Sérgio Magrão

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Voltar ao topo Identificação

Nome, data e local de nascimento

Meu nome é Francisco Sérgio de Souza Medeiros, nasci no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1950.

Voltar ao topo Família

Nome e descrição da atividade dos pais

Teófilo Salim, o pai, e Vanda de Souza Medeiros, minha mãe. O meu pai era comerciante e minha mãe costureira.

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Iniciação Musical

A história é interessante, porque minha mãe se separou logo do meu pai. E ela veio a se casar novamente, duas vezes, porque o primeiro marido faleceu. E, enfim, foram dois padrastos que eu tive ao longo da minha vida e todos os dois músicos. Minha mãe era musical. Então, ela foi muito interessante para a gente, porque o segundo casamento dela, depois que ela se separou do meu pai, era um músico que tocava com o Gonzagão, no trio do Gonzagão. Era o Zequinha, que era o meu padrasto, que tocava triângulo e era considerado na época o Rei do Frevo. Era o Gonzagão tocando e mais, eu não me lembro do nome, não quero falar errado, mas acho que era Catamilho o apelido dele, que era o que tocava zabumba. Então nessa fase da minha vida, assim, sei lá, dos oito, nove anos, a gente ia muito aos ensaios. Nessa época, o Gonzaguinha pequeno ainda, tocando violão nos cantos, que já fazia um outro tipo de música, mas estava sempre. E eu cresci ouvindo isso, então foi a minha primeira informação. Aí, já mais para frente, acredito que com uns 19, 18 anos, mais ou menos, faleceu esse outro padrasto meu e minha mãe veio a casar com um trompetista que tocava com o Roberto Carlos. E foi ele que me iniciou, mesmo, na música. “Você quer ser músico, então você tem que aprender música”. E era um negócio que eu ficava meio que rejeitando, porque eu queria tocar, eu não queria saber de ler, de não sei o quê. Mas, de qualquer maneira, ele me encaminhou bem para essa história toda, me colocou em um curso, me ensinou também muita coisa. Era o Edgar Cavalcante, o apelido dele era Barriquinha, ele tocou muito tempo da orquestra da Globo, tocou também com o Roberto Carlos um bom tempo, no começo da carreira dele. Ele também veio a falecer mais tarde. Esse pessoal todo já partiu para uma melhor, mas foram pessoas muito importantes na minha vida. E também nessa época do Barriquinha, eu conheci Beatles. Aí que foi a vontade mesmo de ir para o palco, de tocar, de assistir sei lá quantas vezes o Help, Reis do Yê Yê Yê para anotar acordes, enfim. E aí foi…

Formação Musical
Primeiras Bandas

A primeira banda veio nessa época que era os Elétrons. Era uma banda de baile, que tocava de tudo, tocava Beatles, tocava música brasileira, enfim, tocava tudo. E é uma experiência muito interessante a coisa do baile, porque como você toca vários tipos de música, então você aprende, é uma escola fantástica. Você aprende bastante coisa, até você pegar o teu caminho.

Formação Musical
Primeiros Instrumentos

Eu toquei três instrumentos. Primeiro, eu comecei a tocar guitarra, violão, por incrível que pareça acontece muito em algumas famílias, da família não incentivar muito isso, músico, ainda mais naquela época. Naquela época era muito difícil. Mas pelo contrário, minha mãe me incentivou muito e me deu a minha primeira guitarra e meu primeiro amplificador. Que era uma guitarra Sonic e um amplificador Ipame. Isso eu me lembro bem, foi uma loucura. A hora que eu cheguei em casa e vi aquilo lá só faltei desmaiar de alegria. Então ela me incentivou muito, mas ao mesmo tempo que me incentivava, meu padrasto falava assim: “tem que ler”, porque tinha aquela coisa de guitarra, de som estridente, não sei o quê. E aí foi assim, a partir daí a gente teve essa primeira banda. Depois eu parti para a bateria. Bateria eu tocava bem, eu tinha assim, um swing legal, não sei o quê, mas não tinha resistência física. Tanto é que o apelido Magrão é porque eu era muito magro. Eu cheguei a pesar 42 quilos com um metro e setenta e poucos, era um negócio… Eu tenho fotos assim, vou até te mandar uma foto, mas não é para publicar não. É só para você ver. De lado parece um traço. Eu não tinha fôlego para agüentar, era baile, não era show. Show de uma hora, uma hora e vinte você agüenta, mas baile eram cinco horas, quatro horas, com pequenos intervalos, então não agüentei. Nessa época, eu toquei em uma banda chamada New Generation, que era tudo com nome em inglês na época, não sei por que, mas enfim, era assim. Até que eu descobri o contrabaixo. Que eu acho que o contrabaixo é um grande amigo da bateria, os dois fazem parte da cozinha. Então foi aí, a partir do momento que eu conheci o contrabaixo, que eu me apaixonei por ele e estou até hoje.

