Tavito

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IDENTIFICAÇÃO
Nome/Local e data de nascimento

Meu nome é Luis Otávio de Melo Carvalho. Nasci em 26 de janeiro de 1948, em Belo Horizonte.

FORMAÇÃO MUSICAL
O primeiro instrumento

Desde menino que eu gosto muito de música. Eu já sabia que a música estava dentro de mim. Eu lembro que no segundo ano primário, no Colégio Santa Helena, eu já era meio que uma atração. Eu ficava cantando as músicas de sucesso no rádio e os meninos paravam pra me ouvir. Eu imitava as pessoas. Papai tinha uma discoteca muito vasta de clássicos e eu cresci ouvindo isso. Mas a música me pegou mesmo no dia em que eu dei meu primeiro acorde no violão. Nesse dia, percebi que a coisa pegou. O pai de uma amigo meu tinha dado um violão pra ele e ele me emprestou. E só de ver eu peguei. Eu nunca tinha pegado um violão antes. Peguei e fiz um lá maior. E quando saiu aquela soma de notas, aquilo me emocionou. Eu tenho um ouvido muito bom. E nessa noite, eu e o meu irmão já fizemos uma serenata pra uma vizinha. Só com dois acordes. Eu cantava, mas não muito bem.

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As influências

Tem duas músicas modificadoras na minha vida. Uma é “Chega de Saudade”, de 1959. A primeira vez que eu ouvi “Chega de Saudade” nem foi a gravação original. Foi com o Trio Nagô. E isso mudou minha vida a respeito de audição de música. Eu nem tocava violão nem nada. E a outra foi um rock dos Beatles chamado “I wanna hold your hands”, que também mudou a minha vida. São as duas coisas modificadoras na minha vida. Acho que desde menino eu detectei o que significa preconceito, porque eu não tenho preconceito de música nenhuma. Se me agradar, é boa; se não me agradar, não é boa. Então eu sempre ouvi tudo. Isso é uma vantagem.

FORMAÇÃO MUSICAL
Aprimoramento

Eu fiz um ano de violão clássico com o Zé Martins lá em Belo Horizonte, mas não me apliquei. Ele era um professor extraordinário, tocava muito bem, mas eu nunca fui estudioso de música. Eu nunca estudei. Eu aprendi muito na prática. Quando eu vim pro Rio, eu gravava muito. Eu tocava um violão bacana e gravava muito. Aí fui aprendendo as coisas que tinha que aprender na prática.

