouviram para tocar, essa é a diferença. Eles fizeram muito esforço, naquela época em que não tinha gravação, não tinha um gravadorzinho para gravar os programas de rádio. Isso no caso do Milton, que está lá no interior de Minas. Nós não, nós estávamos em Belo Horizonte, fomos muito privilegiados. Porque tem muito Long Plays, televisão, ou para participar de programas de rádio, ouvir as rádios também. E assim… essa junção que as pessoas falaram mais tarde que era o Clube da Esquina, aquilo era uma coisa natural, não era um movimento, era natural dos músicos se encontrarem. Porque havia muitos festivais de música em Belo Horizonte, por incrível que pareça, uma cidade que tinha um movimento musical muito grande, muitos conjuntos de baile, muitos músicos bons. Se eu fizer uma lista aqui, só de músicos maravilhosos, vou falar do Nivaldo Ornelas, Helvius Vilela, daquela turma toda, aquela espinha dorsal que vem lá dos anos 50, 60, 70, está todo mundo ali. E esses anos foram primordiais para eles comporem. Com essa efervescência de músicos, de festivais, de conjuntos de baile, de conjuntos instrumentais, porque na bossa nova teve aqueles conjuntos, os trios, Tamba Trio, Os Cariocas, muitos conjuntos instrumentais, influenciou muito os músicos mineiros. E o fato deles tocarem muito juntos e o fato deles trocarem abobrinha, um mostrar a música para o outro, outro mostrar os acordes e tudo, ali foi dando uma junção que mais tarde foi o que virou… Eu estou falando tudo mais tarde, mas não é… realmente virou um Clube da Esquina. Agora, tem as cabeças, depois que você leu Os sonhos não envelhecem, o livro do Márcio Borges, ele falando, que você vê que ele é a cabeça de tudo, sabe? Porque como ele estava ali no meio dos músicos e no meio de todo mundo ali, ele era uma cabeça pensante, era um intelectual da época. Eu lembro muito do Márcio Borges, ele tinha um cabelinho assim, loirinho e cheio de cachinho. Ele me chamou de anjo barroco, mas eu lembrando disso, eu o chamo de anjo barroco, porque anjo barroco é ele. Era todo redondinho, com a carinha redonda e aqueles cachinhos de ouro, porque o cabelinho dele era claro quando mais novo. E o fato dessa junção com essas cabeças, depois Fernando Brant, tanta gente, é que foi rolando essa música, esse diferencial. Então o Toninho levava esse povo todo lá para casa. Assim como essa turma toda ia para a casa do Lô, assim como eles iam também para a casa do Fernando. Assim como o Milton ficava rodando tudo ali. Então era uma junção mesmo.

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disco

Ah, foi maravilhoso! Eu vim aqui, ao Rio, bom isso assistir, eu cheguei a assistir a algumas gravações, só que eu não vou dizer saber dizer se foi do Clube da Esquina 2. Mas eu assisti, não participei. Cheguei a assistir gravações pelo fato de ser irmã e estar ali junto da galera. Ali todo mundo, não eram só os músicos, eram as irmãs, os irmãos, os primos, os agregados todos estavam juntos. E eu cheguei a assistir algumas gravações aqui no Rio de Janeiro. E vim também de Belo Horizonte para cá, pro Rio, para assistir Milagres dos Peixes. Isso foi imperdível, foi um espetáculo, assim, arrasador de coração, de tudo. Hoje vejo aqui no Rio, vários músicos que me falam dessa época: “Ah, que saudades do Milton, saudades do Sonho Imaginário, saudades do Toninho, do Beto, do Lô”. Hoje eles falam, porque que eles não estão aí presentes? Cada um está no seu canto, tipo mineiro. É uma coisa muito doida, porque os baianos são muito unidos. Os mineiros são unidos, mas cada um é muito diferente, na sua, cada um na sua. Então eu vejo assim, foram momentos imperdíveis. Foi uma música diferenciada do que estava acontecendo, que era o iê-iê-iê. Os músicos da bossa nova já estavam indo embora para os Estados Unidos. A gente conheceu vários músicos que foram embora no início dos anos 70, porque aqui estava efervescendo o iê-iê-iê, que era Roberto Carlos e a turma dele; estava efervescendo a Tropicália, que veio depois, pós ditadura, com o Gilberto Gil, o Caetano; e o Clube da Esquina fazendo ali, aquela beleza e fazendo aquela diferença. E foi muito bom, porque a música mineira teve um lugar nesse painel da música brasileira. Até que enfim a música mineira apareceu nesse cenário. Porque até então a música que tocava em Minas Gerais era uma música igual ao Rio, igual a São Paulo, era o samba, samba-canção, bossa nova. Mas veio essa diferença que se deu em Minas Gerais. Olha, uma coisa eu me lembro, todos os shows em Belo Horizonte do Clube da Esquina, do Beto, do Lô, do Toninho, de todos eles, eram lotados. Era daquela fila de perder de vista, filas enormes, o teatro enorme, cheio de gente e as pessoas delirando com a música daquela época. Foi realmente um momento marcante que eu vi, que eu presenciei, que eu estava em todas, não deixava de estar mesmo, na música deles, dessa turma. Eu estava ali presente, eu vivi, eu convivi. Cheguei a tocar com Beto Guedes também, eu acho que foi no Palácio das Artes, agora não me pergunte qual foi o show. Não vou saber se foi Sol de Primavera, não vou lembrar. Mas eu toquei também na banda dele, uma vez só. Toquei no Palácio das Artes, com Beto Guedes, foi a maior honra para mim.