Formação Musical
Profissionalização / O Terço

A gente tocava muito em baile. A gente tocava em um lugar chamado Associação Atlética Bento Lisboa, que é no Catete, que lá era o point da gente na época dessas bandas de baile. Tocava muito no Flamengo, na piscina, enfim, no Fluminense também, que chamava Sorvete Dançante… eu não me lembro se era sorvete, alguma coisa assim. Era um horário mais cedo, para a garotada mesmo. Ou, então, no interior, a gente tocou muito no interior, em baile, essas coisas. E aí vai. No repertório tinha Beatles, tinha muita música instrumental, The Ventures, que era aquele solo de guitarra. Tinha música brasileira, bastante, tinha de tudo. A gente tocava muita coisa, muita coisa da época, as músicas que rolavam na época, as músicas estrangeiras também. Bastante coisa.
Depois dessa fase de baile, eu fui servir exército. Não tinha outro jeito, fui servir exército. No exército, o que eu fiz? Como não queria pegar em arma, como tinha essa coisa de músico, eu fui para a banda. Eu consegui me infiltrar na banda, porque nos ensaios da banda eu comecei a tocar aquele bumbo, saí fora porque era pesado, peguei uma caixa. Como já tinha experiência de bateria, eu tocava caixa. E ali quando o sargento virava as costas, virava escola de samba. Ele vinha correndo dando o maior esporro na gente; ele virava as costas, escola de samba de novo. Juntava a turma toda. Era até uma coisa bem divertida, a gente chegou até a conseguir colocar uma banda dentro do Forte Copacabana para ensaiar, banda de rock, era um escândalo. Até que o comandante um dia acabou com a festa. Geralmente se ensaiava quando ele saía. E, a partir daí, quando eu saí do exército, o que aconteceu? Eu passei a trabalhar com O Terço, mas como técnico de som do O Terço. A gente fez várias viagens para Brasília e numa dessas viagens, a gente foi fazer o festival de Juiz de Fora. Era um festival grande e quem ganhasse aquele festival, estava automaticamente classificado para o Festival Internacional da Canção, que era no Maracanãzinho. Que eram aqueles festivais maravilhosos que aconteciam na época. Então, o que aconteceu? Eu estando lá para fazer o som do O Terço, no caso. O Terço nessa época era o Jorge Amiden, César de Mercês, Sérgio Hinds, ainda não era essa formação com o Flávio Venturini, do disco Criaturas da Noite, que a gente estava falando. Então apareceu o Sá, o Tavito e o Zé Rodrix. Ainda não existia o Sá, Rodrix e Guarabyra. Eram os três que estavam defendendo uma música chamada “Casa no Campo”, que veio a ser um grande sucesso depois. E o baixista tinha faltado. O baixista estava doente, ficou no Rio, eles estavam desesperados para se apresentar, era naquele dia mesmo. Eu chego lá, já não me lembro se foi o Sérgio Hinds, se foi o Jorge Amiden, mas alguém disse: “Pô, o Magrão é baixista. Já tocou, mas parou agora uma época por causa do exército, não sei o quê, está até trabalhando com a gente, é amigo nosso, mas sempre tocou”. Aí o Zé Rodrix me pegou. Nós fomos para o banheiro, se eu me lembro o banheiro do teatro, aquele teatro central, para ensaiar a música. Eu tremia, porque imagina, eu já não tocava há um certo tempo, a época que fiquei no quartel, então eu tocava pouco, não dava para tocar. Eu tocava mais no quartel, a tal da caixa. Nós fomos para lá e ensaiamos. Ensaiamos e na hora de entrar, nossa! Porque era com orquestra. Na época era um negócio, tanto para gravar, tanto para fazer show, não tinha esse negócio de 60 canais, como se tem hoje, Pro Tools – não tinha nada disso. Eram dois canais, então tinha que ser um canal para a orquestra, e se você errasse você fazia 40 músicos tocar tudo de novo. Não ali, no caso do festival, você errava, errou mesmo, já estava ali registrado que estava errado. Mas no caso de gravação, era assim, se você errasse ficava aquele monte de coroa te olhando falando assim: “Cabeludo! Olha lá, esse baixo está desafinado hein, cabeludo!” Aí ia lá, afinava, eu super tenso. Conclusão, a música ganhou. Ganhou o Festival de Juiz de Fora, eu virei pé quente na história. Montou-se uma banda que esse cara que tocava, agora me falha, esqueci o nome dele, ele parou de tocar. Acabou que essa história dele ficar doente, ele acabou que saiu fora da banda, que era o grupo Faia. Eu passei a integrar o grupo Faia, que era flauta, guitarra era o Renato Pial, que hoje toca com o Melodia, que na época tocou com a gente durante muito tempo; era o Moreno, que veio a tocar comigo mais para frente no O Terço, e era o Cláudio, que hoje é um grande médico, que era o guitarrista da época e eu no contrabaixo. Ficamos um bom tempo com essa banda e ficamos acompanhando o Zé Rodrix. Nisso a banda se desfez um tempo depois, porque estava muito underground, não estava dando grana, não sei o quê. Em uma das vezes que a gente estava ensaiando no Teatro Opinião, apareceu o Sá, que tinha um programa para fazer em São Paulo, que era ao vivo, que tinha essa coisa, não tinha esse negócio de playback, era ao vivo mesmo. E estavam precisando de dois músicos de baixo e batera. Aí ele falou: “Moreno e Magrão estão aqui”. Foi a grande chance, quando a gente foi para São Paulo, a gente se entrosou tanto com eles, fizemos vários programas lá, que a gente passou a ensaiar com eles para fazer um disco, um disco chamado Terra. Teve o primeiro, foi Passado, Presente e Futuro, depois nós fizemos o Terra. Gravamos juntos, ensaiamos bastante e viramos os dois músicos acompanhantes do Sá, Rodrix e Guarabyra, durante um bom tempo. Depois eles se separaram, a gente ainda continuou a tocar com Sá e Guarabyra; o Zé que saiu e surgiu O Terço. A gente estava ainda tocando com Sá e Guarabyra e eles precisavam de um tecladista e Bituca recomendou o Flávio Venturini. O Flávio chegou, foi até engraçada essa história, ele deve contar sempre, que ele chegou aqui mineiro, todo sem jeito, tímido, com uma calça carne seca que se chamava, hippie, com aquela sandália de pneu, aquela coisa toda. Lá em baixo na Avenida Vieira Souto, onde a esposa do Guarabyra morava. Aí falou: “Será que é aquele cara cabeludão?”, aí foi lá. Enfim, ele chegou, a gente começou a tocar, acabou que virou um trio. Virou eu, baixo, teclado e batera acompanhando Sá e Guarabyra. Nisso, o Sérgio Hinds estava em São Paulo, nós mudamos para São Paulo, fomos lá para gravar jingles com Rogério Duprat – ficamos lá pelo menos dois anos. Aí, surgiu o Sérgio Hinds nos convidando para uma terceira ou quarta formação do O Terço, que veio a ser essa formação dos discos Criaturas da Noite e do Casa Encantada. Aí falou: “Vamos fazer paralelo ao trabalho de vocês. Aí tem jingle, tem o Sá e Guarabiyra, vamos refazer O Terço, não sei o que”. E O Terço ficou assim, um trabalho maravilhoso, a gente até tentou conciliar e tocar junto, O Terço com Sá e Guarabyra. Mas começou a ficar meio complicado. Aí que a gente partiu mesmo para a história do O Terço. O Terço a gente ficou junto uns seis anos, fizemos o Criaturas da Noite, o Casa Encantada, e depois Mudança de Tempo. Flávio saiu, no Mudança de Tempo. E eu fiquei dois anos mexendo com publicidade em São Paulo. Até que surgiu o Flávio, o Vermelho e Cláudio e o Hely me convidando, porque estavam sem baixista. Porque era um projeto, na realidade, em fazer um disco com o Beto Guedes e desse projeto do Beto virou carreira solo do Beto. E eles que eram a banda, no caso, seria uma banda na realidade. O Beto até fala isso, que ele já foi um integrante do 14 Bis, não chegou a deslanchar, mas enfim, no comecinho era para ser uma banda. E aí, a gente começou a ensaiar em São Paulo, na minha agência. Eu tinha uma agência de publicidade lá, junto com Daniel Haar, que era meu sócio. E ali se formou o 14 Bis, isso em começo de 1979. No final de 1979 a gente já estava gravando na EMI o primeiro LP da gente.

