Luís Roberto Silva

| | |

« « Retornar a página anterior

Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

O meu nome é Luís Roberto do Nascimento e Silva. Nasci no Rio de Janeiro, em agosto de 1952.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Eu sou advogado com especialização na parte tributária. É até uma coisa curiosa alguém que é ligado à cultura ter essa vinculação com uma parte tão técnica, que é a parte fiscal. Mas eu sempre estive ligado à criação, à arte. Eu sou poeta; tenho cinco livros publicados. Portanto, a minha vida toda foi ligada à vida artística, ao mundo artístico. Inclusive eu me especializei muito na parte de direito autoral e na proteção dos direitos de vários artistas no Rio de Janeiro e depois aqui, em Minas; também sou professor de Direito.
Por conta dessa trajetória, a minha vida profissional acabou desembocando na vida política. Depois de 1993 eu fui convidado, pelo então presidente Itamar Franco, para conduzir o Ministério da Cultura. Nesse período de um ano e dois meses exerci o comando no Ministério e pude realizar, em conjunto com a classe, um grande movimento em torno da legislação do áudio-visual. Depois, por razões pessoais, eu vim morar em Minas Gerais.
A minha família é daqui: a minha mãe nasceu aqui e meu pai nasceu em Itajubá. A família da minha mulher também é mineira. Eu sempre mantive relações estreitas com Minas, desde pequeno eu venho à Minas. Em 2001 resolvi viver em Minas permanentemente e depois, em 2002, eu fui convidado pelo governador Aécio Neves para retornar à vida pública. Então estou agora como Secretário do Estado da Cultura.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICA

L
Clube da Esquina: Origem do Clube

Eu travo o primeiro contato com o Clube da Esquina através da música, através da minha paixão, da minha ligação com a poesia e com Minas. Mesmo vivendo no Rio, os meus amigos, curiosamente, eram mineiros ou filhos de mineiros. Nesse período os meus dois maiores amigos eram o filho do Otto Lara, o André Lara, e o filho do Hélio Pelegrino, o Helinho. Então, evidentemente, quando surge aquele movimento com aquela força, com aquela musicalidade, com essa modernidade poética que o Clube da Esquina trouxe, eu me apaixonei.
Comecei a ouvir sozinho, por uma razão puramente pessoal, porque parte da população carioca ainda não havia descoberto o Clube da Esquina. Mas logo isso ocorreu e esse movimento se disseminou no Brasil todo. Todo mundo passou a ter um olhar especial sobre Minas Gerais, sobre a música que aqui realizaram. Mas para mim foi de uma maneira solitária que se deu esse encontro do poeta interessado no que há de moderno, no que há de inovador. Eu fui ouvindo, fui comprando CDs… Porque eu tinha essas duas grandes forças: de um lado, Minas Gerais dentro de mim, dentro do meu coração o tempo todo; do outro, a minha ligação com a poesia. Eu continuava produzindo, escrevendo poesia, inclusive até publicando com mineiros, como o Geraldo Carneiro, que é meu amigo, e com pessoas que orbitavam em torno do mundo poético do Rio de Janeiro.
Então eu comecei a ouvir e a minha impressão foi muito forte. Primeiro, por trazer essas raízes mineiras para o seio da criação e depois porque eu acho que o Clube trouxe uma contribuição musical e sonora nova, da orquestra, dos metais. Eu acho que nós temos três grandes movimentos da Música Popular Brasileira: a Bossa Nova, o Tropicalismo e o Clube da Esquina. E o Clube da Esquina trouxe uma sonoridade nova, uma música nova, uma concepção das letras também original. E tudo aquilo me emocionou e me encantou desde que eu ouvi pela primeira vez.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

