Vicente Bastos Ribeiro

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Voltar ao topo IDENTIFICAÇÃO

Nome, local e data de nascimento

Meu nome é Vicente Bastos Ribeiro, eu nasci em 20 de junho de 1951 em Campos, no Estado do Rio de Janeiro.

Voltar ao topo FAMÍLIA

Pais

Meu pai é Vicente Belo Ribeiro, minha mãe Mariana Bastos Ribeiro.

Irmãos
Somos quatro irmãos. Eu sou o caçula, então o mais velho é o Raimundo, depois o Roberto, depois o Ronaldo e o Vicente, na verdade. Na minha família meus pais queriam uma menina, aliás, parecia que ia se chamar Ana Maria e aí tentaram: primeiro foi o Raimundo, tentaram depois foi Roberto, Ronaldo e aí chegou a conclusão que estava bom, estava de bom tamanho e deram Vicente, o nome do meu pai para encerrar a série, daí que eu fugi do “R”.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Primeira Infância

A minha família se mudou de Campos logo depois que eu nasci, no terceiro mês, nunca realmente vivi em Campos. Vivi até os oito anos em Niterói e depois o resto do tempo no Rio. Eu me considero realmente carioca, porque eu mudei pro Rio aos oito anos e com exceção de alguns tempos que eu passei no exterior, sempre morei no Rio de Janeiro.

Pais
Meu pai era o executivo da Esso, uma multinacional americana. Ele começou a carreira dele como vendedor, como representante, então foi morando em vários locais diferentes sendo gerente comercial, etc. Os dois mais velhos nasceram em Minas, em Ubá; o Ronaldo que é considerado o compositor mineiro, nasceu em Niterói, que aliás, deu grandes… Aqui vou fazer um registro em favor de Niterói, porque têm grandes músicos brasileiros: Sérgio Mendes é uma expressão; tem o baixista, o Artur Maia é de Niterói, têm outros que eu não me recordo agora. Mas então meu pai passou um tempo em Niterói, depois Campos e voltou para Niterói e depois veio para sede da empresa no Rio e aí foi minha vida.

Voltar ao topo INFÂNCIA

Lembranças de Infância

O Rio era uma coisa… quero dizer, ainda não tinha tanto automóvel, era uma coisa mais rara, nem todo mundo tinha. Eu ainda peguei um resto de bondes no Rio e, foi um restinho, porque aí teve a tal das idéias de modernização, atingiu o Brasil. Teve o Juscelino na década de 50, aí foi fundada a indústria automobilística nacional e você abre na década de 60, uma década de crise, em que se começou a criar as condições para a ditadura dos automóveis, ônibus, etc. Então termina a parte de transporte de carga, grande parte do transporte de carga das ferrovias são sucateadas, acabam os bondes no Rio de Janeiro, então era uma cidade bem mais calma, mais local. Hoje em dia acho que deve ser difícil pras pessoas imaginarem como é que se fazia, como é que se vivia sem o celular, no entanto era isso, era… telefone era complicado, nem todo mundo tinha telefone e depois começou a ter orelhão, a gente andava com ficha de orelhão, eu não sei bem como é que achava o outro, mas o fato é que acontecia. Então, é isso, eu fui o caçula de uma família de quatro. É engraçado, lá é meio diferente, porque os dois mais velhos são meio parecidos, em linhas gerais, obviamente com as suas diferenças pessoais e tudo. Eu e Ronaldo sempre fomos mais, quero dizer, tem a proximidade de idade e fomos, sempre estivemos mais próximos, tinha as áreas comuns em termos de amigos, esse tipo de coisa e foi mais ou menos o que me levou ao Clube da Esquina, foi essa ligação grande que eu tinha com o Ronaldo.

Clube da Esquina
É interessante falar isso, porque o Clube da Esquina é um clube de amigos, mas ao mesmo tempo foi um eixo aonde se criou um movimento musical muito importante, definitivo na história da música brasileira e ao mesmo tempo era um clube de amigos, de convivência, um eixo de trabalho, dos cantores, compositores. Não só isso, você tinha pessoas que não eram músicos, como o Cafi, que era o fotógrafo, o fotógrafo do Clube da Esquina. Então, era um local, tinham os produtores, tinham os motoristas, tinham os road’s, são os vários personagens daquela história. Eu entro como amigo do Clube. Na verdade, eu nunca… meu trabalho foi outro profissionalmente. Eu me dediquei a outras coisas, então eu sou da parte do prazer do Clube da Esquina e tudo aconteceu em 1967, então eu um pouco também, eu sou o lady camera, porque eu não participei daquela fase inicial da esquina de fato em Minas Gerais, etc e o convívio deles todos. O Clube, me parece que era uma história de… os membros iam trazendo os novos membros, iam apresentando aos outros e você acabava sendo parte da turma e a turma não parava de crescer. Mas então eu sou um lady camera.

