Silvana Guedes

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, local e data de nascimento

Meu nome é Silvana Maria Freitas Guedes, nasci em 25 de março de 1957, em Belo Horizonte.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais

Meu pai é Cândido Sizenando de Freitas e minha mãe Francisca Chaves de Freitas.

CIDADES
Belo Horizonte

Morei a vida toda em Belo Horizonte, fui criada no Bairro de São Lucas Nasci e fui criada na Rua Rio Doce. Casei, fui pra São Paulo morei lá um tempo, depois voltei para Belo Horizonte.
A minha infância foi ótima porque no Bairro São Lucas eram aquelas casinhas de muro baixo, tinha a turma da minha irmã, época de Beatles. Eu era a mais nova e, tinha as Horas Dançantes, que eu ficava servindo refrigerante pra turma mais velha com o pretexto de ficar na festa. Então era bom demais. A minha infância e a minha adolescência foi bom demais.

Irmãos
Eu tenho três irmãos: Simone, Ricardo e Rodrigo. Eu sou a terceira dentre eles.


Cotidiano

Ah, minha casa era muito legal. Inclusive essa coisa de música começou porque, naquela época, tinha aquela coisa de ter um piano em casa e dos filhos estudarem. E Simone não gostou de estudar e nem o Ricardo, e ficou o piano lá. Então eu com quatro anos já pegava o piano e ficava tocando de ouvido. Foi por aí que eu comecei com a música, dentro de casa. A minha rua era de terra, eu vivia jogando bola com os meninos do morro. A Rio Doce fica perto do morro, da Favela Pau Comeu (risos). Então era isso, as minhas brincadeiras eram jogar bola com os meninos do morro. Era bom demais…

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Escolas

Eu estudei num monte de escolas. Estudei no Santa Maria, aqui na Floresta, no Instituto de Educação, depois fui pro Colégio Assunção, Fui expulsa de lá porque bate em uma Madre. Fui pro Colégio Anchieta, depois pro Champangnat, passei por muitas escolas.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL/PESSOAS

Iniciação musical/Vermelho

Eu comecei a tocar piano desde quatro anos de idade. Comecei a estudar com sete anos, com uma professora particular. No final do ano tinham aquelas audições… que só a família assistia. Depois passei pra Fundação de Educação Artística. Estudei lá uns oito ou nove anos. Até então eu tinha uns 16, 17 anos. Aí, comecei a fazer o Festival de Inverno de Música de Ouro Preto. Mas antes eu fazia dança. Dancei um tempo no Balé Transforma. Fiz teatro também com a Neli Rosa e o Rodrigo Leste, naquele tempo que a gente fazia “Os Bichos Fugiram do Zoológico”, que tem até uma música do Paulinho Carvalho, que o Lô gravou. Não estou lembrada da música agora. E sempre estudando piano, estudando música. E foi na Fundação que eu conheci o Vermelho. Ele ficava tocando Genesis, aí eu chegava lá pra estudar e falava: “Nossa, mas que som lindo”. E um dia eu fiquei atrás da porta escutando ele tocando Gênesis: “Pô, mas que bacana, que cara genial”. Aí bati lá na porta e falei assim: “Eu posso ficar aqui pra escutar um pouquinho?” E aí a gente começou a ficar amigo, e ele ia lá pra Ouro Preto, para o Festival de inverno e eu também. Então lá a gente ficou super amigo. No final do festival, ele me deu o endereço da pensão que ele morava, e falou assim: “Olha, vai lá,eu moro na Pensão da Dona Dalila”, que era mãe do Flavinho Venturini. E aí eu comecei a ir lá na pensão.E lá tinha Beto, Lô, Flavinho, o Cláudio Ganso. Foi aí que eu conheci a turma. Conheci primeiro o Vermelho, que me apresentou à gangue toda. (risos)

INFLUÊNCIAS
Beatles

A minha irmã, que tinha na época uns…, eu tinha 12 e ela tinha uns 16 anos e estava no auge de Beatles. E eu adorava o som, eu ficava lá escutando e adorava. Eu cantava Beatles, até tirava de ouvido aquelas musiquinhas mais simplesinhas, mas eu fui obrigada a escutar porque na época só rolava Beatles, e era festa todo dia. Então o gosto musical começou com Beatles, mas eu era mais moleca, eu estava mais ligada em jogar bola ainda.

