Marina Machado

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Meu nome é Marina Machado. Nasci em 20 de outubro 1972, em Belo Horizonte.

Família
Pais

Meu pai é o cara a quem eu devo esse tanto de musicalidade que eu tenho. Ele é um apreciador de música. Em casa a gente sempre ouviu música. Lá todo mundo gosta de sentar e ouvir música. Não é botar música para conversar, é realmente sentar e curtir a música. A minha mãe é uma palhaça (risos), ela é tímida por fora, mas quando está só com a gente ela se solta, faz gracinha. Eu acho que ela tem um pouco de palco e eu peguei isso dela.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de infância

Na minha infância, eu escutei muita música popular brasileira, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Sarah Vaughan, algumas coisas de jazz que meu pai curtia, Ray Charles, Miles Davis.

Voltar ao topo ADOLESCÊNCIA

Musicas que ouvia

Na adolescência, comecei a curtir rock’n’roll, Beatles, Queen, depois Pink Floyd e aquelas bandas todas de rock progressivo, Yes, Rush, Genesis e Led Zeppelin – a minha favorita. E foi engraçado como a forma de eu voltar a ouvir música brasileira foi escutando Clube da Esquina. Tinha os discos lá em casa do Lô Borges, do Beto Guedes e tal. Mas era uma coisa mais assim: eu ouvia porque meus pais estavam ouvindo. Na adolescência, eu conheci um disco do Milton Nascimento que se chama “Milton”, que na capa ele está com o cabelo molhadinho, parece que saindo do mar. É um disco azul, rosa. Foi através desse disco que eu comecei a escutar música brasileira de novo, eu estava um pouco afastada. Esse disco é muito legal, tem músicas progressivas, tem aquela música “Fairy tale song”, tem “Tema de Tostão”, tem “Francisco”, que eu adoro, tem umas coisas bem legais naquele disco. São coisas que eu fiquei impressionada e falei: “Olha, aqui no Brasil o povo faz rock’n’roll também” (risos). Mas isso me fez retomar a música brasileira. Comecei a escutar mais e de outra forma, de um jeito mais crítico, de falar: “Isso tem a ver comigo”.

Formação Musical
Iniciação musical

Eu já estava a fim de cantar e aí eu comecei a me colocar e falar assim: “O que eu gosto de cantar? Eu gosto de rock’n’roll, mas também de música brasileira” e eu acho que esse foi um caminho que eu encontrei. Eu sempre gostei de música como todo mundo lá em casa. Uma pessoa que me influenciou muito para as artes foi uma amiga, a Paula Manata, do grupo Armatrux. Ela já era do Armatrux, que na época chamava Tangran, que era uma escola de teatro e ela queria fazer aula com a Babaya, que é uma cantora aqui de Belo Horizonte. Eu já tinha feito aula de violão com a Babaya quando eu tinha uns oito anos, e nessa época eu tinha uma banda com as meninas, a gente compunha, mas era tudo brincadeira. Em 1989, a Paula me chamou pra fazer aula com a Babaya de novo. E eu era nadadora, minha onda era outra, eu achava que eu ia fazer Educação Física, ou Fisioterapia, alguma coisa assim – eu adoro nadar até hoje. Aí eu comecei a fazer aula com a Babaya e ela percebeu que eu tinha uma coisa de palco que ela achava legal e que eu cantava bem e me deu essa idéia. E eu curti, adorei o dia que ela falou comigo: “Eu acho que você devia ser cantora”. Eu levei um susto, pra mim aquilo tudo era brincadeira. Mas aí eu levei muito a sério e comecei a cantar na noite e a buscar esses caminhos todos que eu busquei.