PESSOAS
Milton Nascimento

Eu cheguei na história do Clube quando eu conheci o Milton, não é? O Milton chegou em 1967, explodiu, tinha feito os trabalhos dele como músico. A Elis Regina já tinha gravado a “Canção do Sal” e eu tinha ouvido e tinha adorado, mas não tinha me ligado exatamente em quem era ele e essa coisa toda e foi quando o Ronaldo conheceu o Milton, não é… Ronaldo já tinha escrito algumas músicas, ainda muito no clima de estudante, essa coisa toda e um dia depois, ou dois dias depois, três dias depois, o Ronaldo convidou o Milton pra almoçar lá em casa. Era uma coisa muito comum, os meus pais incentivavam muito trazermos os amigos pra casa, era uma casa que freqüentava muita gente e foi lá que eu conheci o Milton e começou uma amizade muito grande. Ele é o meu grande amigo da história, meu amigo até hoje e nos vemos, às vezes passa um tempo sem se ver, mas parece que quando a gente se encontra é como se fosse ontem e ele é um cara fechado, ele é um cara pra se sentir à vontade custa um pouco e tem que ter alguma coisa em comum.

Voltar ao topo FORMAÇÃO MUSICAL

Clube da Esquina

Foi na minha casa, na minha família, na verdade, que adentrei no Clube da Esquina. O Clube entrou na minha casa com seu representante principal e que foi aí, as coisas, as convivências foram acontecendo e foi pela mão do Milton que ele foi trazendo as pessoas, não é? E obviamente junto com o Ronaldo, então a gente foi trazendo, foi aparecendo, fui conhecer o Fernando, conhecer o Marcinho nos momentos que se via no Rio, o Lô, o Beto e fomos… aí, foi, é meio que uma progressão geométrica, porque aí outros foram apresentando, os convívios… Eu me lembro que muito cedo… eu interrompi um pouco, eu tive, bom, eu falei, isso foi em 67 e eu passei o primeiro semestre de 68 fora do Brasil, foi uma viagem de intercâmbio para os Estados Unidos e então, quero dizer, conheci, ficamos amigos, a gente tem cartões postais do Milton, eu tenho até que ver se realmente eu guardei, se são acháveis, então eu passei esses primeiros… Depois eu voltei pro Brasil, aí a gente teve mais… quero dizer, foi muito intenso, porque foi esse período, vamos dizer, os seis meses de 67 e em 68 eu voltei no segundo semestre e fui embora do Brasil no início de 71. Passei sete anos fora, porque… um parênteses na história, eu naquela época era muito interessado em política estudantil e era o tempo, como vocês se lembram, da ditadura militar no Brasil…

Voltar ao topo EVENTOS HISTÓRICOS

Ditadura Militar

Eu era um estudante secundarista, mas fui me envolvendo com o movimento, primeiro com o grêmio na minha escola. Eu era de uma escola muito interessante chamada Colégio André Maurois, no Leblon, no Rio de Janeiro e fui me destacando na escola, comecei a participar também da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, etc. Então, eventualmente esse processo foi um processo intenso, político, que acabou envolvendo até militância política fora da escola e eu acabei tendo que sair, optando e tendo que sair do Brasil no início de 71. Então, foi um período relativamente curto, obviamente a amizade e os relacionamentos continuaram depois que eu voltei pro Brasil. Eu cheguei no Brasil em 77, fui embora em 83, passei mais seis anos fora, então, quero dizer, eu fiquei muito tempo dessa parte da vida fora do Brasil. Fora do Brasil eu estive com muitos dos meninos do Clube, com o Milton estive várias vezes, tanto nos Estados Unidos como na Europa, mas passamos tempos sem se ver. Eu não me lembro mais quem da turma toda eu vi lá fora – Ronaldo foi certamente sempre o eixo comum, tive com Toninho Horta várias vezes, o Toninho aquela grande figura. Porque vai tendo uma sucessão de parceiros do Ronaldo, de outros membros do Clube da Esquina que eu vou conhecendo também através da casa e a gente vai pra fazenda, a fazenda da família em Nova Friburgo, a gente vai… e outras viagens, vai pra Três Pontas, vai pra Belo Horizonte, aí vão acontecendo uns causos inacreditáveis, mas, bom…