Dança
A minha história com a dança foi interessantíssima, porque eu sou amiga da Mirinha Pederneiras desde pequenininha, ela morava ali na Barão de Lucena, que é perto da Rio Doce. Comecei a fazer dança porque a Marilene Martins professora de dança era muito amiga da minha mãe e pediu minha mãe que me levasse lá para estudar. Fui e gostei e chamei Mirinha pra fazer aula também.
Ela ficou meio na dúvida e eu comecei a insistir, falei assim: “Não, vamos, vamos, e acabou que ela foi. E na época foi engraçado porque o Rodrigo Pederneiras, (o Digo), ele ficava imitando a gente dançando balé assim, com a mãozinha pra cima: “Olha lá as meninas bailarinas”. E começou assim… De repente, um dia ele foi, o pessoal da Barão todo começou a freqüentar, aí virou o que virou. Hoje eles são o grupo Corpo!

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Garagem dos Venturini

Olha, foi muito engraçado o modo como cheguei nessa garagem dos Venturini, porque aquilo foi em 74. A Dona Dalila, mãe do Flavio Venturini tinha uma pensão ali na Avenida Pasteur. E aí logo que terminou o Festival de Inverno de Ouro Preto Vermelho me convidou para ir nesta pensão onde ele morava. E teve um dia que eu passando eu vi uma pessoa, na época tinha aquele gravadorzinho K7, Tô vendo uma pessoa deitada no chão escutando música e falei assim:”Mas que coisa esquisita”. Aí o Vermelho falou: “Ah, não, isso é o Beto”, e foi aí que eu conheci o Beto, ele escutando Gênesis, pra variar. Depois de um tempo, fui me apaixonando e um dia no aniversário dele, eu pedi ele pra me namorar e ele aceitou. (risos) E aí a gente começou a namorar. E a gente juntava uma turma imensa na frente da casa do Flavinho pra jogar bola. A gente era a toa, não tinha compromisso com muita coisa, e ficava o dia inteiro jogando vôlei com as meninas da pensão. Uma vez a gente jogando bola, chegou o Lô também. E foi aí que eu comecei a conhecer a galera. Nessa mesma época rolavam os ensaios lá, eles estavam fazendo aquele show Fio da Navalha. Via a turma, sentava lá, ficava jogando bola e tal, até que eu comecei a namorar o Beto mesmo. Até então eu não viajava com eles para os shows freqüentava muito, mas não acompanhava, mas sabia dos shows todos. Até então era aquele namorinho de pegar na mão. Namorei escondido o Beto um ano porque o meu pai era muito bravo, aquelas coisas. Eu não queria levar o Beto lá em casa, a gente se encontrava na casa do Flavinho e ficava por ali, durante o dia, e de noite eu ia embora.


Iniciação musical

Eu lembro da primeira vez que ouvi o Clube da Esquina, eu até tocava algumas músicas de ouvido. Eu era apaixonada com aquela música, “Sábado”, que era do Som Imaginário. Aliás, eu tinha uma banda também,e quem desfez foi o Beto porque ele achava uma porcaria,(risos) falou: “Nossa, isso está uma porcaria”. A banda era eu, a Carla, uma amiga e a Laura. Eu tocava piano e gaita. A gente tocava muito Nash, Young, Crosby Still, essa rapaziada. Acabei desistindo, falei assim: “Ah, não, então não toco mais”. Eu tinha o disco do Genesis, Pink Floyd, Yes escutava também o Clube da Esquina.

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Clube da Esquina

Eu não sabia que Beto Guedes e Lô Borges tinham participado do Clube da Esquina quando os conheci. Custei pra ligar uma coisa com a outra. O Flavinho já, na época, começou a tocar com O Terço. Então eu disse: “Ah, que bacana, ele tem uma banda! Depois, mais tarde, que eu conheci o trabalho deles.

