Neném Batera

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento

Meu nome é Esdra Expedito Ferreira. Eu nasci em Belo Horizonte em 06 de julho de 1954.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Iniciação Musical

Eu comecei pequeno. Minha mãe tinha uma escola de samba, então eu já aprendi a tocar cuíca, tamborim, essas coisas, novinho. Depois, eu fui tocar candomblé (risos), toquei muitos anos candomblé e foi lá que eu vi a tal da bateria. Foi daí que eu comecei, mas bateria mesmo eu comecei a tocar com 17 anos.
Eu estudava no colégio Sete de Setembro no Alto do Pinheiros e tinha uma banda que ensaiava lá, no porão. Eu ficava lá olhando eles ensaiarem e um dia eu falei com o cara: “Será que você me deixa mexer na bateria?”. E ele falou assim: “Pode mexer, a aparelhagem vai ficar aí mesmo, desde que não estrague!”. Aí eu comecei devagarzinho, devia ter uns 16, 17.
Eu comecei a tocar lá sozinho. Aí tinha um cara que estudava comigo que tocava violão, e a gente resolveu fazer um conjunto que se chamava Os Solitários, porque o conjunto era só nós dois (risos). Assim que eu comecei a tocar. Era uma dupla.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades Profissionais

Eu tocava em um bar chamado 890 e um dia o Fernando Oly – você conhece o Fernando Oly? Ele tinha um grupo chamado A Arca de Noé – me chamou pra tocar nesse grupo. Aí eu gravei com ele e o Flávio Venturini ouviu isso e falou: “Que legal, o cara toca legal, vamos chamar ele pra tocar”. Mas um dia que eu estava tocando nesse bar, apareceu o Beto Guedes, ficou lá me olhando tocar e falou: “Eu vou começar uma turnê nova e o que você acha de a gente fazer uns ensaios?”. Aí eu falei: “Claro, o que você quiser” – era o Beto Guedes, não é?! Acho que foi o “Sol de Primavera”, foi a primeira turnê que eu fiz com o Beto. Foi inclusive com o grupo Vera Cruz, que era Juarez Moreira, Zé Nami, Mauro Rodrigues, eu e Yuri. Foi com esse grupo que eu fiz a primeira turnê com o Beto. Mas ele já tinha ouvido a fita que eu tinha gravado com o Oly, ele e o Flávio. Parece que o Flávio falou com ele, e ele foi ao bar ver.

Voltar ao topo DISCOS

Clube da Esquina – 1972

A primeira vez que eu escutei o Clube da Esquina, eu vou ser bem sincero com você, foi umas das coisas mais absurdas que eu ouvi, principalmente porque eu sou ritmista, baterista e era muito novo naquela época. Ver uma quantidade de compassos compostos, como “Nas Asas da PanAir” – mesmo depois, mas já aquela criação de Robertinho Silva, com Milton, foram eles mesmo que fizeram isso, o Bituca fazia a música, mas quem botava o ritmo era Robertinho Silva, com certeza –, foi espantoso, bicho, inacreditável, porque a gente tocava o trivial, baile, mais simples e tal, aí você ouve cinco por quatro, seis por oito e tudo tocado invertido, altamente criativo, é assustador. Aquilo mudou completamente a minha vida como baterista. Eu ouvia muito jazz, samba e bossa nova, quando eu ouvi aquilo eu não acreditei, eu falei: “Nossa, isso é diferente de tudo do que eu já tinha ouvido”. Pra mim foi o máximo.
E eu mudei bastante a minha forma de tocar. Eu ia aos shows antes mesmo de tocar com o Milton, era fã como sou até hoje, eu ia a tudo quanto era show que ele fazia aqui, com Som Imaginário… Eu ia porque eu queria ver como era aquilo de perto, se aquilo era verdade mesmo (risos). E era verdade mesmo.

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Atividades Profissionais

Toquei com Bituca um tempo bom. A gente gravou um disco com a participação da Gal Costa, que é aquele disco ao vivo, tinha até um solo de bateria lá. Depois viajei com ele para Cuba, já com o Chico Buarque, e toquei com ele muito tempo junto com o Robertinho. Às vezes o Robertinho não podia ir e eu tocava bateria mesmo. Quando o Robertinho ia, eu tocava percussão e alguma coisa de bateria. Era uma escola, estava do lado dos mestres ali (risos).