Formação Musical
Zoombeedoo / Burlantins

Eu sempre tive um namoro com o teatro porque, através da Babaya, eu conheci um diretor de teatro aqui de Belo Horizonte, o Eid Ribeiro. E o trabalho com o Eid foi o primeiro trabalho mais profissional. Eu já cantava na noite, cantava com o Podé Nastácia. Minha vida é uma loucura, eu já atirei pedra pra tudo quanto é lado (risos). Porque eu tinha essa coisa com o rock’n roll e eu cantava com o Podé, que é o vocalista do Tianastácia, e com o Maurinho, a gente tinha um trio, Zoombeedoo. E a gente fez esse espetáculo musical que é o Hollywood Bananas, dirigido pelo Eid. E eu conheci a Regina Spósito por causa disso. Daí eu e Regina montamos a Companhia Burlantins, que é uma companhia de cantores, mas que fazem espetáculos na rua. A gente queria fazer uma companhia pra isso, porque fazer musica em Belo Horizonte é difícil, então a gente queria uma alternativa para a gente criar, fazer trabalhos mais autorais, a gente tinha pavor de ser cantora da noite. A gente achava legal, que isso fazia parte, mas a gente queria ter um trabalho mais autoral, queria ter um espaço para inventar coisa e tal. Então eu tive essa oportunidade de trabalhar com o Eid Ribeiro e ele foi muito bacana pra mim, porque eu era uma meninona com o negócio da natação e ele falou: “Não, você é mulherão, você tem o corpão, você é bonita, você é sensual”. E aí eu fui entendendo isso, o poder das minhas coxas. (risos) Aí a gente vai entendendo o que é. E isso foi muito legal porque dali, desse Hollywood Banana, saiu esse meu trabalho com o Podé e com o Maurinho, que era uma coisa mais de rock’n’roll e saiu esse trabalho com a Regina, da Companhia Burlantins. Daí a gente trabalhou com o Chico Pelúcio várias vezes, fizemos outros espetáculos, tivemos o prazer de ter o Mauricio Tizumba, que é um grande cara, na nossa companhia e nos espetáculos com a gente.

Voltar ao topo PESSOAS

Flávio Henrique / Robertinho Brant

E aí eu fui apresentar “O Homem da Gravata Florida”, acho que na Praça da Liberdade, e um dia o Flávio Henrique me viu nesse espetáculo, que era uma coisa bem teatral. Eu fiquei conhecendo o Robertinho Brant também essa época. Foi também quando eu me aprofundei geral no Clube da Esquina e eles começaram a me aplicar, mas eu tinha os discos que todo mundo tem. Aí que eu fui conhecer “A Página do Relâmpago Elétrico”, aquele disco do tênis do Lô Borges, vários discos do Milton que eu também não conhecia, que são maravilhosos, “Jorney to Dawn”, “Ânima”, o “Angelus”, que eu acho lindo. Através do Flávio Henrique e do Robertinho Brant eu conheci essa outra turma que fazia música popular brasileira e eu vi que era muito diferente do tipo de música que as outras pessoas no resto do mundo faziam. E pelo fato de a gente ter a sensação que isso é daqui, eu achei que eu tinha que ficar perto dessas pessoas.

Pessoas
Milton Nascimento

E foi muito legal mesmo. Eu estava nessa briga interna de não saber para que lado ir, porque eu gostava de rock’n’roll, mas no meio das coisas que eu cantava eu sempre colocava algumas coisas no repertório que o pessoal do rock’n’roll se incomodava e ao mesmo tempo não satisfazia o público que gosta de MPB. E eu acho que o Lô Borges e o Milton Nascimento me acolheram muito bem e isso foi uma coisa muito legal pra mim. Deu uma norteada no meu trabalho o fato deles gostarem do jeito que eu estava cantando e me chamarem para fazer coisas com eles. Eu acho que quem me levou para esse caminho foi o Flávio Henrique e o Robertinho Brant. Eu gravei “Leila” em um disco instrumental que o Robertinho estava fazendo chamado ”Renascimento”, em homenagem ao Milton. E o Flávio me chamou pra fazer um disco com ele que se chama “Flávio Henrique e Marina Machado”, porque eu comprei a idéia e é um disco que ele tem parceria com o próprio Robertinho, Ronaldo Bastos, Sergio Santos, Paulo César Pinheiro e Murilo Antunes. O Milton ouviu esse disco, ficou apaixonado e ficava mandando recados para eu ir conhecê-lo. Mas eu sempre fui muito tímida, eu morro de vergonha e ficava fugindo dessa história: “Eu não vou, não. Eu vou chegar lá nesse negócio e vai ser um silêncio, eu não vou conseguir fala nada”. Eu sempre fui muito fã do Milton e ficava adiando essa história até que um dia eu fui ao camarim dele lá em São Paulo. Eu estava em uma CD Expo daquelas e estava rolando o “Crooner”, espetáculo dele. Aí eu cheguei ao camarim acompanhada do Flávio Henrique e ele olhou pra mim e falou: “Oi, tudo bom?”. Eu: “Tudo bem?”. Ele falou: “Você vem cantar comigo semana que vem aqui?”. Aí eu falei: “Venho”, mas eu não podia, eu estava no Rio de Janeiro em cartaz com “O Homem que Sabia Português” no teatro Villa-Lobos. E aí foi uma loucura, alguém já tinha me falado dessa história, eu já estava sabendo que ele queria me chamar, mas eu não sabia que ele ia me chamar daquela forma. E como falar “não”?, eu não dava conta, era o meu sonho que estava em jogo, eu sabia que, se eu não topasse, eu ia perder a minha chance. Acabei pagando uma multa enorme no teatro Villa-Lobos e fui cantar com o Milton. Isso me deu uma série de problemas, mas que graças a Deus eu consegui resolver. Depois de vários anos, as coisas foram limpando, a gente consegui retomar a companhia e o trabalho com o Milton só foi crescendo. Acabou que a gente teve uma empatia muito grande de palco. Logo depois que eu cantei no “Crooner”, eu tomei coragem e liguei pedindo para ele fazer participação nos meus shows em uma turnê estadual que eu estava fazendo aqui através de Lei de Incentivo à Cultura, e ele topou. Aí eu liguei e falei: “Oh, Bituca, você topa ser meu padrinho nesse projeto?”. E ele adorou, porque a vida do Milton é isso, ele sempre apadrinhou as pessoas, mas dessa vez era uma menina que estava chamando ele para apadrinhar. E ele curtiu, veio, fez os shows todos. Teve um que ele não pôde e o Lô Borges fez, porque eu queria que fosse alguém da mesma galera. Isso foi em 2000, aí em 2001 ele fez um projeto pra mesma Lei de Incentivo à Cultura. Fez o show “Milton e Convidados”, chamando eu, o Lô e o Elder Costa.