Beto Guedes
O Beto gostava muito é de Beatles mesmo. Até o inglês que ele aprendeu a falar ele aprendeu com Beatles. E ele tinha uma banda, o Brucutus da época lá de Montes Claros, como eu ouvia muito Gênesis e tocava piano acabei ensinando a tocar piano.Tanto que depois ele teve uma banda que tocava Genesis, Pink Floyd e Yes, era o que eu escutava. Limbo era o nome da banda dele.

A Página do Relâmpago Elétrico
A época da gravação da Página era muito engraçada, porque a gente ia de ônibus pro Rio, ficava no Hotel Presidente lá no centro do Rio. E era um hotel terrível, caindo, baratinho, aqueles móveis horríveis, aqueles móveis pretos, um trem esquisito (risos). E eu lembro até do Robertinho Silva, a gente andando no meio da rua lá no centro e ele gozando a cara da gente, ele disse: “Olha, gente, cuidado que aqui só tem malandro! A gente saía do hotel e ia a pé até a Odeon. E ali o Beto começou a gravar a página do relâmpago Elétrico, e eu tomei trauma de estúdio porque a gente chegava oito horas da noite e saía às dez da manhã, Ficávamos a noite inteira. Eu dormia lá no estúdio, acordava, dormia de novo, acordava, e o pessoal gravando (risos). O Beto só gravava de madrugada, mas era legal.Toninho Horta eu conheci no estúdio gravando,fazendo o arranjo da música “Tanto”.Eu comecei a conhecer o pessoal do Rio, porque o Beto morava lá e aqui em Belo Horizonte. Ele morava com o Bituca lá no Rio e eu ia muito pra lá. Tanto que na época eu parei de estudar.(risos) No Rio, era uma maravilha, na Sernambetiba, naquele apartamento que era uma bagunça, cheio de menino,a turma de Três Pontas…. Nossa Senhora, era menino demais. Mas foi bom também! Foi na época que o Bituca fez aquele show no Canecão com o Caetano e o Chico. Eu e Beto éramos muito apaixonados, Bituca cedeu o quarto dele pra gente, e ficávamos namorando o dia inteiro, daí tocava a campainha e eu ia correndo abrir a porta, era o Caetano Veloso,outra hora o Chico e eu: “Opa, entra aí”, fica aí”, e corria lá pro quarto de novo (risos) Só queria namorar o Beto. Mas foi legal porque aí eu comecei a conhecer todo mundo.

Lô Borges/Milton Nascimento
Eu namorei o Beto um ano, de 1974 a 1975, e a gente foi pra Bahia fazer um show. O Beto foi com o Lô – era um show do Lô e Beto. E até então eu não conhecia muito o Lô não. Então fiquei conhecendo o Lô, e eu achava engraçado porque todo mundo falava Lô, o nome Lô. Eu falava assim: “Gente, mas que nome engraçado. Como é que uma pessoa chama Lô, não é?” E Lô pra cá e Lô pra lá, e o Lô nunca aparecia porque o Lô era mais difícil de aparecer. Aí, até que eu conheci o Lô lá na casa do Flavinho, e eu fiquei olhando, falei assim: “Gente, que pessoa diferente, interessante… Então, fomos todos pra Salvador. Levamos três dias pra chegar em Salvador, uma confusão. E chegando em Salvador ficamos numa casinha muito pequena na Boca do Rio. Ficou todo mundo nessa casinha de dois quartos, Beto, a banda do Beto, a banda do Lô e Claudinha Cimbléres estava também. Na volta de Salvador acabei terminando com o Beto e comecei a paquerar com o Lô (risos) namoramos por um ano. Terminamos e daí um tempo senti que queria voltar com o Beto,ele já morava no Rj com Bituca, na Sernambetiba. Aí eu conheci o Bituca, fui pra lá e na época Pegávamos o Frescão ali em Copacabana e subíamos até na Barra, pra casa dele. E foi muito legal, ele me recebeu super bem e a gente ficou amigo nessa época, no ano de 75.
Depois desse episódio do namoro, a Amizade entre Beto e Lô ficou um pouquinho abalada, mas no princípio, só no princípio, porque eles são super amigos até hoje. São irmãos mesmo, não tem nada a ver. Quem sou eu pra separar uma Amizade desde nove anos de idade, não é? Acontece é coisa de adolescente mesmo.