Orquestra Fantasma
Nossa, esse é um capítulo à parte. A Orquestra Fantasma é fantasma até hoje. Tem mais de 20 anos de ser fantasma, cada hora ele coloca um músico ali para tocar e quando não está presente aquela turminha dele, ele fala: “Olha, aqui está presente a Lena Horta na flauta, mas ela não está no palco”. O Toninho quando era criança, ele gostava muito de ler os gibis, era Mandraque, o Fantasma. E a revistinha do Fantasma foi o que mais marcou o Toninho. E esse fato dele colocar a banda Fantasma era por causa do Fantasma. Ele era fã do Mandraque e do Fantasma. E ele ficou com essa mania do Fantasma. Chegou na hora dele, ele falou: “a minha banda é fantasma”. Muito louco, tocar na banda Fantasma é incrível também. A primeira apresentação de Orquestra Fantasma foi em 1981, no teatro da Imprensa Oficial. Tem até fotos desse show. Ele chamou o Raul Mascarenhas, carioca, para participar de sax e era eu, o Yuri, quem mais? O André Dequech e o baterista era o Neném. E foi muito louco também, essa coisa do Toninho pegar a Orquestra Fantasma, porque na Escola de Música da UFMG eu era colega do Yuri e do André Dequech. Nós três estudamos na Escola de Música da UFMG e lá a gente era expulso de sala de aula, porque não podia tocar jazz, não podia tocar música popular. Eles expulsavam a gente da sala, mas a gente era teimoso e voltava para a sala. E nessa turma a gente chamava o Juarez Moreira, que morava ali perto e o Juarez introduzia com a gente também. Então nós formamos um conjunto ali. Isso no início da década de 70. E depois que o Toninho foi formar a banda dele ele chamou a gente para tocar, eu, o André Dequech e o Yuri, era o trio que vivia tocando no Conservatório, na escola de música. E nessa época também, a gente tocava as músicas do Yuri e as músicas do André. A gente fazia uma banda também, a banda assim em paralelo, que a gente tocava muito em DCE da vida, lá em Belo Horizonte. E o Toninho chamou a gente para tocar com ele. Quer dizer, eu, porque irmã, e os meninos porque tocavam bem mesmo. Modéstia à parte, não é porque o Yuri casou com a Lena, não, é porque já era baixista, já era um grande músico mesmo e que adorava ver, ouvir, as músicas do Toninho. Tanto André, quanto Yuri, o dia que eles conheceram o Toninho, que foi realmente através de mim, que eu levei eles na minha casa, lá no Horto, é que eles puderam ver de frente Toninho tocar as composições, as últimas novidades. E a gente ficava ali, meio que paralelo ao Clube da Esquina. A gente era um pouco mais jovem do que eles, diferença mínima, né? Mas a gente estava ali também. Mas a força toda, o nosso sonho era tocar com eles. Era tocar com Toninho, com Milton, aquele pessoal que estava ali. Claro, os músicos novos querem tocar com os músicos bons, natural isso, muito natural. E tanto é que a gente foi tocar com Toninho, mas o primeiro show… Orquestra Fantasma, foi em 1981, na Imprensa Oficial. Isso eu não vou esquecer nunca, porque foi maravilhoso tocar com Toninho. A gente sonha com isso, sabe? A gente sonhava estar no céu tocando. O Neném mesmo falando, olha só que chique, voltando de Moscou, depois que tocamos com Toninho lá, o Neném vira para mim e fala assim: “Está vendo, Lena, só assim que a gente toca com o seu irmão, com essa música dele, é uma música que leva a gente para os ares”. E assim foi, sabe.

Turnê na URSS

Fui casar primeiro com um russo, muito louco isso. Primeiro eu casei com russo, filho de russo, católico ortodoxo da Ucrânia, que é o pai do Yuri, que veio para o Brasil. E fui casar com um Popoff, e virei Popoff também; tenho quatro Popofinhos. E meu sonho era ir para a Rússia e eu fui, com essa banda do Toninho, tocar em Moscou, no Kremlin. Ninguém nunca tocou no Kremlin. Eu posso falar assim, muito chique. Só vou me gabar aqui. E foi louco porque meu sonho era estar ali no Bolshoi, quando eu passei em frente ao Bolshoi, que eu estava tocando ali ao lado do Bolshoi, o Toninho falou assim: “Vamos tirar uma foto aqui para marcar história”, e foi o que eu queria. Foi a realização do meu sonho. Me vi realizada naquela foto que ele tirou de mim em frente ao Bolshoi. Porque eu estava ali para tocar a música do Toninho, tocar flauta na música do Toninho e não para dançar. Isso é maravilhoso, eu me senti realizada e onde eu estava e que era ali mesmo que tinha que estar, tocando a música dele. Aí que eu pude ver que eu não precisava forçar a barra para nada. “Ah, eu quero ser primeira bailarina, quero estar no Bolshoi”. Mas, não. Deus encaminha a vida da gente inteira, não precisa se preocupar, faça a sua parte, que ele faz a dele. É assim, eu vi isso claramente na vida. É incrível.

