Robertinho Brant

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, data e local de nascimento.

Meu nome é Roberto Lúcio Rocha Brant Filho. Nasci em 1967, dia da sorte no mês de agosto, 13 de agosto de 1967, em Belo Horizonte.

Família
Pais

Roberto Lúcio Rocha Brant e Ana Maria Amorim Brant.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de infância

A ligação com a música é muito grande. Desde muito cedo eu ouço falar que a família inteira ouve muita música, os irmãos todos e o meu pai sempre ouviram muita música e isso se agravou mais, entre aspas, depois que o Fernando conheceu o Milton. Aí, com o conhecimento do Milton, do Lô, do Beto, desse povo todo, a música entrou de vez na casa dos meus pais, dos meus avós, na verdade, na época. Então desde muito novo eu ia muito à casa dos meus avós e eu sempre ouvia os discos que estavam saindo aqui de Minas, da música brasileira ou mesmo da música americana, que chegavam lá ou por intermédio do Fernando ou até do meu pai, que é o irmão mais velho da família. E desde muito cedo, quatro, cinco anos de idade, eu ouço música, porque meu pai tinha e tem o hábito de ouvir música um pouco mais alto do que o normal e eu então ouvia do meu quarto, antes de dormir, as músicas que ele sempre ouvia às noites a aos fins de semana. Desde muito cedo tive o privilégio de ouvir muita música boa, dos grandes discos americanos até os grandes discos de música brasileira. Eu me lembro muito das músicas americanas, músicas do Burt Baccarach – meu pai ouvia sempre um álbum dele –, Simon & Garfunkel também ele costumava ouvir e eu gostava muito, Beatles e a música aqui de Minas Gerais, em especial a música que o Milton, o Lô, o Beto, o Toninho faziam. Desde muito cedo eu ouvia esses discos quando eles estavam saindo, na época áurea de 1971, 1972, depois 1979, então isso ficou na minha cabeça completamente.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Iniciação musical

Só comecei a pensar no lance de me ver como músico aos 12, 13 anos, quando o Milton com o Wagner Tiso fizeram uma escola de música aqui em Belo Horizonte, a Escola Livre de Música Minas. E como o Milton é o padrinho da minha irmã Marcela e a gente sempre teve uma relação – eu o considero como meu tio também –, a gente resolveu entrar, mas muito mais por solidariedade. “Vamos entrar nessa escola pra gente ficar mais perto dele, o Bituca deve estar lá de vez em quando, aí a gente vai poder vê-lo.” No primeiro ano, me lembro que eu era um dos alunos menos aplicados da escola. Mas a partir do segundo ano a ficha caiu, eu não sei o que é que me deu que eu comecei a estudar e comecei a levar mais a sério e isso aconteceu de tal forma que eu fiz a Marcela sair da escola. Eu comecei a estudar violão na minha casa por 20 horas e ela ficou até enjoada de me ver tocando e saiu. Mas ela era muito melhor aluna no começo, muito mais aplicada e disciplinada do que eu, mas acabou saindo da escola e eu continuei. Depois eu montei grupo com alguns músicos que hoje são músicos da cidade, compositores como Flávio Henrique, o André Queiroz, que é o Limão, um baterista da cidade, mais o Serginho Silva, percussionista, eles todos começaram junto comigo em grupos de 1981, 1982 mais ou menos. Daí a gente começou, eu fazia as músicas, o Flávio tocava baixo, o Serginho tocava as percussões e o Limão, bateria. E logo em seguida, o que me fez mesmo ter certeza que a música não ia mais sair da minha vida foi um seminário que aconteceu em 1986 em Ouro Preto, Seminário de Música Instrumental Brasileira. A gente ficou lá o mês de julho inteiro. Vieram músicos do sul, do norte, eu tinha 17 anos mais ou menos e naquele mês inteiro de música eu tive certeza que a música não ia sair mais da minha vida.