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Beto Guedes

O Beto começa a fazer muitos shows após o disco Amor de Índio. Nós já éramos casados, a gente casou em 1977. Eu estava grávida, eu casei grávida. Eu falei assim: “Beto, como é que faz? Eu estou grávida, entendeu?” E ele:”Pelo amor de Deus, seu pai vai me matar”. Meu pai era uma onça brava. “Que vai matar nada” (risos). Inventamos uma desculpa esfarrapada pro meu pai, que a Odeon ia dar muito dinheiro pro Beto por mês e que ele queria casar comigo, aquelas coisas de antigamente. E aí a gente casou. Casamos e fomos pra São Paulo. A gente ia morar com o Bituca lá no Rio, aí depois o Bituca falou: “Olha, gente, eu estou achando melhor vocês irem pra São Paulo porque São Paulo é melhor do que o Rio”. E ele já tinha gravado Fé Cega e Faca Amolada, então o pessoal já estava começando a reconhecer aquela voz aguda e diferenciada do Beto da gravação. E foi super legal, porque já estava tudo preparado pra eu ter o Gabriel lá em São Paulo. O Bituca nos apresentou à Marlene Coimbra, que é minha comadre hoje. E nós ficamos na casa dela um tempo, até ela arranjar um apartamento perto dela lá pra gente morar. E aí, na hora que estava tudo certo pra eu ter o Gabriel lá, o Beto: “Vamos embora, que eu quero que meu filho mineiro. Aí voltamos pra Belo Horizonte e não voltamos nunca mais pra São Paulo. Resolvemos vir morar aqui de vez. Quero dizer, só que vivia mudando e viajando muito.
E na década de 80 o Beto arrebenta e começa a fazer muito sucesso. É engraçado que pra mim não fazia diferença, porque eu não via o Beto como ídolo. Poxa, era o meu marido, pai dos meus filhos, um homem comum. Quero dizer, a gente tinha um monte de problemas como, por exemplo: a mulherada toda dando em cima meu telefone eu trocava de três em três meses, (risos) Porque a meninada descobria e era um inferno. Mas fora isso era normal… Um cara que dormia às seis horas da manhã, acordava às quatro. (Risos) Mas fora isso…. Aí, quando queria bater muita asinha, eu mandava ele na feira. Eu dizia: “Não, Beto, olha, está faltando cebola, tomate, entendeu? Vai lá na feira comprar porque acabou”, pra conviver com o povo, “Vai na farmácia comprar band-aid… (Risos)