Voltar ao topo FESTIVAIS

II Festival Internacional da Canção

Eu conheci o Bituca, ele tinha vindo pro Rio pra participar no Festival da Canção, em 67, essa coisa toda, então foi quando eu conheci; conheci o Fernando, conheci o Wagner Tiso, fui conhecendo a turma. Eu não fui ao festival, por alguma razão, naquela noite eu não fui, não fui ao Maracanãzinho, mas a gente convivia. E tinha um negócio naquela época que era um eixo também importante de convivência, quero dizer, o negócio da música, o business da música mudou muito, em tudo, desde a… você está falando 1967 pra 2007, nós estamos falando de 40 anos, é um período intenso. Porque eram temporadas de shows, não eram como é hoje. Hoje em dia o Milton faz um show no Canecão, vai fazer só três dias, quatro dias no máximo e aquela é atividade anual, ou vai fazer um show em tal lugar etc. Naquela época, a música popular brasileira, os shows eram tipo três meses, dois meses, então você, por exemplo, você tem o show do Teatro Opinião do Milton, então era aquela temporada, “o que você vai fazer hoje à noite? Bom, nos encontramos no show”. Então, todas as noites você ia estar lá e você geralmente via o show, claro, mas aí encontrava no bar antes, no bar depois e, por exemplo, o Milton no Teatro Opinião, que foi com Som Imaginário, foi um grande momento, foi um momento também de virada da criação do trabalho do Milton, onde ele se junta, cria o Som Imaginário, a gente se encontrava todo dia, então era uma coisa muito intensa porque era sempre um eixo que você se via tal como se via na praia, era o tipo de coisa.

Voltar ao topo PESSOAS/COMPOSIÇÕES

Milton e Ronaldo Bastos

Milton e Ronaldo fizeram o que foi o primeiro disco do Milton, que é aquela obra prima arranjada pelo Luiz Eça, eu acho que se chama Travessia, deve ser. Maravilha, os arranjos, esse disco inclusive foi há dois, três anos atrás reeditado pela Dubas Música, que é um selo de disco do Ronaldo e eles fizeram a música chamada “Três Pontas”, foi a primeira composição deles, está nesse disco. Depois era muito violão, porque se encontravam para as macarronadas da vida e eram coisas inacreditáveis. Eu me lembro, eu sempre comento isso com o Milton, até recentemente. Tinham os passeios, a gente tinha uns fusquinhas e andávamos pra um lado, andávamos pro outro, então o Milton estava justamente nos momentos de gravar o Travessia, então, eu, ele e o Danilo Caymmi, o Danilo tocava flauta, o Milton com o violão dele, fomos pra praia do Pepino, que naquela época tinha o bem e o mal, ou tinha um matagal, nada a ver com o que é hoje São Conrado, toda a urbanização. Por exemplo, fomos os três, aí chega, passa pelo mato, chega na areia, não sei o quê, senta e eles começam a tocar os dois juntos e… que era aquela música que o Danilo toca no disco, “Cata-vento”, que é uma música instrumental só e é inacreditável, quero dizer, os caras estavam preparando pra gravar o disco e tem uma célebre… momento que o Danilo tinha um ciúme enorme com a flauta transversa dele, você imagine, que não podia chegar nem perto, caía uma gota de cerveja naquilo ali, levava porrada, no mínimo, não é? E aí, no final ele ficou tão excitado quando acabaram de tocar o “Cata-vento”, que pegou a flauta e enfiou na areia, depois ficou soprando, da emoção da coisa. Quero dizer, a coisa das composições, as músicas iam sendo feitas, não necessariamente na roda, não, os caras sentavam pra trabalhar também muito, mas depois viravam a que era tocada no momento, não é? Então eu acompanhei. Eu na verdade vi um pouco da gravação do Clube da Esquina, o estúdio, como está registrado, era o Odeon antigo na cidade, acho que era um estúdio de dois canais ou quatro, sei lá… Ficava a patota, todo mundo naquele edifício, ali no… é o penúltimo edifício da Rio Branco, chegando no final, onde tem o obelisco, eu ficava ali embaixo tomando. As bebidas naquela época eram as piores possíveis, então, quero dizer, dinheiro não era uma coisa que existia, todo mundo era meio duro, eu, garotão, estudante, então se bebia “rabo de galo”, se bebia cachaça, se bebia conhaque Dreher, não é? Uma das coisas que aconteceu com a idade, tudo bem, os cabelos ficaram brancos, mas estamos bebendo melhor, (RISO) mas é isso. Quero dizer, então, as músicas foram sendo feitas, assim, “Sentinela” eu vi o Fernando me cantando no quarto da casa da Rua Grão Pará, lá em Belo Horizonte, que é onde a família morava um tempo… eu fui pra um Festival de Inverno, não sei exatamente quando foi isso. É, pode ter sido… é, eu já tinha voltado, então… Não, no primeiro disco, não, isso nós estamos falando de 68, segundo semestre ou, é, julho de 68, por aí e que eu fui pro Festival de Inverno de Ouro Preto, aquela bagunça toda, não sei o quê. Depois fiquei lá uma noite ou duas na casa dele antes de ir pro Rio, quero dizer, então as músicas conviviam, porque no fundo era uma amizade, uma convivência, mas eram o espaço de trabalho desses caras também. E, às vezes, os caras paravam e ficavam, ou entre eles, acertando uma frase numa música, entendeu? As coisas eram feitas em paralelo. Bom, mas aí tem a, isso, quero dizer, já está aí segundo semestre de 68 certamente.