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O Terço

Eu ouvia muito rock progressivo. Ouvia Emerson, Lake and Palmer, ouvia muito Yes, ouvia muito Jethro Tull, ouvia muito Pink Floyd, tudo isso aí, eu ouvia demais. Eu gostava muito. Tinha um grupo holandês, Focus. Focus eu era fanático, eu gostava muito. Então, era o que eu ouvia, fora Beatles que eu sempre continuei ouvindo. Beatles sempre foi uma coisa muito…
O Terço na realidade, já vinha de outras formações. O Terço teve formação com Vinícius Cantuária, teve power trio uma época, com César de Mercês. Era César de Mercês, Vinícius Cantuária na bateria e o Sérgio Hinds na guitarra. Aí já era um som, era progressivo, mas era um progressivo diferente. Porque a tecladaria não rolava, aquela tecladaria pesada. Veio a ter essa tecladaria quando Flávio entrou, foi diferente. No começo, eles faziam o que eu chamo de música para festival, música bonita, bem armada, com vocal. Que era na época do Jorge Amiden, do Vinícius Cantuária e do Sérgio Hinds, que também era um trio.

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14 Bis

Eu conhecei o Flávio nessa oportunidade com Sá e Guarabyra, quando veio participar da banda de apoio deles. O Vermelho já foi nessa fase em São Paulo, quando eu já tinha parado com O Terço e eu estava fazendo publicidade. Eu tive dois anos uma agência. Foi aí que eles chegaram. O Vermelho e o Cláudio já moravam em São Paulo e mexiam com som, eles alugavam som, operavam o PA. E eu tinha uma agência e nessa agência tinha um estúdio, porque eu herdei parte do equipamento do O Terço. O Terço na época era uma banda que tinha tudo. A gente fez um contrato e comprou o PA todo. Hoje em dia já não se faz mais isso, é maior loucura ficar carregando aquilo tudo. Então, quando acabou, a gente dividiu por quatro o que sobrou. Eu montei um estúdio dentro do… continuava músico, fazia jingle, gravava, essas coisas, dentro da agência da gente. Foram os primeiros ensaios do 14 Bis. Eles me mostraram uma coisa assim: “Olha, a gente tinha idéia” – contaram toda essa história do Beto, não sei o que – “e a gente está sem baixista”.
E eles já tinham composições. Eu fiquei enlouquecido quando ouvi, porque era muito Beatles, assim, era um negócio maravilhoso. Quando eu ouvi “Perdido em Abbey Road”, eu fiquei louco. “Eu quero tocar nessa banda. Lógico que eu quero”. Eu fiquei louco com aquilo. Eu estou te falando e estou arrepiado de falar, porque é sério mesmo, eu fiquei super emocionado. Começamos a ensaiar, ensaiar, ensaiar e, aí, rolou. Rolou da gente vir, mas na realidade, no começo do 14 Bis, a idéia da EMI era fazer um disco do Flávio, como fez um disco do Beto. Porque nessa época era uma loucura, porque as gravadoras ainda achavam que as bandas não iam continuar. Brigavam, aí acabava. A gravadora fazia um investimento violento e dançava. Ainda citavam na época, sei lá, bem ou mal, o exemplo do Som Imaginário, que foi uma coisa. Mas, Som Imaginário era uma banda que só tinha fera. Era muito difícil conter aquele povo todo, porque era um melhor que o outro. Então era um negócio muito difícil. Na realidade, cada um tinha que seguir a sua carreira. Mas não é, enfim, isso não significa que seja um exemplo para tudo. Mas era o exemplo da época. Havia pouquíssimas bandas nessa época. Nós estamos falando de 1979. Depois sim, depois que o 14 Bis chegou, em 1982 veio aquele boom, né? Teve Paralamas, Titãs, tudo que se possa imaginar, surgiu naquela época. E no pente fino ficaram os que eram para ficar mesmo, que estão aí até hoje.
Eu Morei em São Paulo com o Sá. Nessa época que a gente foi para São Paulo a gente foi contratado também para gravar jingles com Rogério Duprat, que foi outro mestre. Mas que, infelizmente partiu, e no dia do meu aniversário ano passado, dia 26 de outubro. Era uma pessoa maravilhosa, que me ensinou muito, muito.