Godofredo Guedes
Ah, o Godofredo, meu ídolo, minha paixão, uma pessoa fantástica. Era um cara que assoviava o dia inteiro, pintava o dia inteiro e tocava clarinete. Era isso, era uma figura assim de uma beleza, sabe? A Julinha, a mãe do Beto, brava, sabe aquelas baixinhas bravas? Brigava com ele até (risos). Daqui a pouquinho estava o Godofredo lá, pintando e assoviando. Eu até peguei muito essa mania dele, eu fico assoviando o dia inteiro. Mas ele era de uma paz só. Nossa, eu nunca vi uma pessoa tão do outro mundo. Era uma pessoa tranqüila, nunca bebeu, nunca fumou e compunha músicas geniais. O cara não podia ser normal. Ele andava a meio metro do chão, uma figura leve, um poeta. Uma vez ele me contou que ele fez um livro de contos eróticos. Eu disse: “Gegê, vamos publicar isso agora” Ele falou assim: “Não, a Júlia me mata”. Eu: “Cadê, cadê?” E foi interessante, olha pra você ver como é que são as coisas. Dois meses antes dele morrer, eu liguei pra ele, porque ele era doido pra gravar os discos dele na Odeon. Aí, não sei por que, eu menti pra ele, eu disse assim: “Godô, olha, a Odeon me ligou e eles estão querendo gravar um disco seu. Então, escreve todas as suas músicas, escreve tudo, porque nós vamos fazer uma seleção, a Odeon vai fazer uma seleção pra escolher as melhores, que eles vão gravar. Eu disse assim: “Gente, mas pra quê que eu fui fazer isso, ficar iludindo, e daqui a pouco não acontece nada”. Mas tudo bem. Aí ele ficou uns três meses lá escrevendo, aí veio a notícia que ele tinha morrido: “O Godofredo morreu”. Eu falei assim: “Ai, meu Deus, e agora? Vou pra Montes Claros”. Chegou lá, a Stela irmã do Beto me entregou uma pasta com mais de 80 partituras com suas músicas. ele escreveu todas as músicas, sabe? Estava tudo escrito num caderninho e com um bilhetinho: (“Aí, minha loira”), que ele me chamava de minha loira, ta aí o que você me pediu. Eu guardei o álbum, e foi só depois que eu passei pro Gabriel, depois que ele havia crescido. Então, hoje ele gravou um CD de chorinho, do Godofredo, e vai gravar um de samba e futuramente um de valsa. Quero dizer, a gente tem um acervo completo das músicas dele, graças à minha intuição. O Ian era pequenininho quando ele morreu A gente passava muitas férias lá. Quando o Beto chegava, ele sempre pegava o clarinete, o Violão e mostrava músicas pra gente. Ele foi um pai pra mim, super bacana. Eu sonhava muito que algum dia alguém gravaria essas músicas do Godofredo. Quero dizer, eram músicas tão lindas, porque não gravar, e ele era doido pra gravar as músicas dele. Então eu ficava batalhando e correndo atrás.Eu sempre fiquei por trás, botando lenha na fogueira pras coisas andarem. E funcionou, Graças a Deus.

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Inovações musicais

O Clube da Esquina trouxe tudo de inovação à música brasileira. Pra mim é a música mais diferente do mundo. Quem toca igual esses meninos? Ninguém.Toco um pouco de piano,então eu fico vendo a harmonia deles. É uma coisa muito louca porque tem músicas belíssimas com harmonias simplíssimas.Outro dia eu estava tocando Amor de Índio, Amor de Índio tem cinco acordes. Eu falei assim: “Mas o que quê é isso, cinco acordes?”. Quero dizer, aí vem o bom gosto de todo mundo, do Wagner que põe um super arranjo. Eu não sei se é Wagner ou Toninho. Pega músicas do Lô, tem três acordes, não é aquela coisa, não é uma Bossa Nova, que é cheio de semitons não, são músicas simples que eles fizeram, que não se parecem com nada nesse mundo, e que o mundo inteiro adora, não é? Pra mim não existe melhor, sabe? Não é bairrismo não, não é puxando a minha sardinha não, mas não existe, gente. A Tropicália não pode nem comparar, entendeu, porque mineiro é rico em harmonia. Você escuta um disco, você escuta um disco inteiro, não tem falhas. Agora, mas quem que vem por trás? É um Wagner Tiso, é um Toninho Horta. Então isso, cada um melhor que o outro. Então saiu isso aí, e Graças a Deus que a gente tem pelo menos uma referência pra gente, pros filhos, pros netos, pros bisnetos, pra quem chegar, que é uma super escola.

Composições
Já compus três músicas, mas aí não deu em nada porque o Beto achou uma porcaria(risos). Eu disse: “Vem cá, deixa eu te mostrar uma música e tal”. Ele falou assim: “Hummmm” Eu falei: “Pô!” Aí mandei uma até pro Flavinho Venturini, olha só, na maior cara de pau. Eu disse assim: “Flávio, estou mandando uma música que eu fiz”, mas também não deu em nada. Então eu peguei e desisti, sabe? Dei uma desistida e parei de compor. Mas agora vou voltar, com certeza.