Avaliação

O Tropicalismo caminha para uma busca das raízes baianas, em torno dos atabaques, da música de percussão e de letras muito mais ligadas à questão da onamatopéia, da questão da musicalidade, da palavra pela própria palavra, do efeito encantatório das palavras. Mas o movimento do Clube da Esquina é em outra dimensão: é mais orquestra, é o coreto; são os metais e toda uma tradição do Canto , quase que gregoriano, oriundo das nossas igrejas. E é uma poesia mais seca, mais cabralina no sentido de descender da tradição de João Cabral e sua concisão; e de Drummond, evidentemente. Então, o que a gente vê com clareza é uma volta da palavra ligada a uma singeleza. Muitas letras do Clube da Esquina parecem naturezas mortas, no sentido que Cézanne dava às naturezas mortas. Ou seja, as coisas estão aqui: um amor, o carro de boi, uma concretude que é trazida para a música, que é trazida para a poesia e que é realmente inovadora.
Então eu acho que esses letristas trazem essa concretude em que as palavras têm peso, densidade. Um “Trem azul”: são elementos bastante concretos, bastante definitivos – “Como alguém esquece uma fruteira”, “a pêra dentro de uma fruteira”. Quer dizer, eu acho que há esse movimento de concretude em torno da palavra, que é extremamente importante. E, ao mesmo tempo, isso é que torna o movimento universal, toca nas grandes questões do homem, nas grandes questões universais. Por exemplo, versos como “Toda forma de amor vale a pena/ Toda forma de amor valerá”, são versos universais. “Eu sou do mundo, eu sou Minas Gerais”. “Todo artista tem que ir onde o povo está.” Então é essa mistura, essa concisão formal, essa concretude no verso, conjugada com a universalidade que é, ao meu ver, o que traz o grande enigma, a universalidade permanente do Clube da Esquina.

Voltar ao topo MUSEU

Clube da Esquina

Eu acho super legal esse movimento transformar-se no Museu Clube da Esquina. Eu já estou diretamente envolvido. O que eu acho importante é que esse museu, na verdade, não será um museu do passado; terá uma visão moderna. Porque há uma geração – que não é a minha, nem a do próprio Clube – que não viveu essa história de forma tão detalhista, tão cotidiana, como nós vivemos. Então é muito importante que essa garotada que está chegando possa ter também uma compreensão de como aquilo tudo se realizou, como aquilo tudo se originou. Eu acho que o grande legado, a grande importância, é essa. Ele é um museu que, na verdade, será a memória do futuro. É muito mais do que a questão de armazenar o passado de uma maneira conservadora. Inclusive já ofereci ao Márcio Borges e ao Clube todo, com o compromisso da Secretaria de Cultura, a possível cessão de um espaço na Casa do Conde. Então isso é uma coisa que está ainda em debate. Eles vão visitar a Casa do Conde e verão se é possível; mas eu ficaria muito orgulhoso e honrado de poder, durante a minha gestão, participar diretamente da criação do museu.
Eu acho até que o espaço físico não precisa ser tão grande. Ele precisa reunir de uma forma inteligente e integrada os documentos, as passagens mais importantes, as letras, os bilhetes, os detalhes. Eu diria até da história cotidiana do Clube da Esquina, que é muito importante, para que essa nova geração possa compreender novamente a magia do processo de criação. Letras importantíssimas foram feitas num botequim, num papel de guardanapo. E determinados achados, determinadas soluções estéticas foram criadas, às vezes até por ausência de recursos financeiros que permitissem maior tempo de gravação. Então eu acho que todo esse universo mágico da criação vai poder ficar exposto à população, aos jovens de maneira geral, e vai ser um salto importante para Belo Horizonte, para Minas Gerais e para o Brasil como um todo. Eu acho que se todos nós pudermos fazer esse Museu, nós poderemos dizer com orgulho: “Eu sou do mundo, eu sou Minas Gerais. Só gostaria de externar a minha alegria de poder, pelos destinos da vida, estar hoje próximo daquilo que eu comecei a ouvir quando era menino ainda e de ajudar a tornar esse museu uma realidade.

Fale na Esquina

Os comentários estão encerrados.