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Milton Nascimento (Bituca), Tavito/ Caçador de Mim

O Milton Nascimento veio a ser o produtor do nosso disco. Não só tem essa história, como tem uma melhor ainda que foi, enfim… Ele chegou, juntamente com Tavito que ajudou bastante a gente a fazer esse LP. Foi uma pessoa que dentro do estúdio manteve aquele astral maravilhoso, idéias fantásticas, sabe? Pode não ter o conhecimento técnico, que hoje em dia muita gente tem que ter, mas é muito importante que a pessoa diga está bom, não está. Está arrepiando, não está. Está emocionando, não está. Isso é muito importante para o produtor. Porque hoje em dia a gente vê produtores, que é mais técnica, é fera no Pro Tools, é fera não sei o quê, mas tem que ter esse lado, do cara ter essa percepção de que está bom, está bacana, não está. E o Bituca foi assim, super importante nisso tudo. E foi também uma forma de eu conhecer uma pessoa que veio a se tornar um grande amigo. A gente faz aniversário no mesmo dia, nós comemoramos. Agora um está devendo ao outro, novas comemorações. Porque de um tempo para cá, cada um com seu trabalho, cada um foi para um lado, mas a gente chegou a comemorar esse 26 de outubro muitas vezes. E foi muito bacana, porque ele ainda me deu um presente maior que foi gravar minha música. Foi o “Caçador de mim”, que é minha e do Sá. Isso foi coisa maravilhosa, porque ele conheceu a música nesse disco que a gente estava gravando, que foi o segundo disco da gente.
Eu conheci o Milton quando ele veio a ser produtor da gente. Quando ele fez a produção desse LP, na época. Aí, o que aconteceu? A música já estava lá, nós gravamos, fizemos arranjos, não sei o quê. E ele na maciota, ele gravou, não falou nada. O Wagner Tiso um dia, encontrou comigo e foi tão engraçado, ele falou assim: “Se deu bem, hein!”. Isso eu me lembro como se fosse hoje. Eu falei assim: “Se deu bem por quê?”. “Bituca gravou tua música”. Cara, eu fiquei alucinado e ele não falou nada. Um belo dia eu estou em São Paulo, ele ia fazer um show no Ibirapuera. Ele estava hospedado em São Paulo. Ligaram para mim e falaram: “Bituca falou pra tu passar lá no hotel pra pegar os convites que ele vai fazer o show”. Eu falei: “Eu vou”. Eu já sabia que ele tinha gravado, mas é que aí parou aí. Gravou, vamos deixar sair, vamos ver como é que. Aí eu fui naquele local vip, que fica em cima do palco, onde eles montam uma arquibancadinha ali bem perto. E aí começa uma harmonia e o, como é o nome dele, meu Deus? O da guitarra. Que coisa horrível esquecer! Eu vou lembrar daqui a pouco. Começa um solo, começa uma harmonia, eu falei: “Conheço essa harmonia”. Ele vira para mim e começa a cantar, eu desabei. Comecei a chorar. Eu estava com um amigo meu, ele falou “Cara, é a tua música!”. E ficou lindíssima. E a música deu nome ao disco. Por isso que o Wagner ficou brincando, “Se deu bem!”. E ainda foi, exatamente, o título desse disco. Mas foi muito legal. E daí para frente, eu falo sempre uma coisa interessante. A Simone gravou, o MPB4 gravou, uma série, eu acho que tem umas dez, talvez quase dez regravações dessa música. Mas assim, não teve mais, e todo mundo fala, porque todo mundo acha como definitiva a interpretação do Bituca. E não tem, é muito difícil. Sem querer desmerecer as outras, cada um tem a sua interpretação, bacana, adorei todas, com certeza foram todas bacanas. Mas a do Bituca tem essa coisa de, que eu falei assim “Tem pessoas que eu gostaria de ouvir ‘Caçador de Mim’ na voz delas, mas elas falam assim “Ah, cara! Depois que o Bituca gravou fica complicado, fica não sei o quê”, enfim.

Pessoa
Márcio Borges

Eu vim a conhecer o Marcinho depois que eu entrei para o 14 Bis. Porque eu sou carioca, então, a minha chegada junto a Minas, a minha chegada musical, foi via Flávio. O Flávio que me apresentou, inclusive na época do O Terço, antes do 14 Bis. Então a gente adorava. Tocava sempre em Belo Horizonte, no Chico Nunes direto, enfim, então a gente estava sempre atuando em Belo Horizonte. E foi aí que eu o conheci. Mas o Marcinho sempre foi parceiro do Vermelho, do Flávio. Algumas dessas músicas que eu vim a conhecer as letras, boa parte dessas letras, eram do Marcinho. E aí que a gente começou a se entrosar e a se conhecer. E o Marcinho não tem o que falar, né? É só ouvir “Planeta Sonho”, “Linda Juventude”, já diz por si mesmo. Um cara fantástico, um gênio. Pessoa que a gente curte muito e quero ainda trabalhar muito com ele, com certeza.

Pessoas
Lô Borges

Lô já veio assim, por parte do Cláudio. O Cláudio começou a tocar com ele. O Lô, uma pessoa que… todos eles. Lô, Beto, todo mundo. Eu sempre curti muito a música mineira, sabe? Toda essa história do Clube da Esquina eu acompanhei, não tão próximo pelo fato de estar aqui no Rio, mas sempre acompanhei e sempre me influenciou, também, bastante. Era um disco que eu gostava de ouvir. Coisas assim que eu sempre curti muito.

Clube da Esquina
Disco
Me lembro que a primeira vez que eu ouvi esse disco, foi com o Flávio Venturini. Eu escutei com o Flávio, porque a gente morava junto em São Paulo. A gente morava em um sótão, em um dos bairros de São Paulo. Nós moramos aí pelo menos um ano, foi logo que a gente chegou, hippão mesmo, hippie total. E tinha essa coisa, a gente ouvia muito, estava acabando de sair, enfim foi quando eu conheci. E quando eu conheci me encantei, com certeza.

