Maria Tereza de Brito

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome / Local e data de nascimento

Meu nome é Maria Tereza de Brito Silva. Nasci em Três Pontas, em 15 de novembro de 1906..

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais

Meu pai chamava-se Josias Ferreira de Brito e minha mãe, Maria Quitéria de Jesus Brito. Minha mãe era cozinheira, doceira. Meu pai trabalhava, viajava. Antigamente viajava na carroça, na charrete. Viajava pra Cambuquira. Ele transportava as pessoas.

Irmãos
Agora somos três irmãs, eu e mais duas. Antes, nós éramos sete.

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Seu Zino

Meu Brito é o mesmo do Zino. Nós fomos criados juntos, igual irmãos. Meu pai era primo, parente da mãe dele, porque o pai do Zino era Campos, a mãe que era Brito. Nós fomos criados aqui em Três Pontas mesmo. Desde pequeno a gente brincava. Teve uns tempos que eu fiquei cozinhando na casa dele – faz tempo isso… Foi em mil novecentos e cinqüenta e tanto, por aí assim. De vez em quando eu ia cozinhar pra eles, não era assim seguido não.

TRABALHO
Atividades Profissionais

Quando eu era novinha, eu era pajem das casas aqui. Cuidava das crianças.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Preferências musicais

Toda vida eu gostei de ouvir música. Eu gosto de qualquer música. Eu gosto muito das músicas do Bituca. Gosto muito.

Canto
De vez em quando eu cantava. Gostava de cantar. O Bituca quando vem aqui, nós dois cantamos uma música muito engraçada. Ele toca violão e nós cantamos. A música chama-se “Pinguelo Dentro.”: “Pinguelo dentro/ Pinguelo fora/ Tira o Pinguelo/ Que eu vou-me embora.” (cantando) Ele toca violão e nós vamos cantando: “Ai, ai, eu não sabia/ Que a casa/ É de família/ Pinguelo dentro/ Pinguelo fora/ Tira o pinguelo/ Que eu vou embora.” Sou eu com o Bituca (risos) Que bobagem! (risos) Ele vai morrer de rir (risos): “A Tereza é louca mesmo!” Ah, “Pinguelo Dentro”… Eu e o Bituca que inventamos isso; o Bituca que inventou isso. Não é de ninguém, não. (risos) Isso é bobagem. Quando eu era mocinha, cantava as músicas antigas, como “Saudades do Matão”, essas músicas antigas…

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Fafá de Belém / Simone

Eu gosto muito da Fafá. É minha amiga. Ela vem aqui e eu encontro com ela. Tenho retrato com ela. Encontro com ela no Rio. E a Simone também. Sempre que eu vou ao Rio, no dia 24, é lá no Bituca a festa. No dia 25 é aniversário da Simone e aí vamos na casa da Simone. Depois, de manhã cedo, na casa do Denis.

Dona Lília / “Bituca” (Milton Nascimento)
A Dona Lília era muito boa. Era baixinha. Ela é do Rio. Eu me lembro quando ela chegou aqui. Eu a conheci por causa do Zino. O Bituca veio pra cá tinha 2 anos e meio, era pequeno. Ele tocava sanfoninha, flautinha… Eu levava ele e os colegas dele no parque de diversão, no circo. Achei ele o mesmo que um filho meu. Quero muito bem ele, nossa mãe! E o Bituca, toda viagem que ele faz, ele me manda um cartão. Toda viagem. Eu saía com a turminha. A turminha dele era meus filhos e uns vizinhos lá. Ele era quieto. Toda vida ele foi muito quieto.

Gonzaguinha
Antigamente o melhor carnaval de Minas era o de Três Pontas. Na terça-feira de carnaval, o Bituca levava mais de 30 homens pra comer em casa; não saía de lá. Aquela turma toda era lá de casa. Gonzaguinha não saia lá de casa. Quando fez um mês e 20 dias que ele esteve aqui, ele morreu. Gonzaguinha…

“Bituca” (Milton Nascimento)
Ah, quando via que chegava gente, todo mundo queria cozinhar pra ficar com os artistas. (risos) Os vizinhos todos! O Bituca gosta de comer frango com quiabo, frango caipira, angu e coqueiro também. É a comida predileta dele. Ele gosta. Agora não faço mais. Agora quase que eu não encontro com ele. Ele não sai quase de casa. Depois que a Lília morreu, Bituca ficou muito triste. Não é pra menos. Ele veio no meu aniversário no ano passado. Um colega dele fez um festão pra mim. Eu nem esperava; fez festa, bolo, tudo. E ele chorava de um lado pro outro: “Minha mãe morreu; agora, você que é minha mãe.”

Dona Lília / Seu Zino
O Fernando era primo da Lília. A Lília criou o Fernando, o Bituca, a Beth. E a Jaceline, que é filha mesmo, a Jajá. Naquele tempo quase que só o Bituca mexia com a música. Eu me lembro das bodas do Zino. Foi na roça, na fazenda. Eu fui. Teve um festão do Zino e da Lília. Veio muita gente de fora. Foi na Fazenda Zaroca. Muita gente foi.

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Três Pontas

O carnaval na cidade era muito animado. Semana Santa era muito animada. Tinha procissão. A gente ia, não perdia. Passava sempre aqui na rua. E tinha o passeio na praça.

Alfenas
Eu ia muito em Alfenas com o Bituca, na casa do povo do Wagner Tiso – porque o povo do Wagner mora em Alfenas. Ia muito lá. Nossa, o Gileno, ele esteve aqui ontem!

Márcio Borges
A vez que inaugurou um livro dele, lá em Varginha, eu fui. E outra aqui também. Eu tenho um livro lá em casa do Marcinho. Eu fui com eles.

Família Borges
Quando eu ia pra Belo Horizonte eu ficava na casa dos Borges. O Lô.. Eu gostava muito da Dona Maricota. Ia eu, o Bituca e a Beth. Nós íamos pra lá. A gente ia passear, assistir show. Eu ia muito lá. A Maricota era calma, muito boa. O Salomão é bravo. Eu chamo ele de Salim.

Lô Borges/Beto Guedes
Eu lembro do Lô, lembro que eles tinham cabelo comprido. Eles eram mais ou menos levados. O Lô separou da mulher? Separou. O pai do Lô foi muito bom pro Bituca. Agora um que é um pingaieiro danado é o Beto. O Beto ficava lá em casa. Beto Guedes bebe muito! Ele vai na cervejaria e quando ele sai, Nossa Senhora! Sai bêbado de tudo. Eu gosto muito do Beto.

Filha
Eu tinha uma filha que morreu com 22 anos, que chamava Vera. Saía ele e ela dando show por aí. Foi antes da carreira dele. Ela ia junto, cantava. Ele fez uma música pra ela, “O que foi feito de Vera.” Eles eram mais que irmãos.

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