Voltar ao topo DISCOS

Pietá

Em 2002, no fim do ano ele me chamou pra cantar no “Pietá”, que é o ultimo disco dele de estúdio. Aí fomos eu, Maria Rita e Simone Guimarães e, na época da estréia do show, a Maria Rita estourou para o Brasil. A Simone Guimarães também tem um trabalho bem consolidado, com gravadora e tudo mais e eu era a mais desconhecida das três. E eu estava sonhando com esse projeto, porque a gente, artista independente, faz um show e pra rodar com esse show é muito difícil. A gente fica arrumando maneiras de ir, mas nas capitais acaba que você não consegue mídia, tem toda essa dificuldade e eu estava sonhando com esse projeto do Milton. Eu sabia que era a grande oportunidade da minha vida. Aí eu espertamente cheguei pro Bituca e falei: “Bituca, eu tô vendo que esse negócio vai ficar só no lançamento. Me põe aí na sua banda, deixa eu fazer coro também, eu toco percussão, eu canto e danço tudo o que você mandar, me bota aí na sua gig”. E ele adorou de novo, ficou superfeliz porque ele sabe que eu tenho meus outros trabalhos, mas isso era um investimento pra mim, pessoal e conseqüentemente pra tudo o que eu faço, para a companhia, pro meu trabalho solo. E aí foi muito legal, porque a gente pôde se conhecer melhor e ele me deu um espaço muito grande nos shows. Além das músicas que eu gravei no disco, eu canto as músicas da Maria Rita, as da Simone, eu peguei tudo pra mim, foi ótimo. E construí uma historinha dentro do show do Milton, com inclusive músicas do meu último disco, em que eu gravei “Going to California”, do Led Zeppelin, “Pablo”, do Milton e Ronaldo Bastos… Eu canto “Tristesse”, que eu também tinha gravado com o Telo Borges, “Vento de Maio”, do Telo, que eu amo, é a minha favorita, “Encontros e Despedidas”, “Casa Aberta”, que eu acho que é uma música muito legal, que faz parte dessa minha ligação com o Milton. É uma música que eu gravei no meu primeiro disco solo e conta a história do candombe da Serra do Cipó, que é um pessoal negro, descendentes de escravos que praticam o candombe, que é a forma mais primitiva do congado. E eu sempre quis falar dessa história, contar isso pro mundo e eu achei muito legal quando o Milton gostou dessa música em especial, porque essa música traduz tudo o que eu sou. Eu já gravei muita coisa, mas quando eu quero falar qual música sou eu, é essa a música. E eu achei legal ele me chamar pra cantar essa música no disco dele. Ele me levou, com o meu repertório. Ele teve esse cuidado. O Milton foi muito generoso comigo, é impressionante, eu nunca vi artista do nível dele dar o espaço que ele está me dando, nunca vi ninguém fazer isso pra ninguém. É uma coisa que eu realmente tiro o chapéu e agradeço todo dia a ele, agradeço porque isso me deu uma experiência muito grande. Eu fiz com ele essa turnê enorme, a gente foi quatro vezes para a Europa, África, Japão, todas as capitais do Brasil. Eu estou viajando com ele desde maio de 2003 e agora a gente está indo pra Nova York. E eu acho que está acabando, mas nunca acaba. Agora ele fez uma trilha para o filme “O Coronel e o Lobisomem” com o Caetano Veloso – músicas do Milton e letras do Caetano – e me chamou pra gravar o tema da Ana Paula Arósio. Então ele está sempre me colocando nas coisas.