MÚSICAS
Nada Será Como Antes

Quando eu fui embora do Brasil, já mais tarde, eu não sei exatamente quando que eles escreveram, foi em… Eu fui embora em 71, mas eu acho que o Milton faz uma música dedicada a mim, falado mesmo, chamada “Nada será como antes”, que tem a ver com esse negócio “que notícias me dão”, eu fora, meio exilado, eu acho que deve ter sido final de 72, meados de 73. É, deve ter sido, ele grava em 72, eu fui embora em março de 71.

CLUBE DA ESQUINA
Disco

Eu estava fora quando o disco foi lançado. Eu estava numa experiência de vida doida, quero dizer, eu estava fazendo faculdade, altos desafios em termos de estudar e ter que passar de ano, fazendo papers em inglês, sem saber bem a matéria, quero dizer, eu ia ouvindo aquelas coisas, porque eu estava… eu fui para Londres, passei sete anos em Londres, então tinha todo aquele som que eu tinha que ouvir e foi muito interessante. Eu me lembro que eu estava de férias, eles acabaram de gravar o Clube da Esquina em 72. Eu estava justamente de férias em Londres no verão europeu e o Ronaldo estava voltando, foi encontrar comigo na Europa. Ele tinha acabado a gravação do Clube da Esquina, exatamente. E foi aí que eu ouvi “Nada será como antes”.
Pô, tem foto minha, como tem de todo mundo, deve ter umas 300 pessoas naquela contracapa. Eu não me lembro as circunstâncias em que ouvi o disco a primeira vez.

CLUBE DA ESQUINA
Capa do Disco

O Clube da Esquina tem várias coisas assim, tem o negócio da música “Nada será como antes”, quero dizer, era parte dum time, dum grupo, então, você tem a minha fotografia lá, junto com todo mundo e a capa do Clube da Esquina, ela foi fotografada lá na fazenda, aqueles dois meninos eram dois meninos que a gente conhecia da fazenda. Eu não me lembro bem dos nomes deles agora; o Milton, se lembra disso tudo. Nesse exato momento eu não me lembro, mas os dois meninos estavam lá. Eles já estavam fazendo a capa do disco, eu não estava aqui, eu fui embora do Brasil em, sei lá, março de 71, por aí. Mas é o baiano, que é o mais moreninho e o outro não me lembro, que era o irmão de criação do baiano. Então, quero dizer, tem essas proximidades com as coisas. Eu não tenho a menor idéia de onde eles andam hoje. Houve algum momento, uma interseção, mas há muitos anos, eu não sei, realmente não sei o que aconteceu. Porque o Clube da Esquina também era a convivência. A convivência se dava de várias maneiras, ou na mesa do bar ou na praia ou na fazenda, que era o caso, a gente foi várias vezes, ou em Búzios ou Cabo Frio.

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Rio de Janeiro

Em certa época veio a turma de Minas aqui pro Rio. O Lô veio; Marcinho passou aqui vários momentos no Rio também; Toninho Horta, por exemplo. Toninho Horta é uma grande figura, não é? Depois eu fui encontrar com ele em Nova Iorque, ele ficou na minha casa quando eu morava lá e… quem mais? Wagner Tiso. Quando eu conheci o Milton, que ele estava chegando no Rio, quero dizer, ainda as coisas iam acontecer profissionalmente pra ele e tudo, eu me lembro, isso a gente sempre comenta, o encontro pela vida, então que eu conheci, ele foi lá em casa, almoçando, aí encontramos, ia no cinema, a gente andava de ônibus, eu me lembro de ter ido à pensão em que ele estava morando no Rio, recém chegado, na Avenida Barata Ribeiro com República do Peru e me lembro de lá, porque ele ia pegar alguma coisa, ele ia pegar um disco ou ia trocar uma camisa, então eu subi. Era um quartinho mínimo, com duas beliches que mal davam, onde estava ele e o Wagner e não sei mais quem, não sei se eles conheciam os outros dois ou não. Quero dizer, você imagina, era a chegada da turma. Chegavam pra buscar trabalho. O Beto certamente veio. O Beto é uma figura, depois a gente conviveu muito com ele, depois do Clube da Esquina, eu convivi mais tarde em 77 quando eu voltei de Londres… Eu convivi muito com o Beto, porque o Beto estava fazendo o trabalho solo dele. O Ronaldo produziu os primeiros trabalhos do Beto. Então, como é que eram os discos? Era “Sol de Primavera”, foi aqueles grandes sucessos. O Ronaldo escreveu com o Beto “Sol de Primavera”, “Amor de Índio”, “Contos da Lua Vaga” e vai por aí… começa aqueles grandes sucessos, “Lumiar”… E a gente está esquecendo, por exemplo, “Lumiar”, “Amor de Índio” e qual foi o outro que eu falei primeiro? “Sol de Primavera”, quero dizer, eram as músicas títulos dos trabalhos, são iguais. Página do Relâmpago Elétrico foi o primeiro, mas eu não sei se o Ronaldo escreveu essa música, talvez… Acho que a maioria. Então o Beto passou muito tempo no Rio trabalhando depois do Clube da Esquina, fazendo esses discos, esses trabalhos. Então, tinha a turma da nuvem cigana, que era o grupão do Ronaldo, o Ronaldo ainda morava nessa época em Santa Tereza, tinha as festas, as famosas festas de Santa Tereza eram maravilhosas, porque acabava a cerveja umas cinco, seis vezes durante a noite, por falta de grana, não sei o quê. Então aí, “pô, desliga a música, acabou a cerveja, aqui, vaquinha, não sei o quê, sai quem vai comprar cerveja”, aí continua a festa, “oba!”, mais uma hora e pouco, acaba, desliga a música, “vamo lá, mais vaquinha”. Me lembro muito do Beto nessa época aí e ficava aquelas produções intermináveis e altos convívios.