Filhos
Olha, os meninos (Gabriel e Ian) começaram a se interessar pela profissão de Músico por acaso, assim, porque a gente nunca incentivou, mas nunca na vida eu falei: “Ah, olha, Gabriel, senta aqui no piano”. Nunca teve nada disso. Mas lá em casa tinha instrumento demais, entendeu? Era piano, Bandolim , e coatro, e Guitarra , Violão , baixo.Às vezes eu estava tocando, eles chegavam, o Beto tocando. Entravam e iam pegando os instrumentos,uma coisa natural, não teve forçação de barra: “Não, meu filho vai ser Músico porque o pai é”, entendeu? Mas, como eles tinham facilidade com os instrumentos, com os vários instrumentos,então acho que deve ter sido por aí… porque ninguém incentivou eles não.
Gabriel tem esse nome por causa do Anjo Gabriel, é lógico. Eu falei assim: “Ah, eu quero que o meu filho seja um anjo”. Eu já tinha escolhido Gabriel por causa do Anjo Gabriel, que eu queria que ele fosse protegido pelo anjo. E o Ian, o Ian… Foi até engraçado porque eu achava que era menina, que ela ia ser Júlia. E na época, na hora que ia nascer, que eu falei assim: “Putz grilo, é menino. E agora? Não tem nome”. Ele ficou uns dois meses sem nome, porque eu não queria botar Bernardo, Pedro, eu queria, e falei: “Gente, eu não tenho um nome pra menino”.Aí um dia o Beto lembrou do Ian Anderson, do Jethro Tull . “Ah, então vai ser Ian”. Então um é por causa do Jethro Tull, do Ian Anderson, e o outro por causa do Peter Gabriel.

MÚSICAS
Amor de Índio

Ah, pois é, é uma história engraçada porque, na época que o Beto morava lá com o Bituca e que a gente ia muito, o Bituca tinha uma namorada chamada Cecília Milions. E eram os dois, o Bituca com a Cecília, e eu e o Beto. Um dia, não sei por que cargas d’água, o Bituca chegou e falou: “Não, porque agora esta casa é uma taba”, falou que a casa dele era uma taba, “e eu sou , o índio mor, cacique, e a Cecília é a mulher do cacique, e você e o Beto são os indiozinhos. Então você é o indiozinho e ela é a indiazinha”, e aí começou com essa história, e o Beto começou a me chamar: “Ah, porque indiazinha…”, e o Bituca: “Ah, indiazinha, indiozinho, indinho, e aí virou apelido.E o Beto só me chamava de indinha e eu só chamava o Beto de indinho. O Ronaldo Bastos então fez Amor de Índio, mas começou com essa história do Bituca.

Milton Nascimento
Eu lembro uma vez da gente, nessa época do show lá do Canecão, foi uma coisa muito engraçada, porque o Bituca tinha até um carro Totó, que era um fusquinha verde. Eu acho que o Totó era verde ou azul, não sei. E o Bituca estava meio duro, sem dinheiro, e morava só nós três. Então, a gente pegava o Totó pra ir no supermercado comprar ovo Tinha só ovo. A gente comia ovo de manhã, ovo de tarde e ovo de noite. E a Cecília, fim de semana levava umas comidas. Aí que a gente passava super bem porque a gente só comia bem quando Cecília levava o rango (risos). E nessa época, o Bituca não tinha grana, estava devendo, estava devendo o empresário, Você já viu artista dever empresário? Eu nunca tinha visto. E eu lembro que nesse dia, teve um show lá no Canecão, foi o maior sucesso e tal. Desce a gente com uma mala, o Bituca com uma mala de dinheiro pra pagar o empresário em Copacabana. Eu falei assim: “Gente, mas eu nunca vi”, Eu falei: “Mas que trem esquisito. Ah, tinha várias histórias… O Beto começou a mexer com ultraleve. Ficava eu e o Bituca na janela fazendo cafifa, sabe, pro avião cair, que o Bituca odiava. Ele dizia: “Menino, vem tocar Guitarra , para com essa porcaria de avião”. Tinha essas histórias, umas histórias engraçadas. Quero dizer, na época não era muito engraçado não, mas que hoje contando, você lembrando, é legal. O Gabriel também herdou o gosto pela aviação, completamente.
Teve um dia que ele falou: “Ta vendo, Bituca, a sua cafifa passou de geração”. Porque o Gabriel é fanático (risos). E o meu neto, Samuel, filho do Ian e da Bianca Luar, cantora, também, você acredita? Tem dois anos e só tem avião, só quer saber de avião. Escuta avião de longe, ele já fala: “Avião” avião. Só quer ver um filmezinho que passa, que chama Jay Jay, o Jatinho,só vê Jay Jay, o Jatinho. É apaixonado com o Gabriel. Vê o Gabriel e começa: “Vuuuu”, sabe, a imitar avião direitinho. Então essa cafifa passou pro Samuel rsrs… Funcionou muito bem, porque passou pro Beto, pro Gabriel e o Ian, o Samuel. Eu tenho três netinhos. O Gabriel tem duas meninas, a Júlia e a Lira. Júlia de seis, a Lira de quatro. O Ian tem o Samuel, de quase três. A Júlia toca piano, você acredita? Toca piano, toca e canta, com seis anos de idade. Eu falo assim: “Meu Deus do Céu , não tem jeito, não é?” Não é a gente que ensina, mas você está ali, tudo ali na vista né?

