Regina Helena Paiva

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento.

Meu nome é Regina Helena Leone de Souza Paiva. Nasci em Monte Santo de Minas, em 21 de maio de 1946.

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Nome dos pais.

Meu pai é Gilberto Leone de Souza e Argentina Leone de Souza é minha mãe.

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Milton Nascimento

Eu sou de Monte Santo, me mudei para Três Pontas com 11 anos e daí logo a gente ficou amigo. O Bituca era um freqüentador da minha casa, porque minha casa era muito animada, a casa estava sempre cheia, muita música, apesar de não ter nenhum músico, mas lá era assim, brincadeira dançante direto. Então foi uma pessoa que freqüentou muito minha casa e eu a dele também, porque o Seu Zino foi meu professor, então a gente tinha muito contato com o Seu Zino e a Dona Lília.

ADOLESCÊNCIA
A juventude era animadíssima. Eram aquelas brincadeiras dançantes, coisa da época. O pessoal saía e falava: “Vamos fazer aquela brincadeira?”. Aí todo mundo se reunia em uma casa, punha música e dançávamos. Gozado, eu não me lembro de ter bebida, não era assim, entendeu? Era diferente, mas era um contato muito bom de jovens, muito legal.

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Milton Nascimento

O Bituca sempre estava lá em casa, sempre foi muito amigo meu, sempre foi. O interessante é que antes de ele ser alguém ele era como nós, então um dia eu brinquei com ele assim: “Olha, no dia em que eu casar você vai ser o meu padrinho de casamento”, porque, como o Marco falou, nós namoramos dez anos. Então o Bituca falou: “Regina, se eu for um artista famoso nacionalmente, eu trago um cantor nacional para o casamento. Se for internacional, eu trago um cantor internacional”. Quero dizer, aquela época já se falava em sucesso, já era uma coisa dele mesmo, uma estrela já batia mesmo. E as músicas que ele compunha, muitas delas ele cantava e eu ouvia. Ele levava o violão, eu sentava na sala e ele cantava, tanto é que quando as músicas ganhavam o festival, eu pensava: “Gente, eu já ouvi essa música”, mas ele já tinha cantado pra mim. Então são coisas muito legais que a gente tem na lembrança e são coisas muito importantes para nós.

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Casamento

Meu casamento foi em 1973. O Bituca não levou nenhum artista, mas foi ele de importante, precisava de mais algum? (risos). Inclusive, o povo todo riu demais, porque o Bituca não tinha essa preocupação de paletó, esse negócio todo, e ele estava todo de paletó no meu casamento. “Olha, o Bituca hoje está…”
O Bituca e a Dona Lilia foram meus padrinhos.

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Marcio Borges

Foi uma coisa muito interessante a primeira vez do Marcinho em Três Pontas. Até vou contar um negócio aqui. O Marcinho recebeu o título de cidadão de Três Pontas, e eu não sabia que era durante o dia porque foi um negócio meio extra-oficial, porque ele não podia comparecer no dia. Nós passamos na porta da câmara e o Marco falou: “Parece que o pessoal está aí”. Então eu falei: “Eu não vou descer”, porque eu estava caminhando, então eu estava com roupa de ginástica e ia ficar uma coisa meio desagradável, imagina, câmara, título de cidadão e eu com essa roupa. Eu falei: “Vai você, Marco, eu te aguardo aqui”. Aí o Marco foi, voltou e falou: “Regina, vamos sim, você vai ter que ir”. Falei: “Então vou ter que ir, vou me esconder lá no fundo”. Entrei e fiquei quietinha lá no fundo. Aí, quando o Marcinho fez o discurso, falou: “Olha, eu estou muito empolgado aqui hoje porque eu estou vendo diante de mim as pessoas que me receberam em Três Pontas”. Então eu pensei assim: “Eu fui praticamente enviada”, porque realmente eu não sabia que era naquele horário, quero dizer, eu teria ido a noite sim, mas naquele horário eu não fui para ir à cerimônia. Então foi um negócio muito interessante, achei lindo e maravilhoso, fiquei muito emocionada, porque nós o recebemos realmente a primeira vez que ele foi a Três Pontas, Marco, eu e o Dida. Ele e o Bituca chegando de ônibus, na época na rodoviária.

Milton Nascimento
Dessa época ficou um contato muito bom, o Marco sempre teve uma ligação maior, porque ele morou em Belo Horizonte e teve mais contato mesmo. O Marco, por exemplo, participava muito nos shows do Bituca, porque ele estudava fora, então ele ia sempre. Eu já não ia porque morava em Três Pontas e a gente ficava mais restrita. Mas então ficou uma coisa muito boa, uma amizade que a gente não se vê tanto, mas coisa de coração você nem explica, é um negócio muito bom.

Casamento do Bituca
Isso é muito importante mesmo, nós fomos padrinhos, eu inclusive ia trazer o convite, depois eu pensei: “Bituca até não gosta que se fale nisso”, então nem sei se vou falar. O casamento dele foi muito bonito, o Marco e eu fomos padrinhos e no dia do casamento foi muito interessante, foi na Tijuca e eu sei que estávamos na igreja e o Naná Vasconcelos estava com o berimbau e o pessoal da igreja falou com ele: “Olha, pode tocar sua musiquinha aí, mas calma”. Mas não deu outra, o Naná foi se empolgando e de repente a música encheu a igreja. Mas foi uma coisa maravilhosa, quem cercou o Naná, porque foi lindo demais, tocando “Sentinela”, que era uma das minhas músicas prediletas, maravilhoso.

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Sentinela, e Pai Grande.