DISCOS
Clube da Esquina II

Eu volto ao Brasil antes da gravação do Clube II. Eu estava aqui, até participei de um coro, quero dizer, eu não canto, sou completamente desafinado, então foi muito pela amizade mesmo, nem sei qual é a faixa exatamente. Foi o “Falta de Coro”, foi exatamente (RISOS). Eu estava lá no dia, mas fiquei mais embromando, mais do que qualquer coisa, era mais comemorar a amizade, eu estava aqui.
A capa do Clube da Esquina foi tirada na fazenda, tem o arame farpado, os dois jovens, o negro e o baiano que era o outro moreninho. A capa do disco do Clube da Esquina II foi um cartão postal que eu mandei pro Ronaldo de Londres, você pode ver que é uma fotografia de um fotógrafo vitoriano, são aqueles meninos num cais provavelmente olhando pro Tamisa e é um fotógrafo clássico, daqueles vitorianos do século XIX, então é engraçado, não é? E ali, por acaso, coincidiu naquela hora que ele estava fechando a capa e tinha um outro projeto, mas que não gostava, uma coisa do tipo e acabou aquilo ali vencendo. Então, eu estava aqui no Brasil já de volta. Eu volto pro Brasil em 77, fico seis anos, até então eu estava estudando economia, fiz graduação, pós-graduação, aí volto pro Brasil, trabalho aqui, fui professor da PUC seis anos, mas o trabalho que me sustentava mesmo é no IBGE. Lá fiz de tudo, os índices, os censos, e depois que eu fui embora do Brasil de novo em 83 e voltei em 90 e agora estou aqui, só saio pra passear (RISOS).
Nas gravações sempre davam aquelas confusões, estacionamento, e aquilo tudo. Quero dizer, a casa do Milton era o lugar onde ficava muita gente. Por exemplo, teve a casa dele, um apartamento em cima do Túnel Rebouças, é um prédio que você vê até hoje lá, só que ele era virado pro lado contrário do Túnel Rebouças, é um prédio meio de pastilhas verdes e era de tatame no chão. Beto e o Lô moraram muito tempo ali com ele fazendo disco e tocando. Então tinham esses pousos. Lá em casa ficava muita gente, na casa dos meus pais, o Beto ficava, ficou muito, depois mais tarde e todo mundo ia se encaixando de uma maneira ou de outra, porque é aquela história, o Rio de Janeiro sempre foi a sede da parte do negócio da música no Brasil, não é? As gravadoras eram aqui no Rio, essa coisa toda, então, os estúdios estavam aqui, você não tinha essa tecnologia que a gente tem hoje, em que todo mundo tem estúdio em casa e você hoje grava um pouco em Belo Horizonte, depois grava em Los Angeles. Naquela época você vinha pros estúdios no Rio de Janeiro. Hoje em dia, por exemplo, as grandes gravadoras não têm mais estúdio, elas usam o estúdio de terceiros, por causa da velocidade de inovação tecnológica, então… a convivência também era de noite no estúdio, era passar, encontrar, agora, é o trabalho que você tinha, tinha os artistas, tinha os produtores ou produtor, então era uma coisa muito bem definida, os caras trabalhavam muito. Quero dizer, o jazz do Clube da Esquina, as festas, os bares, essa coisa toda, mas no fundo era um enorme trabalho, não é? Aí eu testemunhava domesticamente na minha casa, por causa do Ronaldo, seções de horas e horas e horas, quero dizer, como é que um letrista compõe com gravador, então repetindo uma certa frase dentro de uma música, literalmente, não vou falar dezenas não, centenas de vezes e a lata do lixo na manhã do dia seguinte depois de uma seção noturna coalhada de papel todo amassado. Alguns às vezes eu abria, achei até maravilhosos, mas não era, não estava na altura, quero dizer, então era o Clube da Esquina, não era à toa, era uma coisa de trabalho. Foi um trabalho estratégico, importantíssimo, uma nova sonoridade e uma nova concepção artística que não se faz isso faltando, não é? Eu acho que eu contribuí muito assim na parte do divertimento do Clube da Esquina, acho que era mais, já que eu não sou compositor, não sou cantor. Porque a mesma coisa acontecia, se tocava muito violão. Isso é uma coisa que hoje em dia eu não vejo tanto, não é? Quero dizer, eu ainda convivo com o Milton e tudo, quero dizer, é claro que ele toca violão, mas não a patota inteira tocando violão como se tocava naquela época.
A gravadora acolheu esse trabalho duplo grandioso, mas quem participou obviamente – eu não participei diretamente dessas negociações – mas é uma coisa que o Milton fazia muito, o Ronaldo que atuou na produção dessa fase toda da Odeon. Não era uma coisa tranqüila, várias brigas, pressões e tinham os executivos que no momento acreditaram e apostaram, agora, não foi uma idéia que eles tiveram, “agora oh, vamos fazer”. Houve uma forçação de barra do lado mineiro, vamos chamar assim. Primeiro que havia uma profusão de trabalho muito grande, quero dizer, uma quantidade de músicas e de bons compositores, de músicos excepcionais, se você olhar, porque eu falei de alguns nomes, mas na verdade, vocês sabem um conjunto muito grande que foi chegando, foi chegando, foi chegando, nas bandas. Quando foi se separando, mais tarde nas bandas do Lô, nas bandas do Beto, não é? Mas foi forçado, acho que eles tinham uma concepção artística do que queriam e tiveram que forçar e positivamente tiveram acolhida na Odeon. Mas não, eu me lembro de vários momentos, reclamações e momentos tensos, momentos que eu não participei diretamente, mas participava da rebordosa, então, eu acho que houve por parte da criação do Clube da Esquina um vigor grande na hora de buscar aceitação do que eles queriam, tá? Tinha muito talento ali, isso é verdade, quero dizer, então… E depois, obviamente, do Clube da Esquina, você tem a coisa do Milton no exterior, nos Estados Unidos, em que ele viaja, eu não sei exatamente em que ano ele foi pra lá, mas acho que foi em 69. Ele foi gravar o Courage e os músicos todos que ele teve, quero dizer, então essa coisa, essa dimensão internacional e o vigor dele como compositor também dava uma certa credibilidade pra gravadora apostar, entendeu? Quero dizer, então, houve uma junção de coisas. Os caras apostaram ao mesmo tempo que tinha uma coisa, que era líquido e certo, mas era complicado.

