Marco Antônio

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome/ Data e local de nascimento

Meu nome é Marco Antônio Duarte de Resende Paiva. Nasci em 23 de setembro de 1946, em Três Pontas.

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Milton Nascimento / Três Pontas

A minha casa e a casa do Bituca, o fundo das duas casas, a horta, que é como se fala lá no interior, era uma de costas pra outra. Então a gente se conheceu quando tinha quatro ou cinco anos, três anos de idade, sei lá, porque a gente roubava jabuticaba na casa de um e manga na casa do outro. Foi quando a gente se conheceu. Eu morei em Três Pontas até 1961, depois eu fui pra São Paulo estudar. Foi quando o Bituca também saiu e foi para Belo Horizonte e a gente passou a se encontrar só nos feriados prolongados e nas férias.

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Milton Nascimento

Foi muito bom ver o Bituca começar a fazer sucesso. Primeiro porque a gente participou quando o Bituca começou a ensaiar seus passos na música. A gente era muito chegado já. A minha esposa Regina também era muito amiga do Bituca e a gente freqüentava as mesmas casas, onde o pessoal todo tinha uma afinidade com a música e a gente sabia que um dia o Bituca ia tocar alguma coisa. Cantar a gente não imaginava, porque ele não era de cantar, ele gostava muito do “lalalá”, mas ele não cantava, ele gostava mais era de tocar. Tocava piano, tocava violão, contrabaixo, mas cantar realmente eu vi muito poucas vezes e quando cantava eram aquelas músicas antigas. Isso foi no início dos Beatles e ele não cantava Beatles, Beatles ainda era uma coisa nova pra gente. Ele cantava mais aquelas músicas antigas da época de Emilinha Borba, esses cantores antigos da década de 50.

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Márcio Borges, Dida e Regina / Três Pontas

Quando o Marcinho foi a Três Pontas, o Bituca ligou e avisou: “Olha, estou levando um amigo meu de Belo Horizonte que me hospedou e que me recebeu como da família. Ele está indo”. Aí eu, a Regina e o Dida, outro amigo nosso – que inclusive foi diretor do Santos Futebol Clube e deve participar da entrevista futuramente –, fomos pra rodoviária e ficamos aguardando a chegada do Marcinho a Três Pontas. Eu tenho caso pra gente ficar aqui dia e noite, tenho muito caso. É, a gente era jovem, gostava da vida noturna, da boemia, então a gente vivia tomando uns gorós. A gente vivia duro, éramos todos estudantes, não tínhamos grana. O pai não dava dinheiro pra gente beber, então tinha de criar uma maneira de beber e pegar o tira-gosto. Então nós pulávamos o muro em frente o Tonel, que era o bar que a gente freqüentava, e lá era a casa paroquial. Roubávamos quatro ou cinco galinhas do padre, vivas, íamos ao Tonel e trocávamos com uma pronta. O dono do bar pegava as cinco galinhas vivas e dava uma pronta pra gente tirar o gosto das pingas que a gente ia tomar. Tem muito caso dessa época em que a gente era moleque ainda e estávamos começando a vida.

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Clube da Esquina

Foi muito bom, foi maravilhoso como foi ouvir o primeiro disco do Milton. Foi uma coisa muito agradável. Eu convivi muito na época com o pessoal da família dos Borges. Eu primeiro fui amigo do Marilton, não sei se vocês conhecem, conhecem não é? E a gente começou a conhecer e saber do potencial de todos eles, e quando a gente teve oportunidade de ter em mãos e ouvir aquela coisa, foi realmente sensacional, foi muito bom, parece que eu participei daquilo. Eu me sentia como um dos participantes do Clube da Esquina.

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Festival Sentinela

Eu tinha uma firma de engenharia, eu e mais dois colegas lá em Três Pontas, e nós resolvemos fazer um show do Bituca. Nós nos aliamos ao Nelsinho Motta, que foi quem fez toda a parte de marketing, e começamos a convidar através do Paulo Pila, o empresário do Milton, que na época era famoso. Ele começou a convidar as pessoas para participarem. Isso, aliás, foi um problema sério, porque o Paulo na época prometeu que a gente organizaria a parte básica do show, que seria palco, iluminação, banheiros, e que ele ficaria, por exemplo, com a parte de água, refrigerantes, sorvetes – porque bebida alcóolica não poderia entrar. E ele não cumpriu nada do que prometeu. Essa foi a primeira decepção que o Bituca teve com o Paulo Pila e depois ele deixou de ser empresário do Milton. Mas foi um show inesquecível. Eu tenho – inclusive, eu estou passando agora para DVD –, eu tenho três horas desse show gravado, duas horas com fundo musical em super-8, eu tenho todo esse show. Então vocês vão ter a oportunidade de ver o Chico e o Fernando Brant dançando de rosto colado, são coisas que normalmente não se vê em show. Foi um show, inclusive, que quem assistiu nunca mais vai esquecer. Estavam Fafá de Belém, Clementina de Jesus, Grupo Água, do Chile, estava o Chico, estava o Gonzaguinha – que foi quem fez mais ainda no show, porque estava menos bêbado, foi quem mais cantou –, estava o Bituca, Fernando Brant, os Borges e muito mais gente. Foi uma coisa sensacional que o sul de Minas nunca mais vai esquecer. E, aliás, nós estamos tentando programar alguma coisa parecida para estes próximos dois anos.

Voltar ao topo SHOWS

Museu Vivo de Três Pontas

Eu estava lá, foi muito bom. O negócio aconteceu junto, porque o Marcinho foi receber o título de cidadão trespontano e posteriormente teve o show que eles fizeram no teatro do Centro Cultural Milton Nascimento, inclusive com a participação do Milton e do coro de artistas trespontanos que hoje estão acompanhando o Milton em vários de seus shows. Foi muito bonito. Realmente, a gente que é trespontano se acha melhor do que os outros, tudo que acontece lá a gente acha que é a melhor coisa do mundo.

Voltar ao topo AMIGOS

Milton Nascimento

No início a gente foi muito ligado, tanto é que – eu não sei se você sabe que o Bituca foi casado – eu fui padrinho dele e depois ele foi meu padrinho de casamento. Eu sou casado há 32 anos e namorei dez anos a minha esposa. São 42 anos que a gente praticamente viveu junto com o Milton. Então foi e é uma amizade muito grande, uma coisa muito bonita, é uma coisa de irmão.

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Clube da Esquina: Museu

Eu acho que é uma iniciativa muito boa. Aliás, eu fui ver o museu do Ayrton Senna em São Paulo, não sei se vocês tiveram a oportunidade de ver, e acho que vocês vão até superar as expectativas. Porque, pelo que a Claudinha e o pessoal que está trabalhando nesse projeto me contaram, vocês estão fazendo um trabalho que em Minas Gerais é sem precedentes. Então eu acho que vai ser uma coisa muito boa para a história. Não sei se você viu uma entrevista que o governador Aécio Neves deu semana passada, em que ele diz que Três Pontas é a capital da música no Brasil. Isso aí vem coroar mais ainda esse trabalho musical que começou praticamente em Três Pontas e hoje está pelo mundo inteiro. Você sabe que isso massageia meu ego também. Porque é coisa que eu venho desde criança participando junto, de uma forma ou de outra, com uma palavra de carinho, ou com um relacionamento de amizade, com um copo de cerveja, com uma convivência muito boa. Então isso aí faz parte de mim, e me massageia o ego também.

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