É uma das músicas que eu mais gosto e eu gosto muito das antigas. Então, pra mim, é “Sentinela” e “Pai Grande” que são das mais antigas mesmo, não é?

Milton Nascimento
É um negócio inexplicável, porque de repente para nós é uma coisa simples. É inexplicável mesmo, porque você não vê a grandiosidade da coisa. Quando você para pra pensar, você fala: “Gente, onde o Bituca chegou?”. Mundialmente, é um negócio maravilhoso, reconhecido à beça. Os amigos que adquiri depois falam assim: “Vocês são amigos do Milton?”. Nós nos tornamos importantes para as pessoas também, que é uma coisa engraçada e a gente não vê a grandiosidade disso, você só vê quando você pára e pensa, porque realmente o Bituca… Nossa Senhora!

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Rio de Janeiro, São Paulo

Isso é muito interessante e muito engraçado, porque a família do Bituca e a família até da Dona Lília moravam na Tijuca e eu me hospedava demais na Tijuca porque eu tinha um tio que morava lá. Então eu passava muitas férias no Rio e muitas vezes eu estava na Praça Saens Peña comendo um doce em uma doceria e de repente chegava uma pessoa atrás de mim e gritava assim: “Três Pontas, eu te saúdo” (cantando). Eu olhava para trás e era o Bituca, muita coincidência. No Rio, uma vez, foi muito interessante, te contei, não é? Eu saí de São Paulo para ir ao Rio em uma peça de teatro. Chegamos lá e compramos o ingresso durante o dia. Chegou a noite, e quando eu estava na fila pra entrar, encontrei o Bituca. Aí foi aquela festa. Inclusive, estavam uns amigos meus que eu apresentei a ele e eles já acharam ótimo. Quando eu vou sentar, quem está do meu lado? Ele tinha comprado o ingresso outro dia talvez. O Bituca. Foi a época que ele conheceu o Denis Carvalho, foi numa peça de teatro, nós estávamos na primeira fila do teatro e aí os artistas o aplaudiam também.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Avaliação.

Tudo isso pra nós é muito importante, ainda mais eu que gosto de música, eu sou apaixonada, tenho uma facilidade incrível para captar música e tudo isso me emociona demais, entendeu? E foi interessante que dessa vez eu falei com o Bituca: “Bituca, sabe o que eu acho interessante em suas músicas? É que eu tenho facilidade incrível para guardar, mas as suas eu preciso ouvir uma, duas, três, quatro vezes para conseguir pegar a linha melódica da coisa”. E o Marco achou ruim comigo: “Regina, como é que você fala assim com o Bituca?”. E falei “Uai, pra mim isso é um elogio”, porque essa música é uma música clássica, erudita, porque realmente você não ouve uma música clássica e capta de primeira. A música do Bituca soa pra mim exatamente assim, e acho que não fui eu a primeira que falei isso pra ele, porque parece que ele já ouviu isso de outras pessoas.

Voltar ao topo FESTIVAIS

Festival de Três Pontas

Foi o Woodstock (risos), mais ou menos isso? O Woodstock Trespontano (risos). Isso foi um negócio maravilhoso, inclusive um dos organizadores foi o Marco. Foi muito espetacular, muitos artistas e o Bituca. Eu, inclusive, estava de resguardo, tinha tido meu segundo filho fazia poucos dias, mas não podia perder de jeito nenhum. Fui pra lá. Foi no Paraíso, numa fazenda, num lugar maravilhoso. E eles ficaram tão empolgados com aquela situação ali que acho que eles extrapolaram um pouquinho na bebida, então foi uma loucura. Quem segurou as pontas ali foi o Gonzaguinha, porque o Bituca com o Chico não saíam daquele refrão “O que será que será” (risos), acho que não dava pra sair de tão empolgados que eles estavam, foi um negócio emocionante.
A cidade parou, tinha mais de dez mil pessoas, tinha gente da Bahia, tinha gente de todo lado. Foi um acontecimento mesmo.

Milton Nascimento

O Bituca era muito interessante, ele ia muito lá em casa. Eu já era casada, com filhos e tudo, e a primeira vez que ele foi para os Estados Unidos ele me escreveu uma carta, inclusive eu tenho a carta. Gozado, a gente já sentia, eu tenho todas as coisas guardadas, parece que já é uma coisa mesmo, não é? Então ele escreveu pra mim: “O marzão daqui é sagrado que nem o daí mesmo” (risos). Ele me escrevia muito, me mandava cartão, era muito interessante. E tomava muito banho de piscina lá em casa, muito, então os meninos até brincavam, porque ele se esticava para tomar sol lá: “Por que será que ele quer queimar mais, mamãe?”. Porque as crianças eram pequenas (risos), ai era muito bom!

FORMAÇÃO MUSICAL
Clube da Esquina: Museu

Estou emocionada. Eu acho muito importante participarmos desse encontro com vocês e estou feliz, muito feliz. Então, já até falei com o Seu Zino, porque outro dia mesmo eu estive no fã-clube Milton Nascimento e falei: “Seu Zino, eu tenho algumas coisas aqui que até acho que valeria a pena colocar em um quadro e colocar aqui”. Algumas cartas, por exemplo, que são coisas interessantes, sabe? O convite de casamento, que, aliás, está escrito atrás “Não esqueça que vocês são os padrinhos”, sabe? Eu nem sei se ele tem esse convite, é capaz de ele não ter, mas eu tenho. Aliás, foi meu pai quem guardou (risos).Pra mim foi muito importante estar com vocês, ter sido convidada por vocês. E obrigada.

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