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Beatles

Sessenta e oito deve ter sido, exatamente, o Milton já cantava Beatles ali naquela virada, já cantou “Eleanor Rigby” ali, está anotado no disco, está gravado, aliás. Quero dizer, então, a Lise Bravo, que era naquela época – figura ótima, doce – que era esposa do tecladista Zé Rodrix, do Som Imaginário, ela já tinha estado em Londres e por acaso teve lá, teve uma convivência e tinha fotos com John Lennon, Paul e era a maior comemoração no bar, mostra de novo essa foto, aí, deixa eu ver o Paul, não sei o quê. Você está falando em 68, entendeu? É meio simultâneo, quero dizer, o Rio tem aquela raiz do samba e tinha uma coisa da bossa nova, mas aí, quando chega o Milton e faz essa virada desse trabalho dele com o Som Imaginário, o Rio já estava pronto pra isso. Na verdade foi uma coisa muito nova, porque já era do próprio figurino dos músicos. Você sai daquela coisa, camisa social, ele já tem um colete cheio de pedras com cores. Você vê esse colete na capa com desenho do Kélio Rodrigues. É uma capa maravilhosa aquele disco, tudo branco, com desenho, idéia dele, com o visual do show. Já era uma coisa, era uma novidade impar, quero dizer, segue… Quando surge a “Travessia”, o “Morro Velho” e a “Maria Minha Fé”, que são as três músicas classificadas, você tem o Travessia, o primeiro disco, que é um disco inacreditável, com os arranjos do Luiz Eça; você tem todas as cordas do mundo, você tem um contexto musical mais formal em termos da música, mais jazzístico também, mas foi bem mais formal e você tem essa evolução e aí acho que encontrou todo mundo, os mineiros e os cariocas, não é? Não tinha essa dicotomia, não, até onde eu podia ver. Eu estava sempre no lado, Minas pra mim era visita, era visitar e me sentir bem, mas eu estava sempre com os mineiros do lado de cá, no Rio.

