Roberto Vieira de Carvalho

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome/Local e data de nascimento

Meu nome é Roberto Vieira de Carvalho. Sou nascido em Ubá, em 22 de junho de 1953.

Voltar ao topo TRABALHO

Atividades profissionais

Eu fiquei em Ubá até os 18 anos. Cheguei em Belo Horizonte em 1971, onde estou até hoje. Como não tinha perspectiva lá, eu vim para estudar e trabalhar. Aqui em Belo Horizonte eu mexi muito em comunidade de base de igreja; depois comecei a mexer com movimento popular. Também ajudei a fundar o PT e comecei a participar da luta sindical. Sou funcionário da UDR, então militava muito no movimento sindical dos servidores públicos. Ajudei a fundar a CUT e, posteriormente, acabei sendo candidato a vereador. Fui vereador aqui em Belo Horizonte durante três mandatos e estou como deputado estadual.

Voltar ao topo CLUBE DA ESQUINA

Avaliação

Eu conheci o Clube da Esquina pela música mesmo. Eu comparo o Clube da Esquina com Liverpool, com os Beatles. Lá em casa tenho um filho de 21 anos e ele é apaixonado pelos Beatles e pelo Clube da Esquina. Tem todos os discos. Eu acho que é um movimento que ultrapassa todas as nossas fronteiras. Posteriormente eu conheci o Marilton, em função do movimento sindical. Infelizmente, quando o Newton Cardoso tornou-se Governador do estado, todo o pessoal que estava numa fase fantástica da Rádio Inconfidência foi demitido. Inclusive o Fernando Brant era diretor da Rádio Inconfidência. E ele demitiu todo mundo que pensava ali. E o Marilton também participava e era da Diretoria do Sindicato. E o Sindicato inteiro foi demitido. Eu era presidente da Coordenação Sindical e lá travei uma amizade com o Marilton, em função dessa luta. Mas a relação é realmente com a música do movimento do Clube da Esquina.

Voltar ao topo DISCOS

“Clube da Esquina”

O primeiro vinil que chegou na minha mão foi aquele álbum duplo, que é fantástico. Eu acho que a música é perfeita quando a letra casa com a música e diz uma mensagem. Eu acho que o Clube da Esquina é a síntese, em Minas Gerais, do nosso poder de criação. Então eu já estava acompanhando todo esse processo, essa trajetória.

Voltar ao topo PESSOAS

Dona Helena Greco

Muitas músicas marcaram minha história pessoal. Mas eu acho que aquela: “Nada será como antes e nada foi” é uma dessas muitas músicas que fazem parte da vida da gente. Eu lembro que nós fizemos na Assembléia Legislativa, quando eu estava como Deputado, uma homenagem a Dona Helena Greco, e eu que fui o autor da homenagem, em função daquelas lutas todas das Diretas, da Anistia, da redemocratização do país. E a homenagem toda nós fizemos com as músicas do Clube da Esquina. Ao invés do discurso, eu coloquei as músicas que simbolizavam, eu acho, toda a angústia e, ao mesmo tempo, a esperança do povo brasileiro. Então, ao invés do discurso, eu fui colocando as músicas, porque discurso de política normalmente é muito cheio de clichês

Voltar ao topo EVENTOS HISTÓRICOS

Diretas Já

O pessoal do Clube da Esquina esteve muito presente na campanha das Diretas Já. O Brasil começava a romper com o cerco daquele período de trevas que a gente viveu. E realmente todo mundo – o Márcio, o Lô Borges, o Milton, todo mundo do Clube da Esquina – participou. E eu participei de todos os momentos, não só das Diretas, mas depois de outros momentos da vida brasileira.