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Clube da Esquina

Essa diferenciação musical, ela já está nas guitarras, nos cantos, nas composições, nos teclados, na bateria, na levada do mundo inteiro. Porque hoje não é só o jazz, o samba, a bossa, o choro, o axé, a pop music, o rock, não é só isso. Hoje o mundo está virando uma coisa só. Porque você vê músicos de jazz, músicos de rock que pegaram essa levada também, pegaram esse jeito mineiro de tocar. Você vê no canto, no jeito de cantar, nas levadas que o Toninho falou, o 3 que é 2, o 2 que é 3, aquele trenzinho, aquele ritmo de trenzinho, coisa mineira, essa harmonia que vem diferenciar de todos, que o Pat Matheny, essa turma toda eles absorveram muito essa nuance do som, da sonoridade. Outro dia meu filho Pavel, estava se formando em home estúdio, um curso de home estúdio, aqui no Rio de Janeiro, com Alexandre, desculpa Alexandre, esqueci seu sobrenome. Mas esse curso só tinha músicos fazendo… e meu filho tem 18 anos. Até que eu achei bacana, porque ele falou assim: “Agora, estúdio é na mochila, você pode levar o estúdio para qualquer lugar”. E isso marcou muito bem, porque o Alexandre na hora da formatura, os alunos perguntaram para ele: “E aí, Alexandre, como é que foi o seu contato com o estúdio, com essa descoberta e essas aulas, esse cursos que você tem dado aqui no Rio de Janeiro para tantos músicos do Brasil inteiro?” Ele falou assim: “Vocês querem saber? A sonoridade que o Clube da Esquina trouxe para a música brasileira foi incrível”. Que ele como músico também, e músico de estúdio, porque ele sempre teve estúdio de gravação aqui no Rio, sempre assim, há uns 30 anos ele já tem esse estúdio, hoje ele é um grande professor, além de músico. E ele falou: “Olha, a sonoridade que eu pude ouvir com essas bandas, com o Clube da Esquina é que me abriu os ouvidos para fazer essas minúcias, para melhorar a capacidade de sonoridade no estúdio. Melhorar como é que é o som desse baixo, o som desse teclado, o som dessa guitarra, dessa voz.” Foi abrindo os canais para ele. Ele falando assim: “Eu fui abrindo meus canais, e vi que a sonoridade tinha que mudar, tinha que melhorar na música brasileira e foi com o Clube da Esquina que eu comecei a observar isso”. Então para você ver, até um técnico de gravação, naquela época sentiu, imagina os músicos que estavam ali. E foi enriquecedor, sim. Porque essa diferença que o Milton chegou a Belo Horizonte… com essas idéias dele, com a maneira dele tocar, influenciou a todos que já estavam ali. E todos ali juntos, foram fazendo, foram tocando juntos. Ficaram companheiros, ficaram amigos, viajaram muito, gravaram, tocaram muito, conversaram muito, tinha os intelectuais no meio. E essa coisa foi se abrindo, foi forte, que hoje é o Clube da Esquina. Para o mundo inteiro é uma referência, mundial, mas que já está impregnado no mundo. Já faz parte do mundo. E os mineiros não são donos do Clube da Esquina, o mundo, já é um patrimônio mundial.

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Clube da Esquina

Eu achei incrível ter um museu do Clube da Esquina. Virei peça de museu também, né? Pelo que eu estou vendo, 56 anos. Eu vejo assim, que bom, enquanto a gente está vivo, enquanto eles estão vivos, porque museu depois que morre é muito triste. Ainda bem que é um museu virtual, é um museu que está vivo, qualquer parte do mundo tem acesso a esse museu, poxa, isso é maravilhoso. Parabéns para vocês que fizeram esse projeto e que continuem fazendo, pegando, lapidando, que é por aí mesmo, é com o coração. Então, mete bronca.
Agradeço imensamente ao Márcio Borges, a turma toda do Clube da Esquina, ao projeto de vocês todos, a todos. E obrigada por fazer parte, um pouquinho, dessa turma que eu sempre acompanhei, pude acompanhar como irmã, do Toninho Horta. E agradecer meu irmão também, de coração.

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Uma mensagem para Lena Horta

  1. Maria Bruschi disse:

    Olá, Pessoas Maravilhosas do Clube da Esquina! Especialmente você Lena Horta!
    É emocionante ler a história da amizade de vocês!!!
    Observando seus comentários, fiquei curiosa em saber se você conhece a música do Milton Nascimento que se chama Mata Primária! Já pesquisei tanto e não consigo encontrá-la! Seria muito atrevimento, se lhe pedisse informações sobre esta música?
    Na expectativa de alguma notícia, subscrevo-me respeitosamente
    Maria Bruschi e
    São Paulo – S.P.