LOCALIDADES
Belo Horizonte

Eu fui a Belo Horizonte demais, eu sou muito amigo, hoje ainda, então, por exemplo, freqüento a casa do Fernando Brant em Minas, entendeu? Mas eu fui a Três Pontas, claro, então, uma famosa viagem. Três Pontas é uma loucura, porque a gente foi no show ainda, então, só pode ter sido o final de 68, por aí. Foi um fim-de-semana, era meio festa. O festival foi depois, foi em 78, dez anos depois. Foi logo no começo. A gente foi e era o show, porque tinha uma Kombi que era da produção desse show e nessa Kombi, sei lá, devia ter o Noveli, que era o baixista da época; tinha o Wagner Tiso, garotão e tinham outros personagens que eu não me lembro. Eu estava lá e me lembro a volta, porque é uma história, Jesus Cristo ajudou. Saímos de lá tipo 11 horas da noite, num domingo. Devia ter uns oito na Kombi e, claro, todo mundo tinha bebido; aí chegou uma hora, mais ou menos duas horas da manhã, ou meia-noite, estava da serra lá perto de São Lourenço, sei lá onde, o motorista falou “Eu não agüento mais de sono, acabou” – o melhor era eu, eu me lembro descendo da Kombi de madrugada, entendeu, o Wagner dormindo atrás. Então conheci Três Pontas, depois fui várias vezes mais, mas eram visitas, eram ocorrências e tudo. Belo Horizonte pra mim é uma cidade querida, tenho muitos amigos e tudo, mas mais visitar, eu nunca morei lá.
Eu me lembro, teve um evento também, isso foi cedo também. Fomos em uma turma. Me lembro que foi uma época que o pessoal do Momento Quatro gostava muito do Milton, ele sempre foi muito popular com os músicos. Eu sei que foi uma turma pra Belo Horizonte. Mas foi ali em 68, de ônibus, não é? Ou andava de fusquinha ou de ônibus, poucos tinham fusquinha, então… E, aí, teve um fato muito engraçado, me lembro o pessoal, o Maurício Maestro da turma do Momento Quatro, do Davi Tiguel, do Ricardo Vilas Boas e fomos pra casa do Roberto Brant, irmão do Fernando que não estava lá, eles tinham ido viajar, alguma coisa e, aí, aquela mesma coisa – qual o programa? Violão, cerveja, cachaça, show, aquelas coisas e tava todo mundo lá. E eu me lembro que dessa vez eu passei mal e vomitei na casa do Roberto Brant toda e mais uns palavrões, eu sei que tinha uma empregada que era a única pessoa e pediu demissão na segunda-feira e essa história sempre vem, todo mundo comenta – “Pô, aquele dia, hein…” – isso tem 40 anos, claro, mas, então… Mas era isso, era, era a convivência, essa história e as conversas bis…

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Avaliação

Eu acho que tudo na vida é um processo e a música também é um processo, então eu acho que foi uma explosão de criatividade. Acho que você tem grandes intérpretes, você pega um cara como o Milton Nascimento, que é um grande compositor, ele é o que eu sempre falo, um grande letrista em si, quando ele só escreve a letra é inacreditável e é ao mesmo tempo um grande cantor, não é? Então o Clube da Esquina é uma junção de grandes músicos, virtuosos, assim… Você tem o Toninho Horta e, isso depois foi se mostrando, na música, no mundo na coisa global, a sonoridade, as harmonias na guitarra, no violão, Toninho Horta como compositor e você vai falando, o Tavinho Moura. Você tem uma junção naquele momento em que é uma música, uma composição de altíssima qualidade, totalmente inovadora na sua forma, como aborda, e uma execução inovadora em termos da música brasileira naquela época, em que você tinha essa junção entre o que vinha do jazz com o que vinha do rock, com o que vinha dos Beatles etc. Então, quero dizer, olhando isso como um processo, é uma coisa que deu uma injeção de criatividade, uma enorme contribuição pra música brasileira, que nunca mais nada vai ser, nada será como antes depois do Clube da Esquina, é mais ou menos isso (RISOS).