Formação Musical
Seminário de Música Instrumental

No seminário de 1986, eu já tinha 17 anos. E na verdade eu esqueci de dizer também que dos 15 aos 17 anos, de 1984 até 1985, 1987, eu devo ter ouvido mais ou menos de quatro a cinco horas de música por dia e entre essas quatro ou cincos horas, no mínimo quatro, eu ouvia musicas do Lô, ou do Beto, ou do Milton, ou do Toninho. Então foi na adolescência que eu realmente embarquei de cabeça na música do Clube da Esquina e ela me influenciou até hoje e é uma matéria-prima que eu ainda vou usar pelo resto da minha vida. Mas em 1986 eu fui para Ouro Preto para esse Seminário de Música Instrumental e junto comigo foram todos os músicos ou os que pretendiam ser músicos como eu, que tinham entre 16 e 17 anos – e até quem tinha 20, 22 anos. Eram quase todos jovens e lá a gente esbarrava com música o tempo todo no meio da rua. Nessa época não houve o Festival de Inverno, nesse ano houve só um festival de música instrumental mesmo. A gente encontrava lá Dori Caymmi, Hermeto Pascoal, os músicos todos, Arthur Maia, Rick Pantoja, Zimbo Trio, havia shows e workshops todas as noites. O Dori Caymmi, eu me lembro muito bem, foi pra lá para ficar dois dias e ficou 15, e a gente teve a chance de ficar com ele quase todas as tardes. Ele ficava no final da tarde depois das aulas fazendo som, tocando as músicas dele e a gente cantava para o dia acabar e a noite se iniciar. Isso foi inesquecível, ele ficou muito emocionado também com aquele clima de interesse dos jovens todos pela música. Esses 25 dias lá foram inesquecíveis pra mim e para a maioria dos músicos de Belo Horizonte da minha geração que hoje continuam como músicos. Talvez tenha sido um marco importante na vida de todo mundo. Acho que talvez eu até faça um disco instrumental – eu não tenho um disco solo instrumental – em 2006, em homenagem aos 20 anos do seminário.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

avaliação

A música brasileira passou a ter um caráter internacionalizado depois da década de 60, com a bossa nova. O Caetano e Gil falam muito isso, porque houve esse aspecto antropofágico, os compositores da música brasileira desde Tom Jobim ouviam música americana, inglesa. Então a música brasileira pegou essas influências, e isso a faça talvez uma das mais importantes do mundo porque ela decodificou essa música que veio do mundo inteiro com mais a música que era natural daqui. O Clube da Esquina trouxe esse aspecto quando ele aparece. Para começar, eu acho que quando o Milton Nascimento apareceu, modificou completamente os padrões, os parâmetros de composição que tinha na época. Até o Tom Jobim, que talvez seja o nosso maior compositor de todos os tempos, ficou alguns anos sem compor depois de ouvir algumas músicas do Milton porque aquilo chocou ele. Depois ele voltou a compor em 1973, 1974, aqueles discos maravilhosos que ele fez com Claus Ogerman, já descolados um pouco daquele início da bossa nova. Isso é a música do Milton, depois chegaram o Lô e o Beto com as influências dos Beatles, do Crosby, Stills, Nash & Young, da musica folk americana. Eles eram mais jovens e fizeram o Milton ouvir um pouco dessa música. Ele já devia ter ouvido, mas ouvia também muita música francesa e russa erudita do final do século passado e outras coisas. E talvez eles juntos tenham feito a música daquela época que mais tenha se preocupado com a questão musical mesmo. Porque a gente estava vindo da bossa nova 10 anos antes, uma música que realmente tinha chegado no mundo, e depois veio a contra-bossa-nova, que seria o Caetano e o Gil mostrando que a música aqui no Brasil não era só bossa nova, violão e tal, mas era um movimento muito mais de contracultura, de mostrar que a guitarra também tinha que entrar, que existiam outros aspectos, outras manifestações musicais no país, ou sociais. O Clube da Esquina apareceu com esse comprometimento de se aprofundar na música, porque eles conseguiram uma identidade muito forte mesmo sendo muitos músicos juntos. São muitos cantores e compositores, mas você sente que a música deles todos tem um elo em comum que faz com que eles se agrupem nesse movimento que se chamou Clube da Esquina. Por volta de 1974, o Wayne Shorter, que já era na época um dos maiores músicos do mundo, chamou o Milton para poder gravar um disco com ele e as pessoas de fora ficaram alucinados com o que estavam ouvindo naquela época, o “Clube da Esquina 1”, os outros álbuns, o “Minas”, a presença do Lô e do Beto na carreira do Milton, a guitarra do Toninho, o Wagner Tiso. Aquilo era novidade para o mundo inteiro e eles conseguiram fazer uma música inteiramente brasileira, com uma identidade brasileira, com letras em português. Eu acho que foi extremamente importante para acontecer 10 anos depois o movimento de rock nacional, foi matéria-prima para todos esses roqueiros da década de 80. É matéria-prima até hoje para quem quer fazer música brasileira sintonizada com o mundo, pra quem quer fazer uma música de qualidade. Se a pessoa não voltar os olhos para o que o Clube da Esquina fez naquela época, vai realmente perder uma parte riquíssima da música que se fez aqui no Brasil e corre o risco de ficar na superfície, de ficar só nos novos meios, nas novas formas, sem renovar o conteúdo. Porque nem imaginávamos que chegaríamos nos anos 2000. A gente não sabia se ia ter robô voando, o que ia acontecer. Na verdade não mudou quase nada, os anos continuam passando de ano em ano, mas na música se fez quase de tudo. Então se você não for voltar aos verdadeiros mestres, caras que fizeram alguma coisa de importante na música, você não tem como renovar nada. Então eu acho que para a gente aqui de Minas Gerais isso é mais forte ainda. A gente que hoje se considera compositor tem a obrigação de dar continuidade à qualidade da música brasileira. É importantíssimo a gente olhar para trás e saber que esses caras fizeram tantas músicas com tanta seriedade, com densidade e ao mesmo tempo com espontaneidade, porque música não é uma coisa séria como a Medicina, como o Direito, música é uma coisa que tem de ser feita com o coração. Então você tem que aliar o foco com a seriedade de fazer aquilo com o corpo inteiro, a cabeça, o coração, e ao mesmo tempo de estar fazendo aquilo como se estivesse fazendo a coisa que mais gosta. Então eu acho que o Clube da Esquina é uma referência que não vai ser esquecida tão cedo, muito pelo contrário, acho que a cada dia eles se tornam mais importantes, o tempo vai fazendo com que eles sejam colocados no lugar certo dentro da história. As coisas boas o tempo ajuda, as coisas ruins o tempo apaga. Os compositores que a gente ouviu, o Nelson Ângelo, o Novelli, fora os quatro mais conhecidos, que são Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes, os grandes letristas da época, que são Marcinho Borges, Ronaldo Bastos e Fernando Brant, até hoje continuam fazendo muita música. Agora, esses que eu já citei, que fizeram o Som Imaginário, mais o Fredera, o Luiz Alves, o Wagner Tiso, o Nivaldo são um conjunto de pessoas que realmente elevaram a música mineira a um outro nível. E até hoje a gente busca entender de que maneira eles conseguiram chegar nisso daqui de Belo Horizonte, mas voltando para trás a gente sabe que eles viveram intensamente aqueles anos, os anos dourados do Clube da Esquina, da década de 70 até a década de 80. Depois veio o rock nacional, mas eles continuaram fazendo música, como vão continuar… Mas naqueles anos eles fizeram a música que acho que talvez seja uma das grandes músicas de referência da música brasileira para este século inteiro. Estamos no comecinho do século ainda, mas acho que isso vai ser confirmado a cada ano que se passar neste século.