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Milton Nascimento

Tem um caso muito interessante com o Bituca que é o seguinte: eu não tinha tocado com ele ainda, mas ele já me conhecia através do Beto, dessa fita do Fernando Oly, e ele me indicou pra tocar com a Elis Regina, sem me conhecer. Quando eu ia tocar com ela, infelizmente ela faleceu. Passou o tempo, e continuei tocando com o Beto. E um dia o Robertinho não pôde fazer um show que era uma gravação de um especial pra Rede Globo, acho que foi o primeiro especial que o Bituca fez pra Rede Globo, era fim de ano, foi gravado numa cidade lotada, um espetáculo. Robertinho não pôde e me chamaram pra quebrar o galho. Eram poucas músicas, eram dez músicas no máximo, não tinha problema e eu fui. Fui só Deus sabe como. Eu fui mais por causa do Paulinho Carvalho, porque já tocava com ele e foi até ele mesmo que falou, deu até uma força, ele e o Wagner Tiso, e como eu estava entre amigos, não tremi muito nas bases (risos). Porque, pô, pra um cara que saiu de banda de baile de fundo de garagem, tocar com Milton Nascimento é um negócio meio complicado. Eu ia ver os shows do cara, comprava os discos, compro até hoje, vou até hoje, gosto muito. Mas aí eu fui, encarei a onça, fizemos um ensaio só, que foi à tarde, lá em Diamantina, no hotel mesmo, e tocamos. Eu também me dediquei bem. Quando eu fiquei sabendo da historia, uns dois, três dias antes, que o Robertinho teve um problema – eu não sei o que houve que ele não pôde vir –, eu peguei os discos e comecei a ouvir aquilo. Eu já ouvia, já sabia mais ou menos, mas me coloquei bem preparado pra tocar lá com os caras e deu certo. Dali eu continuei tocando com eles. Toda vez que o Robertinho não podia tocar, lá ia eu.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

Avaliação

Sinceramente, do Clube da Esquina eu prefiro todos. Sabe por quê? O Beto Guedes, além de ele ser um supermúsico, compositor etc., fabuloso, um dos maiores que eu conheço, é um músico criativo demais. O Beto, por exemplo, senta em uma bateria e toca, então ele me ensinou muita coisa. Ele sentava e falava: “Você tem que fazer assim, assado”. Aí com o Lô eu já aprendi outro tipo de levada, de relação mesmo com a música. Com o Milton já foi outra história. E o meu papa mesmo chama-se Toninho Horta, foi o cara que realmente falou assim: “Olha, você toca muito bem, você tem talento, mas você tem que botar isso dentro da música, você está jogando nota fora aí”. Puxou minha orelha. O Toninho pra mim é um deus (risos). Eu ainda toco com ele, já viajamos muito pelo mundo afora, inclusive no Japão, Moscou. É um negócio impressionante, eu não sabia que o nome Clube da Esquina era um negócio tão importante assim, é um absurdo realmente. No Japão, você não acredita – não só lá, mas eu não acreditava – você chega nas lojas e encontra tudo do Clube da Esquina. Começa por aí. Eu devo ter ido ao Japão faz uns seis anos e eu recebo cartas das pessoas agradecidas, até hoje. Quer dizer, isso é o Clube da Esquina, isso é Toninho Horta, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes.

Voltar ao topo MUSEU

Clube da Esquina

Eu acho importante, estou achando fabuloso, é de uma importância fora de série mesmo, ser um simples baterista e estar participando de uma entrevista tão bacana, a respeito de uma coisa tão seria que é o museu. Eu acho que a idéia é perfeita, façam esse negócio crescer mesmo, botem pilha mesmo, porque é o nosso troço grande aí. Eu sou agradecidíssimo ao Clube da Esquina de ter tocado com eles e de continuar tocando com eles, com esse povo genial com quem eu aprendi e continuo aprendendo até hoje. E a iniciativa é perfeita, estava até demorando (risos).
Eu gostaria de agradecer do fundo do coração a Deus, antes de tudo, pela oportunidade de ter tocado, trabalhado e participado desse movimento tão fantástico que é o Clube da Esquina. Eu quero agradecer a todos eles.

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