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Disco: avaliação

O que torna esse disco um marco, acho que a força dele. A música ali é uma aula. Ali você só houve coisa boa e coisa que emociona. O mais importante que eu acho, assim, da música mineira, para mim, música tem que emocionar, tem que te fazer chorar, tem que te fazer arrepiar. Sabe, não tem jeito. Claro que existe música para dançar, não sei o quê, mas o tipo de música que é feito ali, é feito com sentimento. Se você vê o Milton cantar não tem como não encher os olhos. Eu não sei se isso acontece nas pessoas mais sensíveis, ou não. Mas de qualquer forma, eu acredito que qualquer pessoa que ouça essa música não tem como não se emocionar. Então para mim, isso é primordial. Música que não emociona… Eu não sei fazer música para dançar, por exemplo. Todas as minhas músicas são músicas mais românticas, são músicas mais para esse lado, porque são músicas que se eu não estiver tocando ali, se não estiver rolando essa emoção, não vai para frente. Não adianta, não tem jeito.
Por exemplo, no começo, a música mineira me ensinou a questão da harmonia. Harmonia bem elaborada, porque aí você tem condições. Uma harmonia que você acha que nem vai caber em determinada melodia. Vem à melodia, aí é que surpreende mais ainda. O Lô tem muito isso. Você fala assim “cara, que ele vai colocar? Que melodia que ele vai colocar em cima dessa harmonia?”. Aí vem uma coisa assim, que te fascina e que você fala assim: “Gente, é um negócio muito bonito!”. Então todos têm isso. Beto tem isso, Milton tem isso, todo mundo tem isso. Isso é muito bacana. Essa coisa da harmonia bem elaborada e a melodia surpreendente. Porque você pode botar uma coisa boba, simples, mas aí vem uma melodia surpreendente. Então isso é muito bacana.

Formação Musical
14 Bis

Até hoje definir o 14 Bis é uma coisa muito difícil, porque todo mundo quer ter uma definição para o som do 14 Bis. E de repente, o som do 14 Bis, ele recebe influências de tudo quanto é lado. Ele tem do barroco, por parte do Vermelho; tem da própria música mineira, tem de Beatles. Eu trago, com certeza, uma bagagem do Gonzagão que eu ouvi muito, que também tem a ver com a história. Jackson do Pandeiro também foi outra pessoa, que não tem nada a ver com a história, mas que eu também ouvi muito. Então eu acho assim… você mistura isso tudo e é muito difícil. Aí falam… têm alguns que definem que é a ponte entre o pop e o rock, entre a MPB e o rock. Enfim, eu se for falar a verdade eu não consigo te falar qual é. A gente faz MPB, sim. Faz rock, sim. A gente tem um lado rock, Cláudio tem uma guitarra bem rock’n’roll. A gente tem a coisa do progressivo, claro que tem, as harmonias, não sei o quê. E tem o swing também, que aí vem, eu de vez em quando, quando eu posso, mais uma vez tem um toquezinho de baião, que é legal dentro do arranjo que a gente fez. Então cada um dá um pouquinho disso. Agora para definir é complicado.

Formação Musical
14 Bis: tecnologia

Até hoje o 14 Bis investe muito em tecnologia. Assim que a gente renovou o contrato com a EMI, o que a gente fez? Ao invés de cada um pegar a grana e comprar um apartamento, comprar um carro novo, não sei o quê, nós fomos para Nova York. E lá nós ficamos quase um mês. E a gente estava com um dinheiro bacana. Flávio comprou Sinners de tudo que estava saindo na época, que custava uma fortuna e que dois anos depois não vale mais nada, assim em termos de investimentos, de grana mesmo. E saímos comprando tudo. O Cláudio, guitarra sintetizadora, na época, que tinha um atrasinho, que hoje já foi corrigido. Eu comprei um Alembic, que era um baixo maravilhoso. Todo mundo, o Hely comprou uma Gretchen. A gente fez questão de investir nisso. Trazer mesa, na época não tinha digital, mas mesas já super avançadas para a época, porque é interessante. Agora, isso a gente usa, a gente faz questão de usar toda essa tecnologia, sem perder aquela característica da gente, que é o bom violão, o bom piano mesmo, a parte acústica, sabe, que é super importante. Ninguém vai fazer música eletrônica, vai mexer com isso, não. A gente vai usar isso para quê? Para adquirir uma boa sonorização, tirar um bom som dos instrumentos básicos da gente, que na realidade é o violão, é o piano, enfim, para compor… é a bateria. Então, eu acho que é mais para esse lado.
Primeira grande compra, mas não foi a única. A partir daí, obviamente, nós estamos com 20 e tantos anos de carreira, então, nós já fizemos 11 viagens para fora e em todas essas pode ter certeza que o dinheiro fica todo lá. Não tem jeito. Nós já fizemos dez excursões para os Estados Unidos e fizemos uma para o Canadá, que foi há dois anos atrás. Ano passado, estivemos nos Estados Unidos de novo, antes de gravar o DVD, em dezembro. E olha, foi duro, não adianta, porque aí começa, e agora então, agora com coisa de computador, laptop. Cada um trouxe um laptop para poder também mexer com música, não sei o quê. E se for ano que vem, esse ano, vai de novo também, porque é um negócio interessante, é um negócio mágico, é um negócio bem bacana.

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A página do relâmpago elétrico/Beto Guedes

Eu não participei da gravação desse disco, porque eu entrei depois. Quando acabou a coisa virando trabalho solo do Beto, o pessoal foi para São Paulo. Foi aí que não tinha baixista, que eu fui convidado graças ao Flávio. Já tinha tocado com Flávio no O Terço, então, eu não participo, mas adoro esse LP, é maravilhoso, Muito bom.