Formação Musical
Parceiros

Mais tarde, aos 22, 23 anos, no início da década de 90, eu senti necessidade de fazer um disco com as minhas músicas. A gente tem essa cultura aqui em Belo Horizonte de carreiras individuais apesar de a gente trabalhar muito em grupo. Então eu acabei fazendo um disco em 1993, inaugurando a parceria com o Fernando, que por coincidência fez a letra que o iniciou nos terrenos da música, com o Milton, em 1967, no ano em que eu nasci. E 22 anos depois a gente compôs umas cinco ou seis músicas juntos. Depois eu compus com Murilo. E nesse disco eu tive a oportunidade e a graça de chamar e de ter ao meu lado o próprio Bituca, o Beto Guedes, o Toninho Horta e o Boca Livre, que era um grupo também influenciadíssimo pelo Clube da Esquina. Então eu tive uma sorte enorme, apesar de isso ter me colocado uma responsabilidade enorme nas costas. Eu não sou exatamente um grande cantor e a música mineira não é conhecida por grandes cantores e sim por grandes criadores e grandes compositores e por sorte a gente teve o Milton Nascimento para interpretar as mais lindas canções que se fizeram aqui, e a Elis Regina também, que realmente amava a música de Minas Gerais. Fiz essa música nessa época e depois mais tarde fiz outras canções com o próprio Marcinho Borges e também com outras pessoas que estavam chegando. O Fernando e o Murilo Antunes são os dois com quem eu mais fiz música, não tenho muito o que dizer a mais do que eles já dizem nas músicas. O Fernando já fez mais de 120 canções com o Milton, com o Lô e com o Beto. O Murilo também com o Flavinho. Na verdade, eu fico imaginando que maravilha que deve ter sido essa época, esse mundo de gente com os mesmos interesses, vendo os filmes que chegavam, os discos que chegavam, fazendo músicas, trocando idéias. Hoje, o mundo é um pouco mais individualista, as coisas são um pouco mais difíceis. A gente tenta reproduzir à nossa maneira, e conseguiu aprender um pouco. Porque todo mundo fala do Clube e as pessoas confundem com uma coisa que tem uma portaria que se abre e que se fecha. Na verdade, o Clube é uma coisa totalmente aberta, não tem cerca. O Clube foi um ponto de encontro, um ponto de convergência das pessoas que tinham o mesmo interesse, que era o de fazer música brasileira. Tanto assim várias pessoas de fora se juntaram ao pessoal de Minas Gerais, que são a origem deste movimento. O Naná Vasconcelos, que é de Pernambuco; os do Rio que vieram, Ronaldo Bastos, Robertinho Silva; depois, no “Clube 2”, o Chico entrou. Foi um movimento brasileiro que teve a origem em Minas também. O Dori, o Boca Livre, todos estes são parte do Clube da Esquina. Então é um movimento que está sempre de braços abertos para quem deseja fazer música boa e fazer esse compartilhamento das idéias, que foi uma coisa que sempre pautou a agenda do Clube da Esquina desde quando os primeiros caras se encontraram, que talvez tenham sido Marilton e Bituca numa esquina dessas aí da vida. Depois disso acho que foi o encontro pela música, pelo amor que une as pessoas que amam a música.