Formação Musical
Canto

O Milton é o meu padrinho, é o meu pai na música e é o meu ídolo. Eu acho que eu estou realizando o meu sonho. A principio eu não sabia se eu ia fazer isso da minha vida, mas desde que eu comecei a fazer, eu curti muito. Eu acho que ter uma profissão como essa é um privilégio. Eu acho que trabalhar com música é muito maravilhoso, você trabalha dando alegria para as pessoas, harmonizando ambientes, você trabalha com a alma das pessoas. É um trabalho que me faz sentir uma espécie de médica. Eu estou curando as pessoas, eu me sinto um instrumento de Deus para passar tantas coisas. É um poder tão grande que tem no palco. Eu tenho uma felicidade tão grande de estar trabalhando com isso e de ter esse retorno do pessoal aqui da minha terra. Isso é muito importante. Acho que isso me coloca no Brasil como cantora. Eu não sou só uma cantora, porque tem tantas e tão boas, mas eu adoro quando as pessoas falam: “A cantora mineira Marina” e quando vão ver meu repertório, a maioria dos compositores que eu gravo é daqui de Belo Horizonte. Eu acho bacana. Eu tenho notícia que o pessoal do Clube da Esquina gosta, mas eu espero que eles gostem mesmo, porque eu admiro todos muito e eu quero dar essa troca, já que eu tenho bebido tanto dessa fonte. Tomara que eu esteja agradando, e pode me puxar a orelha, pode me dar conselho e me dar música para cantar.

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avaliação

Eu acho que eles têm uma abertura para a música, eles sacavam a música dos Beatles, desses rocks progressivos que eu te falei e do pessoal do jazz, da bossa nova. Eles conseguiram pegar essas influências e essas trocas que eles tinham, porque não era só influência, eles também influenciaram. Eu acho que eles conseguiram traduzir isso numa coisa nova, numa música que é regional, mas que é muito universal, que tem a cara de Minas, mas que é compreendida nos vários continentes do mundo. Então eu acho que eles deram uma contribuição muito grande para o Brasil, por ser essa coisa tão única, diferente de tudo.

Voltar ao topo TURNÊS

Europa / Ásia / África / América

Eu acho que o Milton faz esse circuito há mais ou menos 30 anos, então ele já tem um público em todos esses lugares. No Japão ou na África, na Europa e, felizmente ou infelizmente, eu não sei, ele é até mais reconhecido fora do Brasil do que aqui, ultimamente. O mercado brasileiro de música está muito fechado, você não vê mais Chico Buarque tocando tanto no rádio, nem Milton. O Bituca até que é danado, ele está em toda novela, é uma coisa muito legal. Mas as pessoas, o povão não saca tanto, porque não tem acesso, então é legal você ver como as pessoas lá fora valorizam muito. Eu me encontrei com pessoas do jazz, pessoas que tem carreiras muito sólidas no exterior e todas são fãs do Milton e do Clube da Esquina, todos conhecem, todos aplaudem. Eu pude sentir de perto isso, é uma música muito universal. No Japão é impressionante, os japoneses cantam mesmo com aquela língua tão diferente. E o Toninho Horta também é muito conhecido no Japão. É muito legal, é um exemplo pra gente perder essa noção de mundinho aqui e pensar que você pode fazer porque tem gente no mundo que vai escutar.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

avaliação

Eu não sou boa para falar o que é e o que não é porque é muito relativo. Para mim é, porque cada movimento vai por uma causa, e, no caso do Clube da Esquina, foi a música. Eu acho que é um movimento sim, porque são várias pessoas cantando de forma parecida e se entendendo muito bem na música. Não é um compositor só, são vários compositores que pensam de forma pelo menos parecida. Eu acho que é um movimento

Voltar ao topo MUSEU

Clube da Esquina

Eu acho importante. Valoriza o movimento, valoriza essas pessoas, valoriza essas músicas e uma série de coisas. E também amplia. As pessoas vão poder saber melhor o que foi isso, como aconteceu, então eu acho importante para as novas gerações e para quem está vindo junto, como eu – olha que importante. Vocês me chamaram para vir aqui, eu estou satisfeita, estou feliz da vida. Espero que esteja bom, se não estiver você me chama amanhã.

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Uma mensagem para Marina Machado

  1. leo testut disse:

    Quando a vi pelo vídeo a primeira vez cantar…achei D+…Ela consegue passar pra gente de forma sincera o grande prazer e emoção qdo está cantando com seus ídolos(milton , flávio venturini)… Marina é pura emoção….E tb acho marina uma "gata"…mil bjs.