Diretas Já
Dona Helena Greco é uma das nossas fundadoras do PT. Foi a primeira Vereadora, em Belo Horizonte, do Partido dos Trabalhadores. Ela também foi Presidente do Comitê Mineiro da Anistia, uma das representantes nacionais da Anistia. E o Clube da Esquina vem daquela época, daquele massacre que nós tínhamos com a Ditadura, e as gerações mais novas hoje não têm uma dimensão do que nós sofremos naquele período. O fato de você não poder se reunir, não poder se expressar… Quantas músicas censuradas! Então a Dona Helena foi aquela figura com muita garra, com muita firmeza e com muita serenidade, num momento tão cruel que a gente viveu no país. Ná época, os militares – e até parte das forças que lutavam contra a ditadura – não acreditavam que a mobilização popular pudesse fazer com que nós apressássemos o fim do regime. E eu lembro que naquele comício em Belo Horizonte, o grande comício que nós fizemos ali, em frente à Praça da Rodoviária, você via a avalanche do povo e essa esperança de poder mudar nosso país, que não pode morrer nunca. E eu acho que todo pessoal nosso, que formou o Clube da Esquina, é algo vivo. Não é algo que passou. Por isso eu acho que essa idéia do museu é fantástica. É o museu vivo. Aquilo que nós imaginávamos e que as músicas do Clube da Esquina retratavam, nós ainda vamos fazer, mas no Brasil vai demorar muito ainda pra gente concretizar aqueles sonhos. Mas esses sonhos não morrem. Então eu lembro que, na época, parte da imprensa não divulgava o comício para o movimento não crescer, mas aquela avalanche humana, para mim, é uma das coisas mais emocionantes que eu já vi ali.

Voltar ao topo LOCALIDADES BELO HORIZONTE

Santa Tereza / Bar do Seu Válter

Belo Horizonte é uma cidade singular. O nosso prefeito, Fernando, gosta de falar que é uma cidade inventada. Santa Tereza é um bairro peculiar. Eu freqüento muito Santa Tereza, mesmo não morando lá. Santa Tereza é a síntese, não só da cultura, mas do encontro. É um bairro que eu freqüento assiduamente. No boteco do Seu Valter já encontrei com o Marilton e outros que aí freqüentam. O bar do seu Valter é chamado lá de Clínica Santa Genoveva. É um dos melhores bares. O seu Valter é aposentado com mais de 50 anos de bar e todo dia está lá. Ele abre o bar às 10:00 da manhã e fica até às 11 da noite, pelo prazer de encontrar as pessoas. Eu acho que aqui em Belo Horizonte a gente vive esse prazer de encontrar as pessoas. Muitas pessoas que vem de fora encontram aqui esse ambiente de hospitalidade. E assim como o Clube da Esquina é essa síntese cultural e internacional de uma música de qualidade reconhecida no mundo inteiro, o bar do seu Valter é o lugar do encontro daqueles que gostam da boa convivência. O bar do seu Valter é aquele bar o mais simples que existe, com o melhor tira-gosto que existe, que ele mesmo faz, porque ele não tem funcionário. É ele e o filho dele no fim de semana. Nós até fizemos uma homenagem a ele, da qual eu fui autor, dando título de Cidadão Honorário a ele. Nós fechamos a rua e fizemos a homenagem lá na rua mesmo, em Santa Tereza. Foi a primeira vez que a Câmara se deslocou para dar o título na rua. Então lá é o seguinte: é pequenininho, é pé de porco, rabada, aqueles mais legítimos tira-gostos que nós temos. E o tempero dele é inigualável! (risos) Você pode ir lá para ver que coisa extraordinária.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina: Museu

O Brasil, por muito tempo, negou os seus próprios valores, porque as nossas elites sempre viveram de frente para a Europa e para o chamado Primeiro Mundo, negando os valores autênticos. Eu fui autor da Lei Pró-Cachaça. Fui eu que a fiz. E na época eu falava o seguinte: a cachaça é uma bebida popular, que nasceu a partir dos escravos. A cachaça, o samba e a feijoada são coisas genuinamente nossas. Então nós temos que valorizar a nossa cultura. E nós, belo-horizontinos, temos que valorizar o que é nosso e divulgar – não só valorizar, mas também divulgar. Por isso eu acho fantástica essa idéia da criação do museu, porque é um museu vivo. Eu acho que nós, em Belo Horizonte, produzimos uma música de qualidade fantástica. Hoje nós temos artistas espetaculares aqui, que têm condições de serem reconhecidos pelo mundo. E eu tenho certeza que a idéia do museu é não só resgatar parte da nossa história, mas também divulgar o que nós temos de bom. Eu acho que esse é o caminho. Um país que não valoriza a si próprio, não conhece e não preserva a sua memória, não tem futuro nem perspectiva. Eu acho que iniciativas como esta mostram que o Brasil tem jeito e que nós vamos fazer desse país um país extraordinário como ele é e precisa ser na realidade.

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