Voltar ao topo CONSIDERAÇÕES

Clube da Esquina:

Talvez se eu deixar um registro ou outro, porque como eu falei, são momentos… Eu me considero membro do Clube da Esquina, apesar de não ter escrito nenhuma música, nem escrito, pô, nem feito as outras coisas; tem que lembrar os outros profissionais, por exemplo, o cara da produtora, ele dirigiu aquela Kombi e deixou todo mundo vivo a maior parte da noite, entendeu, foi um cara importante no Clube da Esquina, também.
Eu ia contar só o registro de um caso, só pra ficar registrado, não sei pra quando, que foi uma viagem muito gostosa também de ônibus em que fui eu, o Milton, é, o Danilo Caymmi e o, acabei de esquecer o nome, amigo comum nosso, maravilhoso, daqui a pouco eu me lembro. Fomos conhecer Maracangalha, que era o sítio do pai do Dorival, que na verdade todo mundo… isso já é registrado, que o Maracangalha era na Rio–Petrópolis, um loteamento que, vamos dizer, na época de 50 devia ser um lugar, um paraíso não sei o quê, que a periferia do Rio de Janeiro foi engalfinhando, quando nós fomos lá provavelmente foi em 68, algum momento, já era quase periferia, mas foi muito legal e aí passamos esse fim-de-semana e teve a célebre coisa que eu fui pegar uma… fui dizer que eu era o bom de cozinha, não sei o quê e fui fazer uma taioba, não é? Então, o Milton até hoje fala “que taioba, hein cara?”. Porque aí não era taioba, eu acho que era folha de inhame e ficou aquela coisa horrorosa, e aí, foi. Falamos sempre desse fim-de-semana. Apareceu um coco, coco da Bahia, seco assim, e tinham posto cachaça e era uma cachaça terrível e a gente resolveu, foi ver, foi querer botar fogo, não sei o quê, a cachaça era que nem assim álcool combustível, não é? E, era incrível você poder pegar um ônibus na rodoviária, descer lá na Rio–Petrópolis, pegar outro ônibus pra ir pro fundo, porque esse loteamento onde era Maracangalha, bom, você imagina um com flauta, o outro com violão tocando o tempo todo e depois pegar de volta o outro ônibus, pegar o outro ônibus, ir até a rodoviária, cada um ir para as suas casas, é, quero dizer, ou seja, você não precisa de grandes coisas pra ser feliz, a verdade é mais ou menos essa, quero dizer, era possível, sem celular, sem, sem muita grana, era incrível a quantidade, era outro contexto também não era tão inseguro, eu me lembro que a gente andava pelas madrugadas com violão, tocava na praia e andava muito a pé de um canto pro outro. Eu me lembro uma vez que eu tava com o Milton num circular desse aqui do Rio, na zona Sul, a gente tava indo de Botafogo, provavelmente na minha casa, a casa dos meus pais que era em Botafogo, pra Copacabana, não sei o quê, estava passando pela rua da passagem e vimos um bar chamado Bituca’s bar, aí, descemos, fizemos sinal e descemos e fomos lá tomar uma cerveja, não sei o quê, isso na brincadeira, aquele negócio, você está andando de ônibus, faz sinal, desce no ponto, vai no botequim, entendeu, pede uma cerveja, aí estamos tomando a cerveja, de repente ele olha, ele sempre foi um cara assim, com medo de barata, essas coisas, tinha uma ratazana, mas um negócio quase, até hoje a gente fala dessa história e aí, você, bom, termina a cerveja rapidinho, vai embora, pega o outro ônibus, entendeu? Era mais ou menos a… o quê que era aquela história.

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Clube da Esquina

O Clube da Esquina foi um grande acontecimento, um grande movimento cultural, uma grande base criativa, que impulsionou a música. Eu falo, nunca será a mesma coisa depois do Clube da Esquina. Eu acho que é a oportunidade, porque a gente quando vive as coisas não tem idéia da importância de preservar, de você manter isso pra… que vai provavelmente, o que é interessante é que você sempre vai poder olhar o Clube da Esquina de uma forma diferente. Os que virão daqui a 50 anos, pensa só, a gente vai estar em 2057, entendeu? Milton Nascimento vai ter quanto? Vai ter 104 anos e eu tenho 55, ele vai ter 110, sei lá, eu vou ter 105 anos e você vai ter alguém, se a gente conseguir preservar essa memória, quero dizer… eu fui uma pequena coisa da história, mas tem os personagens que viveram muitos detalhes, muita… é, e que podem ver um ângulo, uma compreensão de uma coisa que nem os que vivenciaram esse processo terão tido, entendeu? Então, eu acho que a função da preservação é essa, tentar fazer o mais viva possível e se essa interpretação, essa maneira, esse olhar do Clube da Esquina for preservado vai ser uma oportunidade para as próximas gerações terem esse benefício também, quero dizer, então acho uma coisa estratégica, uma felicidade, que tenha gente competente se dedicando a isso. Não é fácil abordar uma coisa, porque você vai ter um caminho que parece direto, mas nem sempre é o melhor, não é? Então você vai ter que abordar de várias facetas e não é um trabalho fácil, mas é um trabalho muito bonito, um trabalho de preservação e que eu fico muito feliz, por isso que me deu alegria de poder estar aqui hoje e dar a minha pequena contribuição pra isso.

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