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Belo Horizonte

Eu quase fui morar em Belo Horizonte. Em algumas vezes, eu pensei em morar onde hoje mora o Flávio, no Retiro das Pedras. Eu me encantei com aquilo ali. Na época, eu estava casado. E eu fui uma vez com minha mulher, e ela ficou maluca: “Vamos mudar para cá, vamos nos fixar aqui”, mas aí que aconteceu? Eu tenho um lado empresário na história, e que até hoje… eu já empresario o 14 Bis há 22 anos. E é uma parte assim, que é boa por um lado, mas me sobrecarrega. Então, agora, eu estou querendo dar um tempinho, a gente já está tentando passar essa história para outro. Então o que aconteceu? Eu não podia ir morar no Retiro das Pedras, porque eu tinha que ter um escritório na época ou no Rio ou em São Paulo, para poder viabilizar os eventos todos, essa coisa toda que dá trabalho. Eu faço isso mas assim… eu tenho uma função e eu delego o resto porque não dá nem tempo, não é? Senão não tem como. Faço os primeiros contatos, não sei o que, até hoje. Mas pretendo agora, me dedicar só à música, porque me prende muito. Por exemplo, eu sou um compositor de pouquíssimas músicas, porque não tem nem tempo. Eu devo ter umas dez músicas gravadas, enquanto o Flávio deve ter umas 200. O Flávio já pega o violão aqui e já sai. Também, obviamente, porque é uma pessoa extremamente criativa. Ele tem isso, e isso é bacana. Eu já sou mais, eu levei um ano e meio para mostrar “Caçador de Mim”. Porque eu sempre acho que tudo que eu faço parece com alguma… ainda tem essa coisa: “será que isso aqui não está parecendo, não sei?”, tem sempre aquela dúvida. E aí vai indo. Agora eu tenho feito algumas músicas. Estou conseguindo dar uma tranqüilizada nessa parte empresarial, que essa parte é meio “braba”.
E para ensaiar eu me desloco. Na realidade, para deslocar três de lá para cá, é mais fácil um só. Quer dizer ,eu que tenho que ir para Minas sempre. A não ser quando tem alguma gravação, que tem que ser no Rio ou em São Paulo, aí vem todo mundo. Mas eu é que me desloco sempre. Acabei de chegar, foram quatro dias agora para ensaiar. Porque nós gravamos o DVD e agora a gente tem que ensaiar para fazer o show do DVD, que é diferente do show que a gente estava fazendo antes. Mas vou para Belo Horizonte com o maior prazer, adoro aquilo lá. Gosto muito.

Formação Musical
14 Bis DVD ao Vivo

A gente agora está ensaiando no Estúdio Acústico, onde nós gravamos o DVD. O DVD nós fizemos uma pré-gravação, para poder ter o timing, para poder passar pro pessoal de luz. E para a gente também se acostumar naquele ritmo, para botar o clique também. Agora esse DVD tem uma coisa interessante, não foi refeita nenhuma nota, coisa que se faz muito. Todo mundo faz. Vai para o estúdio, errou… não sei o quê. Graças a Deus, as escorregadinhas que teve a gente até preferiu deixar, para ficar uma coisa verdadeira. Foi tudo, mas nada, nada. A única coisa que a gente refez foi alguma coisa de vocal, que a gente quis acrescentar, para dar uma engordadinha, mas raríssimas coisas. Muito pouca coisa. Então esse DVD, é um DVD na real, que saiu no dia do show, lá no Palácio das Artes. Ao vivo mesmo.

Clube da Esquina
Avaliação

Eu acho que a coisa mais importante, pelo menos na minha opinião, é essa questão mesmo da harmonia. Porque até então, fora a Bossa Nova, claro, mas a Bossa Nova já tem um lado mais dissonante. E eu acho que a coisa do Clube da Esquina não perde isso aí. A harmonia não fica complicada, jazzística, sabe? Como ficaria no caso, porque a Bossa Nova tem muito a ver com o jazz, também. Então, assim, eu acho que é isso aí. Exatamente essa surpresa que você tem, de ter uma harmonia super interessante, muito bem elaborada e com aquela coisa que eu falei, da melodia surpreendente. Então, isso eu acho que contribui bastante. Hoje a gente vê muita gente que foi influenciada pelo Clube da Esquina, com certeza. Inclusive no exterior até porque o próprio Bituca, pelo fato de ele estar viajando muito e ter tocado com músicos de lá, que adoram ele, o endeusam. Bituca é uma pessoa que todos se apaixonam logo pela música dele.

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14 Bis e Boca Livre

Na verdade as nossas músicas eram sempre confundidas. Porque sempre pediam, por exemplo… É não é só com o Boca, não. Tem uma música que o Roupa Nova gravou, que é o “Sapato Velho”, que não tem jeito. A gente está tocando, aí alguém grita “Sapato Velho”, tanto é que a gente já quis até tocar, mas a versão do Roupa Nova é tão perfeita que a gente diz: “Não, deixa quieto, deixa pedir”. E quando a gente fez esse projeto, nós fizemos quase uns 30 shows com o Boca Livre e era a mesma coisa. Era pior ainda, porque aí não sabia se era do Boca Livre, se era do… Porque é do Cláudio Nucci, a letra, que era do Boca Livre. O que acontecia? Chegava no show… Esse projeto foi maravilhoso. Esse projeto rendeu um CD ao vivo que foi gravado no Rio de Janeiro. E foi muito bacana, porque a gente sempre admirou muito a disciplina, a música e o vocal do Boca Livre. É impressionante, um negócio perfeito, assim. Então, a gente pensou: “Nossa, já pensou somar o vocal da gente ao do Boca Livre, vai ficar um negócio…” E ficou. Conclusão: era um negócio pra fazer uns dez shows e gravar um CD. Pô, nós ficamos dois anos tocando, rodando o Brasil todo. Fomos pro nordeste, uma série de lugares. Ficou registrado e um trabalho muito legal. E a capa do disco são os sapatos. E o bom é que não tem cheiro. O importante é isso. (RISOS)