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Clube da Esquina

Achei sensacional. As pessoas têm uma idéia de museu como uma coisa de guardar o que já foi feito lá atrás, ou há cinco anos ou há 1.000 anos ou há 200 anos, mas eu não vejo o museu dessa forma. Na verdade existem várias formas de museu e essa do Museu Vivo foi uma forma interessantíssima de se criar alguma coisa em torno do que o Clube da Esquina significou, representou e fez. Na verdade, o Brasil é um país que esquece muito das coisas que acontecem, então o Clube da Esquina é talvez um movimento muito mais reconhecido internacionalmente do que aqui no Brasil, pelos grandes músicos e críticos do mundo. E as pessoas, como eu já tinha dito, tinham muito mais interesse em fazer música, muito mais do que qualquer outra coisa, então se falou muito pouco sobre o que se fez no Clube da Esquina. E se escreveu muito pouco. O primeiro livro importante que fala sobre o Clube é o do Márcio Borges, de alguns anos atrás. Então esse ponto de convergência das informações, das pessoas interessadas, do resgate dos discos, do material todo que existe guardado do Clube da Esquina, até como fonte para novos compositores (a música do Clube da Esquina é muito diferenciada, é muito particular, não é fácil de você ouvir e tirar todos os acordes) vai realmente fazendo com que a música se democratize mais e as pessoas possam entendê-la um pouco melhor, os músicos possam ter uma fonte mais real do que foi o que Clube da Esquina, como eles lidavam com a música, como eles faziam as melodias, como eles harmonizavam. Realmente é uma coisa a ser decifrada. Eu ouço Clube da Esquina há 25 anos e descubro algo novo a cada vez que eu ouço de novo uma canção, cada vez que toco, que eu tiro, que eu vejo o Toninho. Eu tenho a oportunidade de estar do lado dessas pessoas, então eu vejo os acordes que eles fazem. A pessoa que mora fora daqui não pode. Então eu acho que esse princípio do Museu Clube da Esquina nesse últimos dois anos – não sei há quantos anos que o museu existe – é o início importantíssimo da reunião de todas essas coisas para o futuro, para quem quiser, para pessoas que têm o interesse em pesquisar também e que não tinham o acesso a esses músicos. A coisa era também muito desorganizada, porque cada um está ainda fazendo a sua carreira, com todas as dificuldades e tudo. Então eu louvo muito a isso que o Márcio está fazendo, de reunir, de chamar as pessoas, enquanto elas estão vivas e fortes, saudáveis e criativas, para que elas falem sobre o que fizeram, fazem e o que vão fazer ainda. Eu, que desde novinho os tenho como ídolos, me sinto honradíssimo de ser um sócio, um associado, um amigo e parceiro do Clube da Esquina e de ser chamado para dar o depoimento a respeito, porque tudo que eu falar aqui vai ser pouco ainda em relação à importância que a música que eles fizeram tem e teve na minha formação, no fato de eu hoje ser músico e não duvidar dessa minha opção e me sentir na condição de estar na música para sempre, sem nenhum tipo de questionamento sobre essa opção. Porque a opção da música no Brasil é muito corajosa, não é simples, não é fácil você falar: “Sou músico, vou ser músico”, independentemente do que acontecer. Mas eu acho que eles me pegaram fundo, a mim e a muitas outras pessoas aqui de Belo Horizonte do país inteiro, com a música que eles fizeram, então é uma honra muito grande estar aqui participando. E ainda durante muitos e muitos anos, meus filhos, se eu os tiver, vão estar visitando sites e o local onde o museu vai ser inaugurado daqui a algum tempo. Vai haver esse local material, eu sei, e acho que é o princípio só, mas já vem tarde, porque já tem mais de 30 anos de música diária, de música sendo respirada e feita. E o tempo passa rápido. Então eu fico super-honrado.

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