FAMÍLIA
Filhos

Hoje em dia o Gabriel está fazendo chorinhos do Godofredo e o Ian com Beatles cover e toca com a Bianca Luar, a mulher dele. Eles têm um show também, muito bacana mesmo.
Ai meu Deus do Céu , eu rezo muito, sabe, porque é difícil, é muito difícil. É bacana porque eles têm o dom e não tem jeito, vão ser músicos. Já são desde muito tempo. Mas é tão sofrido, sabe? Eu digo: “Meu Deus, porque que eu não tive um administrador de empresas, (risos) Mas não, os dois são, e não tem jeito. E é legal, assim, porque eles têm muito Talento . O Gabriel e o Ian.Eles têm um ouvido bacana e tal, e está no sangue, não tem como. Mas é um sofrimento, porque eu falo assim: “Gente, não adianta ser filho de quem é, ser afilhado de quem é. O negócio é ter sorte e Talento , e batalhar”, e é isso que eles estão fazendo. É isso que eles estão fazendo, e escolheram essa carreira, e eu fico rezando, penso: “Ai, meu Deus, ajuda pelo amor de Deus”, porque com filho, família, é difícil. Uma hora tem muito, outra não tem. É complicado.

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Cerâmica/música

Eu abri a Lumiar Produções Artísticas, que eu era empresária do Beto. Trabalhei com o Beto muito tempo e tal. E aí me encheu o saco(risos) aquela coisa: “Ai, meu Deus do Céu”. Eu escutava o nome do Beto o dia inteiro, era assim, Beto não sei o que, Beto de manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Aí eu disse: “Vou fechar essa Lumiar, vou parar de trabalhar com o Beto, não quero saber, entendeu, vou parar”. E eu fiquei a toa na vida, aí pensando: “Meu Deus, o quê que eu vou fazer, tenho que fazer alguma coisa”. Eu estava querendo sair um pouco desse meio de produção, show, essas coisas. E eu comecei, porque eu tenho uma ligação espiritual muito forte com Deus, aí já é outra história, e comecei a rezar muito pro meu anjo da guarda. Pedi pra ele, disse: “Olha, me mostra uma coisa diferente, me manda por sonho ou visão ou o que for, me mostra um negócio diferente”. E eu comecei a sonhar que eu fazia potes de barro enormes, sabe assim, no torno. Eu me via subindo uns potes enormes de cerâmica e falei assim: “Gente, que coisa estranha. Estou pedindo pro meu anjo me mostrar um negócio, ele está me mostrando eu oleira, subindo”. Aí que eu me liguei, sabe, eu falei assim: “Gente, é cerâmica. Quem sabe?” Aí eu procurei algumas pessoas e tal, caí na cerâmica, olha que coisa interessante.
Eu tive dez anos aula com a Erli Fantini, fiz dez anos aula com ela, com a Regina Pimentel também, com a Carmelita. A gente já viajou muito, fui pra Barcelona com a turma fazer curso de cerâmica, foi muito legal. Vivi muito tempo da cerâmica. Trabalhei, vendia. A gente fazia muito exposição ali em Santa Tereza, e eu fazia muito exposição também em outros lugares. E foi muito legal.
E aula de piano, voltei agora, olha que bom. Então acho que de repente a fase da cerâmica passou e eu estou resgatando a música, porque eu fiquei 20 anos sem tocar mesmo, sem estudar, sem fazer nada, só acompanhando ali, dando umas dicas, escrevendo umas harmonias, umas melodias pro Beto não esquecer no dia seguinte, aquelas coisas. Chegava, mostrava pra ele. Mas, assim, nunca mais, sabe? Parei. E agora me deu aquela vontade. Conversei com o anjo de novo e ele: “Não, é a música, não tem jeito”.