Formação Musical
14 Bis/Flávio Venturini

A saída dele foi uma surpresa pra gente. Obviamente quando ele saiu, a gente apavorou. Saiu o cara que compõe a maioria das músicas. Isso não teria problema, porque ele continuaria a compor pra gente, porque a gente não brigou. Separou amigavelmente. E ainda fizemos um show comemorativo. Não é porque a gente quisesse ficar livre dele, muito pelo contrário. É porque cada um estava partindo pra um trabalho. Ia ser bom pros dois. E o que aconteceu? O Cláudio, por ser o irmão mais novo – tem sempre aquela coisa do irmão mais velho – claro, as músicas do Flávio, ele tem que cantar, porque as músicas eram dele. E aí aconteceu um fator genético. Tinha coisa que eu acredito que nem o Cláudio tinha descoberto isso, de que ele poderia cantar. Ainda estava meio tímido na história. Cara, começou a ensaiar, ensaiar, a gente olhava assim: “Pô, é igual ao Flávio. Que loucura”, “É o irmão dele”. E isso ele foi desenvolvendo, desenvolvendo e hoje em dia, nós fomos mixar a música lá em São Paulo, o cara que estava operando, que tinha que colocar no “Velha Canção Rock´n´Roll”, falou: “Esse aqui é quem?”. Claro que o Flávio tem a interpretação dele diferente. Mas o timbre lembra muito. O cara ficava maluco. “Esse aqui é quem?” Isso foi muito bacana, estávamos salvos. (RISOS) Não precisava colocar mais ninguém. Colocamos depois um tecladista, sim, porque sempre teve dois teclados. E pro Vermelho dar conta de tudo ia ficar meio pesado pra ele. Então, ia ter que fazer coisa pré-gravada, não sei o quê. E a gente resolveu colocar o Sérgio Vasconcelos, já está com a gente há sete pra oito anos. Foi uma aquisição bacana nessa história toda.

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14 Bis: avaliação

Em termos de show, por exemplo, uma coisa marcante, foi à gente ter a sorte de ter o Bituca produzindo. Obviamente foi um negócio que impulsionou muito a carreira da gente, sabe? Ele não é só um bom produtor, como meio que apadrinhou essa história toda. E tem um show que nós fizemos em Volta Redonda pra 70 mil pessoas. Isso foi um marco. Pena que a gente não tenha registro. Deve existir alguma coisa. Foi um show numa exposição, numa feira, era um negócio incrível. Você olhava e não conseguia ver as pessoas. Me lembro, foi a gente e Léo Jaime, na época. A gente estava estouradão, foi logo no começo. Eu olhei e falei: “Gente, não vou dar conta. É muita gente. Que vai acontecer aqui?”. Isso foi há muitos anos, foi na década de 80. Foi um negócio que me impressionou. E obviamente as experiências que a gente teve fora do Brasil. Uma coisa que sempre me emocionou muito são os fãs que a gente tem. São fãs mesmo. Gosta, mas não gosta pouco. Eles vão fundo na história. Defendem a gente em qualquer situação, sabe? Alguns são até fanáticos. Eu digo que alguns são até fanáticos. Isso é um negócio bacana, a gente tem essa resposta, hoje em dia com a Internet, agente tem essa resposta imediata no site da gente. Esse DVD, até sair, foi uma loucura. A galera: “Cadê o DVD?”, cobrando mesmo. Nossa Senhora! Isso também é um negócio muito bacana, gratificante.

Formação Musical
O Terço

Essa volta do Terço… a gente recebeu um convite do Alexandre, que é uma pessoa, um produtor musical. Ele encontrou uma fita K7, não sei de quem, de um show que a gente fez em Londrina, Paraná. E aí, o que aconteceu? Ele queria que a gente voltasse. Ele fez uma proposta interessante, em todos os sentidos, de se gravar um DVD, de se ensaiar. Ele bancaria tudo isso. Isso tudo ele faria sem patrocínio. Ele tinha uma intenção muito legal. E aí consultou o Flávio, me consultou, consultou o Sérgio Hinds. A participação do Moreno foi num show em São Paulo pra comemorar o aniversário do Flávio, em São Paulo. Tem uns quatro ou cinco anos que ele morreu, acredito que por aí, não sei com certeza. E aí o Flávio chamou a gente e falou: “Vamos ensaiar umas quatro músicas do Terço. É o meu aniversário. Vamos fazer um show lá em São Paulo. Vamos reunir”. E nós ensaiamos “1974”, “Criaturas da Noite”, “Queimada”. Umas quatro ou cinco músicas. E a gente se empolgou de dar continuidade na história. Mas o Moreno começou a ficar doente e a gente parou. Deu um tempinho nisso e foi aí que surgiu o Alexandre. E o que aconteceu? O Alexandre veio com essa proposta, já formatada, bacana, pra se relançar essa fita que ele achou, que estava com condições técnicas interessantes. O Alexandre achou essa fita e como estava em boas condições técnicas, a proposta foi e de lançar esse CD, com esse show de 1800 e alguma coisa, muito antigo. (RISOS) Não me lembro bem, 1970 e alguma coisa. E em seguida, a gente ensaiaria pra fazer um DVD. Mas a gente começou a ensaiar. Foi aí que surgiu o convite pro Sergio Melo, um baterista muito bom, e gente muito boa, uma pessoa fantástica. Ele é fanzão de – eu não sabia disso, ele toca naquela banda da Fama da rede Globo, toca muito, muito; ele era fanzão de Rock Progressivo e fã do O Terço. Falei: “Pô, foi o Moreno lá de cima que chamou esse cara pra gente”. E ensaiamos, ensaiamos, ensaiamos muito. Na realidade ensaiamos muito, mas era um trabalho muito árduo, porque eram temas enormes. A gente resolveu fazer Suíte, que era 15 minutos, não sei o quê, que era 12 minutos. Tudo aqueles arranjos enormes, elaborados. Eu falei: “Nossa, estou frito!”, porque não tocava isso há muitos anos. Mas foi um negócio tão emocionante, sabe, começar a lembrar. A gente foi desenvolvendo, desenvolvendo, ate que surgiu a oportunidade de gravar. Quem se juntou ao projeto foi o P H, que é um produtor da Globo, o cara que dirigia o Fama. Eu pensei: “Bom, agora é a hora de colocar esse projeto em andamento”. Infelizmente o Alexandre, no meio do caminho perdeu uns patrocínios, se perdeu também porque estava fazendo Premiata Forneria Marconi junto. Em termos financeiros foi um arerê danado, o dinheiro acabou. “Mas mesmo que o dinheiro acabou, não interessa. Estamos no meio do projeto e agora vamos até o final”. Aí surgiu aquele problema, depois que o DVD foi gravado, com o César de Mercês que não queria que fossem gravadas as músicas dele, porque tinha uma história com o Sérgio que não foi convidado, não foi consultado. Enfim, isso é um assunto que eu quero até passar batido, mas que prejudicou muito. Prejudicou muito porque a gente tirou duas músicas importantes desse projeto, que eram o “Hey Amigo” e a “Queimada”. O que aconteceu? Agora, dois anos depois… O que eu estava falando é que esse DVD vai ficar velho sem sair, sem ter sido lançado. A gente tem que fazer alguma coisa. Agora saiu a oportunidade junto a Som Livre de lançar. Vai sair sem as duas músicas mesmo, infelizmente. Mas nós colocamos uma inédita, que ficou linda. Gravamos dentro do estúdio, uma gravação a parte, um extra que vai rolar lá, ficou maravilhoso. E eu tenho certeza que a galera vai curtir muito. Porque eu já perdi a conta das pessoas que entram no camarim do 14 Bis e perguntam sobre o DVD do 14 Bis, é lógico e do O Terço. Gente que foi ao Canecão, que assistiram, que sabia que ia sair. Mas agora vai.