FORMAÇÃO MUSICAL
Profissionalização

A minha carreira como músico começou em 1965. Eu toco violão desde 61. Eu tinha 13 anos. Em 65, eu conheci o Vinicius de Moraes em Belo Horizonte e ele me convidou pra fazer um show com ele. Ele tocava com o Baden na época. Acho que foi em 65. E ele me convidou pra fazer um show com ele no Morro do Chapéu, um clube de Belo Horizonte. Aí eu fiz. O Baden não foi por alguma razão, então a gente ensaiou e fizemos um show com o Vinicius. Eu comecei aí profissionalmente, mas era um negócio incipiente, porque eu não estava ganhando nada. Profissional é quando você ganha alguma coisa. Eu estava fazendo por prazer. Eu ensaiei com um grupo vocal, o Bossa 9, e fiz o violão. O Vinicius estava na mesa, com o uísque, e a turma atrás. E na hora do show, o Baden resolveu chegar. Isso depois de a gente ter ensaiado uma semana na casa do Ivan Marquete, em Ouro Preto. Aí ficou aquela coisa: “Vou fazer ou não vou fazer? Como é que faz?”. Então ele disse: “Você vai fazer”. O Baden ficou do outro lado do palco. Fizemos os dois de violão. Foi um negócio bacana, porque o Baden sempre foi meu ídolo. Eu tirava todas as músicas dele, o samba triste. Eu aprendi violão ouvindo Baden. Eu solava as músicas igual a ele. Por isso que eu fiz o show com o Vinicius, senão ele não tinha me chamado. E foi bacana porque o Baden não estava num dia muito feliz e eu acho que toquei melhor do que ele. Foi um dia especialíssimo. Evidentemente que eu nunca toquei violão igual ao Baden na vida, nem de perto. Mas deu no jornal lá: “O Baden ficou com os olhos desse tamanho em cima do violonista mineiro”. É filho da terra, aquela coisa, aquela badalação.
Foi nesse dia que eu senti que ia seguir a carreira. Também tem o fato de o Vinicius ter me chamado pra eu vir pro Rio. Já nessa ocasião ele falava: “Você tem muito talento. Você tem que ir pra lá. Não pode ficar aqui, senão você vai morrer aqui e não vai acontecer nada”. Aí passou um tempo e em 68 eu vim pro Rio e me profissionalizei.
No primeiro ano que eu fiquei aqui eu morava numa pensão e dava aula de violão. Mas eu tenho essa cruz que eu carrego na vida: eu nunca vou conseguir ensinar nada a ninguém. [Risos] Nunca nenhum aluno meu aprendeu nada. Eu só tomava o dinheiro deles. Eu enganei esse povo. E eu comecei a gravar quando apareceu aquele negócio do Sachinha´s. O Sachinha´s era um botequim que tinha ali ao lado do Sacha’s, um barzinho onde o pessoal começou a se reunir. Foi ali que eu conheci o Zé Rodrix, o Ivan Lins, esse pessoal do grupo Manifesto, conheci o Eduardinho Soto, enfim, conheci um monte de gente que gerou o Som Imaginário. E foi ali no Sachinha´s que se formou o Som Imaginário. Então foi assim a minha primeira expressão como músico profissional do Rio de Janeiro, ganhando dinheiro honestamente, porque antes não era honesto. Foi justamente no Som Imaginário.
Eu já tinha trabalhado antes em Belo Horizonte. Eu havia me relacionado com o Vox Populis, do Chiquinho Pereira, do Marco Antonio Araújo. Quer dizer, eu tinha um trabalho com eles também, já fazia uma coisa, mas não se ganhava dinheiro. Eu antes fazia trabalhos profissionais mas não-remunerados.

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Zé Rodrix

O Zé Rodrix é uma pessoa extraordinária. Ele é um sujeito de um dinamismo mental extraordinário. É muito bom sujeito, é muito amigo meu, a gente ficou muito amigo e nós tocamos juntos muito tempo. Fizemos uma temporada de um ano com a Gal Costa, que até está aqui gravando, ensaiando. E nós fomos fazer um show em Goiânia, estávamos no mesmo quarto do hotel, e ele veio com uma letra. Falou: “Tavito, está aí. Escrevi isso aqui”. Foi “Casa no campo”, que é a primeira música de sucesso. Eu já tinha outras, mas não tinha emplacado. A primeira música de sucesso que eu fiz foi “Casa no campo.” Eu não me levava muito a sério como compositor não. Eu era mais instrumentista. Hoje que eu sou muito mais compositor que instrumentista. Eu inverti. Aí fizemos “Casa no campo” lá em Goiânia. Ele inscreveu ela no Festival de Juiz de Fora e ela ganhou. O prêmio era aparecer no Festival Internacional, no FIC, no Maracanãzinho. Quando ela foi pro Maracanãzinho, tirou acho que nono ou oitavo lugar. E a Elis viu. Foi quando ela resolveu gravar a música. E virou um clássico da época.