Quando eu falei com Gabriel que eu tinha voltado a estudar piano ele me deu a maior força: “Poxa, mãe, que legal”, que não sei o que e tal. Mas ele também é meio assim, sabe? Ele fala que é legal, mas não dá força, não dá não. É tipo assim: “Ah, é legal, mas você se vira aí”, que eu acho legal também. Mas aí, quando eu preciso: “Oh, Gabriel, aquela harmonia de não sei o que, da música, como é que é? É dó maior?” Aí ele me passa, entendeu? Mas, assim, é engraçado porque as músicas que eu ensinei pra ele, ele toca todas, que eu ensinei. Agora, as que eu preciso ele diz: “Ah, mãe eu acho isso bacana, aí me dá força a correr atrás sozinha. E eu estou achando legal porque está voltando. Eu achei que eu tinha esquecido, mas é engraçado, a gente não esquece, não é? Fica adormecido só. Então outro dia, eu sentei lá no piano e botei um CD de Beatles. Aí comecei a escutar, comecei a tirar, eu disse: “Uai, mas é assim mesmo, é assim e tal”. Tirei três músicas. Aí chamei o Beto, falei assim: “Olha aqui, Beto, vê se é isso mesmo e tal”. Ele disse: “Olha, é isso mesmo, ta faltando só um acorde, só dando uns reajustes”. Mas então está legal porque está voltando, sabe assim? Eu achei que eu tinha esquecido mas não.

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Museu

Eu achei tão interessante essa idéia do Museu. Inclusive o lançamento da Associação. Foi no dia do meu Aniversário não é? Foi naquele dia. Eu fiquei tão feliz que eu falei assim: “Gente, eu comemorando o meu aniversário , todo mundo veio, sabe, do Rio”. O Bituca veio, o Ronaldo Bastos, o Cafi. Quero dizer, eu vi gente que eu não via há anos. Foi muito legal. Precisava, gente, precisava disso, sabe? É uma coisa. Imagina deixar isso morrer. Quero dizer, morrer não vai morrer nunca. Mas assim, tinha que registrar isso porque é tanta história, não é? É muito rico, sabe? Inclusive nossos netos e bisnetos iriam cobrar isso da gente, do pessoal. Mas, poxa, a iniciativa do Marcinho foi genial. Correu atrás e conseguiu. Bacana, é a cara dele, dele e da Claudinha.

Fale na Esquina

2 Mensagens para Silvana Guedes

  1. cecilia disse:

    Indinha, a nossa nao vai morrer nunca, Amor de taba. Tobagobago Uh. Liguei algumas vezes pra cacique Monstro da lagoa negra e sabe que Assistentes de cacique nao deixam a gente chegar perto. Mil perguntas, pior que formulario para visto americano. Me senti bem imbecil, tentando falar com alguem que amo tanto, pelo qual nao tenho o menor interesse a nao ser o grande astral dele, e a babaquice e igual ha anos atras, Falta de saco total pra deslumbramento. Saudades de voces, tao garnde! Nem que tenha que ir ai ai. Tanta coisa pra colcocar em dia!!!! Indinha, te adoro, e tal semana que vem????? As babaquices continuam hein? So mudam as moscas.

  2. Efigenia disse:

    Ola Silvana, vc nao lembra de mim. Sou Efigenia amiga da sua irma Simone.
    Por favor tenho muita vontade de reecontrar a Simone meu telefnoe é:96511265. Gostaria muito mesmo de ve-la. Fomos colegas e amigas.Um abraço e desde ja obrigada, Efigenia.