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14 Bis: DVD ao vivo

Esse DVD, que está sendo lançado agora, foi uma batalha muito grande, dois anos. Vocês sabem disso, foi uma batalha correndo atrás de patrocínio, Lei Rouanet, burocracia que não acaba mais, sabe? Mas a gente estava tão a fim de fazer isso, que eu tenho certeza que o resultado foi maravilhoso. Porque a gente conseguiu a melhor equipe de som, o melhor diretor pra gente, que tinha feito também o Roupa Nova. A gente teve também uma performance maravilhosa, tanto é que a gente não teve que refazer nada. E um público que nem se fala, duas sessões lotadas no Palácio das Artes. Era pra fazer uma sessão só, mas essa sessão se esgotou em duas horas. Tivemos que fazer uma outra mais pra convidados. A primeira foi só pra galera mesmo. A primeira – não que a segunda não tenha sido animada – mas a primeira foi um negócio absurdo. Era gritaria, um negócio muito, muito bacana. Uma emoção muito grande. Isso é o que vale.
A princípio a gente ia gravar em São Paulo por questões operacionais. Por quê? Porque todas essas pessoas que eram top de som, luz, todos em São Paulo. Ficaria obviamente muito mais barato fazer toda essa produção lá. O que nós fizemos? A gente teve que trazer toda essa equipe de São Paulo pra cá, no dia 23 de dezembro, com greve de avião, aquela história toda. No dia 23 de dezembro e no dia seguinte com todo mundo querendo passar o Natal com suas famílias. Foi um empreendimento que obviamente nos custou três vezes mais do que custaria. Mas foi legal porque a gente gravou na terrinha. Isso é super importante. Todo mundo estava ficando chateado: “Por que um grupo mineiro vai gravar lá em São Paulo?” Claro, São Paulo hoje, e isso é pra todo mundo, representa mais de 50% de tudo que a gente faz. A gente vende em São Paulo, na capital, se a gente vende 90 mil, 45 mil é vendido dentro da Capital, na grande São Paulo. Porque também está cheio de mineiro, baiano, está cheio de carioca também, não é só pra paulista. Mas, enfim, a gente queria fazer isso mais por uma questão operacional. Acho que Deus colocou certo e a gente gravou em BH.

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Minas Gerais

Há muito tempo que eu me naturalizei mineiro! Há muito tempo, porque isso é uma coisa que eu não falei, já falei tanto que não sei se já falei isso: minha mãe, quando eu era pequeno, só passava as férias da gente, todas, acredito que até os meus 10 anos, ou em Três Corações, ou Varginha ou Poços de Caldas. Ela revezava porque tinha família… Cada mês de férias, julho, janeiro, cada mês de férias era sempre numa cidade de Minas. Nunca fui pra Cabo Frio, Búzios. Era sempre Três Corações, Varginha ou Poços de Caldas.

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Clube da Esquina

Achei essa idéia maravilhosa, maravilhosa. Hoje mesmo já andei passeando pelo site. Falei: “Vou passear, vou dar uma navegada aqui”. Achei muito legal e sei que vai ficar ainda mais legal. Sei que isso é muito importante pra música brasileira. E achei muito legal isso aqui também.

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3 Mensagens para Sérgio Magrão

  1. ademir disse:

    queremos que o 14 bis vem fazer shows aqui em poços de caldas.sou muito fã de voces

  2. Eliomar Guimarães disse:

    Francisco Sérgio bom dia.
    Meu nome é Eliomar Guimarães.
    Tenho quase certeza que estudamos no Colégio Pedro ll Externato – Zona Sul,Humaitá,Botafogo.
    Fazíamos parte de uma turma no turno da tarde.Na época acho que você morava no Flamengo!
    Você confirma.
    Forte abraço.