PESSOAS
Milton Nascimento

Eu conheci o Milton da maneira mais bela que se pode imaginar conhecer um compositor desse nível. Belo Horizonte era uma cidade muito boa, uma cidade maravilhosa. Você saía de madrugada e andava normalmente na rua. Não tinha medo de coisa nenhuma. Era uma maravilha. E eu e um amigo meu, o Cláudio Castilho, estávamos passeando de madrugada, fazendo coisa nenhuma, aquelas bobagens de adolescente. Nós estávamos na Praça do Cruzeiro, que hoje é a Praça Milton Campos, que era a última coisa de Belo Horizonte. Belo Horizonte acabava ali, e às vezes a gente ficava olhando pra cidade embaixo. Aí nós ouvimos o som saindo de um carro parado, que estava com as portas abertas. Era o Marilton em seu carro, com o Bituca tocando violão. E eu, nessa altura, já tocava violão, já estava enfurnado com música. Então eu cheguei e perguntei: “A gente pode ouvir?”. “Claro, bicho, pode entrar.” Entramos no carro e eu fiquei ouvindo o Bituca até umas seis horas da manhã. Eu lembro que ele tocou “Tarde”. E eu nunca tinha ouvido “Tarde”. Foi antes de ele gravar. Ele tocava baixo na época. O Bituca era baixista.
Depois disso, eu fui vê-lo tocar porque fiquei enlouquecido com as harmonias dele. Aquilo pirou a minha cabeça. A primeira vez que eu ouvi o Bituca eu pirei, um monte de gente pirou. Eu fiquei muito louco ouvindo aquilo. E fui vê-lo tocar contrabaixo num lugar chamado Canecão. Nunca esqueci disso. Ele tocava com os dedões assim, com aqueles dedos estranhos dele. Depois disso, eu só vim a encontrá-lo no Rio, quando a gente fez o Som Imaginário. Não, mentira, encontrei com ele em Belo Horizonte mais vezes. A gente tinha um grupo vocal e ele adorava o nosso grupo vocal.
Aí nós gravamos o disco do Milton Nascimento e o Som Imaginário, que é do show do Teatro Opinião. Aquele show foi um espetáculo. Acho que ficou três meses no Teatro Opinião, depois ficou um mês na Sucata, depois mais um mês não sei onde. Ele não saía de cartaz. Era espetacular. Era um grupo muito heterogêneo. Tinha um lado muito jazzista. O Wagner, o Luíz, o Robertinho eram músicos da noite, que tocavam mesmo aquela coisa. E tinha roqueiros como eu. O Zé também era meio roqueiro. E na percussão era o Naná Vasconcelos. Apesar de ele nunca ter sido do grupo, ele é que tocava com a gente. Então eu tenho momentos extraordinários. Vi o Bituca tocar em primeira mão uma música como “Cravo e Canela”, por exemplo, que é uma coisa que a gente não esquece mais, porque é completamente diferente de tudo que eu já tinha ouvido. Era daquelas coisas que você fala assim: “Pô, você não achava que esse acorde não ficava melhor, não?”. E ele respondia: “Não, não fica não. Bom é aquele que eu faço mesmo”. E você vai ver, bicho, e é “imexível”. Você não pode mexer nada. A música do Milton é completamente pronta. Ele faz ela no violão e ela está feita. É igual ao Tom. O Tom também é assim. Não mexe em nada, não inventa porque é aquilo. E completamente novo. Eu tive muita alegria com essa fase da minha vida. Eu aprendi muito. Eu acho que a principal coisa que eu tive do Som Imaginário foi muito aprendizado. Aprendi muito. O Fredera era um guitarrista muito bom. Ele gostava de rock-´n‘-roll também, gostava de jazz, gostava de música brasileira como eu, que gosto de tudo. Ele era muito bom e me ensinou muito. Eu era mais novo e aprendi muita coisa com aquele povo. O Wagner é um grande amigo meu, que eu adoro até hoje. Enfim, eu tive muita alegria com o Som Imaginário. Só tenho coisa boa pra contar.

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“Rua Ramalhete


“Rua Ramalhete” agora é trilha sonora de Belo Horizonte. “Rua Ramalhete” é uma música feita para o meu primeiro disco-solo. Eu nunca pensei em gravar sozinho. O problema é que eu fui mexer com publicidade, eu cantava lá nos meus jingles e o produtor me viu cantando e achou que dava o maior pé. Então ele arrumou e a CBS me contratou. E nessa época eram tão fáceis as coisas. Os caras iam lá, pegavam você, contratavam, gravavam disco com orquestra. Era tudo na maciota. E eu tinha que preparar um repertório rápido pra entrar no estúdio. Nós estávamos em julho, e em agosto eu tinha de entrar no estúdio. Aí peguei um amigo meu, que até hoje é muito meu amigo, o Nei Azambuja, e fomos lá pra casa. “Bicho, vamos fazer pelo menos três músicas. Hoje a gente faz três músicas.” E fizemos duas. Fizemos “Rua Ramalhete” e fizemos “Começo, meio e fim”. Foram duas músicas que saíram no mesmo dia, porque na casa dele tinha chegado uma amiga de Belo Horizonte e ele falou assim: “Sabe quem está lá em casa? A Beth”. Eu perguntei: “Que Beth?”. “A Beth, que foi muito sua amiga na Rua Ramalhete.” E eu falei: “Rua Ramalhete, olha que piada, olha o tema da música pra nós”. Rua Ramalhete era uma rua pequena, de um quarteirão, cheio de menina bonita. Cara, olha que loucura. A gente ia por ali e ficava paquerando aquelas meninas. Eu falei: “O tema é esse. Eu vou fazer”. Sentamos e começamos a lembrar das coisas. Aí é fácil. Depois do tema descoberto, você já tem as idéias. A música já estava meio pronta. A gente deu forma final. E gozado é que eu não achava nada dessa música. Nem dessa nem de “Casa no campo”. Não achava nada. Eu tenho dificuldade de pegar distância das coisas que eu faço. Até uns seis meses depois de fazer, eu acho tudo horrível.

MÚSICAS
“Clube da Esquina”

Eu tenho uma grande emoção com o Clube da Esquina. Eu estava aqui no Rio e fui chamado pra ser jurado de um Festival lá em Belo Horizonte. O Eduardo Curi na época me chamou pra ser jurado do Festival da Prefeitura que foi lá no Instituto de Educação. Nesse festival tinha Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento, Momento 4… E eu julgando esse povo. Agora você imagina isso. Quem ganhou foi o Eduardo Conde. E nesse festival eu fiquei conhecendo essa música, “Clube da Esquina”, a primeira, que é a coisa mais bonita do mundo. “Noite chegou outra vez.” Eu não conheço nada mais bonito do que isso. Pode ter igual, mas mais bonito não tem. E essa música me emocionou demais. E eu tive o prazer, a honra de gravar ela no disco do som do Milton e do Som Imaginário. Aquele violão quem toca sou eu. Deveria ser o Lô, mas o Lô não foi, aí eu acabei tendo que tocar a música. Então, o Clube da Esquina é uma coisa presente na minha vida no sentido afetivo e no sentido produtivo. O Clube da Esquina levou minha vida para adiante. O que o Clube da Esquina fez por mim? Muito. O que eu fiz pelo Clube da Esquina? Pouco.
O Clube da Esquina é uma coisa que levantou a vida de muita gente; que pegou muita gente e colocou num nível, que passou a ser o meu nível. Porque antes o nível era outro. O nível não era desse grau de sofisticação e de coisa popular. Porque o que me interessa muito em música é ela ser inteligente, mas que o povo goste. Eu não gosto de coisas muito herméticas. Quer dizer, adoro as coisas herméticas, mas eu gosto quando tem muita gente pra dividir isso. Eu acho que a arte é maior à medida que você diz ela pra várias pessoas e o Clube da Esquina é isso. Conseguiu um grau intelectual muito bom da música. Tem uns letristas espetaculares, uns poetas. O Márcio Borges, o Fernando Brant. E conseguiu uma musicalidade muito inteligente dentro de um contexto extremamente popular. Você pode escrever o que eu estou falando: um dos maiores fenômenos da música brasileira é “Travessia”. É uma música harmonicamente sofisticadíssima e que todo mundo canta. Se você for numa favela de Manaus, as pessoas vão saber. É um fenômeno. Não é uma coisa que acontece toda hora. E como essa, tem várias outras produzidas nessa época, que são músicas densas, complicadas, e que o povo aceita como se fosse um pagode. Eu acho lindo isso.

Voltar ao topo DISCOS 2

“Clube da Esquina”/ “Clube da Esquina 2”

Do “Clube da Esquina” eu participei. Do 2, eu já não participei. Mas eu adoro “Clube da Esquina 2”, instrumental, que tem nesse disco. Adoro o Bituca fazendo falsete de violão. Adoro “Dos Cruces”, adoro. Eu adoro esse disco. O que eu vou escolher desse disco? Adoro aquele “Girassol da cor do seu cabelo”. Acho espetacular. Adoro o Toninho. Aquele negócio do “Trem Azul”, aquele solo de oitavas do Toninho. É tudo perfeito naquele disco, não tem o que falar.

Voltar ao topo MUSEU

Clube da Esquina

Essa idéia do museu é uma decisão indispensável, que foi tomada até meio tardiamente. Foi bom porque ainda teve um tempo hábil. Porque daqui a um tempo morre todo mundo e não tem mais ninguém pra falar disso. Eu achei espetacular, maravilhoso o que estão fazendo. Acho sensacional, necessário. Eu acho que a música piorou tanto. Eu acho que a gente está enfiado num limiar de mesmices. Acho que a gente está ficando sem saída. As pessoas estão sem saídas. Não sabem o que fazer mais. O mercado dominou de tal maneira que tirou as intenções reais de se fazer música. Arrebentou com isso. Hoje, você pega um menino que vai começar a fazer música e ele viabiliza a música dele pela fatia que ele visualiza no mercado. Ele não viabiliza a música pela música, como era antes. Quantas pessoas que você conhece que vão na casa dos outros mostrar música? “Eu fiz uma música aqui. Olha que legal.” Não tem mais isso, acabou. Cada um tem seu nicho e já trabalha numa ansiedade de fama e de celebridade que é uma loucura. E a música caiu demais de qualidade. Eu acho. Dizem que quem acha não sabe, mas eu acho isso. É minha opinião.

FORMAÇÃO MUSICAL
Clube da Esquina: Avaliação

O Clube da Esquina, como movimento, talvez tenha sido das coisas mais importantes junto com a Bossa Nova. E talvez tenha sido a coisa mais importante que esse país já viu musicalmente. Eu acho. Não por ter estado perto, não por participar, mas justamente por ter podido acompanhar isso, por ter tido a sorte divina de estar nesse nicho, por estar vendo as pessoas de perto e vendo o prosseguimento dessa obra. Às vezes, a gente se pergunta porque não fez o furor de uma Tropicália, por exemplo. É justamente por isso: porque é mineiro, não é baiano, é diferente. Mineiro é assim. Mineiro faz a coisa mais quietinho, mais direitinho.
Mas o valor disso, o valor cultural dessa coisa, inclusive como postura artística, eu considero muito mais avassalador em termos estéticos, em todos os aspectos. Eu considero das coisas mais importantes. E eu conheço o trabalho desse pessoal mineiro, porque em Minas se fez escola. É um negócio impressionante. É muita gente. Eu vejo agora, que eu tenho um site. As pessoas me escrevem. A quantidade de adeptos que tem desse troço no Brasil inteiro é um negócio impressionante. O meu recado é: garotada, escute com muita atenção. Faça como minha filha fez. Eu levei minha filha pra ela ver o show do Bituca, pro Pietá. Ela estava com 16 anos. Ela não tinha chegado ainda naquela coisa. Ela está naquele rap, pop, hip-hop, trance, aquele negócio de meninos de colégio. E ela chorou de desaguar. Adorou. Ela gosta. Ela é ilustrada no sentido de que sempre gostou do Tom, de quem gosta de música boa. Ela é como eu. Ela é uma repetição minha, mas ela não conhecia muito o trabalho. E ela desaguou, chorou nesse show. E é lindo você ver isso: uma menina de 16 anos, hoje, com esse tipo de recado emocional ouvindo “Outubro”, que é lindo. “Outubro” é belíssimo. “Outubro” é uma música que eu toquei com o Bituca há muitos anos. E aí ela se joga na mesa assim. Eu acho isso extraordinário.

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Uma mensagem para Tavito

  1. ricardo Sa disse:

    Tavito, voce consegui falar tudo o que eu penso do Clube da Esquina (os bahianos que me perdoem mas, o Clube da Esquina está no mesmo patamar da Bossa Nova como inovação da MPB).Furei o LP quando lançado nos desbundes dos meus 21 anos.
    Meu genro nascido em 1976, ama o CE, tocamos juntos (apesar das harmonias dificilimas para cantar). Conclusão:os sonhos que foram permitidos pela